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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

PETER PAN A HISTÓRIA DO MENINO QUE NÃO QUERIA CRESCER. Parte 6.

Em seguida deu uma ordem ao tenente do bando.
— "Olá, Capacete! Diga ao cozinheiro que prepare um pão-de-ló bem grande e bem bonito e que ponha dentro..."
Não pôde terminar. Um tique-taque muito seu conhecido fez-se ouvir perto.
— "O crocodilo!" — berrou o chefe dos piratas, disparando na fuga a todo galope, seguido pelo bando inteiro — e logo se sumiram no horizonte dentro duma nuvem de pó. O crocodilo, tique-taque, os acompanhou sem pressa nenhuma, filosofando que se daquela vez não o havia apanhado, de outra o apanharia.
— A senhora falou em nuvem de poeira, vovó. Mas a floresta não estava coberta de neve? — indagou Narizinho.
— Sim, minha filha. Mas a neve logo que cai, acumula-se solta como farinha. Se dá o vento, voa como poeira. Ora, os piratas fugiram ventando como tia Nastácia diz quando a carreira é séria, e, portanto levantavam nuvens de neve em pó.
— E que aconteceu depois? — quis saber Pedrinho.
— Pelo tropel, os meninos lá embaixo perceberam que os piratas haviam fugido e trataram de sair do subterrâneo. Foram subindo pelos ocos, e ao chegarem à superfície viram que os Peles-Vermelhas estavam na pista dos piratas.
— Que história é essa, vovó? Então os índios eram inimigos dos piratas?
— Eram aliados de Peter Pan e inimigos do Capitão Gancho, contra o qual andavam em guerra feroz.
O modo desses índios fazerem guerra merece ser contado. Eles trepavam às árvores para espiar ao longe, com a mão sobre os olhos em forma de viseira e aplicavam o ouvido sobre a terra para ouvirem os rumores distantes.
Caminhavam de rastos, como cobras, escondendo-se atrás de cada toco de pau ou moita. Levavam arcos e flechas e também um tantã, que entre os índios é o tambor da vitória.
Infelizmente era muito raro ouvir-se o som do tantã, porque os Peles-Vermelhas sempre saíam derrotados e fugiam como lebres.
Mas os meninos, ao porem as cabecinhas fora dos ocos só viram o fim da correria. Em minutos a poeira levantada pelos piratas em fuga e pelos índios perseguidores desapareceu no horizonte.
— Que expressão bonita! — exclamou Emília. — Desapareceu no horizonte!... Acho uma beleza em tudo quanto desaparece no horizonte. Inda hei de escrever uma história cheia de desaparecimentos no horizonte, com três pontinhos no fim...
E a boneca ficou absorta, de olhos pendurados no horizonte, enquanto Dona Benta, a rir-se, continuava a história.
— Passaram os piratas — disse ela. — Depois passaram os índios. Só faltava passar o bando de lobos famintos, que habitualmente acompanham os guerreiros para comer os mortos.
— E vieram os lobos nesse dia?
— Como não? Logo depois surgiram os lobos no horizonte; mas farejando a gentinha de Peter Pan fora do subterrâneo, desistiram de seguir os guerreiros e vieram como flechas devorar os meninos.
Peter Pan, entretanto, já havia descoberto o melhor meio de assustar lobo faminto. Consiste em sair ao encontro deles de costas, com a cabeça entre as pernas. Os lobos entreparam, desnorteados, não podendo compreender que espécie de animal é aquele, e depois fogem com velocidade maior ainda que a do Capitão Gancho ao ouvir o tique-taque do crocodilo.
Assim que os lobos famintos chegaram a uma certa distância, os seis meninos, guiados por Bicudo, correram-lhes ao encontro de costas, com a cabeça entre as pernas.
Foi uma beleza! Os lobos entrepararam uns segundos e em seguida voltaram-se nos pés e sumiram-se dentro da floresta.
Ora graças! Os meninos perdidos podiam enfim brincar sossegadamente de pegador ou chicote-queimado à luz do lindo luar que fazia. Mas não brincaram, porque Cachimbo lhes chamou a atenção para qualquer coisa no céu.
— "Olhem! Lá vem voando para o nosso lado uma espécie de pássaro branco bem grande..."
Todos ergueram o nariz e arregalaram os olhos. Não podiam compreender que pássaro fosse aquele. Não parecia garça, nem outra qualquer ave conhecida. Súbito, uma bola de fogo riscou o ar, vindo descer bem no meio deles. Era a fada Sininho.
— "Peter Pan manda dizer" — declarou ela nervosamente na sua linguagem do tlin, tlin, tlin — "que é preciso matar quanto antes essa ave que vem vindo."
Cachimbo, o melhor atirador do grupo, desceu imediatamente ao subterrâneo, de onde voltou com um arco e uma flecha. Ajustou a flecha ao arco, fez pontaria, esticou a corda e — zuct! — A flecha lá se foi assobiando e deu certinho no alvo. A ave branca vacilou no voo, cambaleou, descrevendo um parafuso e veio cair junto ao grupo. Todos correram para apanhá-la.
— "Não é ave!" — exclamaram cheios de surpresa. — "É uma linda menina de camisola branca. Talvez seja a tal mãezinha que Peter Pan vive prometendo trazer-nos."
Era Wendy, que se tinha adiantado dos demais durante o voo. A fada Sininho havia cometido aquela traição porque estava a roer-se de ciúmes: Gostava de Peter Pan e não podia suportar as atenções e requebrados do menino para com a sua nova conhecida. Daí lhe veio a ideia de fazê-la flechar por um dos meninos.
Nisto chegou Peter Pan, seguido de João Napoleão e Miguel. Assim que pôs o pé em terra, foi logo indagando:
— "Onde está Wendy?" — Ao saber que Wendy havia sido flechada, teve um grande acesso de cólera e passou mão do arco para também flechar Cachimbo no coração. E flechava mesmo, se não fosse Wendy despertar do desmaio ainda a tempo de impedir tamanho crime.
Wendy não havia sido ferida, porque a flecha batera justamente no botão-beijo que Peter Pan lhe havia dado. Só sentiu o choque da flecha; e como já estivesse cansada e tonta de tanto voar, bastou isso para fazê-la perder os sentidos e cair.
Vendo que ela estava vivinha, os meninos a rodearam na maior alegria, embora sem saber o que fazer. Levar Wendy para a morada subterrânea não lhes parecia bem.
Deixá-la por ali ao relento, era pior. O único remédio seria construir-lhe uma casinha bem ajeitada. Estavam a discutir esse ponto quando Wendy começou a cantar uma cantiga em verso por ela mesma inventada, assim:

Uma casinha quero ter,
Que menor não haja no mundo;
Terreiro bem limpo na frente,
Jardim de mil flores no fundo.

— "Pronto! Já sabemos o que ela quer!" — exclamaram os meninos em coro. — "Vamos fazer a casinha de Wendy, com jardim de mil flores ao fundo."
E foi uma lufa-lufa. Bicudo correu a cortar paus na floresta; Cachimbo desceu ao subterrâneo em procura duma velha grade muito ajeitada para a armação do teto; Assobio foi em busca dum pedaço de tapete velho e dum rolo de encerado.
Num instante ficou pronta a casinha. Peter Pan observou que haviam esquecido a chaminé. Onde já se viu casa sem chaminé? Correu os olhos em torno, em procura, e deteve-os no Miguel, que tinha na cabeça a cartola de seu pai.
— "Ótimo!" — gritou Peter Pan tomando a cartola. — "Melhor chaminé do que esta não é possível" — e arrumou-a em cima do teto.
E tudo mais foi assim. O material de construção mais empregado era o "faz-de-conta". Não tem fechadura na porta? Faz de conta que esta fivela é fechadura. Não tem cadeira? Faz de conta que esta pedra é cadeira.
Wendy não precisou entrar na casinha, porque a casinha havia sido construída em redor dela — e foi a primeira vez no mundo que semelhante coisa aconteceu.
Pronta a casa com a dona dentro, Peter Pan veio e bateu na porta — toque, toque, toque. Wendy surgiu à janela e perguntou quem era.
— "São os meninos perdidos que desejam saber se a menina está disposta a ser a mãezinha deles. Nunca tiveram mãe e querem experimentar se é bom."
— "Com muito gosto" — respondeu Wendy. — "Serei mãe de todos, contarei histórias à noite, remendarei as roupas de dia, agradarei aos que chorarem e ralharei com os que fizerem coisas inconvenientes — tudo igualzinho como mamãe faz lá em casa. Mas só serei mãe se Peter Pan quiser ser o pai."
Todos bateram palmas, numa grande alegria. Iam ter mãe afinal. Iam ter quem lhes contasse histórias — que maravilha!
— "História! História!" — exclamaram. — "Para começar, conte já uma linda história" — e os meninos foram entrando para a casinha, em atropelo. Era incrível que lá coubessem todos, mas couberam. Para isso foi preciso que se arrumassem com a habilidade e o jeito com que as sardinhas se arrumam dentro das latas.
Logo que todos se acomodaram, Wendy começou assim:
— "Era uma vez uma pobre menina chamada Cinderela" — e foi por aí além até que o sono tomasse conta de toda a sua filharada.
Tudo dormiu. Dormiu a floresta o seu sono agitado de morcegos, pios de coruja e uivos de lobo. Dormiu o crocodilo, lá longe. Dormiram os piratas; e os índios, vendo o inimigo a dormir, deixaram a perseguição para o dia seguinte e dormiram também.
Só não dormiu Peter Pan. Passou toda, a noite fora, de espada na mão, montando guarda à casinha da jovem mãe que havia arranjado para os meninos perdidos.
Dona Benta parou nesse ponto, achando que o melhor era também irem dormir.
— Chega por hoje. O resto fica para amanhã. Agora é cada um ir para sua cama sonhar com o Capitão Gancho e o crocodilo
— Credo! — exclamou tia Nastácia, erguendo-se. — Eu quero sonhar com Dona Wendy, que é tão galantinha. Mas com esse canhoto malvado, Deus me livre!
Pedrinho deu um suspiro. Estava lamentado não haver fugido para a Terra do Nunca tio dia em que nasceu.
Narizinho também suspirou. Quanto não daria para ser Wendy Darling?
Só Emília não suspirou, nem disse nada. Saiu dali muito quieta e foi mexer na caixa de ferramentas de Pedrinho.
Dona Benta encontrou-a lá, lidando para entortar um prego.
— Que é que está fazendo, Emília?
— Estou vendo se faço uma munheca de gancho como a do Capitão.
— E para que, bobinha?
— Para assustar tia Nastácia. Quero ganchar aquele beição dela...

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segunda-feira, 21 de março de 2016

O Sapateiro e Os Elfos, dos Irmãos Grimm. Um conto de Natal.

Era uma vez um sapateiro que tinha ficado tão pobre, mesmo sem culpa nenhuma, que a única coisa que lhe restara era um pedaço de couro que dava para fazer um único par de sapatos. De noite, ele cortou o molde dos sapatos, planejando começar a trabalhar neles no dia seguinte. Depois, de consciência tranquila, foi calmamente para a cama, entregou-se a Deus, e adormeceu.
De manhã, rezou suas orações e ia se sentar para começar a trabalhar quando viu que os sapatos estavam prontinhos em cima da banca. Ficou tão espantado, que nem sabia o que pensar. Pegou os sapatos e olhou de perto. Não havia um único ponto irregular e estava perfeito como se tivesse sido feito por um mestre-artesão.
Melhor ainda: logo chegou um cliente que gostou tanto dos sapatos que pagou por eles mais do que seria o preço normal. Com o dinheiro, o sapateiro ia comprar um pedaço de couro que dava para fazer dois pares de sapatos. Novamente, ele deixou os moldes cortados de noite, antes de ir deitar, pretendendo trabalhar neles com mais ânimo no dia seguinte. Mas nem precisou, porque quando se levantou os sapatos já estavam prontos. E também logo chegaram compradores, que lhe pagaram o suficiente para que ele comprasse couro para quatro pares novos.
Na manhã seguinte, ele encontrou os quatro pares prontos. E assim continuou: os sapatos que ele deixava cortados de noite estavam terminados de manhã. Em pouco tempo ele estava conseguindo se manter decentemente e, daí a mais um pouco, estava rico.
Numa noite, pouco antes do Natal, depois que o sapateiro tinha cortado o couro e eles estavam se preparando para ir dormir, ele disse para a mulher:
— E se a gente ficasse acordado hoje para ver quem é que está nos ajudando?
A mulher gostou da ideia e deixou a lâmpada acesa. Os dois se esconderam num canto, atrás de umas roupas, e ficaram esperando.
À meia-noite, dois homenzinhos nus e com ar muito esperto entraram, se inclinaram diante da banca de trabalho, pegaram as peças que estavam cortadas e começaram a furar, costurar e martelar com tanta rapidez e agilidade em dedinhos pequenos que o sapateiro nem acreditava, de tão espantado. Trabalharam sem um momento de descanso, até que os sapatos estavam prontinhos, em cima da banca. Então saíram correndo e foram embora. Na manhã seguinte, a mulher disse:
— Esses homenzinhos nos fizeram ficar ricos. Devíamos mostrar a eles como estamos gratos. Eles devem ter frio, coitados, correndo de um lado para outro sem nada para vestir. Sabe de uma coisa? Vou fazer umas camisas e calças para eles, coletes, e casacos… E você podia fazer uns pares de sapatos.
— Ótima ideia disse o sapateiro.
Naquela noite, quando aprontaram tudo, deixaram os presentes em cima da banca de trabalho, em vez dos moldes de couro cortado. Depois se esconderam para ver o que os homenzinhos iam fazer. À meia-noite, lá chegaram eles correndo, prontos para trabalhar. De início, ficaram meio intrigados ao ver aquelas roupinhas, em vez do couro cortado. Mas deram pulos de alegria. Ligeiros como o relâmpago, vestiram as roupinhas lindas, se ajeitaram todos e cantaram:
— Estamos lindos, tão elegantes. Sem mais trabalho, como era antes…
Pularam e dançaram, saltaram por cima das cadeiras e dos bancos, e finalmente saíram pela porta afora, sem parar de dançar. Depois disso, nunca mais voltaram, mas o sapateiro continuou prosperando até o fim de seus dias, porque tudo em que ele punha as mãos dava certo.



Um conto dos Irmãos Grimm.

Moral da história: 

quem trabalha com vontade e capricho sempre é recompensado com ajudas de outras pessoas.


Significado de Elfos:


[Mitol.]- Elfos são personagens da mitologia escandinava; gênios, de pequeno porte, espertos, travessos e geralmente benfeitores dos homens. São divididos em elfos das
trevas, que vivem em regiões subterrâneas e elfos da luz, que são mais belos que o Sol e vivem em um país fabuloso, chamado Alfheim.


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Perguntas:

- O sapateiro teve culpa de ficar pobre?

- Quantos pares de sapato dava para fazer com o couro que restou?

- Você acha que ele agiu corretamente ao utilizar o último pedaço de couro para fazer um sapato?

- O sapateiro confiava em Deus? E você, também confia?

- Sem a ajuda dos Elfos, você acha que o sapateiro conseguiria?

- Os Elfos são do bem ou do mal?

Pedir que a turma faça um resumo do restante da história.

Por que os Elfos ao receberem as roupas não voltaram mais?

- A missão dos Elfos era apenas ajudar sem pedir nada em troca - 

Atividade:

Desenho livre sobre a parte da história que mais gostaram.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Literatura infantil lúdica: uma importante ferramenta para a formação de leitores.

O artigo de hoje ressalta a importância da contação de histórias na formação de futuros leitores. Sou incansável nessa busca. Pesquiso as mais lindas histórias infantis, fábulas, cantigas de roda, folclores, enfim, tudo que traz a criança para o mundo imaginário e fascinante da leitura. Bom proveito educadores e amigos queridos!



Raimunda Alves Melo*

A literatura infantil é objeto de muitas pesquisas nas últimas décadas. Alguns estudiosos tecem reflexões sobre a importância de estimular a leitura e a escrita e apontam alternativas para orientar os professores a realizar um trabalho mais sistemático e aprofundado com obras literárias voltadas às crianças. Outros discutem o papel da literatura infantil na formação de leitores. Neste texto, apresentamos algumas orientações metodológicas para garantir essa dupla função, pois queremos que a leitura na escola seja marcada por momentos lúdicos e prazerosos no contato das crianças com os textos literários, tendo como consequência o estímulo à alfabetização e ao letramento já nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

A literatura infantil sempre esteve e está presente em nossas vidas muito antes da leitura e da escrita, seja por meio das cantigas de ninar, das brincadeiras de roda ou das contações de histórias realizadas pelos familiares. Porém quando as crianças chegam à escola é que a literatura passa a ter o poder de construir uma ligação lúdica entre o mundo da imaginação, dos símbolos subjetivos, e o mundo da escrita, dos signos convencionais impostos pela cultura sistematizada.

Sabemos que a partir do momento em que a criança tem acesso ao mundo da leitura, ela passa a buscar novos textos literários, faz novas descobertas e consequentemente amplia a compreensão de si e do mundo que a cerca. Nesse cenário, professores e coordenadores pedagógicos devem atuar em sintonia, assegurando que o trabalho com a literatura infantil aconteça de forma dinâmica, por meio de práticas docentes geradoras de estímulos e capazes de influenciar de maneira significativa o desenvolvimento de habilidades orais, leitoras e escritoras. A contação diária de histórias é bastante significativa, porque proporciona um momento mágico de valor educativo sem igual na correlação destes três eixos: leitura, escrita e oralidade.

As atividades de leitura devem ocorrer desde os primeiros dias de aula, mesmo com crianças que ainda não conhecem nenhuma letra, pois, por meio da visão e da audição, elas realizam a leitura de ilustrações e acompanham a leitura do texto feita pelo professor. Nessa fase inicial, em contato com os livros, elas aprendem a manuseá-los, a reconhecer suas formas, a perceber a diagramação e iniciam suas experiências com os modos de composição textual.
Uma boa obra literária é aquela que apresenta a realidade de forma nova e criativa, deixando espaço para o leitor descobrir o que está nas entrelinhas do texto. A interação da criança com a literatura possibilita uma formação rica em aspectos lúdicos, imaginativos e simbólicos. O desenvolvimento dessa interação, com procedimentos pedagógicos adequados, leva a criança a compreender melhor o texto e seu contexto.

Com o intuito de formar leitores, a literatura especializada aconselha os professores e a escola a utilizar alguns procedimentos pedagógicos como: convívio contínuo com histórias, livros e leitores; valorização do momento da leitura; disponibilidade de um acervo variado; tempo para ler, sem interrupções; espaço físico agradável e estimulante; ambiente de segurança psicológica e de tolerância dos educadores em relação às singularidades e às dificuldades de aprendizagem de cada criança; oportunidades para que expressem, registrem e compartilhem interpretações e emoções vividas nas experiências de leitura; acesso à orientação qualificada sobre por que ler, o que ler, como ler e quando ler. Nessa perspectiva, é importante ressaltar a relevância do contato permanente das crianças com os livros, para que elas possam conviver com suas histórias desde cedo.

O trabalho com a literatura infantil deve ter como um dos pontos norteadores a preocupação em formar leitores autônomos e críticos. Isso exige dos professores um olhar atento e tenaz para as metodologias que devem ser empregadas, bem como para o material a ser utilizado (livros só com textos; livros com textos e imagens; livros só com imagens; livros com recursos audiovisuais, entre outros). É importante ressaltar que esses materiais, quando bem trabalhados, atraem bastante as crianças. Além disso, podem ser explorados em atividades de ordenação das narrativas e de (re)criação de histórias orais ou escritas.
Independentemente do tipo de livro que utilizem em sala de aula, orientamos que os professores destinem pelo menos 25 minutos diários das aulas para proporcionar a seus alunos um momento de leitura, que pode ser realizado de forma coletiva ou individual, sistematicamente, não deixando para trabalhar apenas no dia destinado a atividades de Língua Portuguesa.

Outra estratégia importante é incluir brinquedos e brincadeiras como parte da formação de alunos leitores. Ao misturar livros e brinquedos, livros e brincadeiras, a escola realiza um trabalho de sedução das crianças para a leitura, pois, à medida que o livro entra em sua vida, desde muito cedo e de forma prazerosa, desperta seu imaginário e, consequentemente, o desejo de ler. Partindo desse princípio, acreditamos que as atividades lúdicas envolvendo a leitura, realizadas diariamente pelos professores, bem como a disponibilização de livros de literatura infantil e brinquedos fazem com que os primeiros contatos com a leitura sejam agradáveis e divertidos. Dessa forma, quanto mais lúdico for o trabalho com a literatura infantil, melhor será seu impacto na formação de leitores e na aprendizagem da leitura e da escrita.

Ler histórias para as crianças é incitar o imaginário, provocar perguntas e buscar respostas, é despertar grandes e pequenas emoções como rir, chorar, sentir medo e raiva, emoções estas que vêm das histórias ouvidas e lidas. Juntos, livros, brinquedos e brincadeiras fortalecem ainda mais a construção de novos conhecimentos, favorecendo o desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo das crianças.

* Mestranda em Educação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e consultora do Programa Palavra de Criança em 25 municípios piauienses.





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sábado, 12 de dezembro de 2015

ESTUDANDO: CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS. - Curso grátis online.

Um pouco de teoria

Os contos transmitem a visão cultural da humanidade, estabelecendo uma relação entre o homem e a natureza, estimulando a fantasia. Mesmo com as tecnologias existentes para entretenimento, como computadores, vídeo, cinema é necessário trabalhar o contar histórias como um ato lúdico, de interação entre o contador e o ouvinte. Contar histórias é uma das formas mais usadas de comunicação.
Este curso entende a atividade de contar histórias como uma arte que se revela um instrumento para o trabalho pedagógico. Para tratar desse assunto foi preciso observar alguns pontos importantes como, por exemplo, o ambiente, que é essencial para despertar na criança o gosto pela leitura, assim como a história a ser escolhida e a maneira como esta será transmitida ao ouvinte. Na interação da criança com a obra literária está a riqueza dos aspectos formativos nela apresentados de maneira fantástica, lúdica e simbólica. A intensificação dessa interação, através de procedimentos pedagógicos adequados, leva a criança a uma maior compreensão do texto e a uma compreensão mais abrangente do contexto.
Uma obra literária é aquela que mostra a realidade de forma nova e criativa, deixando espaços para que o leitor descubra o que está nas entrelinhas do texto. A literatura infantil, portanto, não pode ser utilizado apenas como um“pretexto” para o ensino da leitura e para o incentivo à formação do hábito de ler. Para que a obra literária seja utilizada como um objeto mediador de conhecimento, ela necessita estabelecer relações entre teoria e prática, possibilitando ao professor atingir determinadas finalidades educativas. Para tanto, uma metodologia baseada em um ensino através de histórias é uma das possibilidades que tem evidenciado bons resultados no ensino nas escolas.
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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Saiba tudo sobre contação de histórias.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/fantasia-casa-velha-casa-casinha-1370633/

Hoje trago para vocês um maravilhoso material sobre contação de histórias. Fiquei um tempão no computador para deixar visível e ficar mais bonitinho, mas não sei fazer. Então você clica no link e abre o arquivo em PDF aí é só salvar, está disponível na internet.

Palestra contação de histórias PDF clique AQUI

sábado, 17 de outubro de 2015

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS. Um pouco de teoria. - MARAVILHOSO!!!!!!

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/livro-leitura-relax-lil%C3%A1s-banco-759873/


“... a contação estimula o imaginário, toca o coração e alimenta o espírito.”

(Maria Ignês de Araújo Mendes)

Relembrando: Contar histórias...

·       Desenvolve a linguagem, a memória e o raciocínio;
·       Desperta o interesse e a busca pelos livros;
·       Promove a aprendizagem;
·       Proporciona divertimento, satisfação e alegria;
·       Melhora a concentração;
·       Desperta o imaginário e as emoções;
·       Amplia, transforma, enriquece a nossa experiência de vida;
·       Sensibiliza, acalma, amplia o conhecimento;
·       Estimula a criatividade e o senso artístico

Crianças abaixo de 12 anos ainda não são capazes de raciocinar sobre o abstrato, então a transmissão de valores morais é melhor compreendida e assimilada através de histórias, nas quais elas possam se identificar.

“Contar histórias não é um ato apenas intelectual, mas espiritual e afetivo.”

(Eva L. Trierveiler do Nascimento)

Passos para chegar à narração:

1 – Escolhendo a história:

·       Saber o que escolher, o que vai contar considerando para quem e com que objetivo.
Para orientar a escolha dos textos úteis é importante saber exatamente os assuntos preferidos relacionados às faixas etárias:

Até 3 anos: histórias de bichinhos, de brinquedos, de animais com características humanas (falam, usam roupas, tem hábitos humanos), histórias cujos personagens sejam crianças.
Entre 3 e 6 anos: histórias com bastante fantasia, histórias com fatos inesperados e repetitivos, cujos personagens são crianças ou animais.

7 anos: Aventuras no ambiente conhecido (a escola, o bairro, a família, etc.) histórias de fábulas, fadas.

8 anos: histórias que utilizam a fantasia de forma mais elaborada, histórias vinculadas à realidade.

9 anos: aventuras em ambientes longínquos (selva, oriente, fundo do mar, outros planetas), histórias de fadas com enredo mais elaborado, histórias humorísticas, aventuras, narrativas de viagens, explorações, invenções.

10 a 12 anos: narrativas de viagens, explorações, invenções, mitos e lendas.
(Vania Dohme)
·       Conhecer em profundidade e detalhadamente a história que contará.  Ler várias vezes, de modo despretensioso. Divertir-se com ela, captar a mensagem nela implícita, e identificar seus elementos essenciais. (o narrador deve estar sensibilizado para o que quer narrar, se identificar, apreciar a história, para que consiga transmiti-la com satisfação e emoção).
·       Observar o vocabulário, se está de acordo com a idade e o contexto vivenciado pelas crianças.

2 – Estudo da estrutura da história:

·       Não decorar. Destacar: 1 – personagens e suas características; 2 – estrutura do enredo do conto (introdução, acontecimentos principais e secundários, clímax e desfecho); 3 – diálogos; 4 – ambientação. Preparar como começar e finalizar o momento da contação e narrá-lo no ritmo e tempo que cada narrativa exige.
·       Evitar descrições imensas e com muitos detalhes, para que o campo fique mais favorável ao imaginário da criança.

3 – Preparação para a contação:
·       Escolha de recursos auxiliares:
Usar o próprio livro, gravuras, cenário, fantoches, dobraduras, cineminha, objetos, dedoches.
“É importante não abusar de recursos visuais na contação, com excesso de estimulação sensorial que resulte no desvio da atenção do fio da narrativa.”
(Regina Machado, 2004)

“O uso de objetos durante a contação deve ocorrer de forma que não impeça o jogo imaginativo e sem levar o narrador a se transformar em um ator.” (Cléo Busatto).

·       Quanto ao espaço físico, é sugerido ambientes fechados, que evitem a dispersão e aconselha-se o aconchego e a proximidade.

“CONTAR HISTÓRIAS É UMA ARTE... E TÃO LINDA!!! É ELA QUE EQUILIBRA O QUE É OUVIDO COM O QUE É SENTIDO, E POR ISSO NÃO É NEM REMOTAMENTE DECLAMAÇÃO OU TEATRO... ELA É O USO SIMPLES E HARMÔNICO DA VOZ.” (Fanny Abramovich).

“Narrar significa a capacidade de traduzir oralmente as imagens contidas no texto e, assim, encontrar o melhor caminho para suscitá-la.” (Cléo Busatto)

Para tanto, aponta três vias: ritmo, intenção e imagens, que podem ser verbais, sonoras e corporais.

IMAGENS VERBAIS: detecção das descrições que suscitam no ouvinte imaginar sobre as características físicas e psicológicas dos personagens e os espaços onde a narrativa acontece. Ex: “mas a menor era tão linda que até o sol que já vira tanta coisa se alegrava ao iluminar seu rosto” (Rei Sapo) – essa descrição leva o ouvinte a imaginar a aparência física da princesa.

IMAGENS SONORAS: são os sons onomatopaicos a sugerir visualizações da narrativa. Ex: “e a princesa ouviu uns ploc, ploc, ploc nas escadarias de mármore do castelo” (Rei Sapo) – os ploc, ploc, ploc estimulam a imaginação, que tenta identificar quem está produzindo esse ruído.

IMAGENS CORPORAIS: são os movimentos espontâneos que se traduzem em imagens e se relacionam com a narrativa, de modo a associar a linguagem corporal ao contexto narrativo.

Uma comunicação efetiva requer um conjunto de elementos para se concretizar. Cinco aspectos básicos compõem o aperfeiçoamento da expressividade da voz e fala:

1 – CORPO E IMPORTÂNCIA DO OLHAR:

·       postura corporal ereta e equilibrada;
·       musculatura relaxada;
·       o gesto, assim como qualquer outro movimento corporal, deve estar entrelaçado ao dito e cumpre o papel de complementação e não de protagonista da comunicação, lugar delegado à palavra dita.
·       Contato olho a olho: manutenção de interesse, envolve o ouvinte e o valoriza, preenche o silêncio, criando expectativa e interesse para o que está para ser dito.

2 – ARTICULAÇÃO:

·       deve ser realizada com precisão e clareza;
·       garantia de compreensão do conteúdo da história;
·       deve soar de forma simples e natural;
·       Treino: realizar a leitura do conto articulando bem cada sílaba das palavras.
“Os porquinhos Juca, Pipo e Lilo já são porquinhos adultos e resolveram cada um construir a sua própria casa, que seria o lar de sua família, no futuro.” (Será que o lobo é mau?)

3 – COORDENAÇÃO RESPIRAÇÃO-FALA:

·       coordenar o ato de respirar com a emissão das palavras;

·       Pausa (palavra mágica para o controle respiratório): 

não pode competir com a mensagem, aproveitar-se dos sinais de pontuação, aproveitar para criar um clima de suspense na narrativa (mas não pode ser muito prolongada), dar significado ao que se diz.

         “Pipo é um pouco mais organizado e resolveu fazer sua casa de madeira e galhos de árvores, para suportar ventos e chuvas. Assim que terminou a casa foi descansar, pois estava muito cansado.” (Será que o lobo é mau?)

4      – PROJEÇÃO DA VOZ NO AMBIENTE:

Reconhecimento da produção da voz e fala do narrador e o ambiente onde ocorrerá a narração.

5      – MODULAÇÃO:

Refere-se a variações na entonação da fala, concedendo a mesma sentido e vivacidade.

·       ENTONAÇÃO: 

confere a musicalidade na voz. Variações de frequência e de intensidade – importante o narrador conhecer sua própria voz e as diversas maneiras como ela pode se apresentar.
“Tudo ia muito bem, até que chegou a primavera, a mais bela das estações. Qual o problema? O problema é que Zoé, esse é o nome do lobo, é alérgico a pólen de flores. Ele costuma espirrar muito, tossir sem parar, ficar com os olhos vermelhos e ter coceiras no nariz e, às vezes, coçar todo o corpo sem conseguir parar.” (Será que o lobo é mau?)

·       RITMO: 

variamos a velocidade da fala de acordo com o que se quer enfatizar na narração.
“O lobo não conseguiu sequer pedir desculpas ao porquinho, muito menos explicar que precisava de ajuda, pois Juca fugiu apavorado e foi se esconder na casa de seu irmão Pipo.” (Será que o lobo é mau?)

·       É através da modulação que podemos transmitir as emoções e intenções da história.
“O lobo ficou muito chateado pelo que aconteceu, mas decidiu ir até a casa do porquinho Lilo, não apenas para que eles lhe ajudassem a trocar o remédio, mas para pedir desculpas e avisar que assim que melhorasse da alergia iria ajudar a reconstruir as casas dos dois porquinhos.”

·       Identificar palavras-chave fundamentais ao contexto narrativo e colocar ênfase nas mesmas.
“Juca construiu uma casa de palha e assim que terminou foi dormir, que é o que ele mais gosta de fazer. E Juca pretende dormir bastante, agora que não tem sua mãe por perto para lhe alertar sobre a preguiça.”

·       O clima de uma passagem do conto e as características de um personagem podem ser melhor introjetados pelos ouvintes se a voz do narrador apresentar flexibilidade e nuances variadas.
“Perto de onde foram morar Juca, Pipo e Lilo mora um lobo, que eles pensavam que era mau. Mas estavam enganados, pois o lobo já estava idoso, tinha orelhas e nariz muito grandes e apesar da aparência de mau era, na verdade, um lobo bom, quieto e sem muitos amigos.”

“Assim, era uma vez... de boca em boca, de boca para ouvidos... a palavra, protagonista principal da arte de contar histórias. Revestida de recursos (modulação, articulação, pausas, projeção), bem acompanhada do gesto, do movimento corporal, do olhar e moldada à estrutura da narrativa oral, melhor ainda pode continuar seu destino de desde sempre fazer imaginar e encantar e também pode contribuir de modo efetivo para a prática educativa.”

(Lúcia Helena F Neto, Klívia Nayá B. da Silva e Isabella F de Arruda)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vamos encantar nossas crianças?

Encantando as suas crianças.

“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas”.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. “A experiência da beleza tem de vir antes”.

Rubem Alves.



Nunca vou esquecer uma experiência que tive no inicio das minhas atividades como evangelizadora.
Dentro do tema da aula, resolvi “ler” uma historinha com conteúdo adequado para estimular e fixar o conteúdo.
Sempre fui boa narradora, aprendi no curso Magistério, no meu tempo chamado Normal, porque tínhamos que decorar poesias e interpretá-las lá na frente da turma com todas as pausas exigidas, isto tudo depois de termos analisado a poesia profundamente, uffa!!
Então, enquanto lia a poesia com toda a emoção exigida, olhei para a expressão das crianças e percebi o desinteresse total. Umas me olhavam com carinha de paisagem, outras olhavam para as paredes, rsrs.
Foi o choque com a realidade. O mundo mudara as crianças já não eram as mesmas. Como competir com televisão e computadores?
Foi aí que deixei de lado historinhas de conteúdo edificante, mas sem poesia, sem as palavras que tocam o coração e comecei a pesquisar outras novas histórias. Então descobri os clássicos e O Livro das Virtudes, onde entre outras, tinha a historinha Maria vai com as outras que adoro e você encontra AQUI
Foi quando descobri que as crianças precisavam ficar encantadas comigo, e que televisor e computador não sabem abraçar, sorrir, estender a mão.
A partir daí comecei a inovar, e a cada aula, sempre a primeira atividade era de aguçar a curiosidade da criança para o tema a ser abordado, com várias técnicas que aos poucos irei dividindo com vocês.
E foi uma alegria ver os olhinhos brilhando e o sorriso estampado nos rostinhos da meninada!

“A experiência da beleza tem de vir antes”.
Rubem Alves.

Vamos encantar nossas crianças?