sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

“Para que ficar bravo, se basta ser inteligente?” Reflexões e atividades para a Paz!

11º Plano de aula
1-Citação as semana:
“Para que ficar bravo, se basta ser inteligente?”.
2-Meditação da semana:
Planeta 14-Meditação para a paz.
3-História da semana:
Exercício de paciência
4-Música da semana:
Adolescente:Cidade Negra- Soldado da paz
Criança: Paz,paz, paz (EVH vol. 2 música 31)
5-Atividade Integrada da semana:
Frase curiosa

1-Citação as semana:

“Para que ficar bravo, se basta ser inteligente?”.

Mensagem reflexão:

A PAZ NASCE NO LAR.

Você já se deu conta de que as guerras, tanto quando a violência, nas suas
múltiplas faces, nascem dentro dos lares?
Em tese, é no lar que aprendemos a ser violentos ou pacíficos, viciosos ou
virtuosos.
Sim, porque quando o filho chega contando que um colega lhe bateu, os pais logo mandam que ele também bata no agressor.
Muitos pais ainda fazem mais, dizendo: “filho meu não traz desaforo para casa”; “se apanhar na rua, apanha em casa outra vez”!
Se o filho se queixa que alguém lhe xingou com palavrões, logo recebe a
receita do revide: “faça o mesmo com ele”. “vingue-se”, “não deixe por menos”.
Quando o amiguinho pega o brinquedo do filho, os pais intercedem dizendo:
“tire dele, você é mais forte”, “não seja bobo”! Essas atitudes são muito comuns, e os filhos que crescem ouvindo essas máximas, só não aprendem a lição se tiverem alguma deficiência mental, ou se forem espíritos superiores, o que é raro na terra.
O que geralmente acontece é que aprendem a lição e se tornam cidadãos
agressivos, orgulhosos, vingativos e violentos. Ingredientes perfeitos para fomentar guerras e outros tipos de violências.
Se, ao contrário, os pais orientassem o filho com conselhos sábios, como:
perdoe, tolere, compartilhe, ajude, colabore, esqueça a ofensa, não passe recibopara a agressividade, os filhos certamente cresceriam alimentando outra disposiçãoíntima.
Seriam cidadãos capazes de lidar com as próprias emoções e dariam outro
colorido à sociedade da qual fazem parte. Formariam uma sociedade pacífica, pois quando uma pessoa age diante de uma agressão, ao invés de reagir, a violência não se espalha.
A paz só será uma realidade, quando os homens forem pacíficos, e isso só
acontecerá investindo-se na educação da infância.
Os pais talvez não tenham se dado conta disso, mas a maioria dos vícios
também são adquiridos portas à dentro dos lares.
É o pai incentivando o filho a beber, a fumar, a se prostituir, das mais variadas formas.É a mãe vestindo a filha com roupas que despertam a sensualidade, a vaidade, a leviandade.
Meninas, desde os três anos, já estão vestidas como se fossem moças, com roupas e maquiagens que as mães fazem questão de lhes dar. Isso tudo fará diferença mais tarde, quando esses meninos e meninas estiverem ocupando suas posições de cidadãos na sociedade.
Então veremos o político agredindo o colega em frente às câmeras, medindo forças e perdendo a compostura.
Veremos a mulher vulgarizada, desvalorizada, exibindo o corpo para ser
popular.
Lamentavelmente muitos pais ainda não acordaram para essa realidade e
continuam semeando sementes de violência e vícios no reduto do lar, que deveria ser um santuário de bênçãos.
Já é hora de pensar com mais seriedade a esse respeito e tomar atitudes para mudar essa triste realidade. É hora de compreender que se quisermos construir um mundo melhor, os alicerces dessa construção devem ter suas bases firmes no lar.
Pense nisso!
Jesus, nosso Irmão Maior, trouxe-nos a receita da paz. Com Ele poderemos erguer-nos, da treva à luz.
Da ignorância à sabedoria. Do instinto à razão.
Da força ao direito. Do egoísmo à fraternidade.
Da tirania à compaixão. Da violência ao entendimento.
Do ódio ao amor. Da extorsão à justiça.
Da dureza à piedade. Do desequilíbrio à harmonia.
Do pântano ao monte. Do lodo à glória.
Pensemos nisso!

2-Meditação da semana:
Planeta 14-Meditação para a paz.

3-História da semana:

O Exercício da Paciência.

Esta é a historia de um menino que tinha um mau caráter. Seu pai lhe deu um saco de pregos e lhe disse que cada vez que perder a paciência, ele deveria pregar um prego atrás da porta.
No primeiro dia, o menino pregou 37 pregos atrás da porta. As semanas que seguiram, a medida que ele aprendia a controlar seu gênio, pregava cada vez menos pregos atrás da porta. Com o tempo descobriu que era mais fácil controlar seu gênio que pregar pregos atrás da porta.
Chegou o dia em que pode controlar seu caráter durante todo o dia.
Depois de informar a seu pai, este lhe sugeriu que retirasse um prego a cada dia que conseguisse controlar seu caráter. Os dias se passaram e o jovem pode finalmente anunciar a seu pai que não havia mais pregos atrás da porta.
Seu pai o pegou pela mão, o levou até a porta e lhe disse:
- Meu filho, vejo que tens trabalhado duro, mas veja todos estes buracos na porta.
Nunca mais será a mesma.
Cada vez que tu perdes a paciência, deixa cicatrizes exatamente como as que vê aqui. Tu podes insultar alguém e retirar o insulto, mas dependendo da maneira como fala poderá ser devastador e a cicatriz ficará para sempre. Uma ofensa verbal pode ser tão daninha como uma ofensa física.
Os amigos são jóias preciosas. Nos fazem rir e nos animam a seguir adiante. Nos escutam com atenção e sempre estão prontos a abrir seu coração.

4-Música da semana:

Cidade Negra - Soldado Da Paz

não há perigo
que vá nos parar
se o bom de viver é estar vivo
ter amor, ter abrigo
ter sonhos, ter motivos pra cantar...
armas no chão
flores nas mãos
mas se o bom de viver é estar vivo
ter amor, ter abrigo...
vivendo em paz, prontos pra lutar...
o soldado da paz não pode ser derrotado
ainda que a guerra pareça perdida
pois quanto mais se sacrifica a vida
mais a vida e o tempo são os seus aliados
armas no chão
flores nas mãos...
o soldado da paz não pode ser derrotado
ainda que a guerra pareça perdida
pois quanto mais se sacrifica a vida
mais a vida e o tempo são seus aliados
não há perigo
que vá nos parar
se o bom de viver é estar vivo
ter amor, ter abrigo
ter sonhos, ter motivos para cantar...

Música crianças:

Paz,paz, paz
Paz, paz, paz, paz na terra
Paz, paz, paz, para todo o Universo
Alegria, alegria, alegria, alegria na terra
Alegria, alegria, alegria, para todo o Universo
Amor, amor, amor, amor na terra
Amor, amor, amor, para todo o Universo
(EVH vol. 2 música 31)

5-Atividade Integrada da semana:

A FRASE CURIOSA.

1- Todos os participantes estão sentados em forma circular, com uma folha e lápis.
2- Por ordem do professor, cada qual escreverá um nome, quer o seu próprio, quer um outro nome qualquer.
3- Uma vez escrito, todos devem dobrar a folha, para esconder o nome escrito, passando a folha para o vizinho da direita.
4- A seguir, todos devem escrever agora um adjetivo positivo , dobrando novamente a parte, para esconder o adjetivo, passando novamente a folha para o seguinte.
5- Em continuação, escreverão um verbo, um advérbio, um nome, um adjetivo positivo, dobrando e passando a folha como a primeira vez.
6- No final todos lerão a sua folha, estabelecendo a sequência  necessária, e observarão as frases mais curiosas.
(Livro Dinâmicas de Recreação Atividade 03)



Fonte: http://www.projetovaloreshumanos.com.br/planos_de_aula/11_para_que_ficar_bravo_se_basta_ser_inteligente.pdf

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A mula. Fábula de Esopo.

- Meu pai com certeza era um valoroso e belo raça pura. Eu sou sua própria imagem em velocidade, resistência, espírito e beleza.
Pouco tempo depois, sendo levado a uma longa jornada como burro de carga, e sentindo-se muito cansado, exclamou em tom desconsolado:
- Acho que cometi um erro. Meu pai, afinal de contas deve ter sido apenas um simples asno.

Esopo

Moral da história: 

Ao desejarmos ser o que não somos, estamos plantando em nós a semente da frustração.

Tudo na Criação de Deus é importante e faz parte do todo. Nada na natureza é sem um significado importante na sua vida bem como no equilíbrio de tudo. Todos os vegetais, minerais, animais, insetos, rios e matas precisam deste equilíbrio para que o planeta se mantenha vivo e nos forneça o que precisamos para viver. 
Precisamos entender tudo isto para que saibamos como agir em sociedade e na natureza, mas sem acharmos que somos melhores que os outros. Quando isto acontece, mais cedo ou mais tarde a pessoa orgulhosa e arrogante vai ter alguma experiência que vai mostrar sua real importância no mundo.  

Tema: humildade.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Colar de Carolina.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/menina-mulher-feminino-senhora-163695/

Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.

O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral

nas colunas da colina.


Cecília Meireles

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

FESTA NO GALINHEIRO. Tema: Responsabilidade.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=6001&picture=pascoa

Vejam só que gritaria vem vindo lá do terreiro! Que estará acontecendo, com as aves do galinheiro.
Seu Peru todo orgulhoso, passeia de cauda erguida ao lado de mestre galo, muito contente da vida.
Dona galinha D'angola numa grande animação com as aves do galinheiro, ensaia sua canção.
- Qui qui ri qui qui qui . . . ! Cisca pra lá cisca pra aqui!
- Piu piu piu piu piu piu . . . Você sabe, você viu!
- Co coró co có . . . a galinha carijó!
- Que queré qué qué . . . qué qué . . . !
É o galinho garnizé!
- Tô fraco, tô fraco, tô fraco, Tô fraco, tô fraco, tô fraco . . . !
Entretanto mais ao longe, tristinha desanimada, olhem só a dona Galinha, chocando a sua ninhada!
- Ai, ai, ai . . . mas que tristeza, estou presa nesse palheiro! Eu tanto queria ir a baile do galinheiro.
- A festa vai ser tão linda! Mas o que é que eu vou fazer, meus pintinhos preguiçosos demoram tanto a nascer! No entanto tenho uma ideia, quem sabe aqui na floresta, alguém fique em meu lugar, só enquanto eu vou a festa. 
E assim dona Galinha tranquilamente esperou, até que alguém, junto ao ninho alegre se aproximou: 
- Vamos patinhos, vamos ligeiro, dançar na festa do galinheiro.
- Bom dia dona Galinha! Como vai sua ninhada! 
- Muito bem, senhora Pata, mas eu estou muito cansada. Vou lhe pedir um favor:
- Quer sentar-se no meu ninho e chocar minha ninhada, enquanto eu saio um pouquinho?
- Chocar sua ninhada, sentar-me nos seus ovinhos e enquanto eu estiver aí, quem cuida dos meus patinhos!
E saiu toda zangada, levando a sua ninhada!
E assim pouco depois: 
- Vamos gansinhos, vamos devagar, cabeças para baixo, rabinhos para o ar.
- Bom dia dona Galinha, como vai sua ninhada?
 - Muito bem comadre gansa. Mas eu estou muito cansada. Vou lhe pedir um favor:
- Quer sentar-se no meu ninho e chocar minha ninhada, enquanto eu saio um pouquinho?
- Chocar a sua ninhada, sentar-me nos seus ovinhos e enquanto eu estiver aí, quem cuida dos meus gansinhos!
E saiu pelo caminho, abanando o seu rabinho. 
- Ai . . .ai . . . ai . . . mas que tristeza, eu já não posso aguentar. Sabem que mais? Vou a festa. Eu também quero brincar. Pego um punhado de palha, deixo o ninho bem coberto e vou para o galinheiro pra ver o baile de perto.
E assim, mas que tristeza. Vejam só meus amiguinhos, dona Galinha saiu, abandonando os ovinhos.
E dançou a noite inteira, cantou, brincou a valer e só lembrou-se do ninho, quando viu amanhecer.
- Ó céus, como já é tarde, vem chegando a madrugada, preciso voltar depressa, para chocar minha ninhada.
E assim ela voltou correndo, sem dar um pio. Mas quando chegou em casa, achou o ninho vazio. Só havia sobre a palha, as cascas do seus ovinhos. Entretanto, onde estariam os seus queridos pintinhos!
- Ai . . . .ai . . . ai . . . . que fui fazer, porque eu deixei a ninhada!
Dizia dona Galinha, chorando desesperada!
- Quem sabe aquela malvada, a raposa da floresta, papou meus lindos pintinhos,enquanto eu estava na festa.
Já estava desanimando, tinha o coração partido, quando ouviu sair do ninho, um piado conhecido.
- Será que estarei sonhando? Preciso encontrar ligeiro! Há qualquer coisa mexendo lá no fundo do palheiro!
- Ó senhor, que maravilha, será?
- Sim são eles, que alegria, são eles que estão aqui! 
- Um, dois, tres, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez pintinhos, estavam todos lá no fundo, do palheiro escondidinhos.
- E feliz, dona Galinha disse, cheia de carinho:
- Nunca mais em minha vida, abandonarei o ninho!
- Durmam crianças, que mamãe já está em casa!
- Escondam-se quietinhos, embaixo da minha asa!
- Durmam tranquilos o seu soninho que mamãe nunca mais abandonará o ninho.


Tema:  Responsabilidade.

Perguntas:

1-    A dona galinha agiu corretamente abandonando o ninho para ir à festa?

2-    Qual o risco que corria ao deixar a ninhada desprotegida?

3-    Você tem responsabilidades?  Quais? Costuma cumprir com as suas?



4-    O que pode acontecer quando a gente deixa de cumprir um dever?


Escreva as tuas responsabilidades em casa e na escola e como você faz para cumprir com todas. Ex: Ter horários para estudar, dormir, tomar banho, escovar os dentes, ficar no computador. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Aprender a aprender. O aprendizado que não se esquece.

O vídeo Aprender a aprender remete a muitas situações do cotidiano. Pode ser inspirador nas relações de trabalho, nas relações pessoais, mas principalmente na relação mestre educando.
Estou compartilhando com vocês porque julgo ser algo extremamente inspirador para pais e professores que muitas vezes não sabem como lidar com a nova criança, onde antigos métodos pedagógicos devem ser atualizados com urgência.
A expressão Aprender a aprender já traz em si o significado da verdadeira aprendizagem, aquela que é feita de erros e acertos, mas sempre com um mestre inspirador e amoroso.
Nada deve ser entregue pronto para a criança, mostrar que fracasso é desistir, sucesso é persistir até a vitória.
O vídeo é curto, portanto deve ser mostrado para as crianças e depois comentar com perguntas e debater as respostas das crianças.
Ressaltar que o vídeo fala de comunicação também, porque embora sem palavras, o amor do mestre não deixa dúvida do que é preciso fazer.
Tudo o que fazemos com o coração e acreditando no sucesso será conquistado, talvez seja uma das mais importantes lições do vídeo.



Procurei no google e achei algumas atividades interessantes, para acessar, clique AQUI

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Alice no País das Maravilhas.Capítulo 7 - Um chá maluco.

Havia uma mesa arrumada embaixo de uma árvore, em frente à casa, e a Lebre de Março e o Chapeleiro estavam tomando chá; um Leirão estava sentado entre os dois, dormindo profundamente, e os outros dois o usavam como almofada, descansando sobre ele e conversando sobre sua cabeça. “Muito desconfortável para o Leirão”, pensou Alice, “mas já que ele está dormindo, acho que não se importa.”
A mesa era bem grande, mas os três amontoavam-se num canto. “Não tem lugar! Não tem lugar!”, eles gritaram ao ver Alice chegando. “Tem muito lugar!”, disse Alice com indignação, e sentou-se em uma grande poltrona numa das cabeceiras da mesa.
“Tome um pouco de vinho”, a Lebre de Março ofereceu em um tom encorajador.
Alice olhou ao redor por sobre a mesa e não havia nada senão chá.
“Eu não vejo nenhum vinho”, ela observou.
“Não tem nenhum mesmo”, retrucou a Lebre de Março.
“Então não é muito educado de sua parte oferecer”, respondeu Alice com raiva.
“E não é muito educado de sua parte sentar-se sem ser convidada”, disse a Lebre de Março.
“Eu não sabia que era sua mesa”, insistiu Alice, “ela está arrumada para muito mais que três convidados.”
“Seu cabelo está precisando ser cortado”, disse o Chapeleiro. Ele estivera olhando para Alice por algum tempo com grande curiosidade e esta fora sua primeira intervenção.
“Você deveria aprender a não fazer esse tipo de comentário pessoal”, Alice retrucou com severidade. “Isso é muito grosseiro.”
O Chapeleiro arregalou os olhos ao ouvir isso, mas, tudo que ele disse foi: “Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?”



“Legal, vamos ter diversão agora!”, pensou Alice. “Fico feliz que ele tenha começado a propor charadas — acho que posso adivinhar essa”, ela completou em voz alta.
“Você acha que pode encontrar a resposta dessa?” perguntou a Lebre de Março.
“Exatamente”, respondeu Alice.
“Então você pode dizer o que acha”, a Lebre de Março continuou.
“E vou”, Alice replicou rapidamente, “pelo menos — pelo menos, eu acho o que digo — o que é a mesma coisa, você sabe.”
“Não é a mesma coisa nem um pouco!”, disse o Chapeleiro. “Senão você também poderia dizer”, completou a Lebre de Março, “que ‘Eu gosto daquilo que tenho’ é a mesma coisa que ‘Eu tenho aquilo que gosto.”
“Seria o mesmo que dizer”, interrompeu o Leirão que parecia estar falando enquanto dormia, “que ‘Eu respiro enquanto durmo’ é a mesma coisa que ‘Eu durmo enquanto respiro!”
“Isso é a mesma coisa para você”, disse o Chapeleiro, e nesse ponto a conversa parou e a reunião ficou em silêncio por um minuto. Enquanto isso Alice tentava lembrar tudo que ela sabia sobre corvos e escrivaninhas, que não era muito.
O Chapeleiro foi o primeiro a quebrar o silêncio. “Que dia do mês é hoje?”, perguntou, virando-se para Alice: ele tinha tirado seu relógio do bolso e olhava para ele ansiosamente, chacoalhando-o de vez em quando e levantando-o no ar.
Alice pensou um pouco e então falou: “É dia quatro.”
“Dois dias errado”, suspirou o Chapeleiro. “Eu falei pra você que a manteiga não ia adiantar nada”, ele completou, olhando raivosamente para a Lebre de Março.
“Era a melhor manteiga”, a Lebre de Março replicou mansamente.
“Sim, mas algumas migalhas devem ter caído”, o Chapeleiro rosnou. “Você não deveria ter passado com uma faca de pão.”
A Lebre de Março apanhou o relógio e olhou para ele melancolicamente; então o afundou na sua xícara de chá, e olhou novamente para ele: mas parecia que não encontrava nada melhor para dizer que o que já dissera: “Era a melhor manteiga, você sabe.”
Alice estivera olhando por cima dos ombros com curiosidade. “Que relógio engraçado!”, ela observou. “Ele diz o dia do mês e não diz a hora!”
“Porque deveria?”, resmungou o Chapeleiro. “Por acaso o seu relógio diz o ano que é?”
“É claro que não”, Alice replicou rapidamente, “mas é porque o ano permanece por muito tempo o mesmo.”
“Este é exatamente o caso do meu”, disse o Chapeleiro.
Alice sentiu-se terrivelmente perturbada. O comentário do Chapeleiro parecia para a menina completamente sem sentido, e ainda assim era inglês. “Eu não estou entendendo nada”, ela disse o mais educadamente que pôde.
“O Leirão está dormindo novamente”, disse o Chapeleiro, e despejou um pouco de chá quente sobre seu nariz.
O Leirão balançou a cabeça impacientemente e disse, sem abrir os olhos: “É claro, é claro, é justamente o que eu ia dizer.”
“Você já adivinhou a charada?”, perguntou o Chapeleiro, virando-se novamente para Alice.
“Não, eu desisto”, Alice respondeu. “Qual é a solução?”
“Eu não tenho a mínima ideia”, disse o Chapeleiro.
“Nem eu”, disse a Lebre de Março.
Alice suspirou enfastiadamente. “Eu acho que você deveria fazer coisa melhor com seu tempo”, ela disse, “ao invés de gastá-lo com charadas que não têm resposta.”
“Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu conheço”, o Chapeleiro falou, “não falaria em gastá-lo como se fosse uma coisa. Ele é uma pessoa.”
“Eu não sei o que você está dizendo”, disse Alice.
“Claro que não!”, o Chapeleiro disse, sacudindo a cabeça desdenhosamente. “É muito provável que você nunca tenha falado com o Tempo!”
“Talvez não”, Alice replicou cautelosamente, “mas eu sei que tenho que marcar o tempo quando aprendo música.”
“Ah! Isso explica”, concluiu o Chapeleiro. “Ele não vai ficar marcando compasso para você. Agora, se você ficar numa boa com ele, poderá fazer o que quiser com o relógio. Por exemplo, suponha que são nove horas da manhã, bem a hora de começar a fazer as lições de casa, você apenas tem que insinuar no ouvido do Tempo e o ponteiro dá uma virada num piscar de olhos! Uma e meia, hora do almoço!”
(“Eu queria que fosse”, a Lebre de Março disse para si mesma num sussurro.)
“Isso seria ótimo, com certeza”, disse Alice pensativamente; “mas então... eu poderia ainda não estar com fome, você sabe.”
“A princípio não, talvez”, retomou o Chapeleiro, “mas você poderia ficar na uma e meia da tarde tanto tempo quanto você quisesse.”
“É assim que você faz?”, perguntou Alice.
O Chapeleiro balançou a cabeça com ar de lamento. “Eu não”, ele replicou. “Eu e o Tempo tivemos uma disputa março passado... um pouco antes de ela enlouquecer, você sabe...” (apontando a Lebre de Março com a colher de chá) “... foi no grande concerto dado pela Rainha de Copas e eu tinha que cantar.
Pisca, pisca, pequeno morcego!
Como eu queria saber onde você está!
“Você conhece a canção, por acaso?”
“Já ouvi alguma coisa parecida”, disse Alice.
“Ela continua, você sabe”, o Chapeleiro prosseguiu, “dessa maneira:
Muito acima do mundo você voa,
Parece uma bandeja de chá no céu,
Pisca, pisca...”
Nesse instante o Leirão estremeceu e começou a cantar dormindo “Pisca, pisca, pisca, pisca...” e continuou repetindo tantas vezes a palavras que tiveram que lhe dar um beliscão para que ele parasse.


“Bem eu mal tinha acabado de cantar o primeiro verso”, disse o Chapeleiro, “quando a Rainha berrou ‘Ele está matando o tempo! Cortem-lhe a cabeça!’”
“Que selvageria”, exclamou Alice.
“E desde então”, o Chapeleiro continuou num tom de lamento, “ele não faz nada do que eu peço! É sempre seis da tarde agora!”
Uma ideia brilhante veio à mente de Alice. “Esta é a razão de tantas coisas para o chá colocadas na mesa?” ela perguntou.
“É, é isso”, respondeu o Chapeleiro com um suspiro, “é sempre hora do chá, e nós não temos tempo de lavar as coisas entre um chá e outro.”
“Então vocês ficam rodando em volta da mesa, não é?”, disse Alice.
“Exatamente”, disse o Chapeleiro, “à medida que as coisas vão ficando sujas.”
“Mas o que acontece quando vocês chegam ao início outra vez?”, Alice aventurou-se a perguntar.
“Eu proponho que mudemos de assunto”, a Lebre de Março interrompeu, bocejando. “Estou ficando cansada disso. Eu voto para que a jovem senhorita conte-nos uma história.”
“Eu temo que não conheça nenhuma”, disse Alice, um pouco alarmada com a proposta.
“Então o Leirão contará!”, os outros dois gritaram. “Acorde, Leirão!” E beliscaram-no dos dois lados.
O Leirão abriu os olhos lentamente. “Eu não estava dormindo”, ele falou numa voz rouca, fraquinha, “eu ouvi cada palavra que meus amigos falavam.”
“Conte-nos uma história!”, disse a Lebre de Março.
“Sim, por favor!”, implorou Alice.
“E seja rápido”, completou o Chapeleiro, “ou você poderá dormir novamente antes de acabar.”
“Era uma vez três irmãzinhas”, ele começou apressadamente, “e seus nomes eram Elsie, Lacie e Tillie, e elas viviam no fundo de um poço...”
“E o que elas comiam?”, perguntou Alice, que sempre se interessava pelas questões sobre comida e bebida.
“Elas comiam melado”, respondeu o Leirão, depois de pensar por um minuto ou dois.
“Elas não poderiam viver só de melado, você sabe”, Alice observou gentilmente. “Elas ficariam doentes.”
“E ficaram”, disse o Leirão, “muito doentes.”
Alice tentou um pouquinho imaginar quão extraordinária seria este modo de vida, mas ficou muito confusa e assim, continuou: “Mas porque elas viviam no fundo de um poço?”
“Tome mais um pouco de chá”, ofereceu a Lebre de Março para Alice, com um ar sério.
“Mas eu ainda não tomei nada”, replicou Alice em um tom ofendido, “portanto eu não posso tomar mais.”
“Você quer dizer que não pode tomar menos”, disse o Chapeleiro, “é mais fácil tomar mais do que nada.”
“Ninguém perguntou sua opinião”, disse Alice.
“Quem está fazendo observações pessoais agora?”, o Chapeleiro perguntou triunfalmente.
Alice não tinha o que responder no momento, daí, aproveitou para tomar um pouco de chá com torradas. Virou-se então para o Leirão e repetiu sua pergunta: “Porque elas viviam no fundo de um poço?”
Mais uma vez o Leirão demorou um minuto ou dois para responder e então disse: “Era um poço de melado.”
“Isso não existe!”, Alice estava ficando muito brava, mas o Chapeleiro e a Lebre de Março começaram a fazer psiu e o Leirão com um ar amuado observou: “Se você não consegue se comportar civilizadamente, é melhor que acabe a história por conta própria.”
“Não, por favor, continue!”, disse Alice humildemente. “Eu não vou mais interromper. É muito provável que existe mesmo um poço assim.”
“Um certamente!”, retomou o Leirão indignadamente. Entretanto, ele continuou. “Bem, daí as três irmãzinhas... elas estavam aprendendo a extrair, sabe...”
“O que elas extraíam?”, perguntou Alice, já se esquecendo da promessa.
“Melado”, respondeu o Leirão, sem levar em conta a quebra da promessa, dessa vez.
“Eu quero uma xícara limpa”, interrompeu o Chapeleiro, “vamos mudar de lugar.”
Ele avançou um lugar enquanto falava, e o Leirão o seguiu, a Lebre de Março ficou no seu lugar e Alice com má vontade ficou com o lugar da Lebre de Março. O Chapeleiro foi o único que ficou com a xícara limpa e Alice ficou em um lugar bem pior do que estava antes, pois a Lebre de Março tinha acabado de derramar leite no prato.
Alice não queria ofender o Leirão novamente, por isso começou a falar com cautela:
“Mas eu não entendi. De onde elas extraíam o melado?”
“Você pode extrair água de um poço de água”, disse o Chapeleiro, “portanto eu acho que pode extrair melado de um poço de melado, não é, imbecil?”
“Mas elas estavam dentro do poço”, Alice disse para o Leirão, como se não tivesse ouvido o último comentário.
“É claro que estavam”, respondeu o Leirão, “bem no fundo”.
Esta resposta confundiu de tal forma a pobre Alice, que ela deixou o Leirão prosseguir por algum tempo sem interrompê-lo.
“Elas estavam aprendendo a extrair”, continuou o Leirão, bocejando e esfregando os olhos, pois estava ficando com muito sono, “e elas extraíam todo tipo de coisas... tudo o que começava com M...”
“Por que com M?”, disse Alice.
“Por que não?” respondeu a Lebre de Março.
Alice ficou em silêncio.
O Leirão aproveitou para fechar os olhos e já estava começando a cochilar, mas, ao ser beliscado pelo Chapeleiro, acordou novamente com um gritinho e continuou, “... que começava com M, como mouse-traps (ratoeira) e moon (lua) e memory (memória, lembranças) e muchness (advérbio de intensidade)... você sabe, quando você diz que as coisas são um monte de muitão... você já pensou nisso como uma extração de muitão?”
“Realmente, agora que você me pergunta”, disse Alice, bem confusa, “eu acho que não...”
“Então você não deveria falar nada”, disse o Chapeleiro.
Esse tipo de grosseria era mais do que Alice conseguia suportar: ela levantou-se muito brava e foi saindo. O Leirão caiu no sono imediatamente e nenhum dos outros dois deu a mínima para sua saída, embora ela tenha olhado para trás uma ou duas vezes, meio que querendo que eles a chamassem. A última vez que Alice os avistou eles estavam tentando enfiar o Leirão dentro do bule de chá.
“Eu não volto lá de jeito nenhum!”, disse Alice, enquanto abria caminho em direção à floresta. “Foi o mais estúpido chá do qual participei em toda minha vida!”
Ao dizer isso ela percebeu que uma das árvores tinha uma porta que dava para seu interior. “Que curioso!”, ela pensou. “Mas tudo está tão curioso hoje. Eu acho que posso muito bem entrar nessa árvore.” E entrou.


Uma vez mais ela encontrou-se naquela sala comprida e com a pequena mesa de vidro. “Desta vez já sei como fazer”, ela disse para si mesma, e começou por apanhar a pequena chave dourada, depois abriu a porta que dava para o jardim. Só então ela começou a mordiscar o cogumelo (que ela mantivera em seu bolso) até que estivesse com mais ou menos 30 centímetros de altura: daí ela atravessou a pequena passagem e então... Ela estava em um lindo jardim entre canteiros de flores resplandecentes e fontes de água fresca.

Alice no País das Maravilhas.
Lewis Carroll.

Ilustrações de John Tenniel.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Arca de Noé. Poesia de Vinicius de Moraes.

Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.
E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca
Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.
Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"
E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.
Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.
E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.
Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora a cabeça botam.
Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.
A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.
Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.
Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pelo
Pela terra prometida.
"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre — "Não!"
Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.
Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.
Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista
Na serra o arco-íris se esvai . . .
E . . .  desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória
Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos


Na terra repovoada.

Vinícius De Moraes.

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