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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Os dois amiguinhos.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php image=121199&picture=reflexao-egret

Uma vez uma garça adotou um filhote de tigre órfão e criou o bebê junto com seu próprio filho. Os dois viraram grandes amigos, e todo dia faziam a maior bagunça, sem jamais brigar. Na realidade, eram as crianças mais boazinhas do mundo. Um dia apareceu outra garça que era uma encrenqueira; essa garça tratou muito mal o bebê garça. O bebê garça pediu socorro, e o tigre veio correndo: num instante engoliu a encrenqueira. Só ficou um ossinho e um punhado de penas para contar a história. O tigre, que tinha sido criado num regime vegetariano, achou aquela comida diferente uma maravilha. Lambendo os bigodes, piscou o olho e disse:
– Eu te adoro, minha pequena garça!
E zás, lá se foi sua companheira de brincadeiras servir de sobremesa para o piquenique improvisado.

Moral: Nada elimina o que a natureza determina.


Esopo.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As mil e uma noites. ALI BABÁ E OS QUARENTA LADRÕES.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/cavalo-sombra-terra-homem-no-cavalo-935073/

Numa distante cidade do Oriente, vivia um homem bom e justo, chamado Ali Babá.
Ali Babá era muito pobre. Morava numa tenda, entre um vasto deserto e um grande oásis.
Para sustentar a mulher, Samira, e os quatro filhos, Ali Babá oferecia seus serviços às caravanas de mercadores
que passavam por ali. Estava sempre pronto para cuidar dos camelos, lavá-los, escová-los e dar-lhes água e alimento.
Os ricos comerciantes já conheciam Ali Babá e gostavam muito de seu serviço. Ele sempre cobrava o preço justo pelo trabalho, porém, muitas vezes, os mercadores davam-lhe mais, pois sabiam que ele vivia em dificuldades.
— Aqui estão dez moedas de prata para você, Ali Babá.
E obrigado por ter cuidado tão bem dos meus camelos.
— Mas, senhor, são só cinco moedas que costumo cobrar — respondia honestamente Ali Baba.
— Sim, eu sei, meu bom homem. Mas quero gratificá-lo.
— Obrigado, patrão, agradeço em nome dos meus filhos.
Samira, em casa, também trabalhava muito. Além de cuidar dos filhos e das tarefas do lar, remendava a tenda, que já era velha, e cuidava de uma horta, plantando tudo que podia, preocupada em economizar.
— Veja, Samira! Veja, minha mulher! Hoje os homens da caravana foram generosos. Deram-me dez moedas!
— Graças a Alá! Agora poderemos comprar uma túnica nova para Ben e outra para Ornar. Eles têm passado frio.
— Sim, Samira, amanhã mesmo vou fazer isso. A caravana vai embora ainda hoje, e até o mês que vem não terei mais trabalho...
Era difícil a vida de Ali Babá! As caravanas não eram constantes e havia épocas em que, devido às tempestades de areia no deserto, os mercadores levavam dois ou três meses para passar por ali.
Para que sua mulher e seus filhos não passassem necessidades, Ali Babá procurava fazer outros trabalhos. Com eles garantia pelo menos a compra de leite, pão, azeite e alguma carne.
Assim, quando não havia caravanas, Ali Babá entrava
numa floresta que fazia parte do oásis, entre o deserto e a cidade. Lá ele colhia tâmaras e damascos, colocava-os em cestos e depois ia vendê-los no grande bazar da cidade.
"Que bom! Hoje consegui apanhar meio cesto de frutas. Mas já é tarde. Não consigo mais enxergar. Amanhã mando meu filho Anuar ir vendê-las na cidade e volto aqui para pegar mais. Vou ver se encho dois cestos", pensou Ali Babá.
No dia seguinte, bem cedinho, lá se foi Ali Babá com seus cestos vazios, disposto a enchê-los de tâmaras e damascos.
Estava no alto de uma tamareira quando ouviu um rumoroso tropel de cavalos "Muito estranho, esse barulho de patas de cavalos", refletiu. "Sempre vejo passarem camelos por aqui". O ruído, cada vez mais forte, indicava que os cavaleiros estavam se aproximando.
Ali Babá continuava curioso. "Quem será que vem chegando? Parecem muitos... E para onde será que vão?
Entrar no deserto a cavalo é impossível! Esses animais não aguentariam o calor!".
Não demorou muito, Ali Babá avistou os cavaleiros.
Eram, de fato, muitos. Do alto da tamareira, o bom homem contou exatamente quarenta.
"Puxa! Eles parecem estar com pressa... E estão bem
carregados. Todos os cavalos levam arcas, cofres e sacos...
Devem ser mercadores da cidade. Bem, vou tratar do meu trabalho, pois o dia passa depressa."
Mais ou menos uma hora depois, os homens voltaram com seus cavalos ruidosos.
Ali Babá, que arrumava seus cestos, tratou de se esconder, com medo de que o vissem. Afinal, não conhecia aqueles homens, nem sabia exatamente o que faziam.
"Lá vão eles. Não são mesmo homens do deserto. Estão
voltando para o lado da cidade. O mais curioso é que já
descarregaram os cavalos. Onde terá ficado toda aquela
bagagem?"
Os cavaleiros logo sumiram por entre a mata, pois os cavalos, agora aliviados da carga, corriam muito mais.
O dia passou. Ali Babá, contente com seus cestos de frutas, foi para casa descansar.
— Pai, consegui vender todas as tâmaras no bazar. Pena que Ben, Ornar e Hassan não foram comigo. Teríamos nos
espalhado por lá, cada um com um cesto, e vendido as frutas mais depressa.
— Então, amanhã vão os quatro. Hoje eu trouxe muito
mais do que ontem. Vejam se conseguem vender tudo.
Enquanto forem ao bazar, irei outra vez para a floresta e
pegarei mais frutas.
— Está bem, papai.
Na manhã seguinte, lá se foi novamente Ali Babá. Que calor fazia! Ele nem se lembrava mais dos homens a cavalo que vira na véspera. Tanto se esquecera, que nem comentara o fato com Samira.
AU Babá começou logo a apanhar suas frutas. Por volta do meio-dia, já cansado, se sentou à sombra de uma palmeira, para comer o lanche.
De repente, ouviu ao longe o mesmo barulho da véspera. Apurou o ouvido e teve certeza: eram cavalos que se aproximavam. Seriam os mesmos homens do dia anterior?
Se fossem, estavam passando um pouco mais tarde.
Quando Ah Baba percebeu que o tropel estava próximo, subiu rapidamente na palmeira e constatou: eram os mesmos quarenta homens. Para onde iriam?
"Hoje vou atrás deles. Quero ver para onde vão. Não
devem ir muito longe daqui... Estão carregados outra vez."
Ali Babá teve sorte. Enquanto descia da palmeira para tomar a estrada e seguir o rastro dos cavalos, o chefe dos
cavaleiros resolveu parar, para os animais beberem água.
Quando Ali Babá chegou, os homens estavam começando a se levantar para continuar o caminho.
"Agora posso vê-los de perto?, pensou Ali Babá. “Que gente esquisita”... São tão mal-encarados... E todos armados com facas e cimitarras..."
— Vamos, vamos! Chega de folga! Temos de descarregar tudo isso que roubamos hoje e voltar logo para a cidade. Amanhã é outro dia! — disse o chefe.
"Por Alá! Eles são ladrões!" concluiu Ali Babá. "Que perigo! Se me descobrirem, certamente me matarão. Estão armados até os dentes! Mas, agora que já estou aqui, vou continuar atrás deles. Quero ver para onde vão."
Refeitos, os cavalos puseram-se a galopar, Ali Babá
teve de correr muito, para não perdê-los de vista. Conseguiu chegar ao lugar em que haviam parado e viu que somente o chefe descera do cavalo.
Era uma clareira na floresta, no fundo da qual havia uma pedreira, não muito alta.
Os trinta e nove ladrões continuavam montados, dispostos em semicírculo, voltados de frente para a pedreira.
O chefe, em pé, segurando as rédeas do cavalo, ficou bem no meio. Com ar solene, deu uma ordem:
— Abre-te, Sésamo!
Ali Babá não conseguia entender o que estava acontecendo. Por que os ladrões estavam ali, num lugar deserto, onde não havia nada e ninguém? Por que ficavam dispostos daquela maneira? E que significado tinha aquela frase que o chefe falara?
Ele esperou apenas alguns segundos, para obter as respostas a todas essas perguntas. Logo depois da ordem dada pelo chefe, uma grande rocha da pedreira se moveu, abrindo a entrada de uma gruta. Os quarenta ladrões entraram em fila e, atrás do último, a pedreira se fechou.
"Não acredito no que estou vendo... Agora compreendo tudo! Eles devem guardar os objetos roubados dentro dessa gruta que se abre e se fecha. Por isso, ontem, os
cavalos voltaram descarregados. Vou ficar escondido atrás desta árvore. Eles terão de sair daí de dentro, pois acho que voltarão à cidade", decidiu Ali Babá.
E esperou, esperou, esperou, até que ouviu o barulho
da pedra se movendo.
"Ai vem eles!", agitou-se Ali Babá. "Já devem estar de saída. Vou prestar atenção para ver como fazem para fechar a entrada da gruta."
Os ladrões saíram em fila. Dessa vez, o último foi o chefe.
— Bem, já estão todos prontos? Então, vamos!
E, voltando-se para a grande pedra, falou:
— Fecha-te Sésamo!
A pedra rolou direitinho, fechando a entrada do esconderijo. Os ladrões pegaram a mesma picada e,
rapidamente, com seus cavalos a galope, desapareceram entre as árvores da floresta.
Ali Babá esperou assentar a poeira levantada pelos animais e saiu de trás da árvore.
"Agora, vou entrar lá. Direi as mesmas palavras do chefe dos ladrões. Sésamo deve ser o nome dessa pedreira.
Será que ela me obedecerá, ou será que só atende às ordens dele? Bem, vou experimentar. Vamos ver o que acontece!"
Colocando-se na mesma posição do ladrão, arriscou:
— Abre-te, Sésamo!
A grande pedra rolou, abrindo a entrada da gruta. Ali
Babá entrou imediatamente e ficou maravilhado com o tesouro que lá havia.
"Que beleza! Quanto ouro! Quantas pedras preciosas!
Quantas moedas! E pensar que há tanta gente pobre, passando necessidades, sem casa, sem roupa, sem comida. De quem será que eles roubam tanta riqueza? Deve ser das caravanas."
Ali Babá deu uma volta por dentro da gruta, que era iluminada por tochas.
Quando já estava de saída, lembrou-se de que tinha preso na cintura, o saquinho de pano, onde trouxera uns
pedaços de pão para o almoço.
E se eu levasse algumas dessas moedas de ouro em
meu saquinho? Acho que os ladrões nem perceberiam. Eles têm tanto... Mas isto seria um roubo. Eu seria um ladrão, roubando ladrões."
Depois, pensando na vida difícil da mulher e dos filhos,
encheu seu saquinho com pesadas moedas de ouro e foi
embora. Na saída, repetiu as palavras mágicas:
— Fecha-te, Sésamo!
Ali Babá voltou ao lugar onde estivera colhendo frutas, pegou os cestos e foi para casa. No caminho, pensava nas
moedas. Que iria fazer com elas?
Onde poderia guardá-las? Quando nada possuía, não tinha medo de ser roubado. Agora, de posse das moedas, já começava a temer os assaltantes.
"Acho que vou conversar com meu irmão Ali Mansur.
Ele é rico... Saberá me dizer o que posso fazer com as
moedas..."
Ali Mansur, o único irmão de Ali Babá, era um rico
comerciante de tapetes. Sua loja era a maior e a melhor da cidade.
Mas Ali Mansur era um homem mesquinho e ambicioso. Quanto mais tinha, mais queria. E nunca ajudava o pobre irmão, nem seus filhos.
Ali Babá chegou a casa, jantou e disse a Samira que ia visitar o irmão.
Ao ouvir a história da gruta que se abria Ali Mansur pensou que o irmão estivesse brincando. Depois, como Ali Babá insistisse, começou a achar que ele estava com febre.
Só acreditou em tudo aquilo quando o irmão lhe mostrou o saquinho com as moedas de ouro. Os olhos de Ali Mansur reluziam de cobiça, avaliando o peso de cada uma.
— Ali Babá, diga-me exatamente onde é esse lugar e o que se deve dizer para abrir e fechar a pedra. Amanhã vou até lá!
— Não, Mansur, não vá. É perigoso. Os ladrões podem
Aparecer a qualquer momento. Nunca mais ponho meus pés naquele lugar horrível. Já estou arrependido por ter tirado essas moedas. Dinheiro que não vem do trabalho não é honesto.
— Deixe de ser bobo Ali Babá. Se não quiser as moedas, deixe-as comigo. Sei muito bem como e onde usá-las.
Ali Babá foi para casa. Naquela noite nem conseguiu dormir, tamanha era sua preocupação.
— Que aconteceu Ali Babá? Por que está tão nervoso?
— perguntou Samira, percebendo a apreensão do marido.
O bom homem contou tudo à mulher, inclusive a
conversa que tivera com o irmão. Samira então lhe respondeu:
— Ora, meu marido, você não seria desonesto pegando
um pouquinho daquela fortuna. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão...
Na manhã seguinte, bem cedo, Ali Mansur saiu de sua
rica casa, com dez mulas e vinte cestos, e tomou o caminho da pedreira. Lá chegando, ordenou que a gruta se abrisse e entrou.
"Que maravilha! Vou encher os vinte cestos com joias, ouro, pedras e moedas. Amanhã virei buscar mais!"
Como Ali Mansur estava sozinho, demorou muito para
carregar as mulas. Demorou tanto, que os ladrões chegaram e...
— Fomos descobertos! A porta de Sésamo está aberta.
Saquem as espadas! — gritou o chefe dos ladrões.
E eles não perdoaram o ambicioso homem, que foi morto com vários golpes.
Os ladrões descarregaram seus cavalos, mas, como já era tarde, nem retiraram os cestos dos lombos das mulas de
Ali Mansur, trancando-as dentro da pedreira.
Quando anoiteceu, a cunhada de Ali Babá foi a casa dele.
Estava muito preocupada com o marido, que saíra cedo e ainda não voltara.
— Amanhã vou procurá-lo, Salima, não se preocupe — disse Ali Babá, pois já sabia para onde seu irmão tinha ido.
No dia seguinte, Ali Babá nem levou seus cestos para colher tâmaras e damascos. Foi diretamente procurar o irmão em Sésamo, pois Mansur nunca jogaria fora uma oportunidade para ficar mais rico.
— Abre-te Sésamo! — ordenou Ali Babá.
Dentro da pedreira, o bom homem chorou ao encontrar
o irmão morto, todo ensanguentado. Vendo as mulas
carregadas de riquezas, Ali Babá logo percebeu o que havia acontecido. Arrastou o corpo do irmão para fora, enterrou-o na floresta e voltou a Sésamo para pegar as mulas e entrega-las a Salima.
Estava começando a aliviá-las dos cestos cheios de
riquezas quando se lembrou das palavras de sua mulher:
"Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão...".
"Sou tão pobre...", pensou. "Nem casa tenho. Meus filhos e minha mulher não têm roupas para se agasalhar. Há
dias em que não temos o que comer... Acho que Alá me
“perdoaria, se eu levasse apenas dois destes cestos que meu irmão encheu...”
Assim pensando, Ah Baba saiu de Sésamo com dez mulas, dezoito cestos vazios e dois cheios. À tarde, quando os ladrões voltaram à pedreira, perceberam tudo.
— Alguém mais conhece nosso segredo, companheiros!
— disse o chefe. — Estiveram aqui, levaram o homem morto, as mulas e ainda pegaram algumas das nossas joias e moedas.
Pois, a partir de hoje, fiquem de olho! Quero vingança! Logo vamos notar se alguém ficou rico de uma hora para outra. E muito fácil identificar os novos ricos...
Um mês depois, Ali Babá comprou uma casa na cidade, dois belos cavalos, pôs os filhos na escola e adquiriu móveis, roupas e utensílios novos. Em sua casa não faltava mais comida e, uma vez por semana, ele distribuía pão e leite para os pobres.
Um dos ladrões, encarregado de fiscalizar a vida dos moradores daquele lado da cidade, percebeu a generosidade de Ali Babá e perguntou a um vizinho:
— De onde veio esse homem tão bom?
— Ah, chama-se Ali Babá. Era um pobre coitado que cuidava dos camelos das caravanas e vendia frutas no bazar.
De repente, apareceu com moedas de ouro, colares de
esmeraldas e pulseiras de rubi. Ele vendeu as joias e comprou a casa, os cavalos, as roupas, tudo! Ninguém sabe onde arranjou tanta riqueza. Acho que ganhou de algum mercador, por ser muito honesto...
O ladrão correu para seu chefe e disse:
— Achei o homem! Chama-se Ali Babá! Agora o senhor poderá se vingar.
No dia seguinte, o chefe dos ladrões se disfarçou de
mercador preparou vinte mulas, cada uma carregando dois enormes jarros de barro, e foi bater na casa de Ali Babá.
— Boa tarde, meu bom homem. Sou um mercador de
azeite. Acabei de atravessar o deserto. Será que posso
descansar um pouco em sua casa com minhas mulas?
— Sim, entre, por favor — disse Ali Babá — Deixe as
mulas no pátio para tomarem água.
— Obrigado. Vou descarregá-las para que descansem até amanhã. Tenho de levar todo o azeite que está nestes
quarenta jarros até a cidade de Bagdá, que é bem longe daqui.
— Amanhã o senhor pensará nisso. Agora, venha.
Quero que tome um banho e jante com minha família, antes de dormir.
Ali Babá pediu para Samira preparar carne com azeitonas e salada com trigo para o visitante. Apresentou-lhe seus quatro filhos e ficaram conversando animadamente.
Na cozinha, Samira percebeu que não tinha mais azeite para temperar a salada.
— Anuar, venha cá! — chamou a mulher. — Vá comprar
azeite.
— Mas, mãe, agora é tarde. Já está tudo fechado.
— Por Alá! E o que vou fazer? Com que vou temperar a salada para o mercador?
— Ora, mãe, ele não está carregando azeite naqueles jarros enormes? Pois é muito fácil: desça até o pátio e pegue um pouquinho.
— Bem, não há outro jeito. E o que vou fazer.
Samira desceu até ao pátio de sua casa. As mulas já
estavam todas recolhidas ao estábulo. Os quarenta jarros
permaneciam no meio da área, iluminados por uma grande lua cheia.
Ao chegar perto de um deles, Samira ficou estupefata.
Uma voz, vinda de dentro do jarro, perguntou:
— Já está na hora de matarmos Ali Babá e sua família?
Samira não sabia o que fazer. Se se afastasse
bruscamente, poderia levantar suspeitas. Chegou então perto do outro jarro, esperando nova pergunta, mas nada!
Tudo ficou em silêncio. O segundo jarro estava mesmo cheio de azeite. Então, a conclusão de Samira foi rápida: ela sabia que os ladrões de Sésamo eram quarenta. Ora, em trinta e nove daqueles quarenta jarros enormes havia homens escondidos e apenas um deles continha azeite. E o visitante que estava dentro de sua casa era, sem dúvida, o chefe dos ladrões. Ele trouxera azeite num dos jarros porque, se alguém lhe pedisse, ele poderia provar que era um mercador.
Samira saiu de casa na mesma hora e foi chamar os guardas do palácio do sultão, que não ficava muito longe dali.
Depois, voltou depressa para casa, foi à cozinha e preparou um sonífero perfumado, à base de ervas do oásis.
Em seguida, desceu novamente ao pátio e despejou um pouco do sonífero em cada um dos trinta e nove jarros.
Quando terminou, viu que os guardas já haviam chegado. Mandou-os entrar e ficar aguardando do lado de fora da sala, onde Ali Babá conversava com o chefe dos ladrões.
Esperou mais alguns minutos e, ao ter certeza de que todos os ladrões dormiam profundamente dentro dos jarros, entrou na sala e disse:
— Ali Babá ! Tenha cuidado! Este homem é o chefe dos ladrões de Sésamo!
— Mas... mas — balbuciou o marido, incrédulo.
— Sim, sou eu! — disse o ladrão. E, tirando um punhal da cintura acrescentou:
— Agora, vocês vão morrer!
Nesse momento, os guardas entraram na sala, desarmaram e prenderam o homem.
Enquanto descia, já preso, o chefe dos ladrões viu todos os seus companheiros amarrados e amontoados no chão,
dormindo que dava gosto.
Ali Babá e Samira foram ao palácio do sultão e contaram toda a história de Sésamo, pedindo a ele que distribuísse aquela riqueza aos pobres da cidade.
O sultão concordou com o casal, mas fez questão dedar a Ali Babá um terço de tudo que havia dentro da pedreira.
Assim, graças à bondade de Ali Babá e à inteligência de Samira, nunca mais houve pobres naquela cidade.

(Versão de Suely M. Brazão)

Livro do aluno volume II – Domínio Público. 

sábado, 2 de julho de 2016

PETER PAN A HISTÓRIA DO MENINO QUE NÃO QUERIA CRESCER - parte 2


— E os meninos? — indagou Narizinho. — Nada viram?
— Os meninos nada perceberam. Quando a Senhora Darling deu com a sombra na parede, eles já estavam caindo no sono.
O quarto ficou mergulhado em silêncio profundo.
Todos dormiam, e até a chama da lamparina parecia cochilar, de tão quietinha. Mas de repente essa luz tremeu três vezes e apagou-se.
— Por quê? — indagou Narizinho.
— Algum besouro — sugeriu Emília.
— Não — disse Dona Benta. — É que havia entrado pela janela uma pequena bola de fogo.
— Como havia entrado pela janela, se a janela estava fechada? — berrou Emília.
— Isso não sei — disse Dona Benta. — O livro nada conta. Mas como fosse uma bola de fogo mágica, o caso se torna possível. Para as bolas de fogo mágicas tanto faz uma janela estar aberta como fechada. Ela acha sempre jeito de entrar. Do contrário não valia a pena ser bola mágica.
Entrou e começou a esvoaçar em todas as direções, muito aflitazinha, como quem anda atrás dalguma coisa.
— Já sei — interrompeu Narizinho. — Estava procurando a cabeça da sombra.
— Talvez fosse isso, — concordou Dona Benta — porque depois de várias voltas pelo ar a bola parou defronte do armário de Wendy e entrou na gaveta pelo buraco da fechadura.
— E houve um incêndio, já sei! — gritou Emília. — Bola de fogo em gaveta de armário é incêndio certo. A cidade de Londres vai ser destruída...
— Credo! — exclamou tia Nastácia, que estivera cochilando e acordara naquele ponto. — Não fale assim, Emília, que é mau agouro.
— Não houve incêndio nenhum — disse Dona Benta. —
Bola de fogo mágica não pega fogo nas coisas.
— Então que aconteceu?
— Nada. A bola ficou na gaveta, e nesse mesmo instante a janela foi erguida pelo lado de fora. A cabeça dum menino apareceu. Apareceu, espiou de todos os lados e pulou para dentro do quarto sem fazer o menor barulho.
— "Sininho, Sininho! Onde está você, Sininho?" — indagou ele em voz baixa.
— "Tlim, tlim, tlim", — foi a resposta da bola de fogo lá dentro da gaveta.
O menino dirigiu-se pé ante pé na direção dos tlins, abriu a gaveta e remexeu-a toda, até encontrar a cabeça da sombra. Pela cara alegre que fez via-se que era o dono dela.
— Que engraçado! — exclamou Emília. — Só agora noto que todos nós temos a nossa sombra, que é só nossa, mas não de gaze, como a desse menino. É de ar preto.
— E que fez ele, vovó, depois de achar a sombra? — perguntou a menina.
— Que fez? Tirou-a da gaveta, desdobrou-a e tratou de emendá-la no resto, porque desde que a Senhora Darling desceu a janela ele ficou com a sombra sem cabeça — ou decapitada. Mas isso de emendar sombra não é coisa fácil.
Exige prática. O menino tentou primeiro grudá-la com cuspe. Não grudou. Lembrou-se de colá-la com sabão.
Também não colou. O menino sentiu-se atrapalhado.
— Se fosse eu — disse Emília — experimentava uma bisnaga de Cola-tudo. O que cola tudo deve colar sombra também.
— E onde achar a tal bisnaga de Cola-tudo?
— Todas as nurserys devem ter uma bisnaga de Cola-tudo para colar os brinquedos. Eu se fosse a Senhora Darling...
— Está bem, Emília, mas pare de falar. Não atrapalhe mais. Continue vovó.
Dona Benta continuou:
— A. cabeça não colava de jeito nenhum, de modo que o menino foi tomado de grande desespero. Isso de ter sombra sem cabeça parece ser uma coisa terrível; pelo menos o era para aquele menino, pois escondeu a cara nas mãos e, pôs-se a chorar tão alto que Wendy acordou e sentou-se na cama, muito admirada.
— "Por que está chorando?" — indagou ela.
Em vez de responder, o menino enxugou depressa os olhos com as costas da mão e fez um bonito cumprimento com o gorro vermelho. Depois disse:
— "Há muito tempo que eu ando querendo saber qual é o seu nome."
— "Meu nome é Wendy Darling" — respondeu a menina.
— "E o seu?"
— "Peter Pan."
— "E onde mora o Senhor Peter Pan?"
— "Moro na rua das casas, número das portas."
Wendy riu-se daquela molecagem e puxou prosa.
Conversa vai, conversa vem, ficou sabendo que Peter Pan era um menino sem pai nem mãe, que vivia solto pelo mundo e agora estava muito atrapalhado por ter perdido a cabeça de sua sombra.
— "Não; gruda nem com sabão" — disse ele fazendo bico.
— "Bobo!" — exclamou Wendy rindo-se. — “Com sabão está claro que não gruda”. Sabão só gruda nota velha.
Sombra tem que ser costurada com retrós, quer ver?”— e sem esperar pela resposta saltou da cama, foi à sua mesinha de costura e trouxe de lá uma agulha já enfiada”.
Ajeitou a cabeça da sombra no resto da sombra e num instante alinhavou-a com retrós preto. Ficou que ninguém percebia a emenda.
— "Pronto! Vê como está bem agora?"
Peter Pan pulou de contentamento. Deu várias voltas pela nursery, num verdadeiro namoro com a sua sombra consertada.
— "Eu sou mesmo um danadinho!" — exclamou por fim, todo cheio de si.
Tamanha gabolice espantou Wendy. Ela havia consertado a sombra e o prosa chamava para si as honras!
Já se viu uma coisa assim?
— "Danado, você?" — disse a menina com ironia. — "Se fui eu quem costurou a sombra, como o danado pode ser você?"
— "Sim" — disse o menino; — "você ajudou um pouco, não nego."
— "Ajudou!..." — repetiu Wendy imitando-lhe o tom de voz. — "Pois nesse caso, passe muito bem! Não gosto de gente gabola."
Disse e pulou para a cama, deitando-se e cobrindo a cabeça com a colcha.
Peter Pan desapontou e fez cara de arrependido.
— “Oh, não se ofenda, Wendy”! Eu tenho este defeito.
Sou gabola de nascença. Quando qualquer coisa de bom me acontece, ponho-me sem querer a contar prosa. Seja boa.
Perdoe-me. “Reconheço que uma menina vale mais do que vinte meninos.”
— Isso também não! — protestou Pedrinho. — Só se é lá na Inglaterra. Aqui no Brasil um menino vale pelo menos duas meninas.
— Olhem o outro gabola! — exclamou Narizinho. —
Vovó já disse que louvor em boca própria é vitupério.
Wendy — continuou Dona Benta — enterneceu-se com o tom daquelas palavras e sentou-se de novo na cama, descobrindo a cabeça. Estava risonha e contente.
— "Peter Pan" — disse ela — "você bem que merece um beijo. Quer?"
O menino ficou no ar, sem compreender. Menino sem mãe é assim, nem beijo sabe o que é. Beijo! Pensou consigo.
Que seria isso de beijo? Com certeza era aquele copinho de prata que Wendy tinha posto no dedo quando tomou a agulha para coser a sua sombra. Não podia ser outra coisa.
— "Quero" — respondeu ele, e foi logo tirando o dedal do dedo de Wendy e colocando-o no seu, certo de que beijo queria dizer dedal. Depois, para retribuir a gentileza, perguntou à menina se ela aceitava um beijo dele.
— "Aceito, sim" — respondeu Wendy, que estava achando muito curioso aquilo.
— "Pois tome este" — disse Peter Pan, arrancando um dos botões de seu casaco e apresentando-o com toda a seriedade.
— Já sei — gritou Emília. — Beijo para ele significava presente, um presente qualquer. Que bobíssimo!
— Wendy — continuou Dona Benta — recebeu o botão e ficou de olhos postos em Peter Pan. Súbito, perguntou:
— "Que idade você tem, Peter Pan?"
— "Não sei. Só sei que sou bastante criança. Fugi de casa no mesmo dia em que nasci."
— "No mesmo dia em que nasceu? Que ideia! E por que, meu caro?"
— "Porque ouvi uma conversa entre meu pai e minha mãe sobre o que eu havia de ser quando crescesse. Ora, eu não queria crescer. Não queria, nem quero nunca virar homem grande, de bigodeira na cara feito taturana. Muito melhor ficar sempre menino, não acha? Por isso fugi e fui viver com as fadas."
Wendy quase perdeu a fala de tanto gosto, ao saber que estava diante dum menino conhecedor de fadas. Ela ouvia sua mãe contar histórias de fadas, mas não havia nunca falado com alguém que as conhecesse pessoalmente.
— "É verdade isso, Peter? Há mesmo fadas ou você está a mangar comigo?"
— "Verdade, sim, Wendy. Não muitas, mas há."
— "E de onde vêm elas?"
— "Então não sabe, Wendy? Parece incrível! Não há quem não saiba disso..."
— "Pois eu não sei. Conte."
— "Foi assim. A primeira fada apareceu no mundo do dia em que a primeira criança nascida deu a primeira risadinha."
— "Oh, nesse caso deve haver uma fada para cada criança no Inundo, porque todas as crianças dão uma primeira risadinha" — observou Wendy.
— "Assim devia ser" — confirmou Peter Pan, — “se as fadas não fossem as criaturas mais fáceis de morrer que existem”. Morrem como passarinhos. “Cada vez, por exemplo, que uma criança diz que não acredita em fadas, morre uma.”
Peter Pan contou a Wendy como as fadas nascem, e ao falar em fada lembrou-se da bola de fogo que havia entrado na gaveta. Era uma fada, essa bolinha, e muito sua amiga. Uma fada que fazia tudo que as outras fadas fazem menos falar. Sua fala não passava daquele tlim, tlim, tlim, de campainha de prata.
Assim que Peter Pan se lembrou da bola de fogo, ou Sininho, como era o seu nome, um tlim, tlim zangado se fez ouvir dentro da gaveta.
— "A pobre!" — exclamou Peter Pan. — "Deve estar furiosa comigo por ter-me distraído com você e esquecido dela. Sininho é ciumentíssima."
De fato. Sininho saiu da gaveta furiosa. Esvoaçou pelo quarto por uns instantes, indo afinal esconder-se num canto, emburrada. Eram ciúmes de Wendy. Mas a menina não deu nenhuma importância àqueles maus modos; continuou a conversar com Peter Pan como se não houvesse nada.
— "Vamos, Peter Pan!" — disse ela. "Conte-me mais alguma coisa da sua vida. Conte onde mora, mas de verdade."

Onde será que mora Peter Pan?  Outro dia em que Dona Benta tiver um tempinho vamos saber tudo!


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Domínio Público.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Os sete corvos. Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.

Fonte da imagem: http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=16218&picture=crianca-e-da-lua

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.

Um homem tinha sete filhos e nunca tinha uma filha, por mais que desejasse. Até que, finalmente, sua mulher lhe deu esperanças de novo e, quando a criança veio ao mundo, era uma menina. A alegria foi enorme, mas a criança era franzina e miúda e, por causa dessa fraqueza, foi preciso que lhe dessem logo os sacramentos. O pai mandou um dos filhos ir correndo até a fonte, buscar água para o batismo. Os outros seis foram atrás do irmão e, como cada um queria ser o primeiro a puxar a água para cima, acabaram deixando o balde cair no fundo do poço. Aí eles ficaram assustados, sem saber o que deviam fazer, e nenhum dos sete tinha coragem de voltar para casa. Foram ficando por lá, sem sair do lugar.
Como estavam demorando muito, o pai foi ficando cada vez mais impaciente e disse: - Na certa ficaram brincando e se esqueceram de voltar, aqueles moleques levados...
Começou a ficar com medo de que a menininha morresse sem ser batizada e, com raiva, gritou:
- Tomara que eles todos virem corvos!
Mal o pai acabou de dizer essas palavras, ouviu um barulho de asas batendo no ar, por cima da cabeça. Levantou os olhos e viu sete corvos negros como carvão voando de um lado para outro.
Os pais ficaram tristíssimos, mas não conseguiram fazer nada para quebrar o encanto.
Felizmente, puderam se consolar um pouco com sua filhinha querida, que logo recuperou as forças e cada dia ia ficando mais bonita. Durante muito tempo, ela ficou sem saber que tinha tido irmãos, porque os pais tinham o maior cuidado de nunca falar nisso. Mas um dia, ela ouviu por acaso umas pessoas comentando que era uma pena que uma menina assim tão bonita como ela fosse a responsável pela infelicidade dos irmãos.
A menina ficou muito aflita e foi logo perguntar aos pais se era verdade que ela já tinha tido irmãos, e o que tinha acontecido com eles. Os pais não puderam continuar guardando segredo. Mas explicaram que o que aconteceu tinha sido um desígnio do céu, e que o nascimento dela não tinha culpa de nada. Só que a menina começou a ter remorsos todos os dias e resolveu que precisava dar um jeito de livrar os irmãos do encanto. Não sossegou enquanto não saiu escondida, tentando encontrar algum sinal deles em algum lugar, custasse o que custasse. Não levou quase nada: só um anelzinho como lembrança dos pais, uma garrafinha d'água para matar a sede e uma cadeirinha para descansar.
Andou, andou, andou, cada vez para mais longe, até o fim do mundo. Aí, ela chegou junto do sol. Mas ele era quente demais e muito terrível, porque comia os próprios filhos. Ela saiu correndo, fugindo, para bem longe, até que chegou junto da lua. Mas a lua era fria demais e muito malvada e cruel. Assim que viu a menina, disse:
- Huuummm sinto cheiro de carne humana...
A menina saiu correndo bem depressa, fugindo para bem longe, até que chegou junto das estrelas.
As estrelas foram muito amáveis e boazinhas com ela, cada uma sentada em uma cadeirinha separada. Então, a estrela da manhã se levantou, deu um ossinho de galinha à menina e disse:
- Sem este ossinho, você não vai conseguir abrir a montanha de vidro. E é na montanha de vidro que estão os seus irmãos.
A menina pegou no ossinho, embrulhou-o com todo cuidado num lenço e continuou seu caminho, até que chegou à montanha de vidro. A porta estava bem fechada, trancada com chave, e ela resolveu pegar o ossinho de galinha que estava guardado no lenço. Mas quando desembrulhou, viu que não tinha nada dentro do pano e que ela tinha perdido o presente que as boas estrelas tinham dado. Ficou sem saber o que fazer. Queria muito salvar os irmãos, mas não tinha mais a chave da montanha de vidro. Então, a boa irmãzinha pegou uma faca, cortou um dedo mindinho, enfiou
na fechadura e deu um jeito de abrir a porta. Assim que entrou, um gnomo veio ao seu encontro e lhe perguntou:
- Minha filha, o que é que você está procurando?
- Procuro meus irmãos, os sete corvos - respondeu ela. O gnomo então disse:
- Os senhores Corvos não estão em casa, mas se quiser esperar até que eles cheguem, entre e fique à vontade.
Lá em cima, o gnomo pôs a mesa para o jantar dos corvos, com sete pratinhos e sete copinhos. A irmã então comeu um pouco da comida de cada prato e bebeu um gole de cada copo. Mas no último, deixou cair o anelzinho que tinha trazido.
De repente, ouviu-se nos ares um barulho de gritos e batidas de asas. Então o gnomo disse:
- São os senhores Corvos que estão chegando.
Eram eles mesmos, com fome e com sede. Foram logo em direção aos pratos e copos. E, um por um, foram gritando:
- Quem comeu no meu prato? Quem bebeu no meu copo? Foi boca de gente, foi boca de gente...
Mas quando o sétimo corvo acabou de esvaziar seu copo, o anel caiu lá de dentro. Ele olhou bem e reconheceu que era um anel do pai e da mãe deles, e disse:
- Quem dera que fosse a nossa irmãzinha, porque aí a gente ficava livre.
Quando a menina, que estava escondida atrás da porta, ouviu esse desejo, apareceu de repente e todos os corvos viraram gente outra vez. Começaram todos a se abraçar e se beijar e a se fazer mil carinhos e depois voltaram para casa muito felizes.

Moral da história:

Não julgar e condenar sem saber o motivo. Na hora da raiva devemos esperar que fiquemos calmos para tomar qualquer decisão.

O pai dos meninos agiu certo rogando uma praga sem saber o que tinha acontecido com eles?

O que os corvos mais desejavam que acontecesse depois que viraram corvos? Por quê?


Trabalho com recortes:

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=59357&picture=passaro-corvo-clipart

Desenhar em cartolina a montanha de vidro e colar os sete corvos recortados.

Pode-se recortar também sete pratos e sete copos em preto e pedir que façam o desenho bem colorido.

terça-feira, 7 de junho de 2016

As Velas. Lindo conto de HANS CHRISTIAN ANDERSEN.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=31492&picture=velas

Era uma grande vela de cera que sabia exatamente o que valia.
– Nasci em cera e vazada em molde! – disse ela. – Eu ilumino melhor e ardo por mais tempo do que todas as outras velas.
O meu lugar é num lustre ou num candelabro!
– Deve ser uma linda existência! – disse a vela de sebo. –
Eu sou só de sebo, só vela de imersão, mas consolo-me com o facto de que é sempre um pouco melhor do que um mero pavio que é mergulhado apenas duas vezes, enquanto eu sou mergulhada oito vezes para obter a minha espessura decente. Estou satisfeita!
É certamente mais fino e fica-se feliz por ter nascido de cera e não de sebo, mas, neste mundo, ninguém escolhe a sua própria condição. Você vem para a sala para o lustre. Eu fico na cozinha, que também é um bom lugar. Daí vem a comida para toda a casa!
– Mas existe algo que é mais importante do que a comida! – disse a vela de cera: – A sociedade! Brilham para ver, e eles próprios brilham. Hoje à noite, há baile, em breve virão buscar-nos. A mim e toda a minha família.
Mal isto foi dito, todas as velas de cera foram levadas, e também a vela de sebo foi com elas. A dona da casa tomou-a na sua mão fina e levou-a para a cozinha.
Ali estava um pobre rapaz com um cesto, que se encheu de batatas e também um par de maçãs. Tudo isto deu a boa dama ao rapazinho.
– Aí tens também uma vela, meu pequeno amigo! – disse ela.
– A tua mãe está sentada pela noite dentro a trabalhar, pode precisar dela!
A filha pequena da casa estava ali próximo, e quando ouviu as palavras «pela noite dentro», disse com íntima alegria:
– Ficarei levantada também pela noite dentro! Teremos um baile e eu irei receber os grandes laços vermelhos!
Como lhe brilhava o rosto! Era uma alegria! Nenhuma vela de cera pode brilhar como dois olhos de criança!
«É abençoado ver!», pensou a vela de sebo, «nunca o esquecerei, e isto certamente que nunca mais verei!»
E então a vela viu o cesto tapar-se com a tampa e o rapaz foi-se embora com ela.
«Para onde vou agora!», pensou a vela, «irei para gente pobre, não terei nem mesmo um castiçal de latão, mas a vela de cera é colocada em prata e vê a gente mais fina”. Como deve ser bonito luzir para a gente fina“! É o meu destino ser de sebo e não de cera!»
E a vela veio para a gente pobre. Uma viúva com três filhos numa casa baixinha, mesmo em frente da casa rica.
– Que Deus abençoe a boa senhora, por aquilo que nos ofereceu!
– disse a mãe. – É uma vela maravilhosa! Pode brilhar pela noite fora.
E acendeu-se a vela.
– Pff! – Ui! – disse esta. – Mas foi com um pau de enxofre a cheirar mal que ela me acendeu! Tal coisa não se faz com uma vela de cera, na casa rica.
E lá, na casa rica, também se acenderam os candeeiros que brilhavam para a rua. Lá fora, as carruagens chegavam, trazendo os visitantes,arrumados para o baile. A música tocava.
– Agora começam eles do outro lado! – apercebeu-se a vela de sebo. E pensou no rosto radiante da pequena menina rica, mais brilhante do que todas as velas de cera. – Esta visão não a verei nunca mais!
Veio então a menor das crianças na casa pobre. Era uma rapariguinha. Lançou os braços à volta do pescoço do irmão e da irmã. Tinha algo muito importante a contar. Tinha de ser em segredo.
– Vamos ter hoje à noite – imaginem! – Vamos ter hoje à noite, batatas quentes!
E o seu rosto brilhava de felicidade. A luz brilhava mesmo dentro dela, uma alegria, uma felicidade tão grande como na casa rica, onde a menina tinha dito: – Vamos ter baile esta noite e eu vou receber os grandes laços vermelhos.
«Ter batatas quentes é assim tanto?», pensou a vela. «Há uma tão grande alegria nos pequenos!» E espirrou, quer dizer, crepitou, porque mais não consegue uma vela de sebo fazer.
A mesa foi posta e as batatas foram comidas. Oh! Como souberam bem! Foi realmente uma refeição festiva, e, ainda por cima, cada um teve uma maçã. A criança menor recitou um pequeno verso:
Tu bom Deus, muito te tenho a agradecer, que uma vez mais me tenhas dado de comer!
Amem.
– Não foi bem dito, mãe? – exclamou a pequenina.
– Isso não deves perguntar ou dizer! – disse a mãe. – Deves pensar só no bom Deus, que te deu de comer!
Os pequenos foram para a cama, receberam um beijo e adormeceram imediatamente. A mãe ficou a coser até noite adiante para ganhar a subsistência para eles e para si. E em frente, na casa rica, brilhavam luzes e soava a música. As estrelas brilhavam sobre todas as casas, as dos ricos e as dos pobres, igualmente claras, igualmente abençoadas.
– Foi, no fundo, uma noite agradável! – segundo a opinião da vela de sebo. – Tiveram-na melhor as velas de cera nos castiçais de prata? Gostaria bem de saber, antes de arder completamente!
E pensou nas duas crianças igualmente felizes, uma iluminada pela vela de cera e a outra por uma vela de sebo!
Sim, é toda a história.


HANS CHRISTIAN ANDERSEN.

Fonte: http://arquivos.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/16/2013/12/Os-Contos-H-C-Andersen.pdf

Moral da história: 

não são as riquezas que trazem a felicidade, mas o que se faz com os dons que temos. A vela de sebo conseguia iluminar tanto quanto a vela de cera, e a alegria das crianças era a mesma independente de uma ser rica e a outra pobre.