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PETER PAN A HISTÓRIA DO MENINO QUE NÃO QUERIA CRESCER. Parte 6.Os índios Peles-Vermelhas,

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— Ele não disse, mas pelo que fez a gente adivinha.
Peter Pan esperou atrás dum rochedo que o bote passasse perto, e em seguida mergulhou na água e foi nadando até ficar bem debaixo da popa. Botou então a cabeça fora d’água e gritou em voz que imitava perfeitamente a voz de bêbedo do Capitão Gancho:
— Com seiscentos bilhões de caravelas, cortem já as cordas dessa índia e soltem-na!"
Os piratas estranharam semelhante ordem, pois era absurdo soltar, assim sem mais nem menos, uma inimiga que lhes custara tanto a prender. Mas ordens do Capitão Gancho eram ordens; ninguém as discutia, sob pena de levar terríveis ganchadas no nariz. Não estavam vendo o chefe, mas a voz era dele. Nada mais lhes restava senão obedecer — e, portanto cortaram as cordas da índia, dizendo-lhe: — "Está livre. Faça o que quiser."
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— E que é que ela quis? Perguntou Emília.
— Pantera Branca só quis uma coisa: ver-se bem longe daquela gente, e, por conseguinte lançou-se à água e foi nadando, melhor que um peixe, para onde estavam os meninos, lá na praia. Nisto Peter Pan notou que alguém vinha se dirigindo a nado para o bote dos piratas. Era o Capitão Gancho, que havia ficado sozinho no navio para contar um saco de moedas de ouro. Terminara o serviço e agora nadava a toda velocidade para ter o gosto de assistir à morte dá pobre índia.
— Estou imaginando a cara dele ao dar com o bote vazio!...
— Realmente. Quando chegou e soube do acontecimento, encheu-se da maior cólera da sua vida e avançou para os piratas para ganchá-los a todos sem dó nem piedade. Eles, porém, não estiveram por isso, e atirando-se à água fugiram ainda mais rápidos que a índia.
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Sozinho no bote, o Capitão Gancho tomou os remos e virou a proa para terra, vogando na direção onde via os meninos e a índia. Sua ideia era recapturar Pantera Branca, aproveitando-se do extremo cansaço em que, depois de tantos padecimentos, ela devia estar.
Peter Pan, que já havia alcançado a praia, compreendeu o perigo. A índia exausta mal podia consigo e fatalmente iria de novo cair nas unhas do chefe dos piratas. O remédio era enfrentar o Capitão Gancho, atracando-se com ele em luta corpo-a-corpo.
— Gosto dum menino assim! — disse Narizinho entusiasmada. — Não tem medo de coisa nenhuma. Isso é que é.
Pedrinho olhou-a com o rabo dos olhos, como se tais palavras fossem alguma indireta para ele. Mas não eram.
Dona Benta prosseguiu:
— O pirata chegou àquela praia. Desembarcou, e imediatamente Peter Pan o atacou. A luta foi medonha. Se o Capitão tinha mais força que seis Peter Pans reunidos, em compensação Peter Pan tinha mais agilidade do que seis Ganchos. Essa desigualdade tornava as forças bem equilibradas.
Lutaram, lutaram muito tempo, ora na praia, ora dentro d’água, e por fim sobre o rochedo mais próximo. Era luta a unhadas. Por fim o pirata, já de língua de fora de tão cansado, compreendeu que era impossível vencer o terrível menino, e sem a menor vergonha fugiu. Saltou para o bote e fugiu! Era a segunda vez que Peter Pan o derrotava em luta corpo-a-corpo. Ficou todo arranhadinho, mas vitorioso e glorioso.
— "Viva Peter Pan!" — gritou uma voz no rochedo. O menino voltou-se. Era Wendy. Em vez de seguir os outros, que tinham corrido para longe dali, ela havia ficado para acompanhar de perto a luta.
— "Wendy, Wendy!" — gritou ele aflito. — "Sabe que está correndo o maior dos perigos? A maré já começa a crescer e como você não tem forças para nadar até à praia, corre o perigo de morrer afogada."
A situação era sem dúvida das mais graves. Peter Pan franziu de novo a testa. Precisava descobrir um meio de salvar a querida mãezinha dos meninos perdidos antes que a maré subisse a ponto de engolir o rochedo com ela e tudo.
Bote não havia. Carregá-la às costas era perigoso. Que fazer? Olhou para a direita, olhou para esquerda, olhou para baixo, olhou para cima. Acertou em olhar para cima.
Viu um enorme papagaio de papel que voava lá bem em cima, com um rabo de tira de pano que tocava a superfície das águas.
Teve uma ideia. Agarrar o rabo do papagaio e amarrá-lo à cintura da menina. Deu jeito e assim fez. Amarrou o rabo do papagaio à cintura de Wendy e esperou. Instantes depois o vento cresceu; o papagaio subiu mais alto, esticou o rabo.
— Wendy lá se foi pelos ares...
— "Adeus, Wendy! Adeus!" — gritava Peter Pan enquanto ela subia, subia...
Estava salva a menina. Peter Pan tinha agora de salvar-se a si próprio. Outro papagaio não havia. Ficar ali por mais tempo era perigoso, porque a maré já ia bem alta e breve engoliria o rochedo. Em nadar ele nem pensava, porque o cansaço da luta o tinha posto bambo. Que fazer? Olhou para todos os lados em procura de salvação. Súbito, viu ao longe um grande ninho de ave aquática, que fora arrancado pelo vento e lançado à água. Vinha boiando, como uma barquinha redonda. A ave estava dentro, aninhada sobre os ovos.
— "Viva!" — exclamou Peter Pan batendo palmas. — "Eu não poderia ter coisa melhor. Barco e almoço de ovos ao mesmo tempo!..."
Esperou mais um pouco; logo que o ninho chegou a algumas braçadas do rochedo, lançou-se à água e com esforço nadou até ele. Espantou a ave com três berros e lhe tomou o lugar em cima dos ovos. — Que engraçado! — exclamou Emília. — Vão ver que em vez de comê-los Peter Pan chocou os ovos e chegou à casinha de Wendy com uma ninhada de pintos aquáticos!
— Ele não pensou nisso — declarou Dona Benta. — Tratou mas foi de tirar a camisa e fazer uma vela muito boa. O vento deu na vela e impeliu a estranha embarcação para o ponto onde estavam os meninos e a índia. Meia hora depois Peter Pan lá chegava, são e salvo.
Foi recebido com uma gritaria infernal, de entusiasmo, não só pela surra que dera no Capitão Gancho, como pela habilidade com que salvara Wendy e também a si próprio.
— "Viva! Viva Peter Pan!" — gritavam todos, pulando e batendo palmas. — "Viva o menino que não tem medo de nada!"
Todos se abraçaram, beijaram-se e disseram-se mil coisas. Pantera Branca narrou a triste história do combate em que seus índios foram derrotados pelos piratas. Wendy contou a história do seu voo amarrada ao rabo do papagaio, e de como conseguira agarrar-se a uma árvore perto daquele ponto. Os outros nada contaram, porque nada haviam feito.
A grande aventura do Lago das Sereias tinha acabado muito bem. Só havia neste ou naquele um ou outro arranhão — isto sem contar os seis riscos de ganchadas que Wendy descobriu nas costas de Peter Pan.
— "Vamos depressa para casa" — disse a menina aflita.
— "Preciso preparar um remédio para essas machucaduras."

Dona Benta interrompeu a história nesse ponto, deixando o resto para o dia seguinte.

Monteiro Lobato - Domínio Público.

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