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terça-feira, 7 de junho de 2016

As Velas. Lindo conto de HANS CHRISTIAN ANDERSEN.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=31492&picture=velas

Era uma grande vela de cera que sabia exatamente o que valia.
– Nasci em cera e vazada em molde! – disse ela. – Eu ilumino melhor e ardo por mais tempo do que todas as outras velas.
O meu lugar é num lustre ou num candelabro!
– Deve ser uma linda existência! – disse a vela de sebo. –
Eu sou só de sebo, só vela de imersão, mas consolo-me com o facto de que é sempre um pouco melhor do que um mero pavio que é mergulhado apenas duas vezes, enquanto eu sou mergulhada oito vezes para obter a minha espessura decente. Estou satisfeita!
É certamente mais fino e fica-se feliz por ter nascido de cera e não de sebo, mas, neste mundo, ninguém escolhe a sua própria condição. Você vem para a sala para o lustre. Eu fico na cozinha, que também é um bom lugar. Daí vem a comida para toda a casa!
– Mas existe algo que é mais importante do que a comida! – disse a vela de cera: – A sociedade! Brilham para ver, e eles próprios brilham. Hoje à noite, há baile, em breve virão buscar-nos. A mim e toda a minha família.
Mal isto foi dito, todas as velas de cera foram levadas, e também a vela de sebo foi com elas. A dona da casa tomou-a na sua mão fina e levou-a para a cozinha.
Ali estava um pobre rapaz com um cesto, que se encheu de batatas e também um par de maçãs. Tudo isto deu a boa dama ao rapazinho.
– Aí tens também uma vela, meu pequeno amigo! – disse ela.
– A tua mãe está sentada pela noite dentro a trabalhar, pode precisar dela!
A filha pequena da casa estava ali próximo, e quando ouviu as palavras «pela noite dentro», disse com íntima alegria:
– Ficarei levantada também pela noite dentro! Teremos um baile e eu irei receber os grandes laços vermelhos!
Como lhe brilhava o rosto! Era uma alegria! Nenhuma vela de cera pode brilhar como dois olhos de criança!
«É abençoado ver!», pensou a vela de sebo, «nunca o esquecerei, e isto certamente que nunca mais verei!»
E então a vela viu o cesto tapar-se com a tampa e o rapaz foi-se embora com ela.
«Para onde vou agora!», pensou a vela, «irei para gente pobre, não terei nem mesmo um castiçal de latão, mas a vela de cera é colocada em prata e vê a gente mais fina”. Como deve ser bonito luzir para a gente fina“! É o meu destino ser de sebo e não de cera!»
E a vela veio para a gente pobre. Uma viúva com três filhos numa casa baixinha, mesmo em frente da casa rica.
– Que Deus abençoe a boa senhora, por aquilo que nos ofereceu!
– disse a mãe. – É uma vela maravilhosa! Pode brilhar pela noite fora.
E acendeu-se a vela.
– Pff! – Ui! – disse esta. – Mas foi com um pau de enxofre a cheirar mal que ela me acendeu! Tal coisa não se faz com uma vela de cera, na casa rica.
E lá, na casa rica, também se acenderam os candeeiros que brilhavam para a rua. Lá fora, as carruagens chegavam, trazendo os visitantes,arrumados para o baile. A música tocava.
– Agora começam eles do outro lado! – apercebeu-se a vela de sebo. E pensou no rosto radiante da pequena menina rica, mais brilhante do que todas as velas de cera. – Esta visão não a verei nunca mais!
Veio então a menor das crianças na casa pobre. Era uma rapariguinha. Lançou os braços à volta do pescoço do irmão e da irmã. Tinha algo muito importante a contar. Tinha de ser em segredo.
– Vamos ter hoje à noite – imaginem! – Vamos ter hoje à noite, batatas quentes!
E o seu rosto brilhava de felicidade. A luz brilhava mesmo dentro dela, uma alegria, uma felicidade tão grande como na casa rica, onde a menina tinha dito: – Vamos ter baile esta noite e eu vou receber os grandes laços vermelhos.
«Ter batatas quentes é assim tanto?», pensou a vela. «Há uma tão grande alegria nos pequenos!» E espirrou, quer dizer, crepitou, porque mais não consegue uma vela de sebo fazer.
A mesa foi posta e as batatas foram comidas. Oh! Como souberam bem! Foi realmente uma refeição festiva, e, ainda por cima, cada um teve uma maçã. A criança menor recitou um pequeno verso:
Tu bom Deus, muito te tenho a agradecer, que uma vez mais me tenhas dado de comer!
Amem.
– Não foi bem dito, mãe? – exclamou a pequenina.
– Isso não deves perguntar ou dizer! – disse a mãe. – Deves pensar só no bom Deus, que te deu de comer!
Os pequenos foram para a cama, receberam um beijo e adormeceram imediatamente. A mãe ficou a coser até noite adiante para ganhar a subsistência para eles e para si. E em frente, na casa rica, brilhavam luzes e soava a música. As estrelas brilhavam sobre todas as casas, as dos ricos e as dos pobres, igualmente claras, igualmente abençoadas.
– Foi, no fundo, uma noite agradável! – segundo a opinião da vela de sebo. – Tiveram-na melhor as velas de cera nos castiçais de prata? Gostaria bem de saber, antes de arder completamente!
E pensou nas duas crianças igualmente felizes, uma iluminada pela vela de cera e a outra por uma vela de sebo!
Sim, é toda a história.


HANS CHRISTIAN ANDERSEN.

Fonte: http://arquivos.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/16/2013/12/Os-Contos-H-C-Andersen.pdf

Moral da história: 

não são as riquezas que trazem a felicidade, mas o que se faz com os dons que temos. A vela de sebo conseguia iluminar tanto quanto a vela de cera, e a alegria das crianças era a mesma independente de uma ser rica e a outra pobre.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O pequeno príncipe. Sobre flores e espinhos.

No quinto dia, sempre graças ao carneiro, este segredo da vida do pequeno príncipe me foi de súbito revelado. Pergunta-me, sem preâmbulo, como se fora o fruto de um problema muito tempo meditado em silêncio:
- Um carneiro, se come arbusto, come também as flores?
- Um carneiro come tudo que encontra.
- Mesmo as flores que tenham espinho?
- Sim. Mesmo as que têm.
- Então... Para que servem os espinhos?
Eu não sabia. Estava ocupadíssimo naquele instante, tentando desatarraxar do motor um parafuso muito apertado. Minha pane começava parecer demasiado grave, e em, breve já não teria água para beber...
- Para que servem os espinhos?
O principezinho jamais renunciava a uma pergunta, depois que a tivesse feito. Mas eu estava irritado com o parafuso e respondi qualquer coisa:
- Espinho não serve para nada. São pura maldade das flores.
- Oh!
Mas após um silêncio, ele me disse com uma espécie de rancor:
- Não acredito! As flores são fracas. Ingênuas. Defendem-se como podem. Elas se julgam terríveis com os seus espinhos...
Não respondi. Naquele instante eu pensava: "Se esse parafuso ainda resiste, vou fazê-lo saltar a martelo". O principezinho perturbou-me de novo as reflexões:
- E tu pensas então que as flores...
- Ora! Eu não penso nada. Eu respondi qualquer coisa. Eu só me ocupo com coisas sérias!
Ele olhou-me estupefato:
- Coisas sérias!
Via-me, martelo em punho, dedos sujos de graxa, curvado sobre um feio objeto.
- Tu falas como as pessoas grandes!
Senti um pouco de vergonha. Mas ele acrescentou implacável:
- Tu confundes todas as coisas... Misturas tudo!
Estava realmente muito irritado. Sacudia ao vento cabelos de ouro:
- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!
- Um o quê?
- Um cogumelo!
O principezinho estava agora pálido de cólera.


- Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores? Não será mais importante que as contas do tal sujeito? E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, - isto não tem importância?!
Corou um pouco, e continuou em seguida:
- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, n’algum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!

Não pôde dizer mais nada. Pôs-se bruscamente a soluçar. A noite caíra. Larguei as ferramentas. Ria-me do martelo, do parafuso, da sede e da morte. Havia numa estrela, num planeta, o meu, a Terra, um principezinho a consolar! Tomei-o nos braços. Embalei-o. E lhe dizia: "A flor que tu amas não está em perigo... Vou desenhar uma pequena mordaça para o carneiro... Uma armadura para a flor... Eu...". Eu não sabia o que dizer. Sentia-me desajeitado. Não sabia como atingi-lo, onde encontrá-lo... É tão misterioso, o país das lágrimas!


A força do amor.

Levar o trecho abaixo em um pedaço de cartolina e através do diálogo levar as crianças a entendê-lo:

- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, n’algum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!

Ler o texto em voz alta e clara.

Perguntas:

O Pequeno Príncipe acredita que sua flor seja única?

Se ele soubesse que existem milhões igual a ela, será que a amaria da mesma maneira? Sim? Por quê? Não? Por quê?

Quando gostamos muito de alguma pessoa ou animalzinho de estimação, temos medo de perdê-los?

A perda faz parte da vida, quando você entra na adolescência tem que deixar para trás a criança que você foi.
A cada ano que termina você sabe que vai adiantar-se no colégio, mas professores e alguns colegas podem mudar.
Alguns amigos podem mudar-se de rua ou mesmo da cidade onde vocês moram.

Pedir exemplos que tenham acontecidos com eles.

Concluir: 

O amor faz parte da vida, e sabendo que tudo muda é importante sermos gentis e cuidarmos das pessoas que amamos enquanto estamos juntos.

Atividade:


Escrever um bilhete para uma pessoa que você ama, explicando porque você a ama. Por exemplo: citando suas qualidades. 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Os três cabelos de ouro do Diabo.

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.

Houve, uma vez, uma mulher muito pobre, que deu à luz um menino e, como este nascera com a túnica da sorte, predisseram-lhe que, aos catorze anos se casaria com a filha do rei. Eis que, decorrido pouco tempo, o rei foi àquela aldeia sem que soubessem que era ele; quando perguntou à gente do lugar pelas novidades locais, logo lhe responderam:
- Nasceu, nestes dias, um menino com a túnica da sorte. Quem nasce com essa túnica será muito feliz e, faça o que fizer tudo lhe sairá bem. Predisseram-lhe, ademais, que aos catorze anos se casará com a filha do rei.
Ouvindo isso, o rei, que era de mau coração, ficou indignado, principalmente por causa da profecia. Foi procurar os pais da criança e, demonstrando benevolência que não possuía, disse-lhes:
- Pobre gente dê-me o vosso menino; eu tomarei conta dele.
A princípio, os pais recusaram-se, mas, como o desconhecido lhes oferecia grande soma de dinheiro, pensaram entre si: "É um filho da sorte, como tal, tudo lhe correrá bem." Assim acabaram concordando e deram-lhe o filhinho.
O rei colocou-o dentro de uma caixa; montou a cavalo e pôs-se a caminho. Ao chegar a um rio caudaloso, atirou nele a caixa, murmurando:
-Assim livro minha filha desse pretendente indesejado.
A caixa, porém, não afundou. Ficou flutuando como um barquinho e nem uma só gota de água penetrou dentro dela. Foi vagando uns dois quilômetros, além da capital do Reino, chegando assim a um moinho em cuja roda ficou presa. Por boa sorte, encontrava-se lá, no momento, o ajudante do moleiro que, vendo-a, a puxou para fora com um gancho, pensando encontrar dentro dela algum tesouro. Mas, quando a abriu, encontrou simplesmente um belo menino, risonho e vivaz. Levou-o para o casal de moleiros, os quais, não tendo filhos, alegraram-se muito, dizendo:
-Este é um presente de Deus!
Acolheram o enjeitado, trataram-no com todo o carinho e ele cresceu dotado de grandes virtudes.
Ora, aconteceu que um dia, durante forte tempestade, o rei teve de refugiar-se no moinho; vendo o menino perguntou aos moleiros se era filho deles.
-Não, - responderam, - é um enjeitado que há catorze anos apareceu dentro de uma caixa, a qual ficou presa à roda do moinho, e nosso ajudante retirou-a da água.
O rei, então, concluiu que não podia ser outro senão o filho da sorte, atirado por ele dentro do rio. Dirigindo-se aos moleiros disse:
-Boa gente, não poderia esse menino levar uma carta à Sua Majestade a Rainha? Eu lhe darei como recompensa duas moedas de ouro.
-Será feito o que Vossa Majestade ordena, - responderam os moleiros.
Disseram ao menino que se aprontasse. O rei, então, escreveu à rainha uma carta com a seguinte ordem: "Assim que o rapaz, portador desta carta, chegar aí, quero que o matem e o enterrem; faça-se tudo antes do meu regresso."
O rapaz pôs-se a caminho, levando a carta, mas extraviou-se e, à noite, foi dar a uma grande floresta. Em meio à escuridão, avistou uma luzinha; caminhou em sua direção e chegou a uma pequena casa; viu uma senhora idosa sentada, sozinha junto do fogo. Esta, ao ver o rapaz, assustou-se e perguntou:
-De onde vens? E para onde vais?
-Venho do moinho, - respondeu ele, - e vou levar uma carta a Sua Majestade a Rainha. Mas, tendo perdido o caminho, desejo pernoitar aqui.
-Pobre rapaz, - disse a velha, - vieste cair num covil de bandidos; quando chegarem e te virem, certamente te matarão.
-Venha quem quiser, - respondeu o rapaz, - eu não temo ninguém; estou tão cansado que não posso continuar a viagem.
Deitou-se sobre um banco e logo adormeceu. Não tardou muito chegaram os bandidos e, zangados, perguntaram quem era aquele desconhecido ali deitado.
-Oh, - disse a velha, - é um inocente menino que se perdeu na floresta; recolhi-o por compaixão, pois vai levando uma carta a Sua Majestade a Rainha.
Curiosos, os bandidos abriram a carta para ler o que continha; ao ver que era uma ordem para matar e enterrar o rapaz assim que chegasse ao palácio, aqueles corações empedernidos apiedaram-se dele. O chefe da quadrilha, então, rasgou a carta, escrevendo outra, na qual dizia que o rapaz, logo após a chegada, devia imediatamente casar-se com a princesa. Deixaram-no dormir, sossegadamente, até pela manhã. Quando acordou, deram-lhe a carta e ensinaram-lhe o caminho certo.
Ao receber a carta, a Rainha prontamente executou as ordens. Mandou que se organizasse uma esplêndida festa e a princesa casou com o filho da sorte. Como era um rapaz bonito e afável, sentiu-se alegre e feliz a seu lado.
Transcorrido algum tempo, regressou o rei ao castelo e verificou que se realizara a predição: o filho da sorte casara-se com a princesa sua filha.
-Como pôde acontecer isto? - perguntou; - na minha carta dei ordens completamente diversas.
A Rainha, então, mostrou-lhe a carta recebida para que ele mesmo visse o que dizia. O rei leu-a e percebeu que havia sido trocada. Perguntou ao rapaz o que acontecera e por que trouxera a carta trocada.
-Eu nada sei, - respondeu o rapaz, - talvez tenha sido trocada enquanto dormia lá na floresta.
-Não te sairás tão facilmente desta, - exclamou o rei, encolerizado. - Quem quiser minha filha, terá de trazer-me do inferno os três cabelos de ouro do Diabo; quando me trouxeres o que exijo, então poderás ficar com minha filha.
Com isto, o rei pensava que se livraria, de uma vez por todas, do rapaz. Mas o filho da sorte disse-lhe:
-Está bem, irei ao inferno buscar os cabelos de ouro, pois não tenho medo do Diabo.
Despediu-se de todos e iniciou a longa caminhada. A estrada, por onde seguia, conduziu-o a uma grande cidade cercada de muralhas; chegando à porta, a sentinela perguntou-lhe qual era seu ofício e o que sabia.
-Sei tudo, - respondeu o filho da sorte.
-Dize-nos, então, por favor, por que é que secou o chafariz da praça do mercado, do qual normalmente jorrava vinho e agora nem mais água jorra? - perguntou a sentinela.
-Sabereis quando eu voltar, - respondeu o rapaz.
Continuou andando e chegou à porta de outra grande cidade; aí, também, a sentinela perguntou-lhe qual era o seu ofício e o que sabia.
-Sei tudo, - respondeu ele.
-Dize-nos, então, por favor, por que é que certa árvore de nossa cidade, que sempre produziu maçãs de ouro, agora nem folhas dá mais?
-Sabereis quando eu voltar, - respondeu.
Prosseguiu o caminho. Foi andando até à margem de um rio muito largo, que devia atravessar. O barqueiro perguntou-lhe qual era o seu ofício e o que sabia.
-Sei tudo, - respondeu outra vez.
-Então me dize, por favor, - perguntou o barqueiro, - por que é que devo sempre ir e vir sem nunca ficar livre?
-Saberás quando eu voltar.
Depois de atravessar o rio, encontrou o ingresso do inferno. Tudo lá dentro era negro e cheio de fuligem. O Diabo não estava em casa, estava apenas sua avó, sentada numa grande poltrona.
-Que desejas? - perguntou-lhe. - E não tinha aparência de má.
-Desejo os três cabelos de ouro do Diabo, - respondeu ele; - se não os conseguir, não poderei conservar minha mulher.
-Pedes demasiado! - disse ela. - Se ao chegar, o Diabo te encontrar aqui, ele te esfolara vivo. Mas como tenho pena de ti, verei se posso ajudar-te.
Transformou-o numa formiga e disse-lhe:
-Agora te esconde nas dobras da minha saia, ai estarás seguro.
-Muito bem, - exclamou o rapaz, - mas há também três coisas que gostaria de saber: primeiro, porque é que secou um chafariz do qual costumava jorrar vinho e agora nem mesmo água jorra; segundo, porque é que uma macieira, que sempre dava maçãs de ouro, agora nem folhas mais dá; terceiro, porque é que um barqueiro deve sempre ir e vir sem nunca se livrar.
-Essas são perguntas muito difíceis - respondeu a velha; - mas fica quietinho e calado e presta bem atenção ao que diz o Diabo quando eu lhe arrancar os cabelos de ouro.
Quando anoiteceu, o Diabo voltou para casa. Mal entrou na porta, percebeu no ar algo que não era puro.
-Sinto cheiro, sinto cheiro de carne humana, - resmungou, - há algo estranho aqui!
Revistou todos os cantos, mas não conseguiu encontrar nada. A avó então o repreendeu:
-Agora mesmo acabei de varrer e arrumar a casa; e tu, mal chegas já te pões a fazer desordens; andas sempre com cheiro de carne humana nas narinas! Vamos, senta-te e come o teu jantar!
Quando terminou de comer e beber, o Diabo sentiu cansaço; reclinou a cabeça no regaço da avó, pedindo-lhe que lhe fizesse cafuné. Não demorou muito e ferrou no sono, bufando e roncando tranquilamente. Então a velha pegou um cabelo de ouro, arrancou-o e guardou-o de lado.
-Ai! - gritou o diabo, - que é que estás fazendo?
-Ah, tive um pesadelo, - respondeu a avó, - e sem querer agarrei e puxei teus cabelos.
-O que sonhaste? - perguntou o Diabo.
-Sonhei que um chafariz, do qual sempre jorrava vinho, secou, e nem mais água jorra. Por que será?
-Ah, se o soubessem! - disse o Diabo. Há no chafariz um sapo, debaixo de uma pedra, se o matarem voltará a jorrar vinho.
A avó recomeçou a fazer-lhe cafuné; ele adormeceu de novo, roncando de fazer estremecer os vidros. Ela então lhe arrancou o segundo cabelo.
-Ui! - gritou zangado, - mas, que estás fazendo?
-Não te zangues, - respondeu ela, - fiz isto porque tive um pesadelo.
-E que sonhastes mais? - perguntou o Diabo.
-Sonhei que havia, num reino, uma árvore, a qual primeiro dava maçãs de ouro e agora nem folhas dá mais. Por que será?
-Oh, se o soubessem! - respondeu o Diabo. - Há um rato que lhe está roendo a raiz; se o matarem, voltará a produzir maçãs de ouro, mas se o rato continuar roendo-lhe a raiz, ela secará para sempre. Agora me deixa em paz com teus sonhos; se me interromperes o sono outra vez, levarás uma bofetada.
A avó acalmou-o e voltou a fazer-lhe cafuné, até que ele adormeceu e começou a roncar. Então, agarrou o terceiro cabelo de ouro e arrancou-o. O diabo levantou-se de um pulo, gritando que havia de lhe pagar, mas ela conseguiu acalmá-lo novamente e disse:
-Que culpa tenho de ter maus sonhos?
-Que é que sonhaste ainda? - perguntou com certa curiosidade o Diabo.
-Sonhei que um barqueiro queixava-se de ter sempre de ir e vir, sem nunca se livrar. Por que será?
-Ah, o tolo! - respondeu o Diabo; - quando alguém quiser atravessar o rio, ele que lhe meta nas mãos o varejão, assim o outro ficará sendo o barqueiro e ele estará livre.
Tendo arrancado os três cabelos de ouro e obtido resposta para as três perguntas, a avó deixou o velho Satanás dormir sossegado até à manhã do dia seguinte.
Assim que ele saiu de casa, a velha tirou a formiga das dobras de sua saia, restituindo-lhe o aspecto humano.
Aqui tens os três cabelos de ouro, - disse, - e certamente ouviste as respostas do Diabo às tuas três perguntas.
-Ouvi, sim - disse o rapaz, - e as gravei na memoria.
-Bem, agora não precisas mais nada, - disse a velha; - podes, portanto, seguir teu caminho.
O rapaz agradeceu contentíssimo à velha por tê-lo tirado das dificuldades e deixou o inferno, muito feliz por ter-se saído tão bem.
Quando chegou à margem do rio e encontrou o barqueiro, que aguardava a resposta prometida, disse-lhe:
-Leva-me primeiro para o outro lado; depois eu te direi o que deves fazer para livrar-te.
Tendo atingido a-outra margem, deu-lhe o conselho do Diabo:
-Quando vier alguém e quiser atravessar o rio, dá-lhe o teu varejão e safa-te.
Continuou andando, andando, até chegar à cidade onde estava a macieira estéril; ali também a sentinela aguardava a resposta; disse-lhe então o que ouvira do Diabo:
-Matai o rato que está roendo as raízes da árvore e ela tornará a produzir maçãs de ouro.
A sentinela agradeceu e presenteou-o com dois jumentos carregados de ouro. Por fim, chegou à cidade do chafariz seco. Repetiu à sentinela o que ouvira do Diabo:
-Há um sapo debaixo de uma pedra, no fundo de chafariz; é preciso encontrá-lo e matá-lo para que torne a jorrar vinho em abundância do chafariz.
A sentinela agradeceu e deu-lhe outros dois jumentos carregados de ouro.
Finalmente, o filho da sorte chegou à casa de sua mulher, que ficou radiante por tornar a vê-lo e ouvir contar como tudo lhe correra bem. Depois, foi entregar ao Rei o que este exigira: os três cabelos de ouro do Diabo. Vendo, porém, os quatro jumentos carregados de ouro, o Rei alegrou-se muito e disse:
-Agora estão satisfeitas todas as condições, portanto, podes ficar com minha filha. Mas, dize-me, querido genro de onde provém todo esse ouro? Esse imenso tesouro?
-Atravessei um rio, - respondeu o rapaz, - e encontrei-o na areia na margem.
-Poderei, também, ir buscar um pouco para mim? - perguntou o rei cobiçoso.
-Quando quiseres, - respondeu-lhe ele. - No rio há um barqueiro; pedi-lhe que vos transporte para a outra margem e aí podereis encher quantos sacos desejardes.
Cheio de cobiça, o Rei pôs-se, imediatamente, a caminho; quando chegou ao rio, pediu ao barqueiro que o transportasse para a outra margem. O barqueiro encostou o barco no ancoradouro e mandou que se sentasse. Ao chegar à margem oposta, o barqueiro entregou-lhe o varejão, pulou fora do barco e desapareceu.
E, com isso, o rei teve de ser o barqueiro, em punição de seus pecados.
-E ainda continua lá, indo e vindo feito um barqueiro?
-Como não? Quem mais conhecia a história para o livrar do castigo?

Fonte: http://www.grimmstories.com/pt/grimm_contos/os_tres_cabelos_de_ouro_do_diabo 



1. Varejão.

Significado de Varejão.
1- vara comprida usada para movimentar pequenas embarcações em águas rasas.
Ex. - A água estava rasa e foi possível usar o varejão.


Moral da história: o bem sempre vence o mal.

Para fazer em casa:
Distribua os corações impressos e recortados para que as crianças levem para casa e fiquem uma semana observando o bem e o mal nos seus cotidianos, tanto em casa como na escola.


Jeanne Geyer.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Desenho na formação infantil.

Muitas vezes acabamos por praticidade nossa, falta de tempo, passando para as crianças desenhos já prontos e acabados; escolhidos por nós.

Revendo jeitos e conceitos, vamos refletir sobre?

1) Qual o papel do desenho nas nossas aulinhas?
1. a) Meramente de fixar aulinha?
1. b) Ou podemos utilizá-lo para algo mais?
2) Estamos bem utilizando essa fonte de expressão?

Vamos repensar esta questão?


Texto de apoio:

O Desenho e a Aprendizagem.

Teresinha Véspoli de Carvalho.

Desenho, primeira manifestação da escrita humana. Continua sendo a primeira forma de expressão usada pala criança.
"Garatujas", "girinos", "sóis", desenhos "transparentes", e cada vez mais próximos da forma que podemos chamar de "real", são as representações de como a criança lê o mundo, enxerga a vida, expressa o que sente.
À medida que vai sendo alfabetizada, a escola se encarrega de afastar a criança desta forma de expressão e ela, como muitos de nós, vai dizendo que "não sabe desenhar".
Trabalho há mais de quinze anos com crianças de quatro a sete anos, como professora e, mais recentemente como psicopedagoga e, muitas vezes, senti grande tristeza em ouvir professoras de crianças em idade pré-escolar dizerem: "vou dar desenho mimeografado para meus alunos porque eles não sabem desenhar".
E eu pergunto: o que é este saber?
Por que proibir a criança de se expressar graficamente da forma como ela consegue?
Como querer que a criança use símbolos gráficos estipulados pelo adulto, que são as letras, se ela não elaborar sua ideia usando símbolos que ela conhece?
Expressar - se através do desenho é colocar sua vida no papel, com toda a emoção.
Através do desenho livre, a criança desenvolve noções de espaço, tempo quantidade, sequência, apropriando- se do próprio conhecimento, que é construído respeitando seu ritmo.
Aprende também a função social da escrita, pois sua comunicação, feita através do desenho, pode ser compreendida por outras pessoas antes que ela aprenda a usar a escrita convencional para se comunicar.
Quando a criança se sentir madura, usará com mais facilidade os símbolos gráficos com os quais já vem tendo contato nas ruas, nos ônibus, nas propagandas que ela vê todos os dias e também na escola onde os usa formalmente.
Segundo Emília Ferrero, "aprendemos a ler lendo, a escrever escrevendo", e, como afirma Jean Piaget , quando aprendemos algo novo, temos que recorrer ao
que já sabemos e nós nos apropriamos do desenho como forma de representação gráfica desde a primeira vez que temos contato com lápis e papel e
conseguimos coordenar os movimentos do braço e da mão segurando o lápis e riscando o papel (o que pode acontecer por volta dos 2(dois) anos ou às
vezes até antes desta idade).
Mesmo que estes desenhos não possam ser interpretados com significado pelo adulto. Mesmo que a criança mude de ideia cada vez que perguntarmos o que
ela desenhou.
Gostaria de ressaltar que é por isso que não devemos escrever no desenho da criança. Além da "obra" ser dela, ela muda de ideia a cada instante,
principalmente antes dos 5 (cinco) anos de idade. Portanto, a escrita do adulto é uma "invasão" sem proveito pois quando outra pessoa for olhar o mesmo desenho ele poderá ter outro significado.
O desenho precisa e deve ser sempre valorizado pelos educadores e a importância desta valorização deve ser compreendida e compartilhada pelos pais, uma vez que toda aprendizagem tem seu valor e o desenho é uma forma de aprendizagem.
Quando a criança é valorizada naquilo que sabe, sente prazer em aprender.
As letras demoram a ter significado para ela e nós teimamos em atropelá-la.
Se ela não consegue simbolizar da forma como sabe, como conseguirá se apropriar de algo que, algumas vezes, ainda não lhe atingiu?
É claro que a criança deve ler e escrever muito, desde quando comece a demonstrar interesse. Aliás, esse interesse pode se manifestar antes do que se espera.
Já nos primeiros estágios, na escola de educação infantil, ela começa a identificar o próprio nome e o dos colegas, e deve ter a oportunidade de escrever palavras da forma como ela acha que devem ser escritas, testando, assim, suas hipóteses, como nos mostra Emília Ferrero, através de seus estudos amplamente divulgados.
Mas, a criança requer um tempo para diferenciar o desenho da escrita, e elaborar suas hipóteses e esse tempo deve ser respeitado.
É necessário, porém, que seu "saber" seja legitimado pelo adulto, isto é, é preciso que o adulto valorize as produções da criança como um "saber" legítimo, real e, para isso, a escola deve estar integrada com os pais e a comunidade.
As pessoas que fazem parte do universo da criança e de quem ela busca respeito e aprovação devem compreender o processo pelo qual ela passa e o que os professores estão fazendo nesse sentido valorizando, também, seus progressos na forma de expressão.
Se esse progresso não for valorizado, a criança pode se retrair sentindo-se inferiorizada e incapaz.
E ninguém é incapaz, todos temos capacidades e , quando somos valorizados naquilo que sabemos, desenvolvemos cada vez mais capacidades, pois nos
sentimos autorizados a alçar voos cada vez mais altos.
Mas, se formos sempre julgados pelo que não sabemos nos sentiremos cada vez mais fracos e incompetentes, permanecendo presos ao ninho, sem ousar alçar voo para lugar algum.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

- Bossa, Nadia A e Vera Barros de Oliveira (orgs.). Avaliação psicopedagógica da criança de sete a onze anos 3a edição 1997 Ed. Vozes Petrópolis.
- Fernandez, Alicia A inteligência aprisionada abordagem psicopedagógica
Clínica da criança e sua família 2a reedição 1991 Artes Médicas Porto Alegre.
- Ferrero, Emilia & Teberosky, Ana psicogênese da língua escrita Trad. Diana.
Myriam Lichtenstein, Liana Di Marc o e Mário Corso Supervisão da tradução:
Alfredo Néstor Jerusalinsky- psicanalista 3a edição 1990 Ed. Artes Médicas, Porto Alegre.
-Moreira, Ana Angélica Albano o espaço do desenho coleção espaço ed. Loyola São Paulo.
- Furt, Hans G. Piaget e o Conhecimento: fundamentos teóricos; trad.: Valerie - Runjanek, 1974, ed. Forense Universitária, Rio de janeiro.
(fonte: Site da Psicopedagogia online)


terça-feira, 5 de abril de 2016

Atividade para um melhor entendimento da moral das fábulas:

ATIVIDADE EM DUPLAS:

O professor distribui para cada dupla de alunos, uma ficha de cartolina contendo um provérbio conhecido, esclarecendo que provérbio são um tipo de frase lapidar, concisa e que apresenta um ensinamento proveniente da sabedoria popular. Os alunos farão a leitura silenciosa de seus provérbios e também uma discussão oral sobre o significado dos mesmos. Logo em seguida, farão uma ilustração em folha de papel cartão, que será recolhido pelo professor, para expor no final do trabalho aqui apresentado. Com as ilustrações feitas, o professor deve entregar as fábulas para que os alunos façam a leitura silenciosa e oral e descubra qual é a sua respectiva moral.
A atividade tem o objetivo de familiarizar os alunos com a forma e a linguagem do gênero, ampliar o seu repertório, além de proporcionar a compreensão dos valores implícitos nas histórias.

Fábulas que serão apresentadas para este trabalho:

FÁBULAS MORAL.

A Lebre e a Tartaruga - Esopo Quem acredita em si mesmo sempre alcança seus objetivos LEIA AQUI

A Formiga e a Pomba - Esopo Uma boa ação paga outra.

O Menino e o Lobo - La Fontaine A verdade é sempre o melhor caminho.

A Baleia Alegre – Esopo Amigo é aquele que sempre diz a verdade, mesmo que esta não seja fácil. LEIA AQUI

A Coruja e a Águia - Monteiro Lobato Quem o feio ama, bonito lhe parece.

A Garça Velha - Monteiro Lobato Ninguém acredite em conselho de inimigo.

A Raposa e as Uvas - Esopo Quem desdenha quer comprar. LEIA AQUI


A Assembleia dos Ratos - Esopo Dizer é fácil, fazer é que são elas LEIA AQUI


O Cordeiro e o Lobo - La Fontaine Contra a força não há argumentos.

O Leão e o Ratinho - Esopo Nas horas difíceis e que se conhecem os amigos.

O Rato, o Gato e o Galo - Esopo As aparências enganam.

O Javali e a Raposa - Esopo Um homem prevenido vale por dois.



Os alunos farão uma atividade de ilustração de algumas das fábulas apresentadas pelo professor, que serão recolhidas para a exposição do material, previsto para ser feito ao final do trabalho.

domingo, 3 de abril de 2016

Falando sobre drogas com crianças e adolescentes.

O corpo como presente de Deus a ser preservado.

Navegando pela internet encontrei o vídeo abaixo e logo lembrei de postar aqui no blog. 
Quando era evangelizadora, o assunto drogas não entrou nas conversas porque eles eram pequenos, a maior parte do tempo trabalhei com crianças até 11 anos, e um assunto assim delicado não se deve antecipar como vocês vão ler no artigo relacionado abaixo.
Pesquisei na internet porque como já citei antes, minha formação é o magistério, embora seja autoditata em psicologia infantil através de livros que li durante muitos anos e coloquei na prática nas aulas com as crianças. 
Portanto a pesquisa é para dar credibilidade ao assunto que é sério.
Todavia, pode-se abordar o assunto de forma indireta como sempre fiz.
Como um dos temas do programa era O corpo e cuidados com o corpo, sempre abordei as normas de higiene e boa alimentação, assim como necessidade de exercícios, evitando ficar muito tempo em frente à televisão e computador.
Nas conversas bem informais, os próprios evangelizandos citavam casos de avós que bebiam (socialmente como se diz) e fumavam. Sempre notei que eles naturalmente achavam aquilo errado, e aconselhava que aconselhassem com educação a qualquer pessoa da família com maus hábitos que aquilo não era certo. 

Para falar sobre drogas com adolescentes, clique AQUI
Magnífico artigo AQUI

NUGGETS
O "prazer" em relacionar, comer, sexual, por leitura, esportes, por uma prática espiritual, em viajar para muitos lugares, em estar sempre triste (sim há os que se comprazem nisso)... Enfim, muitas coisas em nossas vidas giram em torno da busca da satisfação e não há a priori mal algum nisso. O problema surge quando não suportamos lidar com os transtornos da vida, queremos prolongar o prazer como forma de compensação emocional, ou vivemos apenas em função de uma motivação que vise o prazer. Quando fazemos isso, "tudo pode virar droga". E é uma tolice acreditar igualmente que o crescimento e a auto-realização aconteçam sem esforços, sacrifícios, renúncia e frustrações. "A compensação emocional é seu maior inimigo. Quando vocês começam a compensar emocionalmente, sua inteligência, seu crescimento, sua amplitude, sua elevação, sua altitude, tudo vai embora. É como viver bêbado. - Yogi Bhajan Os comportamentos que sustentam os vícios e compensações, são movidos por forças subconscientes que criam um automatismo e roubam de cada um a realidade e a consciência de si mesmos, da realidade, e isso atrai para o convívio de quem se perde nestas repetições, pessoas e situações na mesma frequência, que na verdade nem percebem a nossa existência e singularidade, pois convivem com a nossa compensação, nosso vício ou hábito. Estão ao nosso lado por compartilharem da mesma loucura. Quando entramos no ciclo de qualquer vício estamos mergulhando numa destrutiva solidão, onde o ego se torna um tirano que se eleva enquanto o "espírito" está sendo rebaixado. Não conseguimos mais escutar a nossa voz interior muito menos o outro. Precisamos "de" a qualquer custo. E os Ciclos viciosos e de compensação emocional trazem ainda o elemento opressor da exploração. Quando a consciência fica anestesiada por qualquer vício, seja ela qual for, alguém possivelmente explorará Você e em seguida fará surgir algo tão nefasto quanto o próprio vício. A Vítima ou o consumidor insaciável daquilo que esteja definido como uma possibilidade de bem-estar surge e passa a dominar nossa realidade. Segundo a tradição do Kundalini Yoga, entende-se que podemos ser explorados de oito maneiras: Sexualmente, sensualmente, fisicamente, pessoalmente, mentalmente, monetariamente, socialmente e psiquicamente. Os viciados, compulsivos e que estão em compensação, criam um nicho de mercado e todos querem Você. Vejo as postagens com muitos likes na internet. "Faça ele correr atrás de Você", "Seque a barriga com estes "x" segredos revelados, "abra agora o seu negócio com as dicas que vamos dar, e realize seus sonhos; "Faça isto e tenha uma família harmônica", "Faca o processo X e em 10 sessões terá as respostas de sua vida"... Não importa que as promessas sejam verdadeiras ou não, mas é esta busca pelo mágico, maravilhoso que alimenta a grande oferta de soluções para conquistar o prazer e nos aprisiona ainda mais nos infernos em que vivemos. A animação que ilustrei este texto me faz pensar ainda em outro elemento. A curiosidade que surge no caminho. Há coisas que acabamos por experimentar, pois elas simplesmente estão lá, surgiram como que do nada, talvez sejam presentes do destino, o que custa experimentar apenas uma vez? (um empréstimo, um ato indigno, uma traição, um alucinógeno, um desvio da rota,...) São tantas distrações e ofertas no caminho... Tenho entendido como aluna da vida (e é como aluna que escrevo), que há um "prazer" que os orientais relacionam ao dharma, que também podemos experimentar quando vencemos alguns obstáculos, resistimos a algumas "tentações" que aparecem em nossa trajetória e realizamos com consciência os nossos compromissos, tais "manás" que aparentemente caem dos céus, como aconteciam com os hebreus quando vagavam pelo deserto, surgem no entanto muitas vezes quando de fato nos colocamos num caminho que tenha um propósito superior e quando topamos atravessar nossos desertos. O que escrevo aqui, são apenas algumas ideias... No dejejum de cada dia, alimento o corpo, mas também a mente e emoções com elementos que possam me sustentar integralmente os meus passos no caminho, administrar as surpresas e por vezes escrevo e partilho. Estejamos atentos a cada passo, e procuremos seguir livres de vícios, afinal... "Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo". Carl Gustav Jung
Publicado por Florescer Feminino em Segunda, 28 de março de 2016

sábado, 2 de abril de 2016

Lenda de Eco.

Eco era uma linda ninfa que amava os bosques e os montes, onde se dedicava a distrações campestres. Porém tinha um grave defeito: falava demais e em qualquer conversa ou discussão, queria sempre dizer a última palavra.
Um dia a deusa Hera saiu à procura do marido, de quem desconfiava, que sempre estava se distraindo com as ninfas. Mas Eco conseguiu entretê-la com sua conversa até as ninfas fugirem. Percebendo isso, Hera a condenou: “Só conservarás o uso dessa língua com que me iludiste, para uma coisa de que gostas tanto: responder. Continuarás a dizer a última palavra, mas nunca poderá falar em primeiro lugar”.
Certa manhã a ninfa viu Narciso, um belo jovem que perseguia a caça na montanha. Apaixonada por ele, começou a seguir os seus passos, desejando ardentemente poder dirigir-lhe a palavra, e dizer-lhe frases gentis e agradáveis, para assim conquistar-lhe o afeto. Mas como não conseguia fazê-lo, em virtude do castigo imposto pela deusa Hera, não teve melhor alternativa senão esperar que ele falasse primeiro, para que ela finalmente pudesse responder. Quando Narciso procurava pelos companheiros ele gritava bem alto mas Eco só conseguia responder a última palavra. Quando Narciso viu a jovem, fugiu dela.
Eco foi esconder sua vergonha no recesso dos bosques e passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. De pesar, seu corpo se transformou em rochedos e só restou a sua voz. A ninfa continua ainda disposta a responder a quem quer que a chame e conserva o velho hábito de dizer a última palavra.

Tema: saber ouvir é uma arte importante a ser cultivada. Comunicação eficiente.

DINÂMICA PARA TRABALHAR COMUNICAÇÃO VERBAL E NÃO VERBAL, SABER OUVIR E ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL.

DESENHO DA GALINHA.

OBJETIVO:

1-Treinar e reconhecer a importância de saber ouvir.
2-Perceber a importância da comunicação bilateral.
3-Aprimorar a capacidade de comunicação verbal e não verbal.
4-Buscar estratégias para melhorar a comunicação interpessoal e em consequência os relacionamentos em geral.

PARTICIPANTES: até 15 pessoas

TEMPO: 1h e 30’

MATERIAL: 

Papel sulfite, lápis, desenho da galinha (como abaixo), texto com as informações para a elaboração do desenho da galinha (como abaixo).

DESCRIÇÃO: 

O facilitador explica ao grupo que irão fazer uma atividade para exercitar a capacidade de comunicação interpessoal.

DESENVOLVIMENTO:

1-O facilitador entrega para cada participante uma folha de sulfite e um lápis e diz que irão executar um desenho de acordo com as instruções que serão dadas para a execução. 

Nota: NÃO FALAR QUE O DESENHO É DE UMA GALINHA, SÓ FALAR QUE FARÃO UM DESENHO.

Salientar que devem ser obedecidas algumas regras:

. Não serão permitidas perguntas.
. Cada participante deve fazer o seu desenho e não pode olhar o desenho do colega do lado.
. As instruções não podem ser anotadas. Portanto, devem ser executadas à medida que forem sendo passadas.
. Não desistam, todos devem participar!!!
2-Inicia, então, lendo pausadamente, cada instrução para o desenho, conforme o texto, abaixo. Nota: O facilitador pode ler mais que uma vez a instrução, mas não pode responder perguntas, nem dar explicações.

TEXTO DE INSTRUÇÃO PARA EXECUÇÃO DO DESENHO.

1-Faça uma elipse com cerca de 6cm no diâmetro maior.
2-A partir da parte inferior da elipse, faça duas retas paralelas verticais com cerca de 3cm de comprimento, afastadas 1 cm uma da outra.
3-A partir da parte superior esquerda da elipse faça duas retas paralelas e inclinadas com cerca de 2cm de comprimento cada, afastadas 0,5cm, uma da outra.
4-A partir do centro da elipse, faça 3 retas divergentes abrindo para a direita com cerca de 1,5cm de comprimento cada.
5-Na extremidade esquerda das duas paralelas menores, faça uma elipse com cerca de 2cm de diâmetro no eixo maior e este perpendicular às paralelas.
6-A partir da extremidade direita da elipse maior, faça 3 retas divergentes, abrindo para a direita, com cerca de 1 cm de comprimento cada.
7-Na extremidade inferior de cada uma das paralelas maiores, faça 3 retas divergentes abrindo para a esquerda, com 0,5cm de comprimento cada.
8-Faça um pequeno círculo no centro da elipse menor.
9-Faça um triângulo isósceles, com cerca de 0,5cm de lado, com a base encostada na parte esquerda da elipse menor.

3- Quando todos tiveram terminado, o facilitador pede que mostrem seus desenhos, uns para os outros.

Perguntar:

-E aí o que era para ser desenhado?
- Por que todos receberam a mesma informação e saíram desenhos tão diferentes?
- Conseguiram acompanhar as instruções até o fim? Ou desistiram?
- Quais fatores contribuíram para que não se conseguisse executar a tarefa a contento?
- O que se poderia fazer para amenizar as dificuldades? Levantar com o grupo que foi muito difícil, pois eles não puderam tirar suas dúvidas, perguntar se não entenderam, etc. E até muitos poderiam não conhecer as palavras e termos utilizados.
4- Propor então, uma nova tentativa. Dizer que dessa vez podem perguntar e pedir esclarecimentos quando acharem necessário.
5- Iniciar lendo o texto, novamente, só que agora parando para responder as perguntas e dúvidas, podendo até o facilitador desenhar algumas partes como: uma elipse, ou um triangulo isósceles, por expl.

6- Ao final da execução, pedir novamente para que cada um mostre seu desenho ao grupo.

DISCUSSÃO: 

Terminada essa etapa, pedir para que o grupo se disponha em círculo e perguntar?
1- Como se sentiram durante a atividade?
2- Conseguiram realizar a tarefa na primeira etapa? E na segunda, ficou mais fácil?
3- Que sentimentos tiveram quando não conseguiram realizar a tarefa da primeira vez? Sentiram-se frustrados, desmotivados? Quiseram desistir?
4- Quais foram as diferenças entre a primeira e a segunda etapas? Sentiram-se mais envolvidos, interessados e motivados? Houve vantagem no fato de poder perguntar? E quando foram desenhadas algumas partes, ficou mais fácil?
5-O que é importante levarmos em consideração para termos uma boa comunicação interpessoal?
Levar o grupo a perceber que:
Para termos uma comunicação eficaz temos que levar em conta:
A necessidade de ser claro, objetivo, usar uma linguagem própria para quem está ouvindo, colocar-se disponível para responder perguntas, dúvidas, ouvir e perceber a pessoa com quem está dialogando.
Trocar informações e ideias, não apenas falar e deixar de ouvir o que o outro tem para falar. Estar disposto a usar as várias formas de comunicação para expor sua mensagem, como: gestos, desenhos, exemplos, explicações. Respeitar o outro e suas possíveis deficiências. Ser empático. Reconhecer suas próprias limitações enquanto comunicador e buscar alternativas para minimizá-las.
Saber e reconhecer que as pessoas são diferentes, com cultura, grau de instrução, experiências, etc, diferentes e que podem fazer interpretações diversas sobre a mensagem que se está querendo transmitir.

CONCLUSÃO;

Enfatizar que muitas vezes os relacionamentos tendem a sofrer com brigas, desavenças, discórdias, devido a falhas na maneira como nos comunicamos, não prestarmos atenção, ou não tomamos os devidos cuidados quando comunicamos nossas ideias, pontos de vista, projetos, etc. Precisamos estar em sintonia com nosso interlocutor estar abertos para suas reais necessidades e compreendermos suas dificuldades. Assim, poderemos ter adesão e também sermos compreendidos. A comunicação eficaz se estabelece em duas vias e através do respeito mútuo.

Fonte: http://www.dinamicaspassoapasso.com.br/2014/04/dinamica-para-trabalhar-comunicacao.html