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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
domingo, 25 de março de 2018
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
domingo, 4 de setembro de 2016
quarta-feira, 8 de junho de 2016
O Leão Praxedes.
Tarcisio
Lage
Na imensa planície
africana existia um leão com dentes enormes e afiados.
Chamava-se Praxedes.
Era só o Praxedes abrir sua boca, balançar a densa juba e fazer explodir seu
urro, ouvido a 50 quilômetros de distância, para que toda a floresta tremesse
de medo. Os macacos trepavam até os galhos mais altos, as hienas paravam de
sorrir e corriam mais do que os veados, os outros leões abaixavam a cabeça e
enfiavam o rabo entre as pernas.
Com o
Praxedes era na base:
Obediência
ou Morte!
- Sim, Dom
Praxedes.
- Tá certo,
é o senhor quem manda.
- Se Dom
Praxedes não quer, eu não faço.
Era uma
vergonha ver os outros leões que nem cachorro vira-lata, fazendo tudo que Praxedes
queria, sem reclamar, sem uma pontinha de revolta.
Acontece
que, num certo dia, o professor Percy, que vivia fazendo umas experiências malucas,
deixou cair debaixo da árvore que dava sombra para Praxedes dormir um tubo cheio
de Estreptococos Mutans. O Estreptococo Mutans é um bichinho horroroso.
Multiplica-se mais do que coelho nos restos de comida entre os dentes.
Inhaca, que
nojo!
Quando são
milhões e milhões, bem alimentados com aquelas porcarias de quem não escova os
dentes, o Estreptococo Mutans começa a roer devagar, devagar, sem parar, até
não sobrar dente nenhum.
Praxedes, que além de autoritário era curioso,
cheirou o tubo e, não contente, deu uma lambidinha para sentir o gosto da pasta
amarela apinhada de estreptococos. Os horrorosos bichinhos não perderam tempo.
Raque,
raque, raque... foram logo roendo os enormes dentes de Praxedes. Caíram todos!
A imensa boca de Praxedes, o terror da bicharada, murchou como um balão furado.
Quando os
outros leões viram aquela boca desdentada, murcha, parecendo uma maçã ressecada,
resolveram desforrar os anos que passaram fazendo tudo que Praxedes mandava sem
um fiapo de reclamação. Foi-se o respeito imposto pelos dentes.
Consideração?
Nem mais dos fracotes.
Jururu,
andando a esmo pela planície, a juba caída, Praxedes não tinha como escapar da
gritaria da bicharada:
- Praxedes,
leão sem dente. Praxedes, leão sem dente.
Nem mais os
macacos tinham medo do leão desdentado. Os chimpanzés, que são os palhaços da
floresta, desciam das árvores e faziam uma volta em torno do pobre banguela. Um
puxava seu rabo, outro dava um cocorote na testa do antes tão temido leão.
Havia um chimpanzé muito sem vergonha que enfiava o dedo naquele lugar do
Praxedes e gritava.
- O Praxedes
não é mais aquele! O Praxedes não é mais aquele!
O pobre
coitado ficou numa magreza de fazer dó. Não morreu porque comia o que sobrava
da caça dos outros leões, chupando os ossos. Que tristeza!
Foi expulso
do grupo dos leões mandões. O novo chefe, o que tinha agora os dentes mais
afiados, falou:
- Praxedes,
você é uma vergonha. Não queremos nenhum desdentado em nosso grupo. Vá embora
daqui. Vá pro meio das hienas e dos abutres comer carniça.
Desprezado,
desrespeitado, desmoralizado, Praxedes abandonou a planície que tanto amava e
foi viver no fundo da floresta, bem no escuro, onde ninguém pudesse vê-lo.
Dona Coruja,
em suas andanças pelas copas das árvores, viu um dia Praxedes todo triste e
perguntou:
- Dom
Praxedes, o que lhe aconteceu?
O ex-mandão
da planície escancarou a boca muxibenta e disse quase chorando:
- Não sei
dona Coruja, Olha aqui, caíram todos os meus dentes.
Dona Coruja,
que vivia voando pelas redondezas, contou ao Praxedes que na ilha do Rio dos
Crocodilos existia um hipopótamo dentista muito bom na feitura de dentaduras. O
único problema é que era um preguiçoso de marca maior e só saía de sua ilha
para se refrescar no fundo do rio.
Para ter a
dentadura, Praxedes tinha de nadar até o consultório do Dr. Hipopótamo.
Nenhum
problema? E os crocodilos?
Quando
Praxedes chegou ao barranco pronto para saltar e nadar até a ilha, um bando de
crocodilos já esperava por ele, lambendo os beiços:
- Ora viva,
aí vem Dom Praxedes para o nosso almoço.
Praxedes
chamou de volta sua antiga coragem e propôs:
- Olha aqui,
seus crocos, faço uma aposta.
Se vocês
deixarem que eu nade até a ilha, garanto que na volta vocês não conseguem me
pegar.
- Ah é, seu
leão desdentado. Pode nadar, nós o esperamos para o jantar, - disse o maior dos
crocodilos, esquecido de que o Hipopótamo era dentista.
Praxedes
nadou, nadou. Era um rio muito largo. E precisou ficar um tempão na sala de espera,
coisa a que não era acostumado.
O Dr.
Hipopótamo estava no fundo do rio, refrescando-se e comendo umas gramas que
cresciam debaixo d'água. Só à tardinha voltou ao consultório.
- Ué, Dom
Praxedes, por estas bandas?
Em que posso
servi-lo?
Praxedes não
precisou dizer uma palavra.
Só abriu a
boca e o Dr. Hipopótamo compreendeu que ele queria uma dentadura.
- Fique com
a boca bem aberta e não tenha medo - disse o dentista.
O Dr. Hipopótamo
abriu a gaveta de dentes de leões e escolheu para Praxedes uma dentadura de aço
inoxidável com as presas afiadas como navalha.
Praxedes
ficou contentíssimo. Só faltou dar um beijo na testa do Dr. Hipopótamo. Disse que
faria tudo que ele quisesse, era só pedir. E pulou no rio, nadando de volta
para sua planície. Nem se lembrava mais dos crocodilos.
- Lá vem a
nossa janta, atacar! - gritou o chefe do bando dos crocos.
Foi uma luta
tremenda. O croco-chefe avançou para abocanhar o pescoço de Praxedes, mas foi
ele quem levou uma dentada no papo. E outra dentada. E mais outra. O rio
coalhado de sangue. Sangue de crocodilo. Não de leão.
Praxedes
saiu na outra margem, sacudiu a juba e foi andando todo garboso, de cabeça erguida,
planície afora. O chimpanzé sem vergonha viu de longe o ex-banguela, desceu de
sua árvore de observação, chegou por trás como sempre fazia, levantou o rabo do
Praxedes e já ia enfiar o dedo, quando viu aqueles dentes enormes e afiados. O
chimpanzé sem vergonha deu um pulo e por pouco escapou dos dentes navalha.
Subiu para o galho mais alto da primeira árvore que encontrou, tão rápido como
se estivesse descendo. Ainda teve fôlego para gritar lá de cima:
- Cuidado
gente, o Praxedes já tem dente!
Foi um
corre-corre danado, a bicharada toda em polvorosa ao escutar novamente o urro
ouvido a 50 quilômetros de distância.
Dona Zebra
correu para o seu refúgio, a Hiena parou de sorrir à toa, os veados dispararam
planície afora. Até seu Avestruz levantou a cabeça e deu no pé.
Os outros
leões, quando viram as presas afiadas de Praxedes, navalhas reluzindo ao sol,
abaixaram a cabeça para mostrar respeito à lei do dente. O leão-chefe substituto,
com o rabo entre as pernas, falou:
- Dom
Praxedes, que bom que o senhor voltou. Viva o nosso grande chefe.
A resposta
de Praxedes foi outro urro, mais violento do que o primeiro, fazendo tremer as
árvores da floresta vizinha. Por fim, sentindo que não era só com urro que se impunha
respeito, falou:
- Chefe
coisa nenhuma. Não, não vou ser chefe de ninguém. Não vai ter chefe nesta planície.
Vamos caçar juntos, sem precisar que ninguém mande em ninguém. E tem mais: quem
perder os dentes ou tiver qualquer aleijão não será expulso. Será é ajudado e
apoiado.
- Está
certo, Dom Praxedes. Assim será, - concordaram os outros leões.
Nem todos.
Alguns leõezinhos, que assistiam à conversa, até gostaram da ideia de não ter
mais chefe. Entretanto, pensavam lá com seus botões, Praxedes estava era sendo
chefe de novo, urrando e gritando com os outros, dizendo o que eles tinham de
fazer.
É muito
difícil eliminar a lei do dente.
Perguntas:
Por que o
leão Praxedes era temido?
O que
aconteceu com os dentes de Praxedes? Por
quê?
Depois que
perdeu os dentes Praxedes continuou a impor respeito?
O que você
acha mais importante, impor respeito pelo medo ou respeitar a opinião dos
outros por ser correta?
Praxedes
aprendeu a lição depois de ter ficado sem dentes? Qual a atitude que ele tomou
que justificou sua resposta?
É muito
difícil eliminar a lei do dente.
Podemos entender a lei do dente pela imposição
de algumas pessoas sobre as outras através da força ou mesmo do grito.
Pedir
exemplos de colegas ou amigos que querem que suas ideias sejam sempre cumpridas
sem que os outros possam argumentar.
Perguntar se
algum deles já agiu assim.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
De criança diferente a adulto consciente.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=75218&picture=handprints-coloridos
Nasci e
quando comecei a crescer, mamãe descobriu que havia algo diferente em mim. Os
sons iam ficando cada vez mais distante e os médicos diziam que um dia eu não
poderia mais ouvir o canto dos pássaros, o latido do cachorro, a música e nem
mesmo a voz da mamãe.
Fui
crescendo como toda criança e um dia minha mãe me ensinou que eu era diferente
de outras crianças porque não podia ouvir sons iguais a elas.
Acho que
fiquei triste porque ela me pegou pela mão e me falou: “Quando Deus criou as
pessoas desejou que cada uma nascesse com uma característica diferente da
outra, é isso que faz com que elas sejam únicas e assim Ele as reconheceria
facilmente”.
Ela me disse
ainda: “Algumas pessoas não podem ver o mundo e são chamadas de cegas ou
deficientes visuais, outras não podem andar e são conhecidas como deficientes
físicas. Você não pode ouvir e por isso quando alguém a chamar de “surda” ou
“deficiente auditiva” não estará desejando-lhe mal, apenas tratando-a por sua
característica única”.
Meu papai
não acreditava que eu era diferente e meu irmão sempre achou que eu era
especial para ele, por isso me levava com ele para todos os lugares aonde ia e
me apresentava a todos os seus amigos.
Cresci
acreditando que poderia fazer tudo o que meu coração desejasse fazer, pois se
não conseguisse era apenas por não ter habilidades para aquilo, sabia bem que
ser surda não era desculpa para desistir dos meus ideais.
A escola era
meu lugar preferido, os livros, as revistas. Mamãe me ensinou a ler e escrever quando
tinha apenas cinco anos e todos ficavam admirados com minha fluência para ler e
escrever.
Fiquei muito
triste quando virei adolescente porque começaram a me achar diferente e não me
convidavam mais para fazer parte da turma. Não me deixavam participar dos
grupos de trabalho. Minha mãe disse que quando somos crianças temos um coisa
chamada inocência que não nos deixa enxergar as diferenças, para as crianças
todas as pessoas são iguais, elas não veem diferenças. Ela me falou que quando
começamos a ficar grandes temos dificuldades em aceitar algumas pessoas, mas
que eu era perfeita, pois Deus me criou assim então eu deveria me amar como eu
era, que se eu gostasse de mim mesma, todos também gostariam.
Superei
aquela fase, mas por onde passei as pessoas que me conheceram diziam que eu
servia de inspiração para suas vidas, pois estava sempre feliz e sorridente e
que eu sempre desafiava as dificuldades.
Quando
cheguei à faculdade minha mãe foi estudar junto comigo. Ela sempre falou que
foi para me ajudar, mas que eu a ajudei mais do que ela a mim. Ela dizia para
as pessoas que eu lhe mostrei que mesmo que pensarmos que somos velhos demais
para fazer alguma coisa, devemos tentar, pois não há limites de idade para
vivermos.
A profissão
que escolhi foi a Pedagogia. Eu queria poder ensinar crianças para mostrar a
elas desde pequenas que elas deveriam acreditar que poderiam fazer qualquer
coisa desde que desejassem muito isso e que as diferenças não são defeitos ou
problemas, mas um jeito novo de realizar as coisas.
Já participei
de muitas atividades, viajei, conheci pessoas, lugares… Continuo estudando,
faço parte de uma ONG que cuida de crianças com diferenças sociais extremas,
faço parte de uma igreja que me aceita como sou e me da oportunidades de
cantar, falar e viver como todos os outros ali.
Meu pai
entendeu o meu jeito de viver e investiu em mim. Meu irmão continua me amando e
me admirando, ele fala que sempre busca inspiração em mim quando acha que as
coisas estão difíceis. Minha mãe diz que ele tanto me amou que encontrou uma
namorada que tem muitas das minhas características.
Eu nasci e
quando comecei a crescer descobri que ser diferente é ser uma pessoa contente.
E você? Como
usa suas diferenças?
Fonte: http://www.historias-infantis.com/de-crianca-diferente-a-adulto-consciente/
terça-feira, 10 de maio de 2016
Ser diferente. Autoconhecimento e auto aceitação.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=32511&picture=clip-art-azul-elefante
Ser
diferente.
Zezé, o
elefante, estava triste. Ele se achava gordo e desajeitado. Na verdade, queria
ser como Filó, a girafa. Porém, ao contar para a amiga girafa seu sonho de ser
alto e elegante como ela, descobriu que Filó se achava alta demais, e não
gostava de seu pescoço. Ela contou, então que desejava ser como Lico, o veado,
ágil, veloz e com a altura certa.
Conversando
com Lico, descobriram que ele se considerava frágil demais e, em seus sonhos,
via-se forte como Ian, o leão.
Superando o
medo que sentiam de Ian, foram procurá-lo, para perguntar como era ser forte,
ser o rei da floresta. Mas encontraram Ian triste e solitário. O leão possuía
poucos amigos, pois tinha fama de ser furioso, e todos tinham medo de se tornar
seu jantar.
Como não
conseguiram concluir quem era o melhor bicho, resolveram fazer um concurso para
eleger o mais belo da floresta, o animal ideal. E foram procurar Zilá, a
coruja, para juntos estabelecerem as regras do campeonato.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=52917&picture=coruja-clip
Zilá era uma
estudiosa do comportamento animal, que surpreendeu a todos quando disse:
- Que
importa ser o mais belo, o animal ideal? Deus criou cada animal de um jeito
especial, com características próprias. E aí está a beleza da criação. Já
pensaram se só existissem leões ou borboletas?
Zilá também
explicou que cada animal tem virtudes próprias, e que o importante é cada um
aceitar-se como é, valorizando o que tem de bom e se esforçando para se tornar
alguém cada vez melhor, desenvolvendo qualidades como amor, perdão, respeito,
amizade.
Zezé, Filó,
Lico e Ian pensaram muito no que disse Zilá. E não realizaram o concurso.
A partir
dessa conversa, Zezé parou de reclamar de seu peso e iniciou um programa de
exercícios; Filó aceitou-se como era, alta e magra e deixou de ser fofoqueira;
Lico tornou-se mais alegre e satisfeito com a vida e Ian tem se esforçado para
ser mais calmo e simpático e fazer novos amigos. Assim, todos colaboram para
que a floresta se torne um lugar melhor para se viver.
Claudia
Schmidt.
Fonte: http://www.searadomestre.com.br/evangelizacao/autoaceitacao2ser.htm
Autoconhecimento
e auto aceitação. Dinâmica.
Primeiro
momento:
distribuir às crianças uma folha de ofício em branco. Pedir a elas que
dobrem duas vezes ao meio, de modo que pareça um livro.
Segundo
momento:
explicar o que é um passaporte (um documento oficial que serve como identificação).
Terceiro
momento:
realização do passaporte. Todos devem fazer o seu próprio passaporte,
mas os passos devem ser explicados aos poucos, na medida em que o grupo conclui
a tarefa anterior.
1ª folha: é
a capa; nela a criança deve colocar a maneira como se vê: um desenho de si
mesmo ou uma figura que o represente;
2ª folha:
colocar nome, idade, filiação, bem como suas características físicas (peso,
altura, cor dos olhos e cabelos, etc.) e espirituais (o que gosta de fazer e o
que não gosta);
3ª folha:
escrever como acha que os outros o veem, ou seja, o que as outras pessoas
pensam e valorizam no dono do passaporte;
4ª folha:
descrever as qualidades que possui (e que devem ser muitas, pois todos têm
muitas qualidades). Se a criança não souber, perguntar aos colegas.
Quarto
momento: cada criança deve explicar o seu passaporte aos demais colegas. A aula
tem como objetivo fazer com que pensem sobre si mesmos e descubram que tem
muitas qualidades, promovendo o autoconhecimento e a auto aceitação.
domingo, 3 de janeiro de 2016
A Ovelha Negra. Aceitando as diferenças. Bullying.
Era uma vez
uma ovelhinha diferente das suas irmãs de rebanho: era negra. Por isso, era
desprezada e sofria todo tipo de maus tratos. As outras lhe davam mordidas,
patadas; procuravam colocá-la em último lugar no rebanho. Quando estavam num
prado pastando, o rebanho inteiro tentava não deixar que a ovelhinha negra
provasse uma ervazinha sequer. Dessa forma, sua existência era horrível.
Farta de
tanto desprezo, a ovelhinha negra afastou-se do rebanho. Durante muito tempo
vagou sem rumo pelo bosque.
Quando anoiteceu, exausta, a ovelhinha deitou-se,
sem perceber, em um monte de farinha, onde dormiu.
Ao raiar o
dia, acordou e viu cheia de surpresa, que se havia transformado em uma ovelha
muito branca, imaculada. Voltou então ao seu rebanho, onde foi muito bem
recebida e proclamada rainha, pela sua bela aparência.
Naquela
ocasião, estava sendo anunciada a visita do príncipe dos cordeiros, que vinha
em busca de uma esposa.
O príncipe
foi recebido no rebanho com grandes honras. Enquanto ele observava as ovelhas
que formavam o rebanho, desabou uma violenta tempestade. A chuva dissolveu a
farinha que cobria o pelo negro de nossa ovelhinha, e ela recuperou sua cor
natural.
Quando a
viu, o príncipe resolveu que seria a escolhida. As outras ovelhas perguntaram
por quê.
- É
diferente das outras. E isso, para mim, é suficiente.
Assim, a
ovelhinha negra tornou-se princesa e teve, finalmente, o destino justo que
merecia.
(autor
desconhecido)
Moral da história:
Não é a aparência que define o caráter. Cada um de nós tem suas características que são únicas e que ninguém mais tem. Valorizar o que temos de bom e procurar sempre melhorar os defeitos.
Atividade:
colar linhas preto e branco ou coloridas nas ovelhinhas:
Molde das ovelhinhas para colar linha ou colorir:
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=127612&picture=ovelha
domingo, 13 de dezembro de 2015
A Florzinha Cor-de-rosa.
Na frente de uma velha casinha era para
existir um jardim maravilhoso, mas havia apenas terra, e essa era tão seca que
não se via nem minhocas ou formigas passeando por lá.
Certo dia o céu escureceu e veio uma chuva
muito forte molhando toda a terra, que logo começou a brotar. Em poucos dias o
jardim estava encantador, com um perfume suave das flores diversas que nasceram,
somente um botãozinho ainda não estava aberto.
O jardim ficou todo cercado de joaninhas,
borboletas, beija- flores, minhocas, aranhas, formigas e besouros.
Mas entre as flores que nasceram havia uma que
era muito vaidosa, orgulhosa... Olhava para as outras flores e dizia:
_ Eu sou a flor mais bonita deste jardim! Vocês
comparadas a mim são horrorosas hehehehe.
_ Olha só para a florzinha amarela... É
igualzinha o sol!! A Flor azul é igual às nuvens e a marrom igual a terra... que
horror!! Todas vocês são iguais a alguma coisa.
Sou maravilhosa porque sou única... Sou cor de
rosa!!! Não tem nada parecido comigo... sou uma atração...
Todos que aparecem
no jardim olham para mim elogiando.
E assim falava a nossa florzinha, toda
orgulhosa, penteando suas pétalas.
Certo dia ouviu- se uma gritaria de crianças:
_ Corram... pega.....ela esta indo para o
jardim!!!!
E de repente... uma TRAGÉDIA aconteceu !!!!!
A florzinha cor de rosa foi atingida em cheio
por uma bola e desmaiou!!
Todas as outras flores foram acudi-la, será que
esta viva?!
Felizmente estava, foi abrindo os olhos
lentamente, e quando ficou de pé todas as flores arregalaram os olhos e começaram
a gargalhar!!
_ HaHaHaHaHaHaHaHaHaHa!!!
_ Hihihihihihihihihihihihihihi!!!
_ Hehehehehehehehehehehe!!!
É que a flor cor de rosa perdeu a metade de
suas pétalas, estava HORROROSA!!
Coitada da florzinha... todos que ali passavam
falavam:
_ Que espécie de flor é aquela? Que coisa mais
feia!!!
A minhoca estava se contorcendo de tanto rir, a
borboleta não conseguia voar de tanto que gargalhava, a aranha tropicava nas
pernas toda vez que olhava para flor despetalada.
Coitadinha...
Dois dias se passaram e todas as pétalas caíram,
ficou carequinha... ela chorava tanto...tanto.....
Então numa noite a florzinha percebeu que foi
muito feio o que ela havia feito, ficava sempre rindo das outras flores, e na
verdade todas eram bonitas... Cada uma tinha a sua beleza... mas agora, ela era
a única feia no
jardim... e
pensou...
_ Nunca mais vou falar mal de ninguém... estou
muito sentida com a minha atitude.
Deus percebeu o arrependimento sincero dela, e
decidiu lhe dar uma nova chance...
Ao amanhecer as flores começaram a se abrir,
esticavam as folhinhas para cima se espreguiçando quando de repente todas
arregalaram os olhos! !
A florzinha cor de rosa estava com pétalas
novamente!! Só que não eram cor de rosa... era uma azul, uma amarela, uma
marrom, outra azul outra amarela e outra marrom...
Tornou- se uma flor colorida!
E para surpresa de todos, uma florzinha que
ainda era um brotinho começou a se abrir na frente de todos... e quem diria era
toda cor de rosa!!
Ela olhou para todas as flores que estava a
sua volta e disse:
_ NOSSA!!! Que jardim legal... quantas flores
bonitas!
_ Mas eu sou mais bonita que vocês, porque sou
a única cor de rosa que tem aqui.
Ao ouvir isso, a florzinha colorida chegou bem
pertinho dela e disse:
_ Venha cá, você ê ainda é muito novinha e tem
que aprender algumas coisas, vou lhe contar uma história de uma florzinha cor
de rosa que morou aqui...
Tema: Preconceito, vaidade, orgulho.
Moral da história:
não devemos nos envaidecer seja pelos dons que temos, seja pelo que possuímos. O que vale é o espírito, a aparência física pode ser modificada como aconteceu com a florzinha vaidosa, mas a bondade, a caridade, a vontade de fazer o bem não se alteram e tornam a pessoa mais bonita. Mais vale ser bela por dentro do que por fora.
sábado, 5 de dezembro de 2015
Zuzu, a abelhinha que não podia fazer mel. Historinha sobre bullying, preconceito, respeitando as diferenças.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/abelha-inseto-wasp-asas-olhos-160732/
No início,
para ela isso não tinha muita importância. Mas, com o tempo, vendo como seus
pais ficaram tristes, pois sonhavam com a filhinha estudando, se formando na
Universidade do Mel, trabalhando, progredindo, como as outras abelhas da colmeia,
começou a ficar entristecida, magoada, porque percebeu que não atingiria as
expectativas dos pais. Eles a levaram aos melhores especialistas do abelheiro,
mas todos foram unânimes: Zuzu jamais seria igual às outras...
Zuzu vivia
cabisbaixa, solitária, era motivo de gozação e brincadeiras de mau gosto por
parte das outras abelhas de sua idade.
Certo dia,
muito aborrecida, resolveu voar para bem longe. Sem perceber, aproximou-se de
outra colmeia, desconhecida. E logo percebeu que ali era diferente de onde ela
morava: na entrada, algumas abelhas guardiãs também possuíam dificuldades:
algumas não tinham uma asa, outras eram cegas...
À medida que
foi penetrando nessa nova colônia, notava que em todos os setores as abelhas
consideradas “deficientes”, trabalhavam e eram eficientes nas suas funções.
Conheceu algumas que, como ela, não podiam produzir mel. Todas estavam ativas e
contentes: controlavam o estoque de mel, a qualidade do produto, e até chefiavam
a produção. Isso a deixou muito feliz: ela também poderia ser útil!
Conversando,
suas novas amigas lhe contaram que ali todas eram respeitadas e trabalhavam de
acordo com as suas capacidades.
Exultante,
Zuzu voltou para sua casa cheia de novidades. No início, todos acharam que
aquilo era uma bobagem, um sonho, fruto da imaginação. Com perseverança foi,
aos poucos, introduzindo novas ideias na sua colmeia. Conseguiu levar uma
comissão de ministros a outra colmeia para que eles vissem que o seu ideal era
possível.
Assim,
lentamente, na sua comunidade, foi sendo eliminado o preconceito às abelhas
portadoras de cuidados especiais. Zuzu, como se sabe, chegou ao importante
cargo de chefe da produção de mel de todo o reino, pela sua inteligência, pela
suas habilidades, levando consigo muitas de suas irmãs.
Seus pais,
agora venturosos, entenderam que a felicidade de Zuzu não está em fazer como os
outros, mas em fazer como lhe é possível e da melhor maneira, evitando comparações.
Luis Roberto
Scholl
Tema: Preconceito, bullying, convivendo com as diferenças.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
O MACHADO E AS ÁRVORES. Fábula de Esopo.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/madeira-serrada-lenhador-machado-156795/
Um homem foi à floresta e pediu às árvores que estas lhe doassem um cabo para o seu machado. O conselho das árvores concordou com o seu pedido e deu a ele uma jovem árvore para este fim.
Logo que o
homem colocou o novo cabo no machado, começou furiosamente a usá-lo e em pouco
tempo havia derrubado com seus potentes golpes, as maiores e mais nobres árvores
da floresta.
Um velho
Carvalho lamenta quando a destruição dos seus companheiros já está bem
adiantada, e diz a um Cedro seu vizinho:
- O primeiro
passo significou a perdição de todas nós. Tivéssemos respeitado os direitos
daquela jovem árvore, ainda teríamos os nossos próprios e o direito de ficarmos
de pé por muitos anos.
Autor: Esopo
Moral da História:
Somos iguais não importando a cor, situação social, e diferenças individuais. Pedir que falem sobre as diferenças e quando se tornam problema.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Filhos do Coração – A adoção explicada a pais e filhos.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/beb%C3%AA-casal-an%C3%A9is-de-casamento-1150109/
Era uma noite como outra qualquer.
A Luena estava sentada no chão a folhear o álbum de família.
Os irmãos brincavam na sala com o Rafa e o Manecas, o cão e o gato lá de casa
que, sendo os melhores amigos, às vezes pareciam os piores inimigos.
De repente, o silêncio foi interrompido pela curiosidade de
uma menina de cinco anos.
— Mãe… como é que eu nasci? Porque é que não há fotografias
minhas em bebé aqui no álbum?
A mãe percebeu que aquela, afinal, ia ser uma noite muito
especial. Levantou-se do sofá e foi sentar-se ao lado da filha.
— Vou contar-te a história mais bonita do mundo e a mais
especial, porque é a tua história. Sabes como nascem os bebés?
— Nascem de repolhos grandes! — exclamou o Manuel.
— Não é nada… chegam no bico das cegonhas! — contrapôs o
Jorge.
Maria desatou a rir e avançou com a sabedoria de quem
acredita que domina o mundo do alto dos seus dez anos:
— Os bebés nascem das barrigas das mães! O pai põe uma
sementinha num ovo que a mãe tem dentro da barriga e, depois, a barriga começa
a crescer, a crescer, a crescer e, nove meses depois, nascem os bebés!
— Nem todos — interrompeu a mãe —, alguns filhos nascem nos
corações!
Nesse momento até as certezas da Maria, a irmã mais velha,
desapareceram.
Curiosos, os irmãos aproximaram-se da mãe, prontos para
ouvir esta história que, como todas as histórias importantes, começa com um…
— Era uma vez… — disse o pai da Luena que acabara de entrar
na sala.
—… um coração que engravidou de amor — acrescentou a mãe.
— Os corações também engravidam? — interrompeu a Luena
curiosa.
— Claro que sim! Esse coração, tal como as barrigas das
mães, cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou por uma menina cor de
canela e de trancinhas no cabelo que escolheu fazer parte desta família —
respondeu o pai emocionado.
— Sabes Luena… há várias maneiras de criar uma família, mas
o importante é o amor que une as pessoas dessa família, porque as famílias são
para sempre — concluiu a mãe.
— Mesmo quando se zangam? — perguntou o Manuel.
— Claro… não vês que, apesar de se zangarem, o Rafa e o
Manecas adoram-se e não conseguem viver um sem o outro? — lembrou a mãe.
A Luena ouvia em silêncio com muita atenção, mas, quanto
mais lhe explicavam, menos conseguia entender. Pegou na mão da mãe, obrigando-a
a fixar o olhar no seu, que suplicava por mais esclarecimentos.
— Então como é que eu cheguei ao teu coração grávido, mãe?
— Já vais perceber… mas, o mais importante é que estás cá
dentro, no nosso coração, como todos os teus irmãos.
Pelo olhar perdido da Luena, todos conseguiram imaginar a
confusão que reinava na sua cabeça. O pai avançou com mais explicações:
— Sabes Luena, existem muitos lugares no mundo onde os pais
não têm condições para criar os filhos…
—… e, por isso, têm que deixá-los em instituições como
aquela no Gana, em África, aonde nós te vimos pela primeira vez — acrescentou a
mãe.
— E nesses lugares existem muitos meninos como eu, mamã? —
perguntou a Luena.
A resposta chegou pela mão da irmã mais velha, a quem os dez
anos davam direito legítimo a uma resposta sempre na ponta da língua:
— Espalhados pelo mundo, existem meninos de todas as raças e
cores que precisam de pais, porque os seus pais da barriga não puderam cuidar
deles como eles mereciam.
«Raças» era uma palavra difícil para os irmãos mais novos. O
Manuel sabia que era preciso perguntar para conseguir aprender e, por isso, não
hesitou:
— O que são raças, papai?
— Raças são características diferentes dos meninos que
nascem em todas as partes do mundo: em Portugal, no Gana, na China…
À Luena nunca lhe tinha ocorrido perguntar por que é que a
sua cor de pele era diferente da dos seus irmãos… afinal somos todos diferentes
uns dos outros! Há crianças gordas, magras, altas, baixas, meninos de olhos
azuis e outros de olhos castanhos. A cor da sua pele fora sempre aquela,
portanto era uma característica sua.
Ela também sabe que o que é realmente importante sente-se
com o coração. E o seu coração traquina dizia-lhe que o importante é o amor que
une as famílias e o sentimento de segurança que os filhos têm junto dos pais.
— Ao ver-te pela primeira vez, o nosso coração cresceu
tanto, tanto, tanto, que se apaixonou e, desde esse momento, a nossa vida
deixou de fazer sentido sem ti — revelou a mãe com ternura.
A Luena ficou em silêncio a saborear o olhar apaixonado dos
pais e a pensar em todas as crianças que não têm uma família.
Imaginou os meninos que não pertencem a ninguém e que
adormecem à noite sem ter os pais ao seu lado para lhes contarem uma história.
Imaginou como deve ser difícil não receber um beijo da mãe todas as manhãs.
Imaginou como se devem sentir sozinhas as crianças que estão à espera de
conhecer os seus pais do coração…
Espontaneamente correu e abraçou os seus pais com toda a
força que conseguiu, numa tentativa desesperada de lhes fazer sentir todo o
amor que tem por eles.
— Que bom que é ter uma família! — exclamou feliz.
E a sabedoria dos dez anos da Maria traduziu-se numa verdade
simples que, no coração, todos sentem como uma certeza:
— Luena… a nossa família não seria a mesma sem ti…
— É verdade Luena, estamos muito felizes por termos uma irmã
como tu — acrescentou o Jorge.
— Papai, e o que acontece às outras crianças que ainda não
tem uma família? — perguntou o Manuel.
— Estão à espera de encontrar corações apaixonados que
engravidem de amor e consigam formar uma família como a nossa — explicou o pai.
— Sabem que às vezes isso acontece muito depressa, mas
outras demora mais tempo. Porém o mais importante é que, no final de tudo,
encontrem uma família… e de certeza que isso acaba por suceder! — concluiu a
mãe.
A Luena ficou tranquila com as palavras da mãe em relação
aos outros meninos que ainda se encontram a viver em instituições. Contudo, uma
dúvida insistia em formar a covinha que aparecia na sua bochecha esquerda
sempre que algo a preocupava:
— Mamã… mas como é que esses pais que engravidam do coração
conseguem escolher uns meninos e deixar lá outros?
— Na verdade, filhota — explicou a mãe orgulhosa da
sensibilidade da filha —, esses pais não escolhem os filhos… mesmo que não
percebam, eles é que são os escolhidos. Um coração só engravida quando se
apaixona, por isso é que pouco importa se os filhos nascem da barriga das mães
ou dos seus corações. O amor só pode ser um laço natural… porque ninguém nos
pode obrigar a amar!
— Tu, por exemplo, — continuou o pai – escolheste-nos no dia
em que te conhecemos e, depois de nos conquistares, deixaste-nos amar-te. As
fotografias que te faltam aí no álbum não são importantes, porque a nossa
história de amor começou mais tarde, e nem todas as histórias de amor tem de
começar numa maternidade.
— Se pensares bem, filhota — acrescentou a mãe —, não há
fotografias de todos os momentos felizes que passámos juntos, porque alguns
desses momentos guardámo-los cá dentro do coração, que é o melhor álbum da
nossa vida!
O Manuel e o Jorge começavam a dar os primeiros sinais de
cansaço com um bocejo traiçoeiro. A Maria, a quem a vida naquela noite até
tinha conseguido ensinar qualquer coisa nova, foi contagiada e abriu a boca,
denunciando a chegada da hora de dormir.
— Meninos, vamos para a cama! Hoje já ouviram uma linda
história, que vos deu muito em que pensar! — exclamou o pai divertido.
A mãe levantou-se e distribuiu as crianças pelos quartos, ao
ritmo de mimos e beijos de boas-noites. Quando chegou perto da cama da Luena
reparou que a covinha da bochecha voltara a ficar visível.
— Mamã… ainda existem muitas famílias à espera de serem
escolhidas por essas crianças? — perguntou-lhe a filha.
— Algumas, meu amor… — disse a mãe tentando tranquilizá-la —…
mas não te preocupes, porque todas essas crianças vão, de certeza, escolher uma
família como a nossa para serem muito felizes.
Aos poucos, a covinha foi desaparecendo. A Luena fechou os
olhos, rendendo-se a um sono descansado, e começou a sonhar com um mundo
cor-de-rosa, com pinceladas de muitas outras cores alegres e vivas que pintam a
realidade de uma menina traquina de cinco anos.
A mãe inclinou-se e beijou o rosto daquela filha especial,
que tinha trazido um brilhante arco-íris à sua vida. Depois, afastou-se em
silêncio e ficou a pensar que, se todas as famílias soubessem quão maravilhosas
e completas se podem tornar as suas vidas quando os seus corações engravidam,
de certeza que as instituições do mundo ficariam vazias de crianças e as suas
casas cheias de amor.
Alexandra Borges; Luís Figo; Ana Cardoso.
Filhos do Coração – A adoção explicada a pais e filhos.
domingo, 18 de outubro de 2015
Será que o lobo é mau? Uma abordagem diferente e humana. Desfazendo preconceitos.
Os
porquinhos Juca, Pipo e Lilo já são porquinhos adultos e resolveram cada um
construir a sua própria casa, que seria o lar de sua família, no futuro.
Juca
construiu uma casa de palha e assim que terminou foi dormir, que é o que ele
mais gosta de fazer. E Juca pretende dormir bastante, agora que não tem sua mãe
por perto para lhe alertar sobre a preguiça.
Pipo é um
pouco mais organizado e resolveu fazer sua casa de madeira e galhos de árvores,
para suportar ventos e chuvas. Assim que terminou a casa foi descansar, pois
estava muito cansado.
O porquinho
Lilo trabalhou por várias semanas para construir uma casa forte, com um bom
alicerce, paredes de tijolos e janelas e portas com fechaduras, tudo muito
seguro. Sua nova casa é bonita e segura como seu antigo lar e Lilo, quando
terminou de construí-la convidou sua mãe para lhe fazer uma visita.
Perto de
onde foram morar Juca, Pipo e Lilo mora um lobo, que eles pensavam que era mau.
Mas estavam enganados, pois o lobo já estava idoso, tinha orelhas e nariz muito
grandes e apesar da aparência de mau era, na verdade, um lobo bom, quieto e sem
muitos amigos.
Tudo ia
muito bem, até que chegou a primavera, a mais bela das estações. Qual o
problema? O problema é que Zoé, esse é o nome do lobo, é alérgico a pólen de
flores. Ele costuma espirrar muito, tossir sem parar, ficar com os olhos
vermelhos e ter coceiras no nariz e, às vezes, coçar todo o corpo sem conseguir
parar.
Aos
primeiros sinais da alergia, Zoé foi ao médico, Sr. Orestes, que lhe tratava há
muitos anos. Na volta para casa, passou na farmácia, que estava lotada, e
comprou o remédio.
Espirrou por
todo o trajeto, seu nariz estava vermelho como um pimentão e seu corpo todo
coçava. Quem o observou pelo caminho achou o lobo muito esquisito: parecia
muito feio e bravo, principalmente quando tossia e se coçava sem parar.
Chegando em
casa, o lobo imediatamente pegou um copo d’água e o remédio para tomar. Pegou a
caixa e logo percebeu que haviam lhe dado o remédio errado na farmácia. O
remédio de Zoé para alergia foi trocado por outro parecido, porém para dor de
barriga.
Entre
espirros, tossidas e coceiras, o lobo resolveu pedir ajuda aos porquinhos, seus
novos vizinhos, pois se tivesse que ir até a farmácia iria piorar muito, pois o
caminho era cheio de flores nesta época.
Quando
chegou na casa de Juca para perguntar se ele poderia destrocar o remédio, Zoé
bateu na porta e enquanto aguardava que o porquinho atendesse, sentiu uma
enorme vontade de espirrar e deu um enorme espirro, e mais outro, e outro e
outro... Quando conseguiu parar de espirrar viu que havia derrubado a frágil
casinha do porquinho.
O lobo não
conseguiu sequer pedi desculpas ao porquinho, muito menos explicar que
precisava de ajuda, pois Juca fugiu apavorado e foi se esconder na casa de seu
irmão Pipo.
Como
continuava se sentindo muito mal, tossindo e espirrando, mas certo de que
tomaria mais cuidado para não derrubar a casa do próximo vizinho, o lobo foi
até onde morava Pipo.
Zoé chegou
perto e chamou pelo vizinho. Como sua voz estava fraca e ele espirrava e tossia
muito, o lobo imaginou que ninguém tinha conseguido ouvi-lo. Chegou mais perto
e, antes que conseguisse bater na porta para pedir ajuda, começou a tossir
muito, pois parecia que alguém passava uma peninha em sua garganta. Tossiu alto,
muitas vezes e muito forte, para ver se a peninha parava de incomodar. Quando
conseguiu parar, notou que a casa do vizinho estava demolida, e que os dois
porquinhos corriam de medo dele.
O lobo ficou
muito chateado pelo que aconteceu, mas decidiu ir até a casa do porquinho Lilo,
não apenas para que eles lhe ajudassem a trocar o remédio, mas para pedir
desculpas e avisar que assim que melhorasse alergia iria ajudar a reconstruir
as casas dos dois porquinhos.
Chegando na
casa de Lilo, bateu na porta e esperou. Enquanto esperava, espirrou um pouco e
coçou o nariz, que ficou mais vermelho ainda. Como ninguém atendeu, bateu de
novo. Depois de algum tempo, apareceu na janela Lilo, que gritou:
- Vá embora,
seu lobo. Esta casa você não vai conseguir derrubar! Estamos seguros aqui, e
não seremos seu jantar! O lobo
explicou então que era apenas um velho lobo doente que precisava de alguém que
fosse até a farmácia destrocar o seu remédio da alergia.
Por favor,
não consigo parar de espirrar e tossir. Meu nariz coça muito e meus olhos estão
vermelhos de tanto coçar. Preciso de ajuda! Se eu tiver que ir até a farmácia,
ficarei pior.
Os
porquinhos ficaram desconfiados e não abriram a porta. O velho lobo pediu mais
uma vez, enquanto tossia e espirrava:
- Por favor,
eu tenho alergia na primavera, preciso do remédio...
Os
porquinhos observaram o lobo por alguns instantes e puderam perceber que ele
parecia furioso e espirrava e tossia sem parar.
Lilo lembrou
aos irmãos que não devemos julgar os outros pela aparência. Então pensaram bem
e resolveram deixar o lobo entrar e ouvir melhor o que ele tinha a dizer.
O lobo
agradeceu e contou que tinha essa alergia na primavera desde criança e que
precisava de ajuda, pois não podia ficar sem o remédio.
Os
porquinhos perceberam que o lobo não era mau como pensavam e, apesar do aspecto
esquisito, parecia ser muito legal.
Pipo, então,
foi rapidamente até a farmácia e trouxe o remédio certo para Zoé. O lobo tomou
o remédio e logo começou a se sentir melhor. Ele agradeceu muito a ajuda, pediu
desculpas pelo susto que deu nos porquinhos e prometeu ajudar a reconstruir as
casas deles.
Todos riram
muito quando ele contou que seu apelido quando criança era ATCHIM, como o
anãozinho da Branca de Neve.
Lilo serviu
suco de frutas para todos e eles se sentaram na biblioteca, longe do pólen das
flores, para conversar, começando ali uma grande amizade.
Os
porquinhos sempre contam essa história aos seus filhos para que eles percebam
que não devemos julgar alguém pela sua aparência física, pois podemos nos
enganar sobre a pessoa e deixar de conhecer um novo amigo. Além disso, Juca e
Pipo aprenderam que quando temos que fazer algo, é importante fazer com carinho
e dedicação, como sua mãe sempre lhes ensinara, pois trabalhos malfeitos podem
acabar como as suas casinhas, que tiveram que ser reconstruídas, desta vez com
menos preguiça e mais cuidado.
História
adaptada do clássico original “Os Três Porquinhos” do autor Joseph Jacobs
CONVERSANDO SOBRE A HISTÓRIA.
A história
nos mostra que cada porquinho poderia construir sua casa como quisesse.
Será
que Juca e Pipo construíram a casa da maneira certa?
Não, porque a preguiça e a má vontade
não deixaram. Eles acharam que tinham liberdade de não dar satisfação a
ninguém, podendo fazer o que quisessem, como e quando desejassem. Quando
estavam em casa e a mamãe estava sempre pedindo para que eles trabalhassem para
ajudar nos serviços de casa achavam ruim, mas depois perceberam que é
necessário trabalho e organização para manter uma casa em ordem.
E Lilo?
Lilo
havia aprendido as lições que sua mãe, tão carinhosamente, ensinara a todos
eles. Quando construiu sua casa, teve a oportunidade de colocar na prática o
que havia aprendido. Sua casa demorou para ser construída, mas tinha um bom
alicerce e era bem segura. Quando ficou pronta ele logo começou a arrumá-la, e
enfeitá-la, pois não via a hora de convidar sua querida mamãe para uma visita.
Perguntas:
O que
acontece quando fizemos as coisas com preguiça e má-vontade?
- Os nossos trabalhos saem mal feitos e muitas
vezes temos que os refazes.
O lobo Zoé
era legal, bondoso, amigo, era bonito?
- Era leal e amigo, mas não era
bonito. Beleza não significa bondade.
Só as
pessoas bonitas são boas? Por quê?
- Não, porque uma coisa não está
ligada a outra, não devemos julgar as pessoas ou as situações pelas aparências.
- Devemos
julgar uma pessoa pelo seu corpo físico?
Não, o presente independe do pacote.
- Devemos
ajudar o nosso próximo?
Sim e isso nos deixará alegres e
satisfeitos, mesmo quando não recebemos agradecimentos pelo bem que fizermos.
Responsabilidade:
Grupo Espírita Seara do Mestre
www.searadomestre.com.br/evangelizacao.
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