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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Educação pelo exemplo.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=139332&picture=a-vara-da-familia

É voz corrente que as crianças adoram os avós. Seja porque eles lhes fazem as vontades ou porque lhes dispensam mais tempo, considerando que, normalmente, o tem mais livre, por estarem aposentados.
Enfim, os netos adoram ficar com os avós. Por isso, em muitas famílias, existe até uma programação específica, durante o mês, para um ou outro final de semana em que os netos se instalam na casa deles.
O pequeno Gabriel, nos seus quatro anos, não era exceção. Com sua mochila, com tudo e mais um pouco do que poderia precisar, passava alguns finais de semana na casa dos avós.
Eram sempre dias um tanto tumultuados porque o pequeno parecia um furacão. Adorava jogar bola com as mãos, com os pés. E, por vezes, atingindo lustres e abajures.
Na hora de dormir, desejava ouvir histórias contadas pelo avô. Histórias do tempo em que ele era criança. Gostava de ouvir aquelas coisas que o avô fazia, na sua infância, que parecia perdida nos anos.
Algumas brincadeiras um tanto diferentes das suas: subir em árvores, jogar bolinha de gude, pescar no riacho perto de casa...
Tudo isso deliciava, especialmente, o avô, o mais falante, o que mais interagia com o pequeno.
Foi na hora do café da manhã, que tudo aconteceu. O avô ofereceu uma fruta ao neto, que a rejeitou. Também a outra não foi aceita.
Desejando que o menino se servisse de algo saudável na primeira refeição do dia, o avô apanhou uma caneca, que trazia os dizeres: Para o meu sobrinho mais querido.
Como um grande ator, ele traduziu, entusiasmado, os dizeres:
Então, vamos tomar um leite com chocolate nesta caneca espetacular, que comprei especialmente para você?
Aqui está escrito: Para o meu neto querido, Gabriel, com todo meu amor.
Naturalmente, as intenções daquele avô eram as melhores possíveis.
No entanto, o garoto se mostrou desconfiado.
Deixe eu ver, vô, pediu ele. E tomou o utensílio em suas pequenas mãos.
Como um especialista, inspecionou, devagar, todos os símbolos e sinais escritos nela e indagou:
Vô, me diga uma coisa. Onde está o G e depois o A para fazer GA, de Gabriel? Eu não estou vendo nada disso aqui. Eu sei como se escreve meu nome.
Como a situação se resolveu, não nos foi contado. Não sabemos se o avô admitiu sua aparentemente inocente mentira, e o que se desenrolou na sequência.
No entanto, é bom pensarmos quantas vezes, em nossa vontade de acertar, erramos.
Ou seja, quantas vezes, faltamos com a verdade para com os nossos pequenos? Verdade que, cedo ou tarde, eles descobrem.
Diante disso, é de nos questionarmos com que direito lhes desejamos ensinar que devem dizer a verdade, que devem ser honestos, que não devem enganar a ninguém?
Se os desejamos homens de bem, que no futuro poderão ocupar cargos na política, no empresariado, no comércio, na ciência, nas artes, no que for, primemos pela sua correta educação.
Se os exemplos falam muito mais alto do que as palavras, é bom repensarmos as nossas atitudes. Afinal de contas, todos somos educadores: pais, avós, professores, tios, primos.
Educamos para as coisas positivas ou não. Educamos com nosso exemplo, com nossa forma de ser.
Tenhamos isso em mente antes de tentarmos distrair-lhes as mentes ou lhes conquistar os corações com invenções tolas ou inverdades.
Pensemos nisso. Os pequenos têm os olhos postos em nós, a todo momento e aguardam a melhor condução para as suas vidas.


Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A Evolução.

Imagem Google.

Dentro de um sonho tudo parece real...

Não podemos mensurar o valor de uma coisa, se a esta já se atribui um valor...
Naquele dia, um pouco antes do amanhecer artificial, ele percebeu que havia alguma coisa estranha, estranha por não ser capaz de compreender sozinho. Mas, tinha certeza, um algo mais estava presente no ambiente. Abriu a janela virtual do seu quarto e olhou para o lado de fora, e viu que a definição da imagem da rua não estava muito clara. As cores estavam um pouco esmaecidas, embaçadas, desfocadas e instáveis, e em alguns pontos quase opacas. Fechou a janela virtual e virtualmente sentou em sua cama, tentando pensar um pouco.
Como não conseguia pensar sozinho, resolveu acessar um banco de memórias remoto para ver se lá já existia alguma ideia pronta que servisse de base para o pensamento que não era capaz de elaborar por si só, naquele momento. Não era uma pesquisa simples, pois sequer sabia o que procurar. Mas, de fato, algo estranho estava acontecendo, pois não conseguia acessar o banco de memórias.
Por alguma razão desconhecida, o servidor estava fora do ar. Ficou desesperado, pois acabara de se dar conta de que era incapaz de pensar, que dependia completamente dos pensamentos que pegava emprestado da Central de Pensamentos. Percebeu naquela hora, que sua vida psicológica e emocional dependia inteiramente de um servidor, um computador remoto, de uma simples máquina, que sequer sabia onde estava.
Olhou à sua volta, no ambiente virtual onde se encontrava, e percebeu que o cenário construído de acordo com suas preferências, começara e se diluir, dando espaço para que um cenário padrão ficasse em seu lugar. Aquilo era um sinal claro de que alguma anomalia estava acontecendo no Centro de Controle de Mentes. Viu que o amanhecer artificial mostrava-se instável, mais parecendo uma tarde, um indício claro de que todo sistema passava por problemas.
Acomodou-se melhor em sua cama virtual, tentando pensar em alguma coisa sozinho. Mas era dependente demais, jamais pensara sozinho antes, não sabia como fazer, não sabia como pensar. Naqueles tempos, era mais prático e comum, pegar um pensamento já pronto, existiam tantos, até se podia escolher.
Na escola, todos recebiam links com os endereços dos pensamentos que poderiam usar nas diversas situações do dia a dia, e desse modo, era só copiar e colar, não precisava pensar, nem desligar a máquina de simulação de mundo virtual que já recebiam como implantes em seus cérebros, desde o nascimento.
Lembrou de um dia quando a bateria que mantinha o mundo virtual permanentemente ligado, deu pane. Felizmente fora um problema passageiro, que não durou mais que alguns segundos, mas a visão de realidade que tivera foi horrível. Viu-se de repente num imenso recinto fechado, sem janelas, com uma aparência horrível, que não conseguia compreender, e viu também dezenas de outros iguais a ele, na mesma situação. Mas, como o sistema voltou a funcionar logo, como num piscar de olhos, tudo aparentemente, não passara de um breve sonho, ou pesadelo para ser mais preciso.
Mas agora, o servidor do mundo virtual onde vivia, estava com problemas operacionais, e um novo modelo de mundo estava se sobrepondo ao modelo onde já estava acostumado a viver. Se no outro, sempre acordava com um dia ensolarado, de uma natureza viçosa e exuberante, no novo, no alternativo, este iniciava com uma tarde chuvosa, com ruas alagadas e ventos frios. E havia outro problema: Ele não sabia pensar, e assim não tinha a menor ideia do que fazer numa situação daquela natureza.
Nesse momento ele escutou uma voz conhecida, era do gerenciador do sistema operacional, e dizia: “Atenção à todos os conectados, o sistema nesse momento, apresenta instabilidade temporária, e enquanto realizamos os ajustes necessários, todos viverão durante algumas horas, num mundo virtual alternativo. Logo, um Avatar, um Orientador ou Guru virtual, se apresentará para guiá-los nesse novo mundo, e esperamos voltar ao normal em algumas horas, ou dias...”.
O seu quarto com janela para um jardim florido à beira mar, logo fora substituído por uma paisagem melancólica, um entardecer nublado, com pouca luz, o que indicava que o sistema procurava com isso economizar energia. Correu para a cozinha e lá encontrou uma simples mesa com torradas de pão amanhecido e chá frio sem açúcar, um cenário muito diferente da exuberante variedade de outros dias, onde quase não existia espaço para tamanha diversidade de alimentos frescos.
Sua Mente virtual de última geração, com banda ultra-larga de recepção, fora substituída por um modelo simples, com baixa resolução gráfica e conexão discada sem filtro para eliminar ruídos. O padrão para demonstrar desespero ele ainda lembrava claramente, por isso não precisou acessar o banco de pensamentos para simular tal sentimento. Se ao menos soubesse pensar poderia encontrar uma solução alternativa menos traumática, mas, seu cérebro se recusava a fazer isso, estava atrofiado, fossilizado demais por falta de uso.
Gritou pela sua mãe virtual e esta não respondia. Dirigiu-se ao seu quarto e a porta estava trancada por dentro. Bateu na porta virtual e nem o som do toque na madeira conseguia escutar.
Escreveu num pedaço de papel virtual a frase: “Mãe, você está ai?”, e colocou por baixo da porta. Mas como a conexão estava lenta a espera parecia uma eternidade. Por fim ela respondeu, foi uma resposta automática, um simples “Positivo!”, uma resposta pré-gravada. “A coisa parece muito séria”, concluiu desolado.
O que fazer diante de tal caso? E se o sistema perdesse a identidade virtual de cada um dos conectados, ele deixaria de existir, perderia seus amigos virtuais, seu emprego virtual, sua vida pessoal virtual, sua família. Percebeu que já se sentia diferente. Isso estava acontecendo porque, certamente, devido ao problema, o sistema trocara sua personalidade original em 3D com gráficos, sons e sensibilidade de ultima geração, por uma mais simples.
Era um modelo alternativo, uma mente ainda primitiva, sem imagens em alta definição, que insistia em querer rezar e fazer promessas, do tipo pagar penitências, dar oferendas aos santos, caso o problema fosse solucionado.
Então tudo apagou, e apenas uma música ambiente se podia ouvir, e no fundo escuro do seu quarto virtual, podia enxergar um pequeno ponto verde piscando alternadamente. Depois viu uma mensagem luminosa no mesmo ponto: “Aguarde, sistema operacional sendo reinicializado...”.
É tudo de que lembra, além da sensação de que esquecera alguma coisa, pois ao acordar, estava diante do seu quarto habitual, com janela de frente para a praia, foi quando sua mãe virtual entrou e lhe perguntou: “Você também sentiu alguma coisa estranha há pouco tempo atrás?”.

Moral da História:

A realidade é apenas um sonho lúcido de longa duração...

Autor: Alberto J. Grimm

Fonte:http://sitededicas.ne10.uol.com.br/conto_reflexivo_a_evolucao.htm

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

“O Verdadeiro Sentido do Natal” Atividades e reflexões para crianças.

“O Verdadeiro Sentido do Natal”

O que significa Natal?
Significa Nascimento.
Desenho de bebê.



Quem é o aniversariante tão ilustre?
J E S U S!
Desenho de Jesus.


Como é comemorado pela maioria das pessoas?
Desenho de árvore de natal, presentes, Papai Noel e comida.

E como todos nós deveríamos comemorar?
Com Jesus nascendo em nossos corações todos os dias.
Desenhos de 07 corações, cada um com o nome de um dia da semana.

De que forma?
Praticando os principais ensinamentos transmitidos por Jesus: “Amar ao próximo como a ti mesmo” e “Fazer ao outros, o que gostaríamos que nos fizessem”.
Desenhos de situações amorosas, solidariedade, caridade.

Deus, em sua bondade e misericórdia, nos enviou Jesus para nascer em nossos corações, fazendo reinar a Paz, o Amor e a Solidariedade.
Desenhos de situações de paz, amor e solidariedade.

Que o Natal seja percebido, seja vivido por nós a cada mês do ano!!
F E L I Z     N A T A L!!!
Desenho de Jesus nos abençoando.


P A R A     R E F L E T I R:

 Pois, que temos nós ofertado ao Divino Amigo?

 Será que o fazemos sorrir? Ou chorar?

 Nossas mãos estão vazias porque nos despojamos de egoísmo e somos mais fraternos, mais dados à compaixão, mais caridosos material e moralmente, ou por que nada nos comove?

 Temos hoje nova visão do Natal, ou permanecemos nas velhas ilusões do desperdício, da matança dos animais, das bebedeiras, da alegria exterior?

Compartilhamos com o próximo, de qualquer condição social, o júbilo íntimo, os bens e os talentos?

 No nosso Natal, o Cristo está presente?

 Que temos feito de nossos talentos e de nossas vidas?

 Como será, quem sabe, nossa prestação de contas?

 Temos buscado nos tornar dignos de tantas bênçãos?


 Que tal incluirmos nos projetos para o Natal e Ano Novo – para todos os Natais e Anos Novos que virão – espaço para as lições que Ele nos trouxe há mais de dois mil anos?

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

PANDORA. Mitologia grega

Imagem do google

Num tempo distante, os homens dominaram a dádiva do fogo, graças a Prometeu, tornando melhor a vida na Terra.
Mas diante daquela afronta, a ira de Zeus não teve limites, e ele resolve então punir os homens.
Ordenou a Hefesto que moldasse uma mulher de barro, tão linda quanto uma verdadeira deusa, que lhe desse voz e movimento e que seus olhos inspirassem um encanto divino.
A deusa Atena teceu-lhe uma belíssima roupa, as três Graças a cobriram com joias e as Horas a coroaram com uma tiara de perfumadas flores brancas. Por isso a jovem recebeu o nome de Pandora, que em grego significa "todas as dádivas".
No dia seguinte, Zeus deu instruções secretas a seu filho Hermes que, obedecendo às ordens do pai, ensinou a Pandora a contar suaves mentiras. Com isso, a mulher de barro passou a ter uma personalidade dissimulada e perigosa.
Feito isso, Zeus ordenou a Hermes que entregasse a mulher de presente a Epimeteu, irmão de Prometeu, um homem ingênuo e lento de raciocínio.
Ao ver Pandora, Epimeteu esqueceu-se que Prometeu havia-lhe recomendado muitas vezes para não aceitar presentes de Zeus; e aceitou-a de braços abertos.
Certo dia, Pandora viu uma ânfora muito bem lacrada, e assim que se aproximou dela Epimeteu alertou-a para se afastar, pois Prometeu lhe recomendara que jamais a abrisse, caso contrário, os espíritos do mal recairiam sobre eles.
Mas, apesar daquelas palavras, a curiosidade da mulher de barro aumentava; não mais resistindo, esperou que o marido saísse de casa e correu para abrir o jarro proibido.
Mal ergueu a tampa, Pandora deu um grito de pavor e do interior da ânfora saíram monstros horríveis: o Mal, a Fome, o Ódio, a Doença, a Vingança, a Loucura e muitos outros espíritos maléficos...
Quando voltou a lacrar a jarra, conseguiu prender ali um único espirito, a Esperança.
Assim, então, tudo aconteceu exatamente conforme Zeus havia planejado. Usou a curiosidade e a mentira de Pandora para espalhar o mal sobre o mundo, tornando os homens duros de coração e cruéis, castigando Prometeu e toda a humanidade.

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Conversando sobre a história: 

O mal existe, é preciso estar atento e manter sob controle todos os defeitos e erros que costumamos ter, não permitindo que saiam de nossa mente para atingir os outros. Tudo que acontece de ruim no mundo, fome, guerras, doenças, violência, são frutos do próprio homem que não sabe transformar as suas maldades em bondade, mudando a si mesmo, tendo mais amor ao próximo, respeitando e exigindo respeito. Só agindo assim construiremos um mundo melhor.

Alfabetização: Livro do aluno
Volume 2
©2000 Projeto Nordeste/Fundescola/Secretaria de Ensino Fundamental

Domínio Público.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Irmãos Grimm - A protegida de Maria.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/maria-santa-virgem-nossa-senhora-1004109/

Na orla de uma extensa floresta morava um lenhador e sua esposa. Eles tinham apenas uma filha, que era uma menina de três anos. Mas eles eram tão pobres que não tinham mais o pão de cada dia e já não sabiam o que haveriam de dar-lhe para comer. Certa manhã o lenhador foi com grande preocupação até a floresta para cuidar de seu trabalho e, quando estava cortando lenha, lá apareceu de repente uma mulher alta e bela que trazia na cabeça uma coroa de estrelas cintilantes e lhe disse “Sou a Virgem Maria, mãe do Menino Jesus, e tu és pobre e necessitado: traga-me tua filha, vou levá-la comigo, ser sua mãe e cuidar dela.” O lenhador obedeceu, foi buscar a filha e entregou-a à Virgem Maria, que a levou consigo para o Céu. Lá a menina passava muito bem, comia pão doce e bebia leite açucarado, e seus vestidos eram de ouro, e os anjinhos brincavam com ela. Quando completou quatorze anos, a Virgem Maria a chamou e disse “Querida menina, partirei em uma longa viagem; tome sob tua guarda as chaves das treze portas do reino celestial; tu poderás abrir doze delas e contemplar os esplendores que há lá dentro, mas a décima terceira, cuja chave é esta pequena aqui, está proibida para ti: cuidado para não abri-la, pois seria a tua infelicidade.” A menina prometeu ser obediente e, quando a Virgem Maria havia partido, começou a olhar os cômodos do reino celestial: a cada dia abria um deles, até que todos os doze tinham sido vistos. Em cada um dos cômodos estava sentado um apóstolo cercado de grande esplendor, e toda aquela suntuosidade e magnificência dava grande alegria a ela, e os anjinhos, que sempre a acompanhavam, alegravam-se também. Até que, então, faltava apenas a porta proibida, e ela sentiu um grande desejo de saber o que estava escondido atrás dela. Por isso disse aos anjinhos “Não abrirei a porta por inteiro e também não entrarei, mas vou entreabri-la para olharmos um pouquinho pela fresta”.
“Oh, não,” disseram os anjinhos, “seria um pecado: a Virgem Maria proibiu fazer isso, além do mais, isso poderia facilmente trazer-te a desgraça.” Então ela se calou, mas o desejo não silenciou em seu coração, mas, ao contrário, continuou roendo e corroendo-a com força, não lhe permitindo ficar em paz. E certa vez, quando os anjinhos haviam todos saído, pensou “Agora estou totalmente sozinha e poderia olhar lá dentro, afinal, ninguém ficará sabendo o que fiz”. Procurou a chave e, tão logo a apanhou, enfiou-a na fechadura e, uma vez ela estando lá, sem pensar duas vezes, girou-a. A porta abriu de um salto e ela viu a Trindade sentada em meio ao fogo e à luz. Ficou parada um momento, observando tudo com assombro, depois tocou de leve com o dedo aquela luz, e o dedo ficou totalmente dourado. No mesmo instante foi tomada de intenso pavor, bateu a porta com força e correu dali. Mas o pavor não diminuía, ela podia fazer o que fosse, mas o coração continuava batendo acelerado e não havia como acalmá-lo: assim também o ouro continuou no dedo e não saía de jeito algum, não importa o quanto lavasse e esfregasse.
Não passou muito tempo e a Virgem Maria retornou de sua viagem. Ela chamou a menina e solicitou as chaves de volta. Quando ela apresentou o molho, a Virgem olhou em seus olhos e perguntou: “E não abriste mesmo a décima terceira porta?” “Não”, respondeu. Então ela pousou a mão sobre o coração da menina e sentiu como ele estava batendo sobressaltado, de modo que percebeu que sua ordem tinha sido desobedecida e a porta fora aberta.
Então perguntou mais uma vez: “Realmente não a abriste?” “Não”, respondeu a menina pela segunda vez. Aí a Virgem avistou o dedo que ficara dourado pelo toque do fogo celestial e teve certeza de que ela pecara, e perguntou pela terceira vez: “Não a abriste?” “Não”, respondeu a menina pela terceira vez.
Então a Virgem Maria disse: “Tu não me obedeceste e, além disso, ainda mentiste, portanto não és mais digna de permanecer no Céu.”
Nesse momento a menina caiu em profundo sono e quando despertou jazia lá embaixo sobre a terra em meio a um lugar agreste. Quis gritar, mas não conseguiu emitir qualquer som. Levantou-se de um salto e quis fugir, mas para onde quer que se dirigisse sempre era detida por sebes espinhosas que não conseguia atravessar. Nesse ermo em que estava encerrada havia uma velha árvore oca que agora teria de ser sua morada. Era lá para dentro que rastejava quando caía a noite, e era lá que dormia, e, quando vinham chuvas e tempestades, era lá que buscava abrigo. Levava uma vida lastimável, e quando recordava como tudo havia sido tão bom no Céu, e como os anjinhos costumavam brincar com ela, chorava amargamente. Raízes e frutas silvestres eram seus únicos alimentos, e ela os procurava ao redor até onde podia ir. No outono juntava as nozes e folhas que haviam caído no chão e levava-as para o oco da árvore; comia as nozes no inverno e, quando chegavam à neve e o gelo, arrastava-se como um animalzinho para debaixo das folhas para não sentir frio.
Não demorou muito e suas vestimentas começaram a se rasgar e um pedaço após outro foi caindo do corpo. Tão logo o Sol voltava a brilhar trazendo o calor, ela saía e sentava-se diante da árvore e seus longos cabelos encobriam-na de todos os lados como um manto. Assim foi passando ano após ano e ela ia experimentando a miséria e sofrimento do mundo.
Uma vez, quando as árvores tinham acabado de cobrir-se outra vez de verde, o rei que lá reinava estava caçando na floresta e perseguia uma corça, e como esta havia se refugiado nos arbustos que rodeavam a clareira da floresta, ele desceu do cavalo e com sua espada foi arrancando o mato e abrindo caminho para poder passar. Quando finalmente chegou do outro lado, avistou sob a árvore uma donzela de maravilhosa beleza que lá estava sentada totalmente coberta até os dedos dos pés pelos seus cabelos dourados. Ficou parado admirando-a com assombro até que finalmente dirigiu-lhe a palavra e disse: “Quem és tu? Por que estás aqui no ermo?” Mas ela não respondeu, pois sua boca estava selada. O rei falou novamente: “Queres vir comigo até meu castelo?” Ela apenas assentiu levemente com a cabeça. Então o rei a tomou nos braços, carregou-a até seu corcel e cavalgou com ela para casa, e, quando chegou ao castelo real, ordenou que a vestissem com belos trajes e tudo lhe foi dado em abundância. Embora não pudesse falar, ela era afável e bela, e assim ele começou a amá-la do fundo de seu coração e, não demorou muito, casou-se com ela.
Quando se havia passado cerca de um ano, a rainha deu à luz um filho.
Nessa mesma noite, quando estava deitada sozinha em seu leito, apareceu-lhe a Virgem Maria, que disse “Se quiseres dizer a verdade e confessar que abriste a porta proibida, destravarei tua boca e devolverei tua fala, mas se insistires no pecado e teimares em negar levarei comigo teu filho recém-nascido.” Nesse momento foi dado à rainha responder, porém ela manteve-se obstinada e disse:
“Não, não abri a porta proibida”, e a Virgem Maria tomou-lhe o filho recém-nascido dos braços e desapareceu com ele. Na manhã seguinte, quando não foi possível encontrar a criança, começou a correr um murmúrio no meio do povo de que a rainha comia carne humana e teria matado seu próprio filho. Ela ouvia tudo isso e não podia dizer nada em contrário, mas o rei recusou-se a acreditar
naquilo porque a amava muito.
Depois de um ano nasceu mais um filho da rainha. Naquela noite voltou a parecer a Virgem Maria junto dela dizendo: “Se quiseres confessar que abriste a porta proibida, devolverei teu filho e soltarei tua língua; mas se insistires no pecado e negares, levarei também este recém-nascido comigo.” Então a rainha disse novamente: “Não, não abri a porta proibida”, e a Virgem tomou-lhe a
criança dos braços e levou-a consigo para o Céu. De manhã, quando mais uma vez uma criança havia desaparecido, o povo afirmou em voz bem alta que a rainha a tinha devorado, e os conselheiros do rei exigiram que ela fosse levada a julgamento. Mas o rei a amava tanto que não quis acreditar em nada, e ordenou aos conselheiros que, se não estivessem dispostos a sofrer castigos corporais ou mesmo a pena de morte, que deixassem de insistir no assunto.
No ano seguinte a rainha deu à luz uma linda filhinha e, pela terceira vez, apareceu à noite a Virgem Maria e disse: “Acompanha-me”. Tomou-a pela mão e conduziu-a até o Céu, mostrando-lhe então os dois meninos mais velhos, que riam e brincavam com o globo terrestre. A rainha alegrou-se com aquilo e a Virgem Maria disse: “Teu coração ainda não se abrandou? Se confessares que abriste a porta proibida devolverei teus dois filhinhos.” Mas a rainha respondeu pela terceira vez “Não, não abri a porta proibida”. Então a Virgem Maria a fez descer novamente à terra, tomando-lhe também a terceira criança.

Na manhã seguinte, quando a notícia correu, todo o povo gritava “a rainha come gente, ela tem que ser condenada”, e o rei não conseguiu mais conter seus conselheiros. Ela foi submetida a julgamento e, como não podia responder e se defender, foi condenada a morrer na fogueira. Quando haviam juntado a lenha e ela estava amarrada a um pilar e o fogo começava a arder a sua volta, então se derreteu o duro gelo do orgulho e seu coração encheu-se de arrependimento e ela pensou: “Ah, se antes de morrer eu ao menos pudesse confessar que abri a porta”. Nesse momento voltou-lhe a voz e ela gritou com força “Sim, Maria, eu a abri!” No mesmo instante uma chuva começou a cair do céu apagando as chamas do fogo, e sobre sua cabeça irradiou uma luz, e a Virgem Maria desceu tendo os dois meninos, um de cada lado, e carregando a menina recém-nascida no colo. Ela falou-lhe com bondade: “Quem confessa e se arrepende de seu pecado, sempre é perdoado”, e entregou-lhe as três crianças, soltou-lhe a língua e deu-lhe de presente a felicidade para a vida inteira.

domingo, 2 de outubro de 2016

A boneca e o crocodilo.

Era uma vez um menino que morava numa casa muito grande. Ele tinha uma irmã que colecionava bonecas chamada Desígnia. Essa coleção enfeitava uma prateleira enorme no quarto que os dois dividiam. Certo dia o menino descobriu na prateleira algo singular - um brinquedo simples, feito de tecido – boneca de pano. Não era bonita como as belas companhias que tinha na prateleira, que traziam cabelos bem cuidados, peles de porcelana e vestidos de luxo. Era uma bonequinha bastante pequena, engraçadinha e resistente. Sem maiores atrativos. E por esse motivo destoava completamente no ambiente.
Por um a razão que me é desconhecida, inesperada e repentinamente esse menino se apaixonou pela boneca. A irmã, que observava os acontecimentos da vida do irmão, permitiu certo dia, que ele cuidasse da pequena de pano.
Nos primeiros tempos se dedicava constantemente à boneca, que de maneira mágica, percebia nascer emoções humanas em seu coração. Por vezes o menino pensou se poderia estar equivocado ao ver alterações no semblante do brinquedo. Ao encostar o ouvido no peito do objeto de seu divertimento, podia escutar, bem baixinho, o pulsar de um coração.
Secretamente, a boneca sempre soube da existência do cérebro, que possibilitava o entendimento do mundo. Mas a conexão cérebro – coração nunca existiu.
Muitos verões chegaram e se foram e um dia ela percebeu que só restaram invernos em sua vida. O tempo cuidou de estragar o tecido e emaranhar os cabelos. O menino, aos poucos, perdeu o encanto por aquele brinquedo, relegando a ele um canto escuro na prateleira – para não sentir a culpa daqueles que jogam fora um objeto que teve serventia num passado remoto.
Esse foi o momento exato no qual o inverno se instalou no coração da pequena - definitivamente. Nessa ocasião, principiou-se um rompimento de um remendo que não era – até então - perceptível. E de dentro daquela ‘descostura’ saiu um coração, que ficou preso apenas por um fio dourado. Coração de pano, muito delicado e pequeno, ainda morno e pulsando lentamente.
A boneca, que durante muitas estações conseguia ver cores e sentir os cheiros e texturas do mundo, passou a perceber apenas gradações de negro e cinza. Deixou de ser portadora das sensações humanas que teimavam animá-la.
O menino, assustado, escondeu ainda mais o artefato, o banindo para uma caixa escura para que ninguém soubesse daquele segredo. Desde esse dia nunca mais houveram notícias dele, que simplesmente desapareceu.
Numa noite inesperada, enquanto a boneca, através da janela, via as estrelas e não as sentia, dois pontos luminosos apareceram na floreira. Após muitos anos sem emoções, se apavorou e teve medo. O medo do perigo do sentir.
Nos dias subsequentes as luzes misteriosas reapareceram e por um instante ela ouviu um sussurrar musical que se confundia com o vento frio que viajava mundo afora. Eram acordes semelhantes àqueles das caixinhas de música antigas.
Se arrastando como pode, pulou da caixa e tentou ver o que acontecia, mas a imobilidade imposta há tanto tempo não permitiu. Estatelada no chão, sentindo solidão e tristeza, ela derramou suas lágrimas. Chorou a dor do mundo e o coração voltou a bater gradualmente, respeitando o ritmo natural da vida.
Intimidada, decidiu esperar. Enquanto aguardava percebeu que as cores, aos poucos, voltaram. Reconhecia novamente o desejo, que há muito havia se perdido, de pensar e elaborar emocionalmente.
Após alguns meses apreciando aquela música, já habituada àquela rotina que havia enfraquecido a dor da solidão, sua vida mudou. Imprevistamente e com apenas um pulo, adentrou no quarto um crocodilo enorme, verde e marrom com mandíbulas imensas. Tinha aproximadamente 1,80m da ponta do rabo até a cabeça.
A boneca nunca havia sentido tanto medo na vida, até que percebeu, como por encanto, o objeto trazido pelo réptil – a caixinha de música que havia preenchido de esperança cada noite em seu coração.
Relembrou as inúmeras vezes em que foi rechaçada por ser apenas uma boneca de pano e decidiu que deveria ser gentil com aquele animal um tanto assustador. Percebeu, ao olhar mais atentamente, que era um tanto desengonçado – principalmente nas tentativas frustradas de acostumar suas patas ao carpete espesso do quarto. Compreendendo o sobressalto nos olhos da boneca, começou a dançar desordenadamente pelo cômodo. Ela começou a rir gostosamente. O crocodilo, surpreso com as reações observadas no semblante da pequena de pano, dançou ainda mais. Os dois sorriram. Nunca houve sorriso mais verdadeiro que aquele.
Quando a música terminou contou toda sua história. Morava num pântano não muito longe dali. Nadava trinta minutos e caminhava por mais trinta até chegar àquela casa. E era muito difícil para um animal daquele tamanho caminhar!
Tinha uma família enorme – crocodilo sempre mora junto. Mas o lodo que cobria o pântano e os ajudavam a viver, tornou-se rançoso e escasso e ele fugia, uma vez por semana, para o mundo que circundava sua habitação.
Segundo o animal, havia uma senhora crocodila que tinha muitos anos – tantos que ninguém sabia ao certo a data de nascimento dela. Era muito respeitada e sua palavra era lei. Considerada a detentora da sabedoria, sempre alertava os descendentes da impossibilidade de viver longe do pântano por mais de quatro horas. Essa crença privava toda a família de um conhecimento externo, mas os mantinha unidos. Explicou que crocodilo que fica fora do pântano tem o couro ressecado e morre aos poucos. Portanto, ele precisava voltar para casa depressa, para não desidratar.
A boneca entendeu a lei máxima que regia a vida do pobre crocodilo e se satisfez com as poucas horas semanais que eram apenas dos dois.
Aquelas noites foram memoráveis. Eles dançaram, comeram, tomaram suco de melão, se abraçaram e o crocodilo conseguia fazer a boneca rir cada vez mais e renascer. Discutiam juntos os problemas dos crocodilos e das bonecas.
Ela contou a ele sua história. Que não tinha família. Da perda do coração. Das tristezas. Ele prometeu a ela que nunca mais sentiria solidão.
O crocodilo era muito discreto e já havia percebido o fio dourado que segurava o coração da pequena. Tinha medo que parasse de bater, pois ele crescia a cada dia.
Resolveu pedir para fazer uma costura – cirurgia simples. Arrumaria carinhosamente o coração e o fio dentro do peito e coseria o remendo. A boneca não sentiu medo algum, confiava nele. No encontro seguinte, com uma linha quase invisível e pontos delicados, o crocodilo consertou sua menina.
Sim, ela era dele, pensava. E ao mesmo tempo, não era.
Os pontos foram cicatrizando e a menina a cada dia ganhava cores e vida. Fascinado, o crocodilo dispensava a ela todo o tempo que podia e muitas vezes chegou ao pântano num horário limite, à beira da morte por desidratação.
Como podia um artefato viver com um animal? No pântano ela não podia viver, pois a família do jacaré a expulsaria de lá, certamente. E ele não poderia viver longe do lodo que hidratava seu couro.
Mas os dois não sabiam, dentro de sua limitação, que havia lodo fora do pântano e aceitação dentro de um cômodo.
No começo, pensava o crocodilo, era movido apenas pela curiosidade – queria inteirar-se da história daquela bonequinha rota que estava fora do lugar. Era gasta. Comparada às bonecas da estante do outro lado do quarto, era feia. Mas agora, tornara-se indispensável à vida dele. Ela havia ensinado a ele que as patas servem para fazer carinho e que os tecidos rotos podem se reconstituir através das palavras que modificam a percepção da vida. E ele ensinou a ela o valor do otimismo e da fé.
Quando estavam juntos, as horas eram preenchidas pela harmonia. Misteriosamente, a boneca começou a criar e ficou mais bela que todas as outras, pois tinha vida quase humana.
Como podia um humano viver com um animal?
Os verões passaram e um dia o inverno tornou-se insuportável novamente. O crocodilo decidiu que não podia ter duas vidas. Resolveu estabelecer sua vida no lodo do pântano.
Deliberadamente, esperava a boneca adormecer e retirava um ponto por vez daquele remendo. Acreditava que se o coração fosse extraído ela poderia novamente voltar à caixa e viver artefatamente insensível.
Mas o crocodilo não sabia que pontos quase cicatrizados doem mais que os recentes. A cada tesourada retirava não apenas parte da linha, mas matava a boneca e a fazia sofrer imensamente. A pequena suportava as dores sem pestanejar. Não mexia um músculo sequer. E fingia não perceber o que acontecia. Chorava as dores copiosamente quando o crocodilo a abandonava.
Quando a dor ficou insuportável, a boneca, num ato de coragem, arrancou o coração com as próprias mãos e o plantou na floreira que enfeitava a janela do quarto. Nessa época, o crocodilo havia espaçado suas visitas e resolveu que iria morrer no pântano. Não sabia ao certo porque fazia aquilo, apesar de perceber que o sentido da vida se esvaía. Não conseguia mudar aquele hábito. Condenou-se a uma vida apenas. Uma vida de crocodilo eterno.
A boneca voltou a ser um artefato usado, mas seu cérebro não parou de funcionar. Foi condenada a pensar e trabalhar sem sentir emoção alguma. Seus olhos perderam todo o viço. Dedicou seus dias à escrita das lembranças de sua vida dentro daquele quarto.
Após plantar seu coração, algo mágico aconteceu - ele se desfaz em raízes e uma esperança em forma de folha verde brotou daquela terra ressequida. Era verão. E ela entendeu – mas não pode sentir - que os verões também podiam ser cruéis.
Aquela folhinha transformou-se numa planta que se espalhou por toda a casa, cobrindo muros, as janelas e portas. A escuridão habitava aquela moradia e a boneca não se importava mais. Como um autômato, escrevia e escrevia sem parar.
Não suportando a separação, o crocodilo resolveu visitar a boneca e se deparou com aquele emaranhado verde que obstruía as entradas da casa. Oculto pela vegetação deu cordas na caixinha de música e a melodia ecoou pela barreira verde, mas não obteve penetração alguma.
Naquela ocasião o réptil chorou todas as suas lágrimas. A boneca, ao longe, podia ouvir - mas não sentia. O cérebro trabalhava compulsivamente e só restaram histórias em páginas amarelecidas pelo tempo.
O crocodilo todas as noites visitava aquele local para derramar suas lágrimas de arrependimento, sem ao menos saber que o coração de sua amada, desfeito em raízes, nunca poderia ser recomposto.
Dizem que na primeira primavera brotaram flores vermelhas e douradas. Resultado dos sentimentos bons que a boneca havia plantado esperançosamente, durante anos, em seu coração. Mas ao simples toque essas flores se desfaziam.
Dizem também que o crocodilo tentou, em vão, colher essas flores que proporcionavam a ele átimos de segundo de sentimentos de amor, antes de sumirem.
Essa história chegou até nós por concessão da irmã do menino desaparecido. Desígnia, num dia de outono, autorizou a queda de algumas folhas. Um forte vento soprou dentro daquele mausoléu desabitado e por um pequenino vão deixado pelas folhas caídas, uma das páginas escritas pela boneca foi levada diretamente às patas do crocodilo, que semanalmente visitava aquele santuário.
O que havia naquela página? A história dos dois.

Fernanda Macahiba.


Fonte: http://contosencantar.blogspot.com.br/2012/01/boneca-e-o-crocodilo.html

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Razão x Emoção: Animação que inspirou o filme "Divertida Mente"



Estava garimpando algo bem original e achei esse vídeo que pode ser usado para as crianças entre 9 e 12. 
O vídeo é auto explicativo, portanto vocês vão saber quando utilizá-lo e como.
Pode-se também fazer um link para conhecimento X amor por exemplo, explicando que um depende do outro para a evolução completa. Espero que gostem. :)))

terça-feira, 28 de junho de 2016

O Ganso de Ouro - Conto dos Irmãos Grimm.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=6458&picture=goose-rock-3

Era uma vez um homem que tinha três filhos. Todo mundo chamava o mais moço de João Bobo, e ria e zombava dele o tempo todo. Um dia, o mais velho resolveu ir à floresta cortar lenha. Antes de sair, a mãe deu a ele um bolo gostoso e uma garrafa de vinho, para matar a fome e a sede. Quando estava no meio do mato, ele encontrou um homenzinho cinzento, que deu bom-dia e disse:
— Estou com tanta fome, e com tanta sede... Por favor, me dê um pedaço desse bolo que você tem no bolso e um pouco do seu vinho.
O filho esperto respondeu:
— Se eu lhe der meu bolo e meu vinho, não vai sobrar nada para mim. Deixe-me em paz.
E deixou o homenzinho parado ali.
Em seguida, começou a cortar uma árvore, mas num instante errou o alvo, acertou o braço com uma machadada e teve que ir para casa fazer curativo. Tudo por artes do homenzinho cinzento.
Depois, o segundo filho também foi para a floresta fazer lenha, e a mãe também lhe deu bolo e vinho, igualzinho a como tinha sido com o mais velho. E ele também encontrou o homenzinho cinzento, que pediu um pedaço de bolo e um pouco de vinho. Mas o segundo filho também quis ser esperto e respondeu:
— Se eu der para você, não sobra para mim. Deixe-me em paz.
E deixou o homenzinho ali parado.
Não precisou esperar muito pelo castigo. Logo nas primeiras machadadas que deu numa árvore, cortou-se na perna e teve que ser carregado para casa.
Aí João Bobo pediu:
— Papai, me deixe ir fazer lenha...
O pai respondeu:
— Seus irmãos bem que tentaram e não conseguiram. É melhor você deixar isso pra lá... Afinal, você não entende nada de cortar lenha.
Mas João Bobo pediu e implorou até que o pai acabou dizendo:
— Muito bem, vá em frente. Se você se machucar, talvez aprenda a lição.
A mãe deu a ele um bolo feito de água e cinzas, e uma garrafa de cerveja choca. Quando ele chegou à floresta, também encontrou o homenzinho cinzento que lhe disse:
— Estou com tanta fome, e com tanta sede... Por favor, me dê um pedaço de bolo e um pouco de vinho.
João Bobo respondeu:
— Eu só tenho bolo de cinzas e uma cerveja choca. Se você não se incomodar, sente aqui comigo e coma e beba à vontade.
Eles se sentaram, mas quando João Bobo pegou o bolo de cinzas, viu que ele tinha virado um bolo finíssimo e muito gostoso, e que a cerveja choca agora era um vinho delicioso. Comeram e beberam e, quando acabaram, o homenzinho disse:
— Como você tem bom coração e divide alegremente com os outros o que tem, vou lhe dar sorte. Está vendo aquela árvore velha lá adiante? Se você a derrubar, vai encontrar uma coisa no meio das raízes.
E foi embora.
João Bobo derrubou a árvore. Quando ela caiu, havia no meio das raízes um ganso com penas de ouro puro. Ele pegou o ganso no colo e foi passar a noite numa hospedaria.
O hospedeiro tinha três filhas que, assim que viram o ganso de ouro, ficaram curiosíssimas para saber mais coisas de um animal tão estranho. Todas cobiçavam as penas de ouro, e a mais velha pensou: na certa eu vou conseguir arrancar uma para mim.
Quando João Bobo foi dormir, ela agarrou a asa do ganso, mas ficou com o dedo e a mão presos, sem conseguir soltar. Pouco depois, chegou à segunda irmã e também só pensou em arrancar uma pena de ouro, mas, assim que tocou sua irmã, ficou presa também. Finalmente, chegou à terceira, com o mesmo objetivo. As outras duas gritaram:
— Fique longe daqui, pelo amor de Deus! Longe daqui!
Mas ela não entendia por que tinha que ficar longe dali, pensando: por que não devo ir onde elas estão?
Correu até elas, tocou a irmã e ficou bem presa. Acabaram tendo todas que passar a noite com o ganso.
Na manhã seguinte, João Bobo pegou o ganso no colo e foi-se embora. Nem reparou nas três moças que estavam penduradas nele, e lá se foram elas correndo atrás dele, ora para a esquerda, ora para a direita, por qualquer caminho que ele cismasse de seguir. Quando passaram correndo por uma estradinha no campo, cruzaram com o padre. Ao ver a tal procissão, ele disse:
— Que horror, garotas! Vocês deviam ter vergonha! Por que vocês estão perseguindo esse rapaz? Acham que isso é bonito?
Dizendo isso, agarrou a mão da mais nova e tentou puxá-la, mas, no momento em que fez isso, também ficou preso e teve que sair correndo junto com os outros. Daí a pouco, encontraram o sacristão. Quando viu o padre correndo atrás das três moças, gritou espantadíssimo:
— Ei, reverendo, aonde é que o senhor está indo com tanta pressa? Não se esqueça: temos um batizado hoje!
Correu atrás dele, agarrou-o pela manga e ficou preso também.
Enquanto os cinco seguiam apressados pela estrada, encontraram dois camponeses que vinham dos campos com suas enxadas. O padre pediu ajuda, mas assim que eles encostaram-se ao sacristão também ficaram presos, e a esta altura já eram sete pessoas correndo atrás de João Bobo e de seu ganso.
— Bem mais tarde, chegaram a uma cidade onde havia um rei cuja filha era tão séria que ninguém conseguia fazê-la rir. Por isso, o rei tinha decretado que o primeiro homem que conseguisse fazer a princesa rir casaria com ela. Quando João Bobo ouviu isso, foi até a presença do rei — com seu ganso e todo o cortejo. Na hora em que a princesa viu aquelas sete pessoas correndo enfileiradas, teve um ataque de riso tão forte que parecia que nunca mais ia parar de dar gargalhadas. Então João Bobo disse que tinha o direito de casar com ela, mas o rei não queria um genro como ele e começou a fazer todo tipo de objeção. Até que acabou dizendo que, para casar com sua filha, João Bobo ia ter que trazer um homem que fosse capaz de beber uma adega inteirinha cheia de vinho.
João Bobo pensou, pensou, e achou que talvez o homenzinho cinzento da floresta pudesse dar alguma ajuda, por isso foi até lá. No lugar onde tinha cortado a árvore, viu um sujeito com um ar muito infeliz, sentado no chão. Quando João Bobo perguntou a ele por que estava tão triste, o homem respondeu:
— Estou com uma sede tão grande que nada faz passar. Acabei de beber um barril inteiro de vinho, mas isso é só uma gotinha para o que eu preciso.
— Eu posso te ajudar — disse João Bobo. — É só vir comigo e se fartar...
Foi com ele até a adega do rei, e o homem começou seu trabalho nos grandes tonéis. Bebeu, bebeu, até ficar com as bochechas doendo, mas antes do dia acabar tinha secado a adega inteira.
Mais uma vez, João Bobo foi reclamar seu direito, mas o rei relutava tanto em deixar que um idiota conhecido como João Bobo casasse com sua filha que acabou pensando em outra condição: agora queria um homem que fosse capaz de comer uma montanha inteira de pão.
João Bobo nem precisou pensar muito. Foi até a floresta e, no mesmo lugar, encontrou um homem que estava apertando o cinto em volta da barriga, fazendo a cara mais infeliz do mundo.
— Acabo de comer um forno cheio de pão — disse o homem —, mas, para uma fome como a minha, isso não dá nem para a saída. Minha barriga continua vazia como sempre e, se eu não a apertasse muito, a fome ia acabar me matando.
João Bobo gostou de ouvir isso.
— Venha comigo — disse. — Você vai comer até dizer chega.
E levou o homem para o pátio do castelo do rei.
Tinham trazido toda a farinha de trigo que existia no reino todo e tinham feito uma imensa montanha de pão. Mas o homem da floresta subiu na montanha até o alto e começou a comer, e antes do dia acabar o pão todo já tinha sumido.
Pela terceira vez, João Bobo reclamou o cumprimento da promessa, mas o rei ainda pensou em outra condição. Agora, ele queria um navio que fosse capaz de velejar tanto na terra como na água.
— Mas assim que me trouxer o navio, terá minha filha — garantiu.
João Bobo foi direto à floresta, onde encontrou o homenzinho cinzento a quem tinha dado seu bolo.
— Bebi e comi por você — disse ele — e também vou lhe dar seu navio. Tudo isso porque você foi bom para mim.
E deu a ele o navio que velejava na terra e na água. Quando o rei viu isso, não pôde mais continuar negando a mão de sua filha, e o casamento foi celebrado. Mais tarde, quando o rei morreu, João Bobo herdou o reino e viveu feliz com a mulher para sempre.

Moral da história:


Fazer o bem, ser bom e honesto compensa, quem faz o bem recebe o bem de volta.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Leão Praxedes.


Tarcisio Lage

Na imensa planície africana existia um leão com dentes enormes e afiados.
Chamava-se Praxedes. Era só o Praxedes abrir sua boca, balançar a densa juba e fazer explodir seu urro, ouvido a 50 quilômetros de distância, para que toda a floresta tremesse de medo. Os macacos trepavam até os galhos mais altos, as hienas paravam de sorrir e corriam mais do que os veados, os outros leões abaixavam a cabeça e enfiavam o rabo entre as pernas.
Com o Praxedes era na base:
Obediência ou Morte!
- Sim, Dom Praxedes.
- Tá certo, é o senhor quem manda.
- Se Dom Praxedes não quer, eu não faço.
Era uma vergonha ver os outros leões que nem cachorro vira-lata, fazendo tudo que Praxedes queria, sem reclamar, sem uma pontinha de revolta.
Acontece que, num certo dia, o professor Percy, que vivia fazendo umas experiências malucas, deixou cair debaixo da árvore que dava sombra para Praxedes dormir um tubo cheio de Estreptococos Mutans. O Estreptococo Mutans é um bichinho horroroso. Multiplica-se mais do que coelho nos restos de comida entre os dentes.
Inhaca, que nojo!
Quando são milhões e milhões, bem alimentados com aquelas porcarias de quem não escova os dentes, o Estreptococo Mutans começa a roer devagar, devagar, sem parar, até não sobrar dente nenhum.
 Praxedes, que além de autoritário era curioso, cheirou o tubo e, não contente, deu uma lambidinha para sentir o gosto da pasta amarela apinhada de estreptococos. Os horrorosos bichinhos não perderam tempo.
Raque, raque, raque... foram logo roendo os enormes dentes de Praxedes. Caíram todos! A imensa boca de Praxedes, o terror da bicharada, murchou como um balão furado.
Quando os outros leões viram aquela boca desdentada, murcha, parecendo uma maçã ressecada, resolveram desforrar os anos que passaram fazendo tudo que Praxedes mandava sem um fiapo de reclamação. Foi-se o respeito imposto pelos dentes.
Consideração? Nem mais dos fracotes.
Jururu, andando a esmo pela planície, a juba caída, Praxedes não tinha como escapar da gritaria da bicharada:
- Praxedes, leão sem dente. Praxedes, leão sem dente.
Nem mais os macacos tinham medo do leão desdentado. Os chimpanzés, que são os palhaços da floresta, desciam das árvores e faziam uma volta em torno do pobre banguela. Um puxava seu rabo, outro dava um cocorote na testa do antes tão temido leão. Havia um chimpanzé muito sem vergonha que enfiava o dedo naquele lugar do Praxedes e gritava.
- O Praxedes não é mais aquele! O Praxedes não é mais aquele!
O pobre coitado ficou numa magreza de fazer dó. Não morreu porque comia o que sobrava da caça dos outros leões, chupando os ossos. Que tristeza!
Foi expulso do grupo dos leões mandões. O novo chefe, o que tinha agora os dentes mais afiados, falou:
- Praxedes, você é uma vergonha. Não queremos nenhum desdentado em nosso grupo. Vá embora daqui. Vá pro meio das hienas e dos abutres comer carniça.
Desprezado, desrespeitado, desmoralizado, Praxedes abandonou a planície que tanto amava e foi viver no fundo da floresta, bem no escuro, onde ninguém pudesse vê-lo.
Dona Coruja, em suas andanças pelas copas das árvores, viu um dia Praxedes todo triste e perguntou:
- Dom Praxedes, o que lhe aconteceu?
O ex-mandão da planície escancarou a boca muxibenta e disse quase chorando:
- Não sei dona Coruja, Olha aqui, caíram todos os meus dentes.
Dona Coruja, que vivia voando pelas redondezas, contou ao Praxedes que na ilha do Rio dos Crocodilos existia um hipopótamo dentista muito bom na feitura de dentaduras. O único problema é que era um preguiçoso de marca maior e só saía de sua ilha para se refrescar no fundo do rio.
Para ter a dentadura, Praxedes tinha de nadar até o consultório do Dr. Hipopótamo.
Nenhum problema? E os crocodilos?
Quando Praxedes chegou ao barranco pronto para saltar e nadar até a ilha, um bando de crocodilos já esperava por ele, lambendo os beiços:
- Ora viva, aí vem Dom Praxedes para o nosso almoço.
Praxedes chamou de volta sua antiga coragem e propôs:
- Olha aqui, seus crocos, faço uma aposta.
Se vocês deixarem que eu nade até a ilha, garanto que na volta vocês não conseguem me pegar.
- Ah é, seu leão desdentado. Pode nadar, nós o esperamos para o jantar, - disse o maior dos crocodilos, esquecido de que o Hipopótamo era dentista.
Praxedes nadou, nadou. Era um rio muito largo. E precisou ficar um tempão na sala de espera, coisa a que não era acostumado.
O Dr. Hipopótamo estava no fundo do rio, refrescando-se e comendo umas gramas que cresciam debaixo d'água. Só à tardinha voltou ao consultório.
- Ué, Dom Praxedes, por estas bandas?
Em que posso servi-lo?
Praxedes não precisou dizer uma palavra.
Só abriu a boca e o Dr. Hipopótamo compreendeu que ele queria uma dentadura.
- Fique com a boca bem aberta e não tenha medo - disse o dentista.
O Dr. Hipopótamo abriu a gaveta de dentes de leões e escolheu para Praxedes uma dentadura de aço inoxidável com as presas afiadas como navalha.
Praxedes ficou contentíssimo. Só faltou dar um beijo na testa do Dr. Hipopótamo. Disse que faria tudo que ele quisesse, era só pedir. E pulou no rio, nadando de volta para sua planície. Nem se lembrava mais dos crocodilos.
- Lá vem a nossa janta, atacar! - gritou o chefe do bando dos crocos.
Foi uma luta tremenda. O croco-chefe avançou para abocanhar o pescoço de Praxedes, mas foi ele quem levou uma dentada no papo. E outra dentada. E mais outra. O rio coalhado de sangue. Sangue de crocodilo. Não de leão.
Praxedes saiu na outra margem, sacudiu a juba e foi andando todo garboso, de cabeça erguida, planície afora. O chimpanzé sem vergonha viu de longe o ex-banguela, desceu de sua árvore de observação, chegou por trás como sempre fazia, levantou o rabo do Praxedes e já ia enfiar o dedo, quando viu aqueles dentes enormes e afiados. O chimpanzé sem vergonha deu um pulo e por pouco escapou dos dentes navalha. Subiu para o galho mais alto da primeira árvore que encontrou, tão rápido como se estivesse descendo. Ainda teve fôlego para gritar lá de cima:
- Cuidado gente, o Praxedes já tem dente!
Foi um corre-corre danado, a bicharada toda em polvorosa ao escutar novamente o urro ouvido a 50 quilômetros de distância.
Dona Zebra correu para o seu refúgio, a Hiena parou de sorrir à toa, os veados dispararam planície afora. Até seu Avestruz levantou a cabeça e deu no pé.
Os outros leões, quando viram as presas afiadas de Praxedes, navalhas reluzindo ao sol, abaixaram a cabeça para mostrar respeito à lei do dente. O leão-chefe substituto, com o rabo entre as pernas, falou:
- Dom Praxedes, que bom que o senhor voltou. Viva o nosso grande chefe.
A resposta de Praxedes foi outro urro, mais violento do que o primeiro, fazendo tremer as árvores da floresta vizinha. Por fim, sentindo que não era só com urro que se impunha respeito, falou:
- Chefe coisa nenhuma. Não, não vou ser chefe de ninguém. Não vai ter chefe nesta planície. Vamos caçar juntos, sem precisar que ninguém mande em ninguém. E tem mais: quem perder os dentes ou tiver qualquer aleijão não será expulso. Será é ajudado e apoiado.
- Está certo, Dom Praxedes. Assim será, - concordaram os outros leões.
Nem todos. Alguns leõezinhos, que assistiam à conversa, até gostaram da ideia de não ter mais chefe. Entretanto, pensavam lá com seus botões, Praxedes estava era sendo chefe de novo, urrando e gritando com os outros, dizendo o que eles tinham de fazer.
É muito difícil eliminar a lei do dente.


Perguntas:

Por que o leão Praxedes era temido?

O que aconteceu com os dentes de Praxedes?  Por quê?

Depois que perdeu os dentes Praxedes continuou a impor respeito?

O que você acha mais importante, impor respeito pelo medo ou respeitar a opinião dos outros por ser correta?

Praxedes aprendeu a lição depois de ter ficado sem dentes? Qual a atitude que ele tomou que justificou sua resposta?

É muito difícil eliminar a lei do dente. 

Podemos entender a lei do dente pela imposição de algumas pessoas sobre as outras através da força ou mesmo do grito.
Pedir exemplos de colegas ou amigos que querem que suas ideias sejam sempre cumpridas sem que os outros possam argumentar.
Perguntar se algum deles já agiu assim.