domingo, 12 de junho de 2016

Gentalha.Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/frango-animais-natureza-selvagem-1313424/

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm. 

Franguinho disse à Franguinha:
- Agora é a época em que estão amadurecendo as nozes; vamos os dois à montanha e, pelo menos uma vez na vida, fartemo-nos, antes que o esquilo as carregue todas.
-Sim, - respondeu Franguinha, - vamos; vamos regalar-nos fartamente.
E lá se foram os dois para a montanha. Como era um dia magnífico, deixaram-se ficar até tarde. Ora, eu não sei se realmente estavam empanturrados, ou se apenas fingiam estar; só sei que não queriam voltar a pé para casa e Franguinho teve que construir um carrinho com cascas de nozes. Quando ficou pronto, Franguinha acomodou-se nele e disse:
-Agora, Franguinho pode puxar.
-Que ideia a tua! - respondeu Franguinho, - prefiro antes ir a pé para casa; não, não foi esse o nosso trato. Sentar-me na boleia e servir de cocheiro, posso fazer, mas atrelar-me e puxar, isso é que não!
Enquanto assim discutiam, chegou uma pata cacarejando:
-Corja de ladrões, quem vos deu licença para invadir a montanha das minhas nozes? Agora me pagareis.
Precipitou-se de bico aberto sobre Franguinho, mas este, que não era nenhum covarde, atirou-se valentemente contra a pata, trepou-lhe nas costas, bicou-a e esporeou-a tão violentamente, que ela não teve remédio senão pedir mercê. Como punição, consentiu que a atrelassem ao carrinho. Franguinho subiu à boleia como cocheiro e partiram em carreira desabalada.
-Corre pata; corre o mais ligeiro que puderes!
Após terem percorrido bom trecho de caminho, encontraram dois peões: um alfinete e uma agulha. Estes gritaram:
-Para! Para!
Então explicaram que já estava escurecendo e não podiam dar mais um passo sequer; o caminho estava tão lamacento! Não poderiam viajar no carrinho? Tinham estado na estalagem dos alfaiates, além dos muros da cidade, e lá se haviam retardado bebendo um copo de cerveja.
Como era gente magra, não ocupavam muito espaço. Franguinho deixou-os subir. Mas tiveram de prometer não pisar os pés dele o de sua querida Franguinha. Era tarde da noite quando chegaram á estalagem, e não querendo prosseguir a viagem de noite, mesmo porque a pata estava mal das pernas, cambaleando de um lado para outro, decidiram pernoitar aí.
O estalajadeiro, a princípio, tentou opor-se, inventando mil dificuldades e alegando que a casa estava lotada. Isso porque tinha a impressão de que não eram da alta sociedade. Mas, tão bem souberam argumentar, prometendo-lhe que ganharia o ovo que Franguinha havia posto pelo caminho e, também, que ficaria com a pata que botava um ovo por dia, que, finalmente, ele acabou por deixá-los pernoitar.
Mandaram, então, pôr a mesa e banquetearam-se alegremente. Pela manhã, logo de madrugada, quando ainda dormiam todos, Franguinho despertou Franguinha, apanhou o ovo, fez-lhe um buraquinho com o bico e juntos chuparam-no, atirando a casca na lareira.
Depois, foram onde estava a agulha dormindo a sono solto, pegaram-na pela cabeça e espetaram-na no encosto da poltrona do estalajadeiro, e o alfinete espetaram na toalha de rosto.
Feito isso, sem dizer a nem b, abriram as asas e foram-se voando pela planície afora. A pata, já habituada a dormir ao relento, tinha ficado no terreiro; ouvindo-os esvoaçar, acordou e foi saindo. Encontrou um regato e por ele foi nadando, descendo a corrente; era mais rápido do que puxar o carrinho.
Algumas horas mais tarde o estalajadeiro, levantando-se antes dos outros, lavou-se e foi enxugar-se na toalha; então o alfinete arranhou-lhe o rosto, deixando-lhe um sulco vermelho que ia de uma orelha a outra. Foi à cozinha, onde queria acender o cachimbo, mas, ao inclinar-se na lareira, as cascas do ovo saltaram-lhe nos olhos.
-Esta manhã tudo está contra a minha cabeça, - resmungou, e deixou-se cair muito irritado na sua poltrona; mas deu um pulo, gritando:
-Ai, Ai.
A agulha o havia espetado dolorosamente, - e não na cabeça.
A essa altura, o furor dele chegou ao extremo; começou a suspeitar dos hóspedes que haviam chegado tão fora de hora na noite anterior. Foi procurá-los, mas estes já haviam desaparecido.

Diante disso, o pobre estalajadeiro jurou nunca mais hospedar gentalha que, além de comer muito, não paga nada, e ainda por cima, agradece com malvadezas.

Perguntas e considerações sobre a história:

Qual o nome dos personagens principais da história?

Você sabe o significado de gentalha? Grande parte da população, que provoca brigas, baixarias,confusão. E pessoas que propagam violência.

Os personagens eram educados ou se comportaram como gentalha?

Procure na história as atitudes onde o Franguinho e a Franguinha agiram errado e explique o motivo.

Se eles aparecessem novamente na casa do estalajadeiro ele iria hospedá-los novamente? Por quê?

Vale a pena ser mal educado e agir mal com os outros? 


Pinte e escreva as ações boas que os personagens poderiam ter tido na historinha. 
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/frangos-fundo-transparente-vector-1043626/

sábado, 11 de junho de 2016

A Fábula do Porco-espinho.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/animal-porco-espinho-camada-1295076/

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram.

Moral da História:

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e a valorizar suas qualidades.

Para pintar:

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/animal-porco-espinho-camada-1295075/

Temas: a arte de se comunicar, amor ao próximo, empatia.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A Coelhinha das Orelhas Grandes.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php image=146748&picture=coelhinho-da-pascoa

Aquela coelhinha era tão branca como as outras. Mas havia nela alguma coisa que a tornava diferente das demais; o seu entusiasmo pelas próprias orelhas. Acreditava que eram as maiores e mais bonitas de toda a região.
- Ah, como me sinto bem com essas belíssimas orelhas! exclamou, um belo dia à porta de sua toca. São tão grandes e tão belas!
As outras coelhas e seus respectivos maridos admitiam que eram orelhas muito bonitas; mas nada mais. Por que ela era assim tão vaidosa?
- A vida não depende de nossas orelhas, mas sim de nossas patas. Quanto mais ágeis e robustas forem, melhor para nós, costumavam dizer-lhes suas companheiras.
Mas a coelhinha não se convencia. Cada vez mais vaidosa, passava os dias a experimentar novos penteados que estivessem de acordo com suas esplêndidas orelhas. Não vivia para outra coisa.
Um belo dia, porém, a Natureza pôs as coisas no seu devido lugar. O lobo encontrou sua despensa vazia e, como tinha fome, decidiu sair para caçar. Como os outros animais de sua espécie, sentia uma atração especial por coelhos. Assim que os coelhos daquela região viram a sombra do lobo desataram a correr. Mas a coelhinha, ignorando o perigo que se avizinhava e ensaiando penteado após penteado, quase não se deu conta da presença do lobo.
Felizmente, apercebeu-se no último instante e fugiu a toda velocidade em direção à água do rio mais próximo. Desesperada, atirou-se para dentro dele e, milagre dos milagres, suas orelhas grandes e largas serviram-lhe para manter-se flutuando. Com elas, a coelhinha remou até estar fora do alcance do lobo.
Que grande susto! Ela reconsiderou suas atitudes e prometeu que, dali em diante, prestaria menos atenção às suas orelhas e mais ao que se passasse à sua volta.

(autor desconhecido)

Para colorir:

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=35534&picture=esboco-coelho-branco



quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Leão Praxedes.


Tarcisio Lage

Na imensa planície africana existia um leão com dentes enormes e afiados.
Chamava-se Praxedes. Era só o Praxedes abrir sua boca, balançar a densa juba e fazer explodir seu urro, ouvido a 50 quilômetros de distância, para que toda a floresta tremesse de medo. Os macacos trepavam até os galhos mais altos, as hienas paravam de sorrir e corriam mais do que os veados, os outros leões abaixavam a cabeça e enfiavam o rabo entre as pernas.
Com o Praxedes era na base:
Obediência ou Morte!
- Sim, Dom Praxedes.
- Tá certo, é o senhor quem manda.
- Se Dom Praxedes não quer, eu não faço.
Era uma vergonha ver os outros leões que nem cachorro vira-lata, fazendo tudo que Praxedes queria, sem reclamar, sem uma pontinha de revolta.
Acontece que, num certo dia, o professor Percy, que vivia fazendo umas experiências malucas, deixou cair debaixo da árvore que dava sombra para Praxedes dormir um tubo cheio de Estreptococos Mutans. O Estreptococo Mutans é um bichinho horroroso. Multiplica-se mais do que coelho nos restos de comida entre os dentes.
Inhaca, que nojo!
Quando são milhões e milhões, bem alimentados com aquelas porcarias de quem não escova os dentes, o Estreptococo Mutans começa a roer devagar, devagar, sem parar, até não sobrar dente nenhum.
 Praxedes, que além de autoritário era curioso, cheirou o tubo e, não contente, deu uma lambidinha para sentir o gosto da pasta amarela apinhada de estreptococos. Os horrorosos bichinhos não perderam tempo.
Raque, raque, raque... foram logo roendo os enormes dentes de Praxedes. Caíram todos! A imensa boca de Praxedes, o terror da bicharada, murchou como um balão furado.
Quando os outros leões viram aquela boca desdentada, murcha, parecendo uma maçã ressecada, resolveram desforrar os anos que passaram fazendo tudo que Praxedes mandava sem um fiapo de reclamação. Foi-se o respeito imposto pelos dentes.
Consideração? Nem mais dos fracotes.
Jururu, andando a esmo pela planície, a juba caída, Praxedes não tinha como escapar da gritaria da bicharada:
- Praxedes, leão sem dente. Praxedes, leão sem dente.
Nem mais os macacos tinham medo do leão desdentado. Os chimpanzés, que são os palhaços da floresta, desciam das árvores e faziam uma volta em torno do pobre banguela. Um puxava seu rabo, outro dava um cocorote na testa do antes tão temido leão. Havia um chimpanzé muito sem vergonha que enfiava o dedo naquele lugar do Praxedes e gritava.
- O Praxedes não é mais aquele! O Praxedes não é mais aquele!
O pobre coitado ficou numa magreza de fazer dó. Não morreu porque comia o que sobrava da caça dos outros leões, chupando os ossos. Que tristeza!
Foi expulso do grupo dos leões mandões. O novo chefe, o que tinha agora os dentes mais afiados, falou:
- Praxedes, você é uma vergonha. Não queremos nenhum desdentado em nosso grupo. Vá embora daqui. Vá pro meio das hienas e dos abutres comer carniça.
Desprezado, desrespeitado, desmoralizado, Praxedes abandonou a planície que tanto amava e foi viver no fundo da floresta, bem no escuro, onde ninguém pudesse vê-lo.
Dona Coruja, em suas andanças pelas copas das árvores, viu um dia Praxedes todo triste e perguntou:
- Dom Praxedes, o que lhe aconteceu?
O ex-mandão da planície escancarou a boca muxibenta e disse quase chorando:
- Não sei dona Coruja, Olha aqui, caíram todos os meus dentes.
Dona Coruja, que vivia voando pelas redondezas, contou ao Praxedes que na ilha do Rio dos Crocodilos existia um hipopótamo dentista muito bom na feitura de dentaduras. O único problema é que era um preguiçoso de marca maior e só saía de sua ilha para se refrescar no fundo do rio.
Para ter a dentadura, Praxedes tinha de nadar até o consultório do Dr. Hipopótamo.
Nenhum problema? E os crocodilos?
Quando Praxedes chegou ao barranco pronto para saltar e nadar até a ilha, um bando de crocodilos já esperava por ele, lambendo os beiços:
- Ora viva, aí vem Dom Praxedes para o nosso almoço.
Praxedes chamou de volta sua antiga coragem e propôs:
- Olha aqui, seus crocos, faço uma aposta.
Se vocês deixarem que eu nade até a ilha, garanto que na volta vocês não conseguem me pegar.
- Ah é, seu leão desdentado. Pode nadar, nós o esperamos para o jantar, - disse o maior dos crocodilos, esquecido de que o Hipopótamo era dentista.
Praxedes nadou, nadou. Era um rio muito largo. E precisou ficar um tempão na sala de espera, coisa a que não era acostumado.
O Dr. Hipopótamo estava no fundo do rio, refrescando-se e comendo umas gramas que cresciam debaixo d'água. Só à tardinha voltou ao consultório.
- Ué, Dom Praxedes, por estas bandas?
Em que posso servi-lo?
Praxedes não precisou dizer uma palavra.
Só abriu a boca e o Dr. Hipopótamo compreendeu que ele queria uma dentadura.
- Fique com a boca bem aberta e não tenha medo - disse o dentista.
O Dr. Hipopótamo abriu a gaveta de dentes de leões e escolheu para Praxedes uma dentadura de aço inoxidável com as presas afiadas como navalha.
Praxedes ficou contentíssimo. Só faltou dar um beijo na testa do Dr. Hipopótamo. Disse que faria tudo que ele quisesse, era só pedir. E pulou no rio, nadando de volta para sua planície. Nem se lembrava mais dos crocodilos.
- Lá vem a nossa janta, atacar! - gritou o chefe do bando dos crocos.
Foi uma luta tremenda. O croco-chefe avançou para abocanhar o pescoço de Praxedes, mas foi ele quem levou uma dentada no papo. E outra dentada. E mais outra. O rio coalhado de sangue. Sangue de crocodilo. Não de leão.
Praxedes saiu na outra margem, sacudiu a juba e foi andando todo garboso, de cabeça erguida, planície afora. O chimpanzé sem vergonha viu de longe o ex-banguela, desceu de sua árvore de observação, chegou por trás como sempre fazia, levantou o rabo do Praxedes e já ia enfiar o dedo, quando viu aqueles dentes enormes e afiados. O chimpanzé sem vergonha deu um pulo e por pouco escapou dos dentes navalha. Subiu para o galho mais alto da primeira árvore que encontrou, tão rápido como se estivesse descendo. Ainda teve fôlego para gritar lá de cima:
- Cuidado gente, o Praxedes já tem dente!
Foi um corre-corre danado, a bicharada toda em polvorosa ao escutar novamente o urro ouvido a 50 quilômetros de distância.
Dona Zebra correu para o seu refúgio, a Hiena parou de sorrir à toa, os veados dispararam planície afora. Até seu Avestruz levantou a cabeça e deu no pé.
Os outros leões, quando viram as presas afiadas de Praxedes, navalhas reluzindo ao sol, abaixaram a cabeça para mostrar respeito à lei do dente. O leão-chefe substituto, com o rabo entre as pernas, falou:
- Dom Praxedes, que bom que o senhor voltou. Viva o nosso grande chefe.
A resposta de Praxedes foi outro urro, mais violento do que o primeiro, fazendo tremer as árvores da floresta vizinha. Por fim, sentindo que não era só com urro que se impunha respeito, falou:
- Chefe coisa nenhuma. Não, não vou ser chefe de ninguém. Não vai ter chefe nesta planície. Vamos caçar juntos, sem precisar que ninguém mande em ninguém. E tem mais: quem perder os dentes ou tiver qualquer aleijão não será expulso. Será é ajudado e apoiado.
- Está certo, Dom Praxedes. Assim será, - concordaram os outros leões.
Nem todos. Alguns leõezinhos, que assistiam à conversa, até gostaram da ideia de não ter mais chefe. Entretanto, pensavam lá com seus botões, Praxedes estava era sendo chefe de novo, urrando e gritando com os outros, dizendo o que eles tinham de fazer.
É muito difícil eliminar a lei do dente.


Perguntas:

Por que o leão Praxedes era temido?

O que aconteceu com os dentes de Praxedes?  Por quê?

Depois que perdeu os dentes Praxedes continuou a impor respeito?

O que você acha mais importante, impor respeito pelo medo ou respeitar a opinião dos outros por ser correta?

Praxedes aprendeu a lição depois de ter ficado sem dentes? Qual a atitude que ele tomou que justificou sua resposta?

É muito difícil eliminar a lei do dente. 

Podemos entender a lei do dente pela imposição de algumas pessoas sobre as outras através da força ou mesmo do grito.
Pedir exemplos de colegas ou amigos que querem que suas ideias sejam sempre cumpridas sem que os outros possam argumentar.
Perguntar se algum deles já agiu assim.

terça-feira, 7 de junho de 2016

As Velas. Lindo conto de HANS CHRISTIAN ANDERSEN.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=31492&picture=velas

Era uma grande vela de cera que sabia exatamente o que valia.
– Nasci em cera e vazada em molde! – disse ela. – Eu ilumino melhor e ardo por mais tempo do que todas as outras velas.
O meu lugar é num lustre ou num candelabro!
– Deve ser uma linda existência! – disse a vela de sebo. –
Eu sou só de sebo, só vela de imersão, mas consolo-me com o facto de que é sempre um pouco melhor do que um mero pavio que é mergulhado apenas duas vezes, enquanto eu sou mergulhada oito vezes para obter a minha espessura decente. Estou satisfeita!
É certamente mais fino e fica-se feliz por ter nascido de cera e não de sebo, mas, neste mundo, ninguém escolhe a sua própria condição. Você vem para a sala para o lustre. Eu fico na cozinha, que também é um bom lugar. Daí vem a comida para toda a casa!
– Mas existe algo que é mais importante do que a comida! – disse a vela de cera: – A sociedade! Brilham para ver, e eles próprios brilham. Hoje à noite, há baile, em breve virão buscar-nos. A mim e toda a minha família.
Mal isto foi dito, todas as velas de cera foram levadas, e também a vela de sebo foi com elas. A dona da casa tomou-a na sua mão fina e levou-a para a cozinha.
Ali estava um pobre rapaz com um cesto, que se encheu de batatas e também um par de maçãs. Tudo isto deu a boa dama ao rapazinho.
– Aí tens também uma vela, meu pequeno amigo! – disse ela.
– A tua mãe está sentada pela noite dentro a trabalhar, pode precisar dela!
A filha pequena da casa estava ali próximo, e quando ouviu as palavras «pela noite dentro», disse com íntima alegria:
– Ficarei levantada também pela noite dentro! Teremos um baile e eu irei receber os grandes laços vermelhos!
Como lhe brilhava o rosto! Era uma alegria! Nenhuma vela de cera pode brilhar como dois olhos de criança!
«É abençoado ver!», pensou a vela de sebo, «nunca o esquecerei, e isto certamente que nunca mais verei!»
E então a vela viu o cesto tapar-se com a tampa e o rapaz foi-se embora com ela.
«Para onde vou agora!», pensou a vela, «irei para gente pobre, não terei nem mesmo um castiçal de latão, mas a vela de cera é colocada em prata e vê a gente mais fina”. Como deve ser bonito luzir para a gente fina“! É o meu destino ser de sebo e não de cera!»
E a vela veio para a gente pobre. Uma viúva com três filhos numa casa baixinha, mesmo em frente da casa rica.
– Que Deus abençoe a boa senhora, por aquilo que nos ofereceu!
– disse a mãe. – É uma vela maravilhosa! Pode brilhar pela noite fora.
E acendeu-se a vela.
– Pff! – Ui! – disse esta. – Mas foi com um pau de enxofre a cheirar mal que ela me acendeu! Tal coisa não se faz com uma vela de cera, na casa rica.
E lá, na casa rica, também se acenderam os candeeiros que brilhavam para a rua. Lá fora, as carruagens chegavam, trazendo os visitantes,arrumados para o baile. A música tocava.
– Agora começam eles do outro lado! – apercebeu-se a vela de sebo. E pensou no rosto radiante da pequena menina rica, mais brilhante do que todas as velas de cera. – Esta visão não a verei nunca mais!
Veio então a menor das crianças na casa pobre. Era uma rapariguinha. Lançou os braços à volta do pescoço do irmão e da irmã. Tinha algo muito importante a contar. Tinha de ser em segredo.
– Vamos ter hoje à noite – imaginem! – Vamos ter hoje à noite, batatas quentes!
E o seu rosto brilhava de felicidade. A luz brilhava mesmo dentro dela, uma alegria, uma felicidade tão grande como na casa rica, onde a menina tinha dito: – Vamos ter baile esta noite e eu vou receber os grandes laços vermelhos.
«Ter batatas quentes é assim tanto?», pensou a vela. «Há uma tão grande alegria nos pequenos!» E espirrou, quer dizer, crepitou, porque mais não consegue uma vela de sebo fazer.
A mesa foi posta e as batatas foram comidas. Oh! Como souberam bem! Foi realmente uma refeição festiva, e, ainda por cima, cada um teve uma maçã. A criança menor recitou um pequeno verso:
Tu bom Deus, muito te tenho a agradecer, que uma vez mais me tenhas dado de comer!
Amem.
– Não foi bem dito, mãe? – exclamou a pequenina.
– Isso não deves perguntar ou dizer! – disse a mãe. – Deves pensar só no bom Deus, que te deu de comer!
Os pequenos foram para a cama, receberam um beijo e adormeceram imediatamente. A mãe ficou a coser até noite adiante para ganhar a subsistência para eles e para si. E em frente, na casa rica, brilhavam luzes e soava a música. As estrelas brilhavam sobre todas as casas, as dos ricos e as dos pobres, igualmente claras, igualmente abençoadas.
– Foi, no fundo, uma noite agradável! – segundo a opinião da vela de sebo. – Tiveram-na melhor as velas de cera nos castiçais de prata? Gostaria bem de saber, antes de arder completamente!
E pensou nas duas crianças igualmente felizes, uma iluminada pela vela de cera e a outra por uma vela de sebo!
Sim, é toda a história.


HANS CHRISTIAN ANDERSEN.

Fonte: http://arquivos.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/16/2013/12/Os-Contos-H-C-Andersen.pdf

Moral da história: 

não são as riquezas que trazem a felicidade, mas o que se faz com os dons que temos. A vela de sebo conseguia iluminar tanto quanto a vela de cera, e a alegria das crianças era a mesma independente de uma ser rica e a outra pobre.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A rosa e a borboleta. Linda fábula de Esopo.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php image=154634&picture=borboleta-prestes-a-voar

Uma vez uma borboleta se apaixonou por uma linda rosa. A rosa ficou comovida, pois o pó das asas da borboleta formava um maravilhoso desenho em ouro e prata. Assim, quando a borboleta se aproximou voando da rosa e disse que a amava, a rosa ficou coradinha e aceitou o namoro. Depois de um longo noivado e muitas promessas de fidelidade, a borboleta deixou sua amada rosa. Mas ó desgraça! A borboleta só voltou muito tempo depois.
- É isso que você chama fidelidade? – choramingou a rosa. – Faz séculos que você partiu, e além disso você passa o tempo de namoro com todos os tipos de flores. Vi quando você beijou dona Gerânio, vi quando você deu voltinhas na dona Margarida até que dona Abelha chegou e expulsou você... Pena que ela não lhe deu uma boa ferroada!
- Fidelidade!? – riu a borboleta. – Assim que me afastei, vi o senhor Vento beijando você. Depois você deu o maior escândalo com o senhor Zangão e ficou dando trela para todo besourinho que passava por aqui. E ainda vem me falar em fidelidade! 

Esopo.


Moral: 

Não espere fidelidade dos outros se não for fiel também.


Desenhar e colorir:

Desenhe rosas e borboletas nos espaços. 
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/papiros-borboletas-leon-1340044/

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A serpente branca. Lindo conto dos Irmãos Grimm.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=156674&picture=cobra

Há muitos e muitos anos, vivia um rei muito celebrado por sua sabedoria.
Nada era oculto para ele. Era como se o conhecimento das coisas mais secretas chegasse até ele pelo ar. Mas tinha um estranho costume. Quando a refeição do meio-dia acabava, a mesa era tirada e não havia mais ninguém presente, um criado de confiança lhe trazia um prato a mais. Esse prato era coberto. Nem mesmo o criado sabia o que havia ali dentro. Nem ele nem mais ninguém, porque o rei só tirava a tampa e comia depois que ficava sozinho.
Um dia, depois que isso já acontecia há algum tempo, o criado não aguentou mais de curiosidade na hora de levar o prato embora. Secretamente o carregou para seu quarto, trancou a porta com cuidado e, quando levantou a tampa, viu que dentro havia uma serpente branca.
Depois de ver a cobra, não aguentou ficar sem dar uma provadinha. Cortou um pedaço bem pequeno dela e o pôs na boca. Assim que o pedacinho da serpente tocou a língua dele, o criado começou a ouvir sussurros suaves e estranhos do lado de fora da janela. Quando se debruçou para ver o que era, descobriu que as vozes que murmuravam eram de pardais conversando, que contavam uns aos outros tudo o que tinham visto pelos bosques e campos. Provar a serpente tinha lhe dado o poder de entender a linguagem das aves e dos animais.
Ora, aconteceu que justamente naquele dia desapareceu o melhor anel da rainha. Como o criado de confiança tinha toda a liberdade para ir onde bem entendesse no palácio, suspeitaram que o tivesse roubado. O rei mandou chamá-lo e brigou com ele, dizendo que, a não ser que ele desse o nome do ladrão até o dia seguinte, seria considerado culpado e decapitado. Não adiantou jurar inocência. O rei mandou-o embora sem uma palavra de consolo.
Com medo e se sentindo desgraçado, ele foi até o quintal e ficou pensando, vendo se encontrava um jeito para sair daquela situação. Alguns patos estavam calmamente sentados na beira de um riacho, à vontade, se alisando com o bico e batendo papo. O criado parou e escutou. Cada um dizia aos outros o que tinha acontecido em todos os lugares por onde tinha nadado naquela manhã, e toda a comida gostosa que tinha comido. Mas um deles disse queixoso:
— Estou com um peso no estômago... Estava comendo tão depressa que engoli um anel que estava no chão bem embaixo da janela da rainha...
O criado rapidamente agarrou o pato pelo pescoço, levou-o direto para a cozinha e disse ao cozinheiro:
— Olha só que pato gordo... Se eu fosse você, assava ele.
— É mesmo... — disse o cozinheiro, pesando o pato com a mão. — Já que ele se esforçou para ganhar tanto peso, é tempo agora de ir para o forno.
Cortou o pescoço do pato e depois, quando estava limpando a ave para assar, encontrou o anel da rainha no estômago dela. Com isso, não foi difícil o criado convencer o rei de sua inocência. Querendo reparar a injustiça que tinha feito, o rei lhe perguntou se havia alguma coisa que ele desejasse, e lhe ofereceu o cargo que ele quisesse escolher na corte.
O criado recusou todas as honras e disse que só queria um cavalo e um pouco de dinheiro, porque desejava ver o mundo e viajar um bocado. O rei logo lhe deu o que queria, e ele partiu.
Um dia, passando por um lago, notou que três peixes estavam presos nuns caniços e estavam ficando sem água. Dizem que os peixes são mudos, mas ele ouviu muito bem como eles gemiam se lamentando, diante da morte horrível que os esperava. Como era um bom sujeito, desceu do cavalo e pôs os três cativos novamente na água. Eles puseram as cabecinhas de fora, se abanando de alegria, e disseram:
— Vamos lembrar disso e recompensar você por nos ter salvado.
Ele continuou seu caminho e, pouco depois, ouviu uma voz que vinha da areia a seus pés. Prestou atenção e ouviu a queixa do rei das formigas:
— Se os humanos conseguissem manter seus animais desajeitados bem longe de nós, seria ótimo! Esse cavalo estúpido com esses cascos imensos e pesados está esmagando meu povo sem piedade...
Ouvindo isso, o criado saiu por um caminho lateral, e o rei das formigas gritou:
— Vamos lembrar disso e recompensar você...
O caminho levava a uma floresta. Lá, ele viu um casal de corvos empurrando os filhotes para fora do ninho:
— Fora, seus marmanjões! — gritavam. — Não podemos mais encher as barrigas de vocês. Já estão bem grandinhos para buscarem sua própria comida.
Os pobres filhotes batiam as asas desajeitados e não conseguiam levantar-se do chão.
— Ainda somos filhotes indefesos... — gritavam. — Como é que podemos arranjar comida se ainda nem sabemos voar? Vocês vão nos fazer morrer de fome!
Ouvindo isso, o bom jovem apeou, matou o cavalo com a espada e deu sua carne para alimentar os filhotes de corvo. Eles vieram saltitando, comeram até se fartar, e disseram:
— Vamos lembrar disso e recompensar você.
Daí para frente, ele teve que usar as pernas. Depois de muito caminhar, chegou a uma grande cidade. As ruas estavam cheias de barulho e movimento. Um homem a cavalo anunciava que a filha do rei estava procurando marido, mas que quem quisesse pedir a mão dela precisava primeiro cumprir uma tarefa muito difícil e, se falhasse, perderia a vida. Muitos já tinham tentado, mas arriscaram a vida à toa.
Quando o jovem viu a filha do rei, ficou tão estonteado com a beleza dela que se esqueceu do perigo, foi até o rei e se apresentou como pretendente.
Foi levado diretamente à beira do mar. Lá, diante de seus olhos, jogaram n'água um anel de ouro. Depois, o rei lhe disse que ele precisaria ir buscar o anel lá no fundo. E acrescentou:
— Se você sair da água sem ele será jogado de volta, tantas vezes quantas necessário, até morrer nas ondas.
Os cortesãos todos ficaram com pena do jovem e lamentaram sua sorte, tão bonito. Depois, deixaram-no sozinho na praia.
Ele ficou um pouco ali parado, pensando no que ia fazer. De repente, viu três peixes nadando em sua direção — justamente os três cujas vidas ele tinha salvo. O do meio tinha uma concha na boca. Depositou-a na praia, junto aos pés do rapaz.
Quando ele pegou a concha e abriu, viu que dentro estava o anel de ouro.
Todo contente, levou o anel até o rei, esperando receber a recompensa prometida. Mas a princesa era muito prosa e, quando viu que ele era inferior a ela em nascimento, desprezou-o e disse que ele ia precisar cumprir uma segunda tarefa.
Desceu até o jardim e espalhou dez sacos cheios de farelo pelo meio da grama.
— Você vai ter que recolher tudo isso até amanhã, antes do sol nascer — disse ela —, sem faltar nem um grãozinho.
O rapaz sentou no jardim e começou a pensar em um jeito de cumprir a tarefa, mas não lhe ocorria nada. E lá ficou ele, tristíssimo, esperando que o levassem para a morte quando o dia nascesse. Mas quando os primeiros raios do sol chegaram ao jardim, ele viu que os dez sacos estavam de pé, cheios até a borda, sem faltar nem um grãozinho. O rei das formigas tinha vindo durante a noite, com milhares e milhares de formigas, e os bichinhos agradecidos tinham juntado todos os grãos de farelo dentro dos sacos outra vez.
A filha do rei veio em pessoa até o jardim e ficou espantadíssima de ver que a tarefa tinha sido cumprida. Mas seu coração prosa ainda se recusava a se render.
Por isso, ela disse:
— Ele cumpriu as duas tarefas. Mas não será meu marido enquanto não me trouxer um fruto da árvore da vida.
O rapaz nem sabia onde ficava essa árvore da vida. Partiu procurando, resolvido a andar até onde as pernas o levassem, mas sem qualquer esperança de encontrar.
Uma noite, depois de procurar por três reinos, ele chegou a uma floresta.
Sentou-se debaixo de uma árvore e estava quase adormecendo quando ouviu um barulho nos galhos e uma fruta de ouro caiu em suas mãos. Ao mesmo tempo, três corvos desceram voando da árvore, pousaram em seus joelhos e disseram:
— Nós somos os filhotes de corvo que você não deixou morrer de fome.
Quando crescemos e ouvimos dizer que você estava procurando a fruta de ouro, voamos por cima do mar até o fim do mundo, onde cresce a árvore da vida, e pegamos a fruta.
Muito contente, o rapaz voltou para casa. Deu a fruta de ouro para a princesa e, depois disso, ela não tinha mais desculpa. Dividiram a maçã da vida e a comeram juntos. Aí o coração dela se encheu de amor por ele, e os dois viveram até a velhice numa felicidade perfeita.

Contos de Grimm: Animais encantados. Grimm: Jakob & Wilhelm
Tradução e adaptação de Ana Maria Machado.

Moral da história: 

quem faz o bem recebe o bem de volta, por isso o criado do rei foi recompensado pelo bem que fez aos animaizinhos, porque era bom de coração.

Lei de ação e reação: 
exemplo, quando você joga uma bola contra a parede, ela vai voltar com a mesma força que você jogou. Se você usou pouca força, ela volta suave, se você jogou com força, ela volta com força. Se a bola era vermelha, volta vermelha, e assim por diante. Levar uma bolinha e demonstrar. Pedir que cada um faça a experiência. Explicar que isto é uma lei da física. 
Para saber mais, clique AQUI
Assim como na física acontece desta forma, na vida acontece igual. 

Exemplos: se você for grosseiro com os outros, receberá grosserias, se você for educado, será tratado com educação. 
Pedir exemplos da vida de cada um.



Dialogando sobre a história:

Devemos cuidar dos animais como parte da criação de Deus.

Você lembra de alguma situação em que você ajudou alguém e depois o amigo também te ajudou? Ou ao contrário, algum dia em que você fez algo errado e foi castigado? Você acha que ninguém merece ser castigado? Por quê?
E se você concorda com algum castigo que teve quando mereceu, explique o motivo.