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quarta-feira, 7 de setembro de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
O Desenho na formação infantil.
Muitas vezes
acabamos por praticidade nossa, falta de tempo, passando para as crianças
desenhos já prontos e acabados; escolhidos por nós.
Revendo
jeitos e conceitos, vamos refletir sobre?
1) Qual o
papel do desenho nas nossas aulinhas?
1. a)
Meramente de fixar aulinha?
1. b) Ou
podemos utilizá-lo para algo mais?
2) Estamos
bem utilizando essa fonte de expressão?
Vamos
repensar esta questão?
Texto de
apoio:
O Desenho e
a Aprendizagem.
Teresinha
Véspoli de Carvalho.
Desenho,
primeira manifestação da escrita humana. Continua sendo a primeira forma de
expressão usada pala criança.
"Garatujas",
"girinos", "sóis", desenhos "transparentes", e cada
vez mais próximos da forma que podemos chamar de "real", são as
representações de como a criança lê o mundo, enxerga a vida, expressa o que
sente.
À medida que
vai sendo alfabetizada, a escola se encarrega de afastar a criança desta forma
de expressão e ela, como muitos de nós, vai dizendo que "não sabe
desenhar".
Trabalho há
mais de quinze anos com crianças de quatro a sete anos, como professora e, mais
recentemente como psicopedagoga e, muitas vezes, senti grande tristeza em ouvir
professoras de crianças em idade pré-escolar dizerem: "vou dar desenho
mimeografado para meus alunos porque eles não sabem desenhar".
E eu
pergunto: o que é este saber?
Por que proibir
a criança de se expressar graficamente da forma como ela consegue?
Como querer
que a criança use símbolos gráficos estipulados pelo adulto, que são as letras,
se ela não elaborar sua ideia usando símbolos que ela conhece?
Expressar -
se através do desenho é colocar sua vida no papel, com toda a emoção.
Através do
desenho livre, a criança desenvolve noções de espaço, tempo quantidade, sequência,
apropriando- se do próprio conhecimento, que é construído respeitando seu
ritmo.
Aprende
também a função social da escrita, pois sua comunicação, feita através do desenho,
pode ser compreendida por outras pessoas antes que ela aprenda a usar a escrita
convencional para se comunicar.
Quando a
criança se sentir madura, usará com mais facilidade os símbolos gráficos com os
quais já vem tendo contato nas ruas, nos ônibus, nas propagandas que ela vê
todos os dias e também na escola onde os usa formalmente.
Segundo
Emília Ferrero, "aprendemos a ler lendo, a escrever escrevendo", e, como
afirma Jean Piaget , quando aprendemos algo novo, temos que recorrer ao
que já
sabemos e nós nos apropriamos do desenho como forma de representação gráfica
desde a primeira vez que temos contato com lápis e papel e
conseguimos
coordenar os movimentos do braço e da mão segurando o lápis e riscando o papel
(o que pode acontecer por volta dos 2(dois) anos ou às
vezes até
antes desta idade).
Mesmo que
estes desenhos não possam ser interpretados com significado pelo adulto. Mesmo
que a criança mude de ideia cada vez que perguntarmos o que
ela
desenhou.
Gostaria de
ressaltar que é por isso que não devemos escrever no desenho da criança. Além
da "obra" ser dela, ela muda de ideia a cada instante,
principalmente
antes dos 5 (cinco) anos de idade. Portanto, a escrita do adulto é uma
"invasão" sem proveito pois quando outra pessoa for olhar o mesmo
desenho ele poderá ter outro significado.
O desenho
precisa e deve ser sempre valorizado pelos educadores e a importância desta
valorização deve ser compreendida e compartilhada pelos pais, uma vez que toda
aprendizagem tem seu valor e o desenho é uma forma de aprendizagem.
Quando a criança
é valorizada naquilo que sabe, sente prazer em aprender.
As letras
demoram a ter significado para ela e nós teimamos em atropelá-la.
Se ela não consegue
simbolizar da forma como sabe, como conseguirá se apropriar de algo que,
algumas vezes, ainda não lhe atingiu?
É claro que
a criança deve ler e escrever muito, desde quando comece a demonstrar
interesse. Aliás, esse interesse pode se manifestar antes do que se espera.
Já nos
primeiros estágios, na escola de educação infantil, ela começa a identificar o
próprio nome e o dos colegas, e deve ter a oportunidade de escrever palavras da
forma como ela acha que devem ser escritas, testando, assim, suas hipóteses, como
nos mostra Emília Ferrero, através de seus estudos amplamente divulgados.
Mas, a criança
requer um tempo para diferenciar o desenho da escrita, e elaborar suas
hipóteses e esse tempo deve ser respeitado.
É necessário,
porém, que seu "saber" seja legitimado pelo adulto, isto é, é preciso
que o adulto valorize as produções da criança como um "saber" legítimo,
real e, para isso, a escola deve estar integrada com os pais e a comunidade.
As pessoas
que fazem parte do universo da criança e de quem ela busca respeito e aprovação
devem compreender o processo pelo qual ela passa e o que os professores estão
fazendo nesse sentido valorizando, também, seus progressos na forma de
expressão.
Se esse
progresso não for valorizado, a criança pode se retrair sentindo-se
inferiorizada e incapaz.
E ninguém é
incapaz, todos temos capacidades e , quando somos valorizados naquilo que
sabemos, desenvolvemos cada vez mais capacidades, pois nos
sentimos
autorizados a alçar voos cada vez mais altos.
Mas, se
formos sempre julgados pelo que não sabemos nos sentiremos cada vez mais fracos
e incompetentes, permanecendo presos ao ninho, sem ousar alçar voo para lugar
algum.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
- Bossa,
Nadia A e Vera Barros de Oliveira (orgs.). Avaliação psicopedagógica da criança
de sete a onze anos 3a edição 1997 Ed. Vozes Petrópolis.
- Fernandez,
Alicia A inteligência aprisionada abordagem psicopedagógica
Clínica da criança
e sua família 2a reedição 1991 Artes Médicas Porto Alegre.
- Ferrero,
Emilia & Teberosky, Ana psicogênese da língua escrita Trad. Diana.
Myriam Lichtenstein,
Liana Di Marc o e Mário Corso Supervisão da tradução:
Alfredo
Néstor Jerusalinsky- psicanalista 3a edição 1990 Ed. Artes Médicas, Porto
Alegre.
-Moreira,
Ana Angélica Albano o espaço do desenho coleção espaço ed. Loyola São Paulo.
- Furt, Hans
G. Piaget e o Conhecimento: fundamentos teóricos; trad.: Valerie - Runjanek, 1974,
ed. Forense Universitária, Rio de janeiro.
(fonte: Site
da Psicopedagogia online)
Site: http://www.cvdee.org.br
sábado, 14 de novembro de 2015
Alice no País das Maravilhas - Capítulo 5 - Conselho de uma lagarta.
A Lagarta e
Alice olharam-se uma para outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta
tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida,
sonolenta.
“Quem é
você?”, perguntou a Lagarta.
Não era uma
maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante
timidamente: “Eu — eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento — pelo
menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado
muitas vezes desde então”.
“O que você
quer dizer com isso?”, perguntou a Lagarta severamente. “Explique-se!”
“Eu não
posso explicar-me, eu receio, Senhora”, respondeu Alice, “porque eu não sou eu
mesma, vê?”
“Eu não
vejo”, retomou a Lagarta.
“Eu receio
que não possa colocar isso mais claramente”, Alice replicou bem polidamente,
“porque eu mesma não consigo entender, para começo de conversa, e ter tantos
tamanhos diferentes em um dia é muito confuso.”
“Não é”,
discordou a Lagarta.
“Bem, talvez
você não ache isso ainda”, Alice afirmou, “mas quando você transformar-se em
uma crisálida — você irá algum dia, sabe — e então depois disso em uma
borboleta, eu acredito que você irá sentir-se um pouco estranha, não irá?”
“Nem um
pouco”, disse a Lagarta.
“Bem, talvez
seus sentimentos possam ser diferentes”, finalizou Alice, “tudo o que eu sei é:
é muito estranho para mim.”
“Você!”,
disse a Lagarta desdenhosamente. “Quem é você?”
O que as
trouxe novamente para o início da conversação. Alice sentia-se um pouco
irritada com a Lagarta fazendo tão pequenas observações e, empertigando-se,
disse bem gravemente: “Eu acho que você deveria me dizer quem você é primeiro.”
“Por quê?”,
perguntou a Lagarta.
Aqui estava
outra questão enigmática, e, como Alice não conseguia pensar nenhuma boa razão,
e a Lagarta parecia estar muito chateada, a menina despediu-se.
“Volte”, a
Lagarta chamou por ela. “Eu tenho algo importante para dizer!”
Isso soava
promissor, certamente. Alice virou-se e voltou.
“Mantenha a
calma”, disse a Lagarta.
“Isso é
tudo?”, retrucou Alice, engolindo sua raiva o quanto pôde.
“Não”,
respondeu a Lagarta.
Alice pensou
que poderia muito bem esperar, já que não tinha nada para fazer, e talvez no
fim das contas ela poderia dizer algo que valesse a pena. Por alguns minutos a
Lagarta soltou baforadas do seu cachimbo sem falar; afinal, ela descruzou os
braços, tirou o narguilé da boca novamente e disse: “Então você acha que mudou,
não é?”
“Temo que
sim, Senhora”, respondeu Alice. “Não consigo lembrar das coisas como antes — e
não mantenho o mesmo tamanho nem por dez minutos!”
“Não
consegue lembrar que coisas?”, continuou a Lagarta.
“Bem, eu
tentei recitar ‘Como a abelhinha estava atarefada’, mas fiz tudo diferente!”
Alice replicou numa voz muito melancólica.
“Repita
‘Você está velho, Pai William", pediu a Lagarta.
Alice cruzou
as mãozinhas e começou:
Você está velho, Pai Joaquim, disse o jovem,
E seu cabelo
está ficando branquinho,
Mas você
ainda planta bananeira,
Você acha
que na sua idade, isso está certo?
Na minha
juventude, Pai Joaquim respondeu,
Tinha medo
de perder a cabeça,
Mas agora eu
sei que não posso perder,
Porque não
paro de plantar bananeira e estou inteiro.
Você está velho, já falei uma vez, retrucou o
jovem,
E está
engordando demais,
Mas ainda
entra aqui dando cambalhotas,
Por favor,
como você faz isso?
Na minha
juventude, disse o velho,
Eu me
mantive em forma,
Usando esse unguento
— é bem baratinho,
Posso vender
uns dois potes para você?
Você está velho, disse o jovem, e seus dentes
estão fraquinhos
Para
mastigar qualquer coisa dura.
Mas você
ainda come um ganso com osso e tudo,
Por favor,
como você faz isso?
Na minha
juventude, disse o velho, eu acreditava na Lei,
E discutia
tudo com minha mulher,
O treino que
fiz naquela época,
Durou para o
resto da minha vida!
Você está velho, disse o jovem, e ninguém pode
acreditar
que você
ainda enxerga bem.
Mas ainda
assim você equilibra uma enguia na ponta do nariz.
O que deixou
você tão esperto?
Já lhe
respondi três perguntas, agora chega,
Disse o
velho, e não pense que você me agrada!
Você acha
que vou perder meu dia ouvindo suas bobagens?
Pode sumir,
ou vai levar um pontapé no traseiro!
“Isso não
está dito certo”, disse a Lagarta.
“Não bem
certo, eu receio”, respondeu Alice timidamente, “algumas das palavras podem ter
sido trocadas”.
“Está errado
do começo ao fim”, afirmou a Lagarta decididamente. Então se fez um silêncio
por alguns minutos.
A Lagarta
foi a primeira a falar.
“De que
tamanho você quer ser?”, ela perguntou.
“Oh, eu não
ligo para qual tamanho”, respondeu Alice apressadamente, “apenas um que não
fique mudando sempre, a senhora sabe.”
“Eu não
sei”, retrucou a Lagarta.
Alice não
disse mais nada: ela nunca fora tão contradita em toda sua vida antes e sentia
que estava perdendo a paciência.
“Você está
satisfeita agora?”, indagou a Lagarta.
“Bem, eu
gostaria de ser um pouco maior, Senhora, se não se importar”, disse Alice,
“oito centímetros é um tamanhinho meio pequeno demais.”
“É um ótimo
tamanho certamente!”, vociferou a Lagarta, levantando-se enquanto falava (ela
tinha exatamente oito centímetros de altura).
“Mas eu não
estou acostumada com isso!”, alegou a pobre Alice em um tom consternado.
“Você se
acostumará com o tempo”, retrucou a Lagarta, e colocou o narguilé na boca,
começando a fumar novamente.
Desta vez
Alice esperou pacientemente até a Lagarta querer falar novamente. Depois de um
ou dois minutos a Lagarta tirou o cachimbo da boca, e bocejou uma ou duas vezes
e espreguiçou-se. Então desceu do cogumelo e arrastou-se para longe,
simplesmente observando, ao sair: “Um lado irá fazê-la crescer e o outro irá
fazê-la diminuir.”
“Um lado do
quê? Outro lado do quê?”, pensava Alice consigo mesma.
“Do
cogumelo”, respondeu a Lagarta, como se Alice tivesse falado alto, e já no
momento seguinte ela estava fora da vista.
Alice
permaneceu olhando pensativamente para o cogumelo por um minuto, tentando
compreender quais eram os dois lados da planta, e, como ela era perfeitamente
redonda, sentiu-se em meio a uma difícil questão. Entretanto, afinal a menina
esticou seus braços o mais que pôde em torno do cogumelo e cortou um pedaço da
borda com cada mão.
“E agora,
qual é qual?” disse Alice para si mesma, mordiscando um pouco da mão direita
para sentir o efeito. No momento seguinte ela sentiu um violento golpe debaixo
do queixo: ela batera no seu pé.
Ela estava
muito assustada com esta súbita mudança, mas sentiu que não havia tempo a
perder, pois estava encolhendo rapidamente. Alice colocou mãos à obra para
comer do outro pedaço. Seu queixo estava tão fortemente pressionado contra seu
pé, que não havia espaço para abrir a boca; mas ela conseguiu afinal, e
esforçou-se para engolir um bocado da mão esquerda.
“Puxa, minha cabeça está livre afinal!”, disse
Alice num tom de prazer, que mudou para um tom alarmado no momento seguinte,
quando ela descobriu que seus ombros não estavam em lugar nenhum à vista: tudo
o que ela podia ver ao olhar para baixo era uma imensidão de pescoço, que
parecia nascer como um caule sobre um mar de folhas verdes que se estendiam lá
embaixo.
“O que podem
ser todas estas porcarias verdes?”, disse Alice. “E para onde foram meus
ombros? E oh, minhas pobres mãos, como é isso, eu não posso vê-las”. Ela as
estava movendo enquanto falava, mas parecia que não adiantava nada, exceto por
um leve chacoalhar nas distantes folhas verdes.
Como parecia
não haver chances de trazer suas mãos até a cabeça, Alice tentou levar a cabeça
até elas e descobriu com alegria que seu pescoço podia tombar facilmente em
qualquer direção, como se fosse uma serpente. A menina estava justamente
conseguindo curvar seu pescoço em um gracioso ziguezague que a levaria a um
mergulho nas folhas, que ela achava serem as copas das árvores sob as quais
anteriormente vagueara, quando um agudo silvo a fez retroceder rapidamente: uma
grande pomba voava contra seu rosto, e batia em sua face com as asas.
“Serpente!”,
gritou a Pomba.
“Eu não sou
uma serpente!”, afirmou Alice indignadamente. “Deixe-me.”
“Serpente,
eu digo novamente!”, repetiu a Pomba, mas em um tom mais moderado, e continuou,
com um tipo de soluço, “Eu tentei de todas as maneiras, mas nada parece
satisfazê-las.”
“Eu não
tenho a menor ideia sobre o que você está falando”, disse Alice.
“Eu já
tentei as raízes das árvores, já tentei as margens e já tentei as sebes”, a
Pomba continuou, sem prestar atenção em Alice. “Mas estas serpentes, nada as
satisfaz!”
Alice estava
mais e mais confusa, mas achou que não adiantava falar nada até a Pomba
terminar.
“Como se não
houvesse problema nenhum em chocar os ovos”, disse a Pomba, “mas ainda tenho
que ficar de olho nas serpentes, noite e dia! Eu não tirei uma soneca sequer
nesses últimos três dias!”
“Eu sinto
muito que a senhora esteja irritada”, falou Alice, que estava começando a
entender o que isso significava.
“E eu
escolhi a mais alta árvore da floresta”, continuou a Pomba, cuja voz se
transformara num guincho, “e estava achando que estaria livre delas afinal, e
elas precisam serpentear até no céu! Ugh, Serpente!”
“Mas eu não
sou uma serpente, já falei!”, insistiu Alice. “Eu sou uma... Eu sou uma...”
“Bem! O que
é você?”, perguntou a Pomba. “Eu posso ver que você está tentando inventar
alguma coisa.”
“Eu... eu
sou uma menininha”, disse Alice, um pouco em dúvida, pois relembrava o número
de mudanças pelas quais tinha passado naquele dia.
“Uma
história promissora, certamente!”, disse a Pomba, com um tom do mais profundo
desprezo. “Eu tenho visto muitas menininhas em minha vida, mas nem uma com um
pescoço como este. Não, não! Você é uma serpente, e não há porque negar isso.
Eu suponho que agora você vai me dizer que nunca comeu um ovo!”
“Eu já
experimentei ovos, com certeza”, respondeu Alice, que era uma menina que não
mentia, “mas menininhas comem ovos tanto quanto serpentes, sabe.”
“Eu não
acredito nisso”, disse a Pomba, “mas se elas comem, então elas são um tipo de
serpente: isso é o que eu posso dizer.”
Essa era uma
ideia nova para Alice, ela ficou então um ou dois minutos em silêncio, que deu
à Pomba a oportunidade de adicionar:
“Você está
procurando por ovos, eu sei disso muito bem, então o que me interessa se você é
uma menininha ou uma serpente?”
“Isso já é
demais para mim”, falou Alice rudemente, “mas eu não estou procurando por ovos
como parece; e, se estivesse, eu não iria querer os seus, eu não gosto de ovos
crus.”
“Bem, saia
daqui, então”, disse a Pomba em um tom amuado, e acomodou-se novamente em seu
ninho. Alice agachou-se entre as árvores o melhor que pôde, pois seu pescoço
enganchava-se nos galhos das árvores e de vez em quando ela precisava parar e
livrá-lo. Depois de um tempo, Alice lembrou que ainda tinha pedaços de cogumelo
em suas mãos, e pôs mãos à obra bem cuidadosamente, mordiscando de uma e depois
de outra mão, e crescendo um pouco e encolhendo um pouco, até que conseguiu
colocar-se em seu tamanho normal.
Fazia tanto
tempo que ela não estava no seu tamanho normal, que se sentiu um pouco estranha
no início, mas acostumou-se em poucos minutos, começando a falar consigo mesma,
como de costume: “Bem, metade do meu plano já está feito”! Que estranhas todas
essas mudanças são! Eu nunca tenho certeza do que vai acontecer, de um minuto
para outro! Entretanto, eu voltei ao meu tamanho de sempre: a próxima coisa é
entrar no lindo jardim — como é que isso vai ser feito, eu gostaria de saber?
Quando a
garotinha disse isso, subitamente avistou um lugar descampado, com uma pequena
casinha de mais ou menos um metro e vinte de altura.
“Quem quer
que viva lá”, pensou Alice, “acho que não seria apropriado entrar com esta
altura. Posso assustá-los.” Então ela começou a mordiscar pedacinhos da mão
direita novamente, mas não se atreveu a chegar perto da casa até chegar aos
vinte e cinco centímetros de altura.
Lewis
Carroll.
Vamos incentivar a imaginação e o desenho livre? Sugira que cada criança imagine a Alice com o tamanho adequado para cada situação.
Ofereça folhas em branco e vários materiais para desenho, lápis, canetinhas coloridas, tinta guache, aquarelas, lápis de cera, lápis de cor, lápis aquareláveis, etc.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
O pequeno príncipe e o carneiro. Novas descobertas...
Vivi,
portanto só, sem amigo com quem pudesse realmente conversar, até o dia, cerca
de seis anos atrás, em que tive uma pane no deserto do Saara. Alguma coisa se
quebrara no motor. E como não tinha comigo mecânico ou passageiro, preparei-me
para empreender sozinho o difícil conserto. Era, para mim, questão de vida ou
de morte. Só dava para oito dias a água que eu tinha.
Na primeira
noite adormeci, pois sobre a areia, a milhas e milhas de qualquer terra
habitada. Estava mais isolado que o náufrago numa tábua, perdido no meio do
mar. Imaginem então a minha surpresa, quando, ao despertar do dia, uma vozinha
estranha me acordou. Dizia:
- Por
favor... desenha-me um carneiro!
- Hem!
- Desenha-me
um carneiro...
Pus-me de
pé, como atingido por um raio. Esfreguei os olhos. Olhei bem. E vi um pedacinho
de gente inteiramente extraordinário, que me considerava com gravidade. Eis o
melhor retrato que, mais tarde, consegui fazer dele.
Meu desenho
é, seguramente, muito menos sedutor que o modelo. Não tenho culpa. Fora desencorajado,
aos seis anos, da minha carreira de pintor, e só aprendera a desenhar jiboias
abertas e fechadas.
Olhava, pois
essa aparição com olhos redondos de espanto. Não esqueçam que eu me achava a
mil milhas de qualquer terra habitada. Ora, o meu homenzinho não me parecia nem
perdido, nem morto de fadiga, nem morto de fome, de sede ou de medo. Não tinha
absolutamente a aparência de uma criança perdida no deserto, a mil milhas da
região habitada. Quando pude enfim articular palavra, perguntei-lhe:
- Mas... que
fazes aqui?
E ele
repetiu-me então, brandamente, como uma coisa muito séria:
- Por favor...
desenha-me um carneiro...
Quando o
mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer. Por mais absurdo
que aquilo me parecesse a mil milhas de todos os lugares habitados e em perigo
de morte, tirei do bolso uma folha de papel e uma caneta. Mas lembrei-me,
então, que eu havia estudado de preferência geografia, história, cálculo e
gramática, e disse ao garoto (com um pouco de mau humor) que eu não sabia
desenhar. Respondeu-me:
- Não tem
importância. Desenha-me um carneiro.
Como jamais
houvesse desenhado um carneiro, refiz para ele um dos dois únicos desenhos que
sabia. O da jiboia fechada. E fiquei estupefato de ouvir o garoto replicar:
- Não! Não!
Eu não quero um elefante numa jiboia. A jiboia é perigosa e o elefante toma
muito espaço. Tudo é pequeno onde eu moro. Preciso é dum carneiro. Desenha-me
um carneiro.
Então eu
desenhei.
Olhou
atentamente, e disse:
- Não! Esse
já está muito doente. Desenha outro.
Desenhei de
novo.
Meu amigo
sorriu com indulgência:
- Bem vês
que isto não é um carneiro. É um bode... Olha os chifres...
Fiz mais uma
vez o desenho.
Mas ele foi
recusado como os precedentes:
- Este aí é
muito velho. Quero um carneiro que viva muito.
Então,
perdendo a paciência, como tinha pressa de desmontar o motor, rabisquei o
desenho ao lado.
E arrisquei:
- Esta é a
caixa. O carneiro está dentro.
Mas fiquei
surpreso de ver iluminar-se a face do meu pequeno juiz:
- Era assim
mesmo que eu queria! Será preciso muito capim para esse carneiro?
- Por quê?
- Porque é
muito pequeno onde eu moro...
- Qualquer
coisa chega. Eu te dei um carneirinho de nada!
Inclinou a
cabeça sobre o desenho:
- Não é tão
pequeno assim... Olha! Adormeceu...
É muito difícil
para um adulto entender a linguagem infantil.
Crianças têm
mais imaginação, ainda não foram contaminadas pelas regras e convenções que paralisam
os adultos.
No mundo do Pequeno Príncipe,uma rosa e um carneiro dentro de uma caixa assumem uma importância
fundamental.
Ainda assim ele não considera suficiente e ele sai para conhecer outros mundos, outras pessoas.
E aprender
nessa experiência. O Pequeno Príncipe tem sede de saber.
Saber este que
ele encontra saindo do seu mundo, conhecendo outros mundos.
Perguntas:
Você acha
que só pode aprender sobre outros mundos e outras pessoas no computador?
Será que
caminhando no seu bairro e fazendo novos amigos você não consegue descobrir
novas maneiras de viver?
O Pequeno Príncipe
inicia uma viagem pelo espaço e conhece vários planetas, sendo que o último é o
planeta terra
.
Todas as
vivências do personagem são ricas em exemplos e lições de vida.
Na sua viagem, ele conhece os seguintes planetas:
Planeta
habitado por um Rei
Planeta
habitado por um vaidoso
Planeta
habitado pelo empresário
Planeta
habitado pelo acendedor de lampiões
Planeta
habitado pelo geógrafo.
Convidar as
crianças a fazer a viagem junto com o personagem. Dizer que cada planeta tem
suas características e que podem aprender assim como o Pequeno Príncipe
aprendeu.
Desenho:
Faça um
desenho da parte da história de hoje que você mais gostou.
Não criticar
ou interferir no desenho da criança, lembre-se como já falei aqui, muitas
carreiras podem ser interrompidas com o julgamento inadequado de um adulto. O desenho
deve ser livre ainda que não faça sentido para você.
O vídeo abaixo é para os educadores, contudo dependendo da idade pode ser mostrado para as crianças.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
O LOBO E O CABRITINHO.
Certo dia, um lobo viu um
cabritinho que brincava correndo pelos campos longe da casa dos seus pais. Sem
nenhuma demora partiu correndo para pegá-lo. Mas o cabritinho, assustado e com
muito medo, correu desesperadamente para salvar-se. Depois de muito correr, já
cansado, decidiu dialogar com o lobo para que ele desistisse de devorá-lo.
Parou e disse:
- Espere senhor lobo; já
compreendi que não tenho como escapar de suas garras, mas antes de ser devorado
quero lhe fazer um último pedido.
- Está bem - disse o lobo -
se for possível vou atender o seu pedido. O que você quer?
- É que eu gosto muito de
música e sempre trago comigo uma gaitinha; gostaria que, antes de me devorar,
alegre meus últimos momentos tocando a gaita para eu dançar.
- Está certo. Dê-me essa tal
gaita que tocarei. Vamos logo com isso porque estou com fome.
O lobo começou a tocar e o
cabritinho dançou alegremente, indo e vindo para todos os lados.
O cabritinho sabia que ali
perto havia uma casa com cães pastores. Não demorou muito e os bravos animais
chegaram e puseram o lobo para correr desesperadamente.
O cabritinho voltou para
casa a salvo e pensando: "Se tivesse ouvido o conselho da minha mãe não
teria me metido em encrencas. Nunca mais vou sair às escondidas".
Esopo.
----------------------
Moral da
história.
O conselho
de nossos pais devem ser seguidos porque eles sempre querem o melhor para nós.
Sugestão de
atividade: peça para a criança desenhar a parte da história que mais gostou.
domingo, 26 de julho de 2015
Pinóquio — Uma História Mágica. Com atividades de desenho e contação de histórias.
Era uma vez
um velho carpinteiro chamado Gepeto que vivia numa aldeia italiana. Ele não
tinha filhos, desta forma passava seu tempo construindo bonecos.
Um dia,
Gepeto construiu um boneco de madeira muito bonito,quase perfeito e colocou o
nome de Pinóquio e pensou alto: — Serás o filho que não tive, teu nome será
Pinóquio.
À noite,
pediu para as estrelas que seu boneco virasse um menino de verdade e, enquanto
Gepeto dormia Pinóquio recebeu a visita da fada Azul que tocando Pinóquio com a
varinha mágica disse:
— Vou-te dar
vida, boneco.
Mas deves
ser sempre bom e verdadeiro!
Ela deu vida
ao boneco e prometeu que se ele se comportasse bem, o transformaria em um
menino de verdade...
A Fada fez
questão de criar um amigo para Pinóquio, o Grilo Falante que foi nomeado a
consciência de Pinóquio.
Na manhã seguinte, quando Gepeto acordou, ficou radiante de alegria ao perceber que seus desejos se tinham tornado realidade.
Na manhã seguinte, quando Gepeto acordou, ficou radiante de alegria ao perceber que seus desejos se tinham tornado realidade.
Mandou então
Pinóquio à escola, acompanhado pelo Grilo Falante — Pepe.
No caminho
encontraram a D. Raposa e a D. Gata.
— Porque
vais para a Escola havendo por aí tantos lugares bem mais alegres?
— perguntou
a raposa.
— Não lhe
dês ouvidos! — avisou-o Pepe.
Mas
Pinóquio, para quem tudo era novidade, seguiu mesmo os tratantes e acabou à
frente de Strombóli, o dono de um teatrinho de marionetas.
— Comigo
serás o artista mais famoso do mundo! – segredou-lhe o astucioso Strombóli. O
espetáculo começou. Pinóquio foi a estrela.
Os outros
bonecos eram hábeis enquanto Pinóquio só fazia asneiras ... Por isso triunfou!
No final do espetáculo Pinóquio quis ir embora, mas Strombóli tinha outros
planos.
— Fica preso
nesta jaula, boneco falante.
Vales mais
que um diamante!
Por sorte o
grilo Pepe correu e avisou a Fada Madrinha, que enviou uma borboleta mágica
para salvar Pinóquio.
Quando se
recompôs do susto, a borboleta perguntou-lhe aonde vivia. — Não tenho casa! —
respondeu o boneco.
A borboleta
voltou a fazer-lhe a mesma pergunta, e ele deu a mesma resposta.
Mas, cada
vez que mentia, o nariz crescia-lhe mais um pouco, pelo que não conseguiu
enganar a Borboleta Mágica.
— Não quero
este nariz! — soluçou Pinóquio.
— Terás que
te portar bem e não mentir!
Voltas para
casa e para a Escola. — disse-lhe a Borboleta Mágica.
Depois de
regressar a casa, aonde foi recebido com muita alegria por Gepeto, e passou a
portar-se bem.
Tempos
depois, de novo quando ia para a Escola, Pinóquio encontrou pelo caminho João
Honesto e Gedeão. Eles o convenceram a conhecer a Ilha de Prazeres, onde
ninguém trabalhava.
Pinóquio,
que gostava de aventuras, esqueceu que deveria consultar sua consciência.
Seguiram a viagem em uma carroça que era puxada por burrinhos, muito infelizes.
Quando
chegaram, Pinóquio saiu correndo, para conhecer a ilha. Era tudo muito bonito,
cheio de doces e brinquedos.
Ele estava
brincando, quando percebeu que suas orelhas estavam crescendo e ficou com medo
de se transformar em um burro. Ficou muito assustado e chamou pelo Grilo
Falante.
O Grilo
perguntou a Pinóquio o que estava fazendo na ilha, ele começou a mentir, e a
cada mentira seu nariz crescia.
Os dois
acabam descobrindo que as crianças que vinham para aquele lugar eram
transformadas em burrinhos.
— Anda,
Pinóquio. Conheço uma porta secreta...! Não te queres transformar em burro?
Levar-te-iam para um curral!
— Sim, vou
contigo, meu amigo Pepe. Resolveram pedir ajuda para a Fada Azul, que tirou
todas as crianças da ilha.
Quando
voltou para casa, Pinóquio não encontrou Gepeto.
Estava
procurando em uma praia, quando encontrou uma garrafa com uma carta dentro.
A carta
dizia que Gepeto estava procurando Pinóquio no mar, quando foi engolido por uma
grande baleia chamada Monstro.
Como o grilo
Pepe era muito esperto, ensinou Pinóquio a construir uma jangada e entraram no
mar para procurar Gepeto.
Perguntavam
a todos os peixinhos que encontravam, se conheciam a baleia Monstro e dois dias
mais tarde, quando navegavam já longe de terra, avistaram uma baleia.
— Essa
baleia vem direita a nós! gritou Pepe.
— Saltemos
para a água! Mas não puderam se salvar!!!
A baleia
engoliu-os !!!
Em breve
descobriram que no interior da barriga estava Gepeto, que tinha naufragado no
decurso de uma tempestade e pai e filho se abraçaram de alegria.
— Perdoa-me
papá.
— Suplicou
Pinóquio muito arrependido.
Logo depois
chegou o grilo, e os três juntos tiveram a idéia de fazer uma fogueira na
barriga da baleia o que fez com que a baleia espirrasse forte, por causa da
fumaça, jogando os três para fora.
A partir
daí, Pinóquio, mostrou-se tão dedicado e bondoso que a Fada Madrinha, no dia do
seu primeiro aniversário, o transformou num menino de carne e osso, num menino
de verdade.
— Agora
tenho um filho verdadeiro! Exclamou contentíssimo Gepeto.
Por isto se
diz que a pessoa que mente vai crescer o nariz, não acontece com pessoas, é
para lembrar que a mentira não é uma coisa boa!
Trabalhando a
criatividade infantil.
Para estimular
a criatividade da tua criança, pensei em uma historinha com desenhos para
colorir e depois a criança escreve brevemente abaixo do desenho a que se
refere.
As imagens
devem ser impressas do mesmo tamanho para formar um livro.
Se você
tiver uma turma serve a mesma atividade.
Pesquisei na
internet e achei um site específico com algumas histórias conhecidas, mas
caso você não encontre ali a sua história, pode inverter o processo e depois de
contar a história, as crianças farão o desenho na sequencia. Observe que várias
áreas do cérebro estarão sendo estimuladas, bem como várias capacidades, como
concentração, memória, criatividade, entendimento da história, e todas as
habilidades que envolvem o desenho infantil.
Para acessar
as imagens para pintar, clique AQUI
Temas trabalhados na atividade de hoje: Verdade, ser honesto.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Leilão de Jardim. Leia poesia para sua criança.
com flores?
borboletas de muitas
cores,
lavadeiras e
passarinhos,
ovos verdes e azuis
nos ninhos?
Quem me compra este
caracol?
Quem me compra um raio
de sol?
Um lagarto entre o muro
e a hera,
uma estátua
da Primavera?
Quem me compra este
formigueiro?
E este sapo, que é
jardineiro?
E a cigarra e a sua
canção?
E o grilinho dentro
do chão?
(Este é o meu leilão!)
Cecília Meireles.
Minhas dicas para o leitor da poesia:
Você pode simplesmente ler a poesia com emoção e ritmo, não esqueça, poesia não deve ser explicada e sim sentida, a não ser que a criança pergunte o significado de alguma palavra. Se for trabalho em grupo, essa poesia serve para atividade de preparação da turma para uma aula sobre ecologia.
Com a poesia a criança ficará estimulada a saber mais.
Atividade: depois de lida a poesia, você pode levar tirinhas dos versos dentro de uma caixinha e cada criança tira uma tirinha. Quem souber ler, lê em voz alta, para os outros você vai ler e explicar.
Cada um fará um desenho ilustrando a tirinha que tirou no "Sorteio", eles adoram!
Você pode encerrar aí as atividades com a poesia antes de falar sobre ecologia e de como cada um está ou não fazendo a sua parte. Levar exemplos e imagens para ilustrar a aula de preservação da natureza.
Ou você pode ainda dar os papéis que serão coloridos em tamanho padrão, e depois montar um livro de ecologia para eles. Costumava depois tirar xerox e distribuir para que cada um ficasse com uma cópia.
Estas são as maneiras mais criativas de explorar a poesia, sempre lembrando a importância do desenho na formação infantil.
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