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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Leilão de Jardim. Leia poesia para sua criança.

Quem me compra um jardim
com flores?

borboletas de muitas
cores,

lavadeiras e
passarinhos,

ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este
caracol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro
 e a hera,

uma estátua
 da Primavera?

Quem me compra este
formigueiro?
E este sapo, que é
jardineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é o meu leilão!)


Cecília Meireles.


Minhas dicas para o leitor da poesia:

Você pode simplesmente ler a poesia com emoção e ritmo, não esqueça, poesia não deve ser explicada e sim sentida, a não ser que a criança pergunte o significado de alguma palavra. Se for trabalho em grupo, essa poesia serve para atividade de preparação da turma para uma aula sobre ecologia.

Com a poesia a criança ficará estimulada a saber mais.

Atividade: depois de lida a poesia, você pode levar tirinhas dos versos dentro de uma caixinha e cada criança tira uma tirinha. Quem souber ler, lê em voz alta, para os outros você vai ler e explicar.

Cada um fará um desenho ilustrando a tirinha que tirou no "Sorteio", eles adoram!

Você pode encerrar aí as atividades com a poesia antes de falar sobre ecologia e de como cada um está ou não fazendo a sua parte. Levar exemplos e imagens para ilustrar a aula de preservação da natureza.

Ou você pode ainda dar os papéis que serão coloridos em tamanho padrão, e depois montar um livro de ecologia para eles. Costumava depois tirar xerox e distribuir para que cada um ficasse com uma cópia.

Estas são as maneiras mais criativas de explorar a poesia, sempre lembrando a importância do desenho na formação infantil. 


terça-feira, 21 de julho de 2015

A festa no céu. Narrativas diferentes da mesma história.

Hoje vou apresentar uma forma criativa de trabalhar a imaginação infantil com a contação de histórias ou lendas e folclore. 
A técnica consiste em contar duas versões diferentes da mesma história e depois a criança cria uma nova versão, ou mistura as versões criando um final diferente. 
  
Vamos começar?


A festa no céu.

(Conto tradicional do Brasil)

Luís Câmara Cascudo

Entre todas as aves, espalhou-se a notícia de uma festa no Céu. Todas as aves compareceriam e começaram a fazer inveja aos animais e outros bichos da terra incapazes de voo.
Imaginem quem foi dizer que ia também à festa... O Sapo! Logo ele, pesadão e nem sabendo dar uma carreira, seria capaz de aparecer naquelas alturas. Pois o Sapo disse que tinha sido convidado e que ia sem dúvida nenhuma. Os bichos só faltaram morrer de rir. Os pássaros, então, nem se fala!
O Sapo tinha seu plano. Na véspera, procurou o Urubu e deu uma prosa boa, divertindo muito o dono da casa. Depois disse:
- Bem, camarada Urubu, quem é coxo parte cedo e eu vou indo, porque o caminho é comprido.
O Urubu respondeu:
- Você vai mesmo?
- Se vou? Até lá, sem falta!
Em vez de sair, o Sapo deu uma volta, entrou na camarinha do Urubu e, vendo a viola em cima da cama, meteu-se dentro, encolhendo-se todo.
O Urubu, mais tarde, pegou na viola, amarrou-a a tiracolo e bateu asas para o céu, rru-rru-rru...
Chegando ao céu, o Urubu arriou a viola num canto e foi procurar as outras aves. O Sapo botou um olho de fora e, vendo que estava sozinho, deu um pulo e ganhou a rua, todo satisfeito.
Nem queiram saber o espanto que as aves tiveram, vendo o Sapo pulando no céu! Perguntaram, perguntaram, mas o Sapo só fazia conversa mole. A festa começou e o Sapo tomou parte de grande. Pela madrugada, sabendo que só podia voltar do mesmo jeito da vinda, mestre Sapo foi-se esgueirando e correu para onde o Urubu se havia hospedado. Procurou a viola e acomodou-se, como da outra feita.
O sol saindo, acabou-se a festa e os CONVIDADOS foram voando, cada um no seu destino. O Urubu agarrou a viola e tocou-se para a Terra, rru-rru-rru...
Ia pelo meio do caminho, quando, numa curva, o Sapo mexeu-se e o Urubu, espiando para dentro do instrumento, viu o bicho lá no escuro, todo curvado, feito uma bola.
- Ah! camarada Sapo! É assim que você vai à festa no Céu? Deixe de ser confiado...!
E, naquelas lonjuras, emborcou a viola. O Sapo despencou-se para baixo que vinha zunindo. E dizia, na queda:
- Béu-Béu!
Se desta eu escapar,
Nunca mais bodas no céu!...
E vendo as serras lá em baixo:
- Arreda pedra, se não eu te rebento!
Bateu em cima das pedras como um genipapo, espapaçando-se todo. Ficou em pedaços. Nossa Senhora, com pena do Sapo, juntou todos os pedaços e o Sapo voltou à vida de novo.

Por isso o Sapo tem o couro todo cheio de remendos.



Alvoroço de festa no céu.

Não é que na véspera do Carnaval houve no céu uma festa para os bichos da selva?
 Os convites foram entregues por um beija-flor que delicadamente os deixava em cima de corolas de vitorias-regias. O bicho que ia passando via o seu nome no envelope e pulava de alegria: tinha sido contemplado com um programa para o fim de semana!
 Mas notaram todos que só recebiam convites os bichos de asa. O que era uma injustiça. Pelo menos foi o que o sapo gordo pensou. Os animais de terra estavam conformados, esperando o dia em que houvesse a festa la na selva mesmo. Mas, como eu disse, o sapo verde não. Todos riam dele e de suas reclamações coaxadas e inúteis.
Ele aproveitou o fim manso de tarde para gritar bem alto e ser bem ouvido:
— Eu também vou!
 Os pássaros caçoaram e perguntaram:
 Cadê tuas asas, bicho feio?
 Foi então que pensou: devo consultar quem é igual a mim, porém mais velho. E realmente, no brejo que ficava entre samambaias e avencas, encontrou um sapo velho e cheio de sabedoria chamado Quá-quá- qua, Este se amedrontou com as intenções do sapo jovem:
 — Olhe, é melhor para a sua saúde não sair do chão e ter água por perto.
 Então o sapo jovem disse-lhe:
— O senhor é capaz de guardar um segredo? Pois bem, eu vou dançar lá em cima. Basta-me que o urubu feio leve o seu violão
Qua-qua-qua disse-lhe que não o entendia.
 O sapo foi falar com o urubu:
 — Você vai levar seu violão, urubu?
O urubu, de violão debaixo da asa, nem se dignou a responder.
 — Senhor urubu, quer me fazer um único favor? O de ver se estou naquela esquina?
 O urubu, meio burro, replicou que, já que era um só favor, ele iria. E não carregou o violão. O sapo mais que depressa entrou no violão e ficou lá bem quieto,  embora tivesse uma vontade louca de fumar. O urubu voltou para lhe dizer que não o havia encontrado na esquina — mas cadê o sapo? Sumira, pensou. E pensou: agora vou para o céu.
 Para encurtar a história, o sapo, dentro do violão, chegou ao céu e mais do que depressa pulou para fora e começou a dançar todo feliz. Os pássaros se
espantaram, perguntaram ao senhor sapo como havia chegado. Mas a alma do negócio é o segredo e o sapo só respondeu malcriado:
 — É que eu me arranjo sempre!
E entrou de novo sorrateiro no violão para ir embora. Mas o urubu percebeu a coisa e ficou raivoso:
Espertinho, não é? Pois agora mesmo é que você vai voar, vou te soltar no ar. Então o sapo pediu todo manhoso:
 — Está vendo aquela pedra e aquele lago? Pelo amor de Deus, deixe eu cair na pedra porque se eu cair no lago eu me afogo!
 — Pois é no lago que eu vou te largar, para você morrer!
 O sapo, bem feliz, caiu no lago, e salvou-se.
 Moral da festa? Bem, não houve.

Autora: Clarice Lispector



Através da experiência, a criança vai perceber que a história tem ideias em comum, assim como a ideia central que é a moral da história: Cada um tem seu lugar na vida e deve aceitar vivendo bem e evoluindo sem querer ser diferente do que é.

Você pode completar ainda com um livrinho só com ilustrações e resumido feito pela sua criança.



Referências: Site: http://www.plataformadoletramento.org.br/acervo-experimente/820/produzir-narrativas-sobre-versoes-da-mesma-historia.html 

domingo, 19 de julho de 2015

A lição da borboleta.


"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.
Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente.
Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas
O homem continuou a observá-la,  porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.
Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.
O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual a Natureza fazia com que o fluído do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.

Só com muito trabalho e perseverança conseguimos as coisas. Pedir exemplos de situações da vida da criança em que ela teve que ter paciência e esperar o tempo certo para conseguir o que queria e se valeu a pena o trabalho.
Sugestão de atividade: desenho livre de uma borboleta, ou solicitar que a criança desenhe o que mais achou interessante na história.

Perguntas interessantes:

O homem queria ajudar ou prejudicar a borboleta?

O que aconteceu depois que ele cortou o casulo? Por que?

Se ele tivesse deixado a borboleta fazer o esforço que precisava ela poderia voar normalmente?

E você, o que faria no lugar do homem?



O DESENHO.

O desenho pode ser definido como a interpretação de uma realidade, visual, emocional, intelectual, etc., através da representação gráfica.
Entretanto, o desenho, como toda arte, não é apenas uma forma de expressão, mas também uma atividade altamente criativa. E quanto mais se pratica, mais crescem as possibilidade de criação.

Todos nós somos seres que pensam, sente e agem.

  Desenhar, para a criança, constitui uma atividade integradora dos domínios perceptivo, cognitivo, afetivo e motor.

  Toda criança desenha. Ela sempre encontra uma maneira de deixar, nas superfícies, o registro de seus gestos.
Se não tiver papel, pode ser na terra, na areia, ou até mesmo na parede de casa. Se não tiver lápis, serve um pedaço de tijolo, um caco de telha, ou uma lasca de carvão.
"A criança desenha, entre outras tantas coisas, para se divertir. Um jogo que não exige companheiros, onde a criança é dona de suas próprias regras. Nesse jogo solitário, ela vai aprender a estar só, "aprender a só ser". O desenho é o palco de suas encenações, a construção do seu universo particular" (DERDYK, 1989, p. 50).

A responsabilidade do professor ou educador é muito grande. Nossa atitude tanto pode estimular a sua criatividade e o "gosto pelo desenho", como pode inibir ou bloquear.
Uma aluno do antigo curso do Magistério (hoje Normal Superior) contou sua experiência na primeira série, onde a professora, com uma atitude critica, muito severa, praticamente bloqueou sua vontade de desenhar. A garota, hoje professora, nunca mais desenhou.