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sábado, 9 de fevereiro de 2019

O bicho Manjaléu. - Histórias de Tia Nastácia - Monteiro Lobato



Pedrinho, na varanda, lia um jornal. De repente parou, e disse a Emília, que andava rondando por ali:
— Vá perguntar a vovó o que quer dizer folclore.
— Vá? Dobre a língua. Eu só faço coisas quando me pedem por favor.
Pedrinho, que estava com preguiça de levantar-se, cedeu à exigência da ex-boneca.
— Emilinha do coração — disse ele — faça-me o maravilhoso favor de ir perguntar à vovó que coisa significa a palavra folclore, sim, teteia?
Emília foi e voltou com a resposta.
— Dona Benta disse que folk quer dizer gente, povo; e lore quer dizer sabedoria, ciência. Folclore são as coisas que o povo sabe por boca, de um contar para o outro, de pais a filhos — os contos, as histórias, as anedotas, as superstições, as bobagens, a sabedoria popular, etc. e tal. Por que pergunta isso, Pedrinho?
O menino calou-se. Estava pensativo, com os olhos lá longe. Depois disse:
— Uma ideia que eu tive. Tia Nastácia é o povo. Tudo que o povo sabe e vai contando, de um para outro, ela deve saber. Estou com o plano de espremer tia Nastácia para tirar o leite do folclore que há nela.
Emília arregalou os olhos.
— Não está má a ideia, não, Pedrinho! Às vezes a gente tem uma coisa muito interessante em casa e nem percebe.
— As negras velhas — disse Pedrinho — são sempre muito sabidas.
Mamãe conta de uma que era um verdadeiro dicionário de histórias folclóricas, uma de nome Esméria, que foi escrava de meu avô. Todas as noites ela sentava-se na varanda e desfiava histórias e mais histórias. Quem sabe se tia Nastácia não é uma segunda tia Esméria?
Foi assim que nasceram as Histórias de Tia Nastácia.

O bicho Manjaléu.

Era uma vez um velho que tinha três filhas muito bonitas, mas um velho muito pobre, que vivia de fazer gamelas. Uma vez passou pela sua casa um lindo moço a cavalo; parou e declarou que queria comprar uma das moças. O velho se ofendeu; disse que por ser pobre não era nenhum malvado que andasse vendendo as filhas; mas diante das ameaças do moço teve que aceitar o negócio.

Lá se foi a sua primeira filha na garupa do cavaleiro, e o velho ficou olhando para o ouro recebido.
No dia seguinte apareceu outro moço, ainda mais lindo, montado num cavalo ainda mais bonito e propôs-se a comprar a filha do meio. O velho, bastante aborrecido, contou o que se tinha passado com a primeira, e não quis aceitar o negócio. O moço ameaçou matá-lo, e também lá se foi com a segunda moça na garupa, deixando com o velho dois sacos de dinheiro.

No dia imediato apareceu terceiro moço e depois da mesma discussão lá se foi com a derradeira moça na garupa, deixando em troca três sacos de dinheiro.
O velho ficou muito rico, mas sem as filhas, e começou a criar com grandes mimos um filhinho que havia nascido fora de tempo. Quando já estava na escola esse menino teve uma briga com um companheiro, o qual lhe disse: "Você está prosa por ter pai rico, mas saiba que ele já foi um pobre diabo que vivia de fazer gamelas. Está rico porque vendeu as filhas."
O menino voltou pensativo para casa, mas nada disse. Só quando ficou moço é que pediu ao pai que lhe contasse a história das três irmãs vendidas. O pai contou tudo e ele resolveu sair pelo mundo em procura das irmãs.
No meio do caminho encontrou três marmanjos brigando por causa duma bota, duma carapuça e duma chave. Indagando do valor daquilo, soube que eram uma bota, uma carapuça e uma chave mágicas. Quando alguém dizia à bota: "Bota, bote-me em tal parte!" a bota botava. E se diziam à carapuça: "Carapuça, encarapuce-me!" a carapuça encarapuçava, isto é, escondia a pessoa. E se diziam à chave: "Chave, abre!" a chave abria qualquer porta.
O moço ofereceu pelos três objetos o dinheiro que trazia e lá se foi com eles.
Logo adiante parou e disse: "Bota, bote-me em casa de minha primeira irmã." Mal acabou de pronunciar tais palavras, já se achou na porta de um palácio maravilhoso. Falou com o porteiro. Pediu para entrar, dizendo que a dona do palácio era sua irmã. A irmã soube da sua chegada, acreditou em suas palavras e o recebeu muito bem.
— Mas como conseguiu chegar até aqui, meu irmão?
— Por meio da bota mágica — respondeu ele.
E contou toda a história da sua partida e do encontro dos três objetos mágicos.
Tudo correu bem, mas assim que começou a entardecer a irmã pôs-se a chorar.
— Por que chora, minha irmã?
— Ah — respondeu ela — choro porque sou casada com o rei dos Peixes, um príncipe muito bravo que não quer que eu receba ninguém neste palácio. Ele não tarda a chegar, e mata você, se enxergar você aqui...
O moço deu uma risadinha, dizendo:
—Não tenha medo de nada. Com a carapuça mágica saberei esconder-me.
O rei chegou e logo levantou o nariz para o ar, farejando: — "Sinto cheiro de gente de fora!" mas a rainha mostrou que não havia por ali ninguém e ele sossegou. Tomou um banho e se desencantou num lindo moço.
Durante o jantar a rainha fez esta pergunta:
— Se aparecesse por cá um irmão meu, que faria Vossa Majestade?
— Recebia-o muito bem — disse o rei — porque o irmão da rainha, cunhado do rei é. E se ele está por aqui, que apareça.
O irmão encarapuçado apresentou-se, sendo muito bem recebido.
Contou toda a sua história, mas não aceitou o convite de ficar morando ali por ter de continuar pelo mundo em procura das outras irmãs. O rei olhou com inveja para as botas mágicas, dizendo: "Se eu as pilhasse, iria ver a rainha de Castela."
Na hora da partida o rei deu-lhe uma escama. "Quando estiver em apuros, pegue nesta escama e diga: Valha-me, rei dos Peixes!"
O moço agradeceu o presente e lá se foi depois de dizer à bota: "Bota, bote-me na casa de minha segunda irmã", e imediatamente se achou defronte de outro palácio, onde foi recebido pela segunda irmã, que era a esposa do rei dos Carneiros. "Meu marido logo chega por aí, a dar marradas a torto e a direito, e você não escapa."
— Com a minha carapuça escapo — respondeu o rapaz, rindo-se. E contou a virtude da carapuça encantada. E de fato foi assim, correndo tudo direitinho como lá no palácio do rei dos Peixes. Na hora da partida o rei dos Carneiros disse: "Tome este fio de lã. Quando estiver em apuros, basta que pegue nele e diga: Valha-me, rei dos Carneiros." Em seguida olhou com inveja para as botas mágicas. "Se as pilhasse, iria ver a rainha de Castela."
Logo que o moço se viu na estrada, parou e disse à bota. "Bota, bote-me em casa da minha terceira irmã", e a bota botou-o no portão dum terceiro palácio ainda mais belo que os outros. Era ali o reino do rei dos Pombos, onde tudo aconteceu como no reino do rei dos Peixes e no reino do rei dos Carneiros. Foi muito bem recebido e festejado, até que na hora da partida o rei dos Pombos suspirou olhando para as botas, e disse: "Se eu pilhasse essas botas, iria ver a rainha de Castela." Em seguida deu ao moço uma pena, dizendo:
"Quando estiver em apuros, pegue nesta pena e diga: Valha-me, rei dos Pombos."
Logo que o moço se viu na estrada, pôs-se a pensar na tal rainha de Castela que os três príncipes queriam visitar, e disse à bota mágica: "Bota, bote-me no reino da rainha de Castela!" E num instante a bota o botou lá.
Soube que era uma princesa solteira, tão linda que ninguém passava pela frente do seu palácio sem erguer os olhos, na esperança de vê-la à janela — mas a princesa tinha jurado só se casar com quem passasse pelo palácio sem erguer os olhos.
O moço então passou pela frente do palácio sem erguer os olhos e a princesa imediatamente casou com ele. Depois do casamento a princesa quis saber para que serviam aqueles objetos que ele sempre trazia consigo— e o que mais a interessou foi a chave de abrir todas as portas.
A razão disso era haver no palácio uma sala sempre fechada, onde o rei não permitia que ninguém entrasse. Nela morava o Manjaléu — um bicho feroz, que por mais que o matassem revivia sempre. A princesa andava ardendo de curiosidade de ver o bicho Manjaléu, e certa vez, em que o rei e o marido foram à caça, pegou a chave e abriu a porta da sala do mistério. Mas o bicho feroz pulou e agarrou-a, dizendo: "Era você mesma que eu queria!" E lá se foi para a floresta com a pobre moça ao ombro Quando o rei e o marido da princesa voltaram da caça e souberam do acontecido, ficaram desesperados. Mas o dono das botas mágicas prometeu consertar tudo. Agarrou-as e disse: "Bota, bote-me onde está minha esposa".
E a bota botou-o.
O moço encontrou a princesa sozinha, pois que o Manjaléu andava pelo mato caçando.
— Minha querida esposa — disse ele — precisamos dar cabo desse monstro feroz, mas para isso é necessário que eu saiba onde é que ele tem a vida. A vida do Manjaléu está tão bem oculta que todas as tentativas para matá-lo têm falhado. Trate de saber onde ele tem a vida.
A princesa prometeu que assim faria, e quando o Manjaléu voltou deu jeito da conversa recair naquele ponto.
Manjaléu desconfiou.
— Ahn! Quer saber onde eu tenho a vida para me matar, não é? Não conto, não.
Mas a princesa, teimosa, tanto insistiu durante dias e dias que o bicho Manjaléu resolveu contar tudo. Antes disso ele amolou bem amolado, um alfanje, dizendo: "Vou contar onde está minha vida, mas se perceber que alguém quer dar cabo de mim corto sua cabeça com este alfanje, está ouvindo?"
A princesa aceitou a proposta. Ele que contasse tudo que ela ficaria com o pescoço às ordens do alfanje, no caso de alguém atentar contra vida do monstro. E o bicho Manjaléu então contou: "Minha vida está no mar. Lá no fundo há um caixão; nesse caixão há uma pedra; dentro da pedra há uma pomba; dentro da pomba há um ovo; dentro do ovo há uma velinha, que é a minha vida. Quando essa vela apagar-se, eu morrerei".
No dia seguinte, quando o bicho Manjaléu saiu novamente a caçar, o marido da princesa, que estivera escondido pela carapuça, apresentou-se.
"E então?" — perguntou. A princesa contou-lhe direitinho tudo que ouvira ao monstro.
O moço dirigiu-se à praia do mar e pegou na escama, dizendo:
"Valha-me, rei dos Peixes!" E imediatamente o mar se coalhou de peixes que indagavam do que ele queria.
— Quero saber em que ponto do fundo do mar há um caixão assim e assim.
— Eu sei — respondeu um enorme baiacu.
— Ainda há pouquinho esbarrei nele. Esse caixão está em tal e tal parte.
— Pois quero que me tragam aqui esse caixão.
Os peixes saíram na volada; logo depois apareceram empurrando um caixão para a praia. O príncipe abriu-o e encontrou a pedra. Como quebra-la?
Lembrou--se do fio de lã. Pegou no fio de lã e disse: "Valha-me, rei dos Carneiros!" Imediatamente apareceram inúmeros carneiros, que deram tantas marradas na pedra que a partiram.
Enquanto isso, lá longe, o Manjaléu, com a cabeça no colo da princesa e o alfanje na mão, ia sentindo coisas esquisitas.
— Minha princesa — disse ele — estou me sentindo doente. Alguém está mexendo na minha vida.
E sua mão apertou o cabo do alfanje.
A princesa engambelou-o como pôde, para ganhar tempo. Ela sabia que seu marido estava em procura da vida do monstro.
Assim que os carneiros quebraram a pedra, uma pombinha voou de dentro e lá se foi pelos ares. O moço lembrou-se da pena, pegou-a e disse:
"Valha-me, rei dos Pombos!" Imediatamente o ar se encheu de pombos, que o moço mandou voarem em perseguição da pombinha. Os pombos foram atrás dela e a pegaram. O moço tomou-a, espremeu-a e fez sair um ovo.
Lá longe o Manjaléu se sentia cada vez pior. Começava a desfalecer; e como não tivesse dúvidas sobre o que era aquilo, foi levantando o alfanje para degolar a princesa. Mas não teve tempo. O moço havia quebrado o ovo e assoprado a velinha. A mão do Manjaléu moleou — e seus olhos fecharam-se para sempre.
Estava o reino de Castela livre daquele horrendo monstro. O moço levou a princesa para o palácio, onde o rei a recebeu com lágrimas nos olhos. E para comemorar o grande acontecimento decretou uma semana inteira de festas. E acabou-se a história.

Histórias de Tia Nastácia – Monteiro Lobato.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Cantigas folclóricas e cantigas de roda.

Fonte da imagem:https://deptoinfantojuveniladparque.wordpress.com/para-criancas/criancasbrincandoroda/

O pobre cego
Minha Mãe acorde, de tanto dormir
Venha ver o cego, Vida Minha, cantar e pedir
Se ele canta e pede, de-lhe pão e vinho
Mande o pobre cego, Vida Minha, seguir seu caminho
Não quero teu pão, nem também teu vinho
Quero só que a minha vida, Vida Minha, me ensine o caminho
Anda mais Aninha, mais um bocadinho,
Eu sou pobre cego, Vida Minha, não vejo o caminho.
Peixinho do mar
Quem me ensinou a nadar
Quem me ensinou a nadar
Foi, foi, marinheiro
Foi os peixinhos do mar.
Pezinho
Ai bota aqui
Ai bota aqui o seu pezinho
Seu pezinho bem juntinho com o meu
E depois não vá dizer
Que você se arrependeu!

Que é de Valentim
Que é de Valentim ? Valentim Trás Trás
Que é de Valentim ? É um bom rapaz
Que é de Valentim ? Valentim sou eu!
Deixa a moreninha, que esse par é meu!

Roda pião
O Pião entrou na roda, ó pião!
Roda pião, bambeia pião!
Sapateia no terreiro, ó pião!
Mostra a tua figura, ó pião!
Faça uma cortesia, ó pião!
Atira a tua fieira, ó pião!
Entrega o chapéu ao outro, ó pião!
Samba Lelê
Samba Lelê está doente
Está com a cabeça quebrada
Samba Lelê precisava
De umas dezoito lambadas
Samba, samba, Samba ô Lelê
Pisa na barra da saia ô Lalá
Ó Morena bonita,
Como é que se namora ?
Põe o lencinho no bolso
Deixa a pontinha de fora.
São João da Rão
São João Da Ra Rão
Tem uma gaita-ra-rai-ta
Que quando toca-ra-roca
Bate nela
Todos os anja-ra-ran-jos
Tocam gaita-ra-rai-ta
Tocam gaita-ra-rai-ta
Aqui na terra
Maria tu vais ao baile, tu “leva” o xale
Que vai chover
E depois de madrugada, toda molhada
Tu vais morrer
Maria tu vais “casares”, eu vou te “dares”
Eu vou te “dares” os parabéns
Vou te “dartes” uma prenda
Saia de renda e dois vinténs.
Sapo Jururu
Sapo Jururu na beira do rio
Quando o sapo grita, ó Maninha, diz que está com frio
A mulher do sapo, é quem está la dentro
Fazendo rendinha, ó Maninha, pro seu casamento.

Tutu Marambá
Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar
Durma neném, que a Cuca logo vem
Papai está na roça e Mamãezinha em Belém
Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar.
Vai abóbora
Vai abóbora vai melão de melão vai melancia
Vai jambo sinhá, vai jambo sinhá, vai doce, vai cocadinha
Quem quiser aprender a dançar, vai na casa do Juquinha
Ele pula, ele dança, ele faz requebradinha .
Vamos maninha
Vamos Maninha vamos,
Lá na praia passear
Vamos ver a barca nova que do céu caiu do mar
Nossa Senhora esta dentro,
Os anjinhos a remar
Rema rema remador, que este barco é do Senhor
O barquinho já vai longe
E os anjinhos a remar
Rema rema remador, que este barco é do Senhor (bis).

Você gosta de mim?
Você gosta de mim, ó menina?
Eu também de você, ó menina
Vou pedir a seu pai, ó menina,
Para casar com você, ó menina
Se ele disser que sim, ó menina,
Tratarei dos papéis, ó menina,
Se ele disser que não, ó menina,
Morrerei de paixão.

Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/aprender/indicacao/45-cantigas-folcloricas-para-brincar-de-roda-com-as-criancas/

segunda-feira, 27 de março de 2017

Cantigas de roda, Folclore Brasileiro.

Fonte da imagem: http://guerreiradaluz-metamorfosedalma.blogspot.com.br/2010/10/com-os-olhos-da-alma.html

Eu entrei na roda

Ai, eu entrei na roda
Ai, eu não sei como se dança
Ai, eu entrei na “rodadança”
Ai, eu não sei dançar

Sete e sete são quatorze, com mais sete, vinte e um
Tenho sete namorados só posso casar com um

Namorei um garotinho do colégio militar
O diabo do garoto, só queria me beijar

Todo mundo se admira da macaca fazer renda
Eu já vi uma perua ser caixeira de uma venda.


A gatinha parda.

A minha gatinha parda, que em Janeiro me fugiu
Onde está minha gatinha,
Você sabe, você sabe, você viu ?

Eu não vi sua gatinha, mas ouvi o seu miau
Quem roubou sua gatinha
Foi a bruxa, foi a bruxa pica-pau.


A rosa amarela.

Olha a Rosa amarela, Rosa
Tão Formosa, tão bela, Rosa
Olha a Rosa amarela, Rosa
Tão Formosa, tão bela, Rosa

Iá-iá meu lenço, ô Iá-iá
Para me enxugar, ô Iá-iá
Esta despedida, ô Iá-iá
Já me fez chorar, ô Iá-iá…


Cachorrinho.

Cachorrinho está latindo lá no fundo do quintal
Cala a boca, Cachorrinho, deixa o meu benzinho entrar

Ó Crioula lá! Ó Crioula lá, lá!
Ó Crioula lá! Não sou eu quem caio lá!

Atirei um cravo n’água de pesado foi ao fundo
Os peixinhos responderam, viva D Pedro Segundo.


A barraquinha.

Vem, vem, vem sinhazinha
Vem, vem, vem Sinhazinha
Vem, vem para provar
Vem, vem, vem Sinhazinha
Na barraquinha comprar
Pé de moleque queimado
Cana, aipim, batatinha
Ó quanta coisa gostosa
Para você Sinhazinha.


Mineira de Minas.

Sou mineira de Minas,
Mineira de Minas Gerais

Rebola bola você diz que dá que dá
Você diz que dá na bola, na bola você não dá!

Sou carioca da gema,
Carioca da gema do ovo

Rebola bola você diz que dá que dá
Você diz que dá na bola, na bola você não dá!


Na Bahia tem.

Na Bahia tem, tem tem tem
Coco de vintém, ô Ia-iá
Na Bahia tem!

Na beira da praia
Na beira da praia
Eu vou, eu quero ver
Na beira da praia,
Só me caso com você

Na beira da praia
Você diz que não, que não,
Você mesmo há de ser

Água tanto deu na pedra,
Que até fez amolecer,
Na beira da praia.


Na loja do mestre André.

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um pianinho,
Plim, plim, plim, um pianinho
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!

Foi na loja do Mestre André

Que eu comprei um violão,
Dão,dão,dão, um violão
Plim, plim, plim, um pianinho
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei uma flautinha,
Flá, flá, flá, uma flautinha
Dão,dão,dão, um violão
Plim, plim, plim, um pianinho

Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um tamborzinho,
Dum, dum, dum, um tamborzinho
Flá, flá, flá, uma flautinha
Dão, dão, dão, um violão
Plim, plim, plim, um pianinho
Ai olé, ai olé!

Foi na loja do Mestre André!

Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/aprender/indicacao/45-cantigas-folcloricas-para-brincar-de-roda-com-as-criancas/

sábado, 26 de novembro de 2016

Cantigas de roda.

Atirei o pau no gato.

Atirei o pau no ga-to-to,
mas o ga-to-to
não morreu-reu-reu.
Dona Chi-ca-ca
admirou-se-se
com o be-rro,
com o be-rro
que o gato deu:
miaaaaaauuuu…

Sai, piaba.

Sai, sai, sai,
Ó, piaba,
saia da lagoa.
Bota a mão na cabeça,
a outra na cintura.
Dá um remelexo no corpo,
dá uma umbigada
no outro.


Pai Francisco.

Pai Francisco entrou na roda,
tocando o seu violão
dão rão rão dão dão [bis]
Vem de lá seu delegado,
E Pai Francisco
foi pra prisão.
Como ele vem todo requebrado,
parece um boneco
desengonçado.

Se esta rua fosse minha.

Se esta rua, se esta rua
fosse minha,
eu mandava,
eu mandava ladrilhar
com pedrinhas,
com pedrinhas de brilhantes
para o meu,
para o meu amor passar.

Nesta rua,
nesta rua tem um bosque,
que se chama,
que se chama solidão.
Dentro dele,
dentro dele mora um anjo,
que roubou,
que roubou meu coração.

Se eu roubei,
se eu roubei teu coração,
tu roubaste,
tu roubaste o meu também.
Se eu roubei,
se eu roubei teu coração,
é porque,
é porque te quero bem.


Pombinha branca.

Pombinha branca,
o que está fazendo?
Lavando a roupa
do casamento.
A roupa é suja
é cor-de-rosa
pombinha branca
é preguiçosa.

domingo, 26 de junho de 2016

Cantigas de roda para festas juninas. Danças folclóricas gaúchas.

Fonte da imagem:http://pt.slideshare.net/SimoneHelenDrumond/apostila-quem-canta-seus-males-espanta-vol1

Pezinho.

Folclóricas Gaúchas.

Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho bem juntinho com o meu
Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho, o teu pezinho ao pé do meu

E depois não vá dizer
Que você já me esqueceu [2x]

Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho bem juntinho com o meu
Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho, o teu pezinho ao pé do meu

E no chegar desse teu corpo
Ai um abraço quero eu [2x]

Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho bem juntinho com o meu
Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho, o teu pezinho ao pé do meu

Agora que estamos juntinhos
Dá cá um abraço e um beijinho [2x]

Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho bem juntinho com o meu
Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho
O teu pezinho, o teu pezinho ao pé do meu.


Para ver o vídeo do Pezinho clique AQUI


Canções Populares.

“Capelinha de Melão.

É de São João,
É de cravo é de rosa é de manjericão.
São João está dormindo não acorda não...
Acordai,
Acordai,
Acordai,
João “

VIVA SÃO JOÃO !!!


O BALÃO VAI SUBINDO.

O balão vai subindo
Vem caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa
São João, São João,
Acende a fogueira
Do meu coração.


Sapo Cururu.

Cantigas Populares

Sapo Cururu na beira do rio
Quando o sapo grita, ó Maninha, diz que está com frio
A mulher do sapo, é quem está lá dentro

Fazendo rendinha, ó Maninha, pro seu casamento.




Mais sobre cantigas populares clique AQUI

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Iara, a mãe d‘água. Folclore brasileiro.


Iara, a mãe d‘água, provavelmente uma aculturação europeia com raízes nas sereias, é uma figura mitológica difundida entre os indígenas e caboclos após o século XVII. Descrita como uma mulher muito bonita, ela atrai os pescadores ou quem quer que se aproxime do rio ou da praia à noite, levando a afogar-se na busca por diversão. Meio peixe e meio mulher, apresenta-se penteando os cabelos ou cantando, atrai quem a observa pelo efeito hipnótico de sua imagem ou canto, fazendo com que, na ânsia de alcançá-la, o observador mergulhe nas profundezas das águas, morrendo afogado. Em algumas comunidades, tem a reputação de protetora das águas e da pesca.


Autora: ELITA DE MEDEIROS – Domínio Público.

domingo, 19 de junho de 2016

A Gralha Azul. Folclore brasileiro.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=65814&picture=grua-azul-em-santuario

Ave das regiões serranas, à gralha azul atribui-se a expansão das florestas de araucária, a qual, semeada pelo pássaro, estendeu-se por boa parte da região sul. O pássaro planta o pinhão depois de tirar-lhe a cabeça, pois ela apodrece o fruto, e planta-o com a parte mais fina para cima, facilitando a brotação.
A lenda da gralha azul conta sobre um caçador que, após matar uma destas aves, desmaia quando o estilhaço da pólvora volta para seu rosto e tem um sonho ou visão em que a gralha aparece, contando o que faz e fazendo-o pensar que, pela lei, o caçador é impedido de matar seu semelhante, mas a gralha azul, que cuida da propagação da floresta de pinheiros, é morta sem qualquer piedade.


Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ea000874.pdf

Tema: 

proteção aos animais, ecologia, cuidados com a natureza. 

Para pintar:

Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/p%C3%A1ssaro-gralhas-corvo-voar-147267/

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Lenda do Boitatá. Folclore brasileiro.

O nome boitatá vem da língua indígena e quer dizer cobra de fogo.
Durante o dia o Boitatá é cego, não enxerga nada, sua visão é perfeita à noite.
Diz a lenda que certa noite a lua não apareceu, nem as estrelas no céu, a escuridão era total, um breu. Passado algum tempo, o dia não surgiu, pois, o sol também não apareceu e ficou tudo na escuridão por vários dias.
As pessoas que moravam nos vilarejos estavam passando fome e frio. Não havia como cortar lenha para os braseiros que mantinham as pessoas aquecidas, nem como caçar naquela escuridão. Pra piorar tudo, começou a chover sem parar.
A chuva inundou tudo e muitos animais acabaram morrendo.
Uma cobra boiguaçu que dormia num imenso tronco acordou faminta e começou a comer as únicas coisas que enxergava, os olhos de animais mortos que brilhavam boiando nas águas.
Alguns dizem que eles brilhavam devido a luz do último dia em que os animais viram o sol. De tanto olhos brilhantes que a cobra comeu, ela ficou toda brilhante como fogo e transparente.
A cobra se transformou num monstro incandescente, o Boitatá. Dizem que o Boitatá assusta as pessoas quando essas viajam na mata à noite. Mas muitos acreditam que o Boitatá protege as matas contra incêndios. De qualquer forma se você encontrar um Boitatá use óculos escuros ou feche os olhos e fique bem parado quase sem respirar.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A LINDA ROSA. Cantiga de roda - folclore brasileiro.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=130892&picture=as-criancas-do-sol

A garotada entra no ritmo com as danças de roda.

As crianças rodopiam e cantam canções que têm temas pra lá de variados: barata, peixe, feiticeira... Além de ser um ótimo exercício físico, essa brincadeira ajuda a desenvolver a fala.

Mais que passatempos, as brincadeiras de roda desenvolvem a expressão oral, a audição e o ritmo dos pequenos. Enquanto rodam no pátio, cantando as divertidas canções, eles ainda se exercitam, trabalhando o equilíbrio e a coordenação motora. Vale um lembrete: é importante que os alunos conheçam a coreografia tradicional das cirandas como forma de preservar nossa cultura. Mas incentive as adaptações e a criação de movimentos. Assim, você mantém o interesse da garotada em alta.

A LINDA ROSA.A cantiga tem princesa, rei e, claro, uma bruxa má.


MÚSICA 


A linda Rosa juvenil, juvenil, juvenil, 

A linda Rosa juvenil, juvenil. 
Vivia alegre no seu lar, no seu lar, no seu lar, 
Vivia alegre no seu lar, no seu lar. 
Mas uma feiticeira má, muito má, muito má, 
Mas uma feiticeira má, muito má 
Adormeceu a Rosa assim, bem assim, bem assim, 
Adormeceu a Rosa assim, bem assim. 
Não há de acordar jamais, nunca mais, nunca mais, 
Não há de acordar jamais, nunca mais. 

O tempo passou a correr, a correr, a correr, 

O tempo passou a correr, a correr. 
E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor, 
E o mato cresceu ao redor, ao redor. 
Um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei, 
Um dia veio um belo rei, belo rei 
Que despertou a Rosa assim, 
bem assim, bem assim, 
Que despertou a Rosa assim, bem assim. 
Batemos palmas para os dois, para os dois, para os dois

Batemos palmas para os dois, para os dois.

PARTICIPANTES No mínimo seis. 


ORGANIZAÇÃO Três crianças representam a Rosa, o rei e a feiticeira. As demais se organizam em roda, com a Rosa no centro. 


COMO BRINCAR As crianças cantam a cantiga em roda representando alguns trechos. Quando chegam ao verso "Adormeceu a Rosa assim...", a feiticeira entra no círculo e joga um feitiço na Rosa, que "dorme" deitando no chão. Ao cantar "E o mato cresceu ao redor...", as que estão na roda mostram o mato crescido esticando os bracinhos sobre a Rosa. No final, a Rosa e o rei saltam ou fazem um corrupio mostrando o quanto estão felizes.


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/garotada-entra-ritmo-dancas-roda-422968.shtml?page=all 





sábado, 28 de novembro de 2015

Ali Babá e os 40 ladrões.

Xerazade e o sultão Xariar, por Ferdinand Keller.

Numa cidade da Pérsia  viviam os irmãos Cássim e Ali Babá. Cássim era um dos mercadores mais ricos da cidade, mas Ali Babá vivia na miséria e tinha de cortar lenha numa floresta para sustentar a família.
Um dia Ali Babá estava cortando lenha quando viu se aproximar uma nuvem de poeira. “– Que será isso?” – pensou. Percebeu que se tratava de homens a cavalo que vinham em sua direção e, temendo que fossem bandidos, subiu numa árvore, junto a uma grande rocha, e se escondeu em meio à folhagem.
Do alto podia ver tudo sem ser visto. Então chegaram àquele lugar quarenta homens muito fortes e bem armados, com caras de poucos amigos. Ali concluiu que eram quarenta ladrões. Os homens desapearam dos cavalos e puseram no chão sacos pesados que continham ouro e prata. O mais forte dos ladrões, que era o chefe, aproximou-se da rocha e disse:
– Abre-te, Sésamo!
 Assim que essas palavras foram pronunciadas, abriu-se uma porta na caverna. Todos passaram por ela, e a porta se fechou novamente.
Depois de muito tempo, a passagem voltou a seabrir, e por ela saíram os quarenta ladrões. Quando todos estavam fora, o chefe disse:
– Fecha-te, Sésamo!
Os bandidos colocaram os sacos em suas montarias e voltaram pelo mesmo caminho pelo qual tinham vindo. Ali os seguiu com os olhos até desaparecerem.
Quando se viu em segurança, desceu da árvore, dirigiu-se à rocha e disse:
–Abre-te, Sésamo!
A porta se abriu e Ali Babá ficou sem palavras diante do que seus olhos viram: uma grande caverna cheia dos tecidos mais finos, tapetes belíssimos e uma enorme quantidade de moedas de ouro e prata dentro
de sacos. Ali entrou com os três burros que costumava levar quando ia cortar lenha, e a porta imediatamente se fechou atrás dele. O rapaz carregou os animais com sacos de moedas de ouro e, depois disso,
pronunciou as palavras mágicas que abriam e fechavam a porta da caverna e foi em direção à cidade.
Quando viu o ouro, sua mulher pensou que o marido tinha-se tornado um ladrão, mas ele contou tudo o que acontecera, recomendando-lhe que mantivesse segredo absoluto a respeito daquela história.
Quando Ali falou em esconder as moedas num buraco, a mulher, então, disse:
– Boa idéia, mas antes quero contar quantas medidas de ouro temos. Vou pedir um medidor ao vizinho, enquanto você cava o buraco.
O vizinho era, justamente, Cássim, irmão de Ali Babá, que não estava em casa.  Ela, então, pediu à mulher dele o medidor emprestado: uma espécie de concha grande, com a qual se calculavam as medidas de açúcar e outros mantimentos. Cheia de desconfiança, a cunhada pensou:
– Que coisa mais estranha! Para que querem um medidor? O que é que a mulher de Ali Babá está querendo contar naquela casa tão miserável?
Para descobrir o que era, decidiu untar com sebo o medidor; talvez um pouco daquilo ficasse grudado sem que ninguém percebesse...
Enquanto Ali cavava, sua mulher calculou as medidas de ouro; depois, foi devolver o medidor à vizinha sem perceber que uma das moedas ficara
presa ao sebo. A vizinha viu a moeda, ficou espantada, ardeu de inveja e, quando o marido chegou a casa, disse-lhe:
– Você pensa que é rico, Cássim, mas Ali Babá é muito mais: até calcula quantas medidas de ouro tem!
Cássim também foi tomado pela inveja e nem pôde dormir aquela noite. No dia seguinte, foi até a casa do irmão disposto a esclarecer aquilo tudo. Lá, até ameaçou denunciar Ali à justiça, se ele não lhe contasse tudo. Ali Babá, então, acabou por contar o que lhe acontecera; depois, pediu segredo ao irmão, prometendo-lhe, em recompensa, uma parte
 tesouro. Cássim concordou e se despediu do irmão. Mas na manhã
seguinte, bem cedo, dirigiu-se à caverna sozinho, com dez burros, disposto a voltar carregado de ouro. Ao chegar à porta da rocha, disse:
– Abre-te, Sésamo!
A porta se abriu, Cássim entrou e ela se fechou de novo atrás dele. Que
surpresa e contentamento sentiu quando a sua frente pôde ver tesouros que ele nem em sonho poderia imaginar! Apoderou-se de tudo o que podia levar, carregando os burros, e, quando foi sair, disse:
– Abre-te, Cevada!
Mas a porta continuou fechada. Foi então que ele se deu conta de que esquecera qual era a fórmula mágica para abrir a passagem. Apavorado, tentou outras frases, mas nada, não conseguia acertar!
Por volta de meio-dia, os ladrões retornaram à rocha. Pronunciaram as palavras mágicas e entraram.
Ao verem Cássim, ficaram furiosos e imediatamente o mataram. Depois, interrogaram-se surpresos: como aquele homem conseguira entrar? Como descobrira o segredo? Para que ninguém ousasse sequer seaproximar da rocha novamente, cortaram o corpo de Cássim em quatro partes e o deixaram pendurado lá dentro. Depois, foram embora.
A esposa de Cássim ficou muito preocupada quando viu cair a noite sem que seu marido regressasse.
Foi à casa do cunhado e expressou seus temores. Ali, suspeitando de que algo grave acontecera, foi para a caverna. Quase desmaiou quando viu o corpo do irmão cortado em pedaços. Recolheu-os em dois pacotes e voltou para a cidade com a intenção de sepultá-los.
Os quarenta ladrões ficaram espantados ao retornar à caverna e não avistarem o corpo de Cássim. O chefe disse ao bando:
– Estamos perdidos! Precisamos dar um jeito nisso, ou perderemos todas as nossas riquezas.
O corpo desaparecido mostra que duas pessoas conseguiram descobrir nosso segredo: liquidamos uma delas, agora precisamos acabar com a outra.
Um dos ladrões se dispôs a ir à cidade, encarregando- se da missão de descobrir quem era a pessoa que sabia do segredo. Se falhasse, seria morto por seus colegas, que, despedindo-se dele, elogiaram muito sua bravura.
Havia um sapateiro na cidade, muito trabalhador e querido, chamado Baba Mustafá. Ali Babá o encarregara de costurar o corpo do irmão Cássim para o enterrar com decência. Por uma infeliz coincidência, foi justamente esse homem que o ladrão primeiramente viu ao chegar à cidade de manhãzinha, pois a loja do sapateiro era a única aberta àquela
hora. O ladrão o cumprimentou e disse:
– O senhor começa seu trabalho muito cedo!
Na sua idade, não sei como consegue enxergar para costurar esses sapatos!
– Apesar de velho, meus olhos são muito bons.
Há pouco tempo costurei um morto num lugar que tinha menos luz que nesta minha loja – respondeu Baba Mustafá.
Contente com aquela informação, o ladrão colocou duas moedas de ouro na mão do sapateiro, rogando-lhe que dissesse onde ficava a casa em que
ele costurara o morto. Depois de olhar para aquelas moedas brilhantes, Baba Mustafá acabou por concordar e levou o ladrão até a frente da casa de Cássim, que agora pertencia a Ali Babá. O ladrão pegou um pedaço de giz e fez uma cruz na porta. Depois, foi-se em direção à floresta.
A esposa de Cássim tinha uma criada de rara beleza e esperteza, Morjana. A moça, ao sair da casa, notou o sinal e desconfiou de alguma tramóia:
– Que será isso? Que coisa mais estranha!
Certamente querem prejudicar meu patrão!
Pegou, então, um pedaço de giz e marcou com o mesmo sinal três portas à direita e mais três à esquerda.
Os ladrões foram até à cidade e pararam diante de uma das portas que tinham a marca de giz feita por Morjana. O ladrão que tinha estado ali no dia anterior disse:
– É esta!

O chefe, porém, notou que havia outras seis casas cujas portas traziam o mesmo sinal e perguntou-lhe qual era, de fato, a porta que ele tinha marcado. Confuso, o homem não soube o que responder. Voltaram todos para a floresta, e o ladrão que falhara em sua missão foi executado pelos colegas.
Aquilo já era uma afronta! Um dos ladrões se dispôs espontaneamente a retornar à cidade e descobrir onde morava o homem que descobrira o segredo da caverna. Chegou, como o primeiro, ao raiar do dia, e topou com Baba Mustafá. A história se repetiu: o sapateiro acabou por conduzir o ladrão até a casa de Ali Babá. Para não se confundir como o primeiro, o ladrão marcou a casa com um sinal vermelho e voltou para junto dos seus. Como da outra vez, Morjana notou o sinal e marcou várias outras portas das proximidades com marca semelhante.
Quando o bando rumou para a cidade, viu-se diante da mesma confusão da outra vez, e o segundo bandido encarregado daquela missão foi executado.
Os ladrões agora eram trinta e oito. Depois daquele segundo fracasso, o chefe resolveu ele mesmo se encarregar da missão. Foi pessoalmente à cidade, encontrou Baba Mustafá e, diante da casa de Ali Babá, em vez de deixar algum sinal, limitou-se a observá-la cuidadosamente, examinando cada detalhe que a distinguia das outras. Depois, voltou para a floresta e pôs em execução o seu plano.
Mandou comprar trinta e oito grandes barris para guardar azeite. Encheu de azeite apenas um deles e, nos outros, fez com que entrassem os bandidos, fortemente armados. Em cada barril, havia pequenos buracos para que os homens pudessem respirar.
Com os trinta e sete barris que serviam de esconderijo aos ladrões e mais um barril cheio de azeite, carregaram-se dezenove mulas, e lá se foi o chefe à cidade. Localizou facilmente a casa de Ali Babá, que estava na frente tomando ar. Disse-lhe:
– Venho de muito longe e vim à cidade para vender meu azeite. Mas cheguei cedo demais. A noite está caindo e eu preciso dar algum descanso para as minhas mulas. O senhor não poderia me abrigar em sua casa só por esta noite?
Ali Babá não reconheceu o bandido, que estava disfarçado, e aceitou amigavelmente recebê-lo em sua casa. Mandou que Morjana preparasse para o hóspede um jantar e uma cama. Os barris foram descarregados das mulas e colocados no pátio da casa.
Após a refeição, Ali Babá foi dormir, e o chefe dos ladrões conseguiu às escondidas encaminhar-se para onde estavam os barris. Disse a cada um dos seus homens que neles se escondiam:
– À meia-noite, quando ouvirem minha voz, usem suas facas para abrir a tampa dos barris e saiam.
Após instruir seus homens, foi ao quarto que Morjana lhe havia preparado e fingiu que dormia.
A escrava foi cuidar do serviço de casa. Estava entretida com seus afazeres, quando, de repente, as lamparinas se apagaram. Mas não havia azeite na casa. Que fazer? O escravo Abdullah, vendo-a toda atrapalhada, disse:
– Por que essa tempestade em copo de água? Há tantos barris cheios de azeite no pátio! Por que você não vai lá pegar a quantidade necessária?
Assim fez Morjana. Mas, ao se aproximar do primeiro barril, ouviu o bandido que estava escondido dentro dele dizer, baixinho:
– Já está na hora?
Assustada, Morjana ficou um tempo sem saber o que responder. Percebeu que em vez de azeite aqueles barris escondiam bandidos perigosos.
Rapidamente, pensou num meio de enfrentar aquela situação delicada. Criou coragem e, imitando a voz do chefe dos bandidos, disse:
– Ainda não é hora. Tenha paciência.
Morjana foi de barril em barril, dando sempre a mesma resposta aos ladrões que lhe perguntavam se tinha chegado a hora. O último barril continha azeite de verdade. Morjana encheu um jarro, acendeu uma lamparina e pôs em prática seu plano.
Numa grande panela ferveu azeite. Depois, indo de barril em barril, derramou o líquido fervente sobre cada bandido, matando-os todos.
À meia-noite, o chefe se levantou da cama, foi até o pátio e chamou seus homens. Não houve resposta. Sentindo cheiro de carne queimada, assustou-se. Abriu o primeiro barril, depois o segundo e os demais – e só encontrou cadáveres. Temendo pela sua própria vida, fugiu correndo.
De manhã, Ali Babá levantou-se e foi tomar seu banho, sem desconfiar do que se passara. Ao voltar para casa, estranhou que os barris ainda estivessem no pátio. Morjana, então, mostrou-lhe o que eles na verdade traziam e contou o que acontecera. Ali Babá ficou muito agradecido e prometeu recompensar a escrava por ela lhe ter salvado a vida. Depois, junto com um criado, tratou de enterrar os mortos numa grande fossa no jardim de sua casa. Escondeu os barris e as armas e vendeu as mulas no mercado.
O chefe dos ladrões voltou para a floresta, furioso e indignado, disposto a se vingar de qualquer maneira. Depois, arquitetou um plano. Com riquezas tiradas da gruta, comprou tecidos finíssimos e abriu uma loja na cidade, fazendo-se passar pelo mercador Codja Hussan. A loja ficava em frente do estabelecimento que pertencera a Cássim e que agora era
dirigido pelo filho de Ali Babá. O falso mercador pouco a pouco acabou por fazer com que o rapaz o considerasse seu amigo. O bandido muitas vezes o convidava para jantar.
Um dia, o filho de Ali Babá decidiu retribuir a gentileza, convidando Codja Hussan para jantar. Ali Babá se encarregou de preparar um grande banquete para o amigo do filho. No dia combinado, o bandido, chamado para a mesa, desculpou-se dizendo que não comia comida com sal, pois assim lhe recomendara um médico. Ali Babá, então, mandou que Morjana
não pusesse sal na carne que seria servida no banquete.
A escrava ficou aborrecida e disse:
– Mas quem é esse homem que não come sal?
Intrigada, quando foi ajudar a levar os pratos à mesa, lançou um olhar muito atento para o convidado.
De repente, estremeceu: era o chefe dos ladrões que desejava atacar seu amo! Por isso, não queria comer sal junto com ele... E imediatamente pensou num plano para salvar seu patrão.
Chegada a hora das frutas, Morjana as levou junto com o vinho. O falso mercador pensava em seu plano: embriagar pai e filho e cravar um punhal
no coração de Ali Babá.
Morjana vestiu-se de dançarina, colocou um punhal no cinto e cobriu o rosto com um véu.
Chamou um criado para tocar tamborim e os dois entraram na sala do banquete, pedindo permissão para se apresentarem. Ali Babá respondeu:
– Capriche, Morjana, e faça o melhor que puder para entreter nosso hóspede Codja Hussan!
O hóspede fingiu estar encantado com aquela proposta que, na verdade, vinha atrapalhar seus planos. O criado pôs-se a tocar o tamborim e Morjana a dançar com passos e movimentos delicados.
Depois, a dançarina passou para um novo tipo de dança, a que mais agradou: tomou do punhal e com ele fingiu atacar um inimigo invisível. Por fim, parou e pegou o tamborim para pedir aos presentes um pagamento, como faziam os dançarinos profissionais.
Ali Babá deu-lhe uma moeda de ouro, e o mesmo fez seu filho. Quando chegou a vez de Codja Hussan, no momento em que ele pôs a mão em sua bolsa para pegar uma moeda, Morjana mais do que depressa cravou o punhal em seu coração, matando-o. Ali Babá exclamou:
– O que você fez? Matou um hóspede, um amigo de meu filho. Isso será a minha ruína!
Morjana, então, contou ao amo o que descobrira.
Fez com que ele olhasse atentamente o rosto do falso mercador e reconhecesse o chefe dos ladrões. Mais uma vez, fora salvo pela criada. Agradecido, disse:
– Você me salvou por duas vezes; agora eu lhe concedo a liberdade. Mais: em recompensa por sua lealdade, você será minha nora.
Enterraram, então, o corpo do chefe dos bandidos e, dias depois, festejou-se o casamento do filho de Ali Babá com Morjana, em meio a cantos, danças e muitas outras diversões.
Ali Babá demorou um ano para retornar à gruta, pois ainda não sabia que todos os quarenta ladrões estavam mortos. Depois de um ano, mais tranqüilo, voltou para lá. Diante da caverna, disse:
– Abre-te, Sésamo!
E a porta se abriu. Ali Babá notou que ninguém mais entrara na caverna; os ladrões, portanto, estavam todos mortos. Agora só ele sabia do segredo.
Encheu alguns sacos com moedas de ouro e prata e voltou para sua cidade.
Com o passar do tempo, Ali Babá contou o segredo a seu filho e depois a seus netos. Ali Babá e sua família viveram o resto de sua vida na riqueza, naquela cidade onde um dia ele fora muito pobre.

Graças àquele tesouro, Ali se tornou um homem respeitado e honrado.

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