quarta-feira, 15 de junho de 2016
O Galo e a Pérola. Lindo conto de Esopo.
Um galo, que ciscava no terreiro para encontrar alimento, fossem migalhas, ou bichinhos para comer, acabou encontrando uma pérola preciosa. Após observar sua beleza por um instante, disse: - Ó linda e preciosa pedra, que reluz seja com o sol, seja com a lua, ainda que esteja num lugar sujo, se te encontrasse um humano, fosse ele um construtor de joias, uma dama que gostasse de enfeites, ou mesmo um mercenário, te recolherias com muita alegria, mas a mim de nada prestas pois que é mais importante uma migalha, um verme, ou um grão que sirvam para o sustento.
Dito isto, a deixou e seguiu esgravatando para buscar conveniente mantimento.
Esopo.
Moral:
Cada um valoriza o que é mais importante para si de acordo com as suas necessidades.
Dialogar com as crianças sobre o que valorizam seja material ou espiritualmente. Comparar com o exemplo dos demais.
Observar que todos somos diferentes, e o que serve para um, pode não servir para outro, de forma que devemos ter a sensibilidade de entender os outros e procurar agir de forma a não ofender ou prejudicar qualquer pessoa, falando algo que aquele amigo não goste.
Todos somos diferentes e devemos respeitar as diferenças.
Atividade:
Você gostaria de encontrar uma pérola? Sim, não, por quê?
O que você deseja no momento? Faça um bonito desenho e explique os motivos do seu desejo. Explicar que pode ser algo material ou espiritual.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Minotauro - O mito do signo de Touro. - Mitologia Grega.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/signo-do-zod%C3%ADaco-touro-hor%C3%B3scopo-1329364/
Europa era uma linda jovem e enquanto se banhava na praia o
poderoso Zeus a viu e se apaixonou por ela. Sabendo que Europa gostava de
grandes animais, Zeus se transformou em um touro branco com chifres e cascos de
prata. Ao se aproximar, encantada Europa montou no touro que a levou para a
Ilha de Creta.
Do romance com Zeus nasceu o filho Minos e Zeus lhe deu a
ilha de presente que se tornou rica, fértil e repleta de touros. Ao crescer
Minos esposou Pasifae. Querendo ser ainda mais rico, Minos fêz um pacto com
Poseidon para que triplicasse sua fortuna prometendo-lhe seu melhor touro como
pagamento. No entanto, não querendo desfazer-se de nada, resolveu entregar-lhe
um touro comum.
Quando Poseidon percebeu que tinha sido enganado chamou
Vênus para ajudá-lo na vingança. À noite Vênus implantou no coração de Pasifae,
mulher de Minos, um amor alucinante por um touro. Incapaz de conter seu desejo
ela pediu a Dédalo que construisse uma armadura de madeira na forma de vaca
para aproximar-se do touro. Desta união nasceu o monstro Minotauro, um homem
com cabeça de touro.
Sentindo-se envergonhado pela traição, Minos mandou
construir um labirinto de onde não se encontrasse a saída e ali encarcerou a
criatura. Ao invadir Atenas, Minos subjugou seu povo fazendo-os escravos.
Semanalmente levava 7 rapazes e 7 moças virgens para aplacar a fome do
Minotauro. Inconformado com essa prática de Minos, Teseu, o filho do Rei de
Atenas, juntou-se a um grupo de jovens com o intuito de matar o Minotauro para
salvar as moças e rapazes que seriam sacrificados.
Em Creta Teseu encontrou Ariadne, a filha do rei Minos, que
se apaixonou por ele e lhe entregou um novelo de lã que o ajudaria a sair do
labirinto. Teseu matou o Minotauro; a parte humana do Minotauro foi deixada na
terra e a parte animal foi elevada aos céus onde se tornou a constelação de
Touro.
domingo, 12 de junho de 2016
Gentalha.Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/frango-animais-natureza-selvagem-1313424/
Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.
Franguinho disse à Franguinha:
- Agora é a época em que estão amadurecendo as nozes; vamos
os dois à montanha e, pelo menos uma vez na vida, fartemo-nos, antes que o
esquilo as carregue todas.
-Sim, - respondeu Franguinha, - vamos; vamos regalar-nos
fartamente.
E lá se foram os dois para a montanha. Como era um dia
magnífico, deixaram-se ficar até tarde. Ora, eu não sei se realmente estavam
empanturrados, ou se apenas fingiam estar; só sei que não queriam voltar a pé
para casa e Franguinho teve que construir um carrinho com cascas de nozes.
Quando ficou pronto, Franguinha acomodou-se nele e disse:
-Agora, Franguinho pode puxar.
-Que ideia a tua! - respondeu Franguinho, - prefiro antes ir
a pé para casa; não, não foi esse o nosso trato. Sentar-me na boleia e servir
de cocheiro, posso fazer, mas atrelar-me e puxar, isso é que não!
Enquanto assim discutiam, chegou uma pata cacarejando:
-Corja de ladrões, quem vos deu licença para invadir a
montanha das minhas nozes? Agora me pagareis.
Precipitou-se de bico aberto sobre Franguinho, mas este, que
não era nenhum covarde, atirou-se valentemente contra a pata, trepou-lhe nas
costas, bicou-a e esporeou-a tão violentamente, que ela não teve remédio senão
pedir mercê. Como punição, consentiu que a atrelassem ao carrinho. Franguinho
subiu à boleia como cocheiro e partiram em carreira desabalada.
-Corre pata; corre o mais ligeiro que puderes!
Após terem percorrido bom trecho de caminho, encontraram
dois peões: um alfinete e uma agulha. Estes gritaram:
-Para! Para!
Então explicaram que já estava escurecendo e não podiam dar
mais um passo sequer; o caminho estava tão lamacento! Não poderiam viajar no
carrinho? Tinham estado na estalagem dos alfaiates, além dos muros da cidade, e
lá se haviam retardado bebendo um copo de cerveja.
Como era gente magra, não ocupavam muito espaço. Franguinho
deixou-os subir. Mas tiveram de prometer não pisar os pés dele o de sua querida
Franguinha. Era tarde da noite quando chegaram á estalagem, e não querendo
prosseguir a viagem de noite, mesmo porque a pata estava mal das pernas,
cambaleando de um lado para outro, decidiram pernoitar aí.
O estalajadeiro, a princípio, tentou opor-se, inventando mil
dificuldades e alegando que a casa estava lotada. Isso porque tinha a impressão
de que não eram da alta sociedade. Mas, tão bem souberam argumentar,
prometendo-lhe que ganharia o ovo que Franguinha havia posto pelo caminho e,
também, que ficaria com a pata que botava um ovo por dia, que, finalmente, ele
acabou por deixá-los pernoitar.
Mandaram, então, pôr a mesa e banquetearam-se alegremente.
Pela manhã, logo de madrugada, quando ainda dormiam todos, Franguinho despertou
Franguinha, apanhou o ovo, fez-lhe um buraquinho com o bico e juntos
chuparam-no, atirando a casca na lareira.
Depois, foram onde estava a agulha dormindo a sono solto,
pegaram-na pela cabeça e espetaram-na no encosto da poltrona do estalajadeiro,
e o alfinete espetaram na toalha de rosto.
Feito isso, sem dizer a nem b, abriram as asas e foram-se
voando pela planície afora. A pata, já habituada a dormir ao relento, tinha
ficado no terreiro; ouvindo-os esvoaçar, acordou e foi saindo. Encontrou um
regato e por ele foi nadando, descendo a corrente; era mais rápido do que puxar
o carrinho.
Algumas horas mais tarde o estalajadeiro, levantando-se
antes dos outros, lavou-se e foi enxugar-se na toalha; então o alfinete
arranhou-lhe o rosto, deixando-lhe um sulco vermelho que ia de uma orelha a
outra. Foi à cozinha, onde queria acender o cachimbo, mas, ao inclinar-se na
lareira, as cascas do ovo saltaram-lhe nos olhos.
-Esta manhã tudo está contra a minha cabeça, - resmungou, e
deixou-se cair muito irritado na sua poltrona; mas deu um pulo, gritando:
-Ai, Ai.
A agulha o havia espetado dolorosamente, - e não na cabeça.
A essa altura, o furor dele chegou ao extremo; começou a
suspeitar dos hóspedes que haviam chegado tão fora de hora na noite anterior.
Foi procurá-los, mas estes já haviam desaparecido.
Diante disso, o pobre estalajadeiro jurou nunca mais
hospedar gentalha que, além de comer muito, não paga nada, e ainda por cima,
agradece com malvadezas.
Perguntas e considerações sobre a história:
Qual o nome dos personagens principais da história?
Você sabe o significado de gentalha? Grande parte da população, que provoca brigas, baixarias,confusão. E pessoas que propagam violência.
Os personagens eram educados ou se comportaram como gentalha?
Procure na história as atitudes onde o Franguinho e a Franguinha agiram errado e explique o motivo.
Se eles aparecessem novamente na casa do estalajadeiro ele iria hospedá-los novamente? Por quê?
Vale a pena ser mal educado e agir mal com os outros?
Pinte e escreva as ações boas que os personagens poderiam ter tido na historinha.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/frangos-fundo-transparente-vector-1043626/
sábado, 11 de junho de 2016
A Fábula do Porco-espinho.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/animal-porco-espinho-camada-1295076/
Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do
frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se
juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os
espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que
ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de
novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra
ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a
relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era
o calor do outro.
E assim sobreviveram.
Moral da História:
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas
perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro,
e a valorizar suas qualidades.
Para pintar:
Para pintar:
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/animal-porco-espinho-camada-1295075/
Temas: a arte de se comunicar, amor ao próximo, empatia.
sexta-feira, 10 de junho de 2016
A Coelhinha das Orelhas Grandes.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php image=146748&picture=coelhinho-da-pascoa
Aquela coelhinha era tão branca como as outras. Mas havia
nela alguma coisa que a tornava diferente das demais; o seu entusiasmo pelas
próprias orelhas. Acreditava que eram as maiores e mais bonitas de toda a
região.
- Ah, como me sinto bem com essas belíssimas orelhas!
exclamou, um belo dia à porta de sua toca. São tão grandes e tão belas!
As outras coelhas e seus respectivos maridos admitiam que
eram orelhas muito bonitas; mas nada mais. Por que ela era assim tão vaidosa?
- A vida não depende de nossas orelhas, mas sim de nossas
patas. Quanto mais ágeis e robustas forem, melhor para nós, costumavam
dizer-lhes suas companheiras.
Mas a coelhinha não se convencia. Cada vez mais vaidosa,
passava os dias a experimentar novos penteados que estivessem de acordo com
suas esplêndidas orelhas. Não vivia para outra coisa.
Um belo dia, porém, a Natureza pôs as coisas no seu devido
lugar. O lobo encontrou sua despensa vazia e, como tinha fome, decidiu sair
para caçar. Como os outros animais de sua espécie, sentia uma atração especial
por coelhos. Assim que os coelhos daquela região viram a sombra do lobo
desataram a correr. Mas a coelhinha, ignorando o perigo que se avizinhava e
ensaiando penteado após penteado, quase não se deu conta da presença do lobo.
Felizmente, apercebeu-se no último instante e fugiu a toda
velocidade em direção à água do rio mais próximo. Desesperada, atirou-se para
dentro dele e, milagre dos milagres, suas orelhas grandes e largas serviram-lhe
para manter-se flutuando. Com elas, a coelhinha remou até estar fora do alcance
do lobo.
Que grande susto! Ela reconsiderou suas atitudes e prometeu
que, dali em diante, prestaria menos atenção às suas orelhas e mais ao que se
passasse à sua volta.
(autor desconhecido)
Para colorir:
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=35534&picture=esboco-coelho-branco
quarta-feira, 8 de junho de 2016
O Leão Praxedes.
Tarcisio
Lage
Na imensa planície
africana existia um leão com dentes enormes e afiados.
Chamava-se Praxedes.
Era só o Praxedes abrir sua boca, balançar a densa juba e fazer explodir seu
urro, ouvido a 50 quilômetros de distância, para que toda a floresta tremesse
de medo. Os macacos trepavam até os galhos mais altos, as hienas paravam de
sorrir e corriam mais do que os veados, os outros leões abaixavam a cabeça e
enfiavam o rabo entre as pernas.
Com o
Praxedes era na base:
Obediência
ou Morte!
- Sim, Dom
Praxedes.
- Tá certo,
é o senhor quem manda.
- Se Dom
Praxedes não quer, eu não faço.
Era uma
vergonha ver os outros leões que nem cachorro vira-lata, fazendo tudo que Praxedes
queria, sem reclamar, sem uma pontinha de revolta.
Acontece
que, num certo dia, o professor Percy, que vivia fazendo umas experiências malucas,
deixou cair debaixo da árvore que dava sombra para Praxedes dormir um tubo cheio
de Estreptococos Mutans. O Estreptococo Mutans é um bichinho horroroso.
Multiplica-se mais do que coelho nos restos de comida entre os dentes.
Inhaca, que
nojo!
Quando são
milhões e milhões, bem alimentados com aquelas porcarias de quem não escova os
dentes, o Estreptococo Mutans começa a roer devagar, devagar, sem parar, até
não sobrar dente nenhum.
Praxedes, que além de autoritário era curioso,
cheirou o tubo e, não contente, deu uma lambidinha para sentir o gosto da pasta
amarela apinhada de estreptococos. Os horrorosos bichinhos não perderam tempo.
Raque,
raque, raque... foram logo roendo os enormes dentes de Praxedes. Caíram todos!
A imensa boca de Praxedes, o terror da bicharada, murchou como um balão furado.
Quando os
outros leões viram aquela boca desdentada, murcha, parecendo uma maçã ressecada,
resolveram desforrar os anos que passaram fazendo tudo que Praxedes mandava sem
um fiapo de reclamação. Foi-se o respeito imposto pelos dentes.
Consideração?
Nem mais dos fracotes.
Jururu,
andando a esmo pela planície, a juba caída, Praxedes não tinha como escapar da
gritaria da bicharada:
- Praxedes,
leão sem dente. Praxedes, leão sem dente.
Nem mais os
macacos tinham medo do leão desdentado. Os chimpanzés, que são os palhaços da
floresta, desciam das árvores e faziam uma volta em torno do pobre banguela. Um
puxava seu rabo, outro dava um cocorote na testa do antes tão temido leão.
Havia um chimpanzé muito sem vergonha que enfiava o dedo naquele lugar do
Praxedes e gritava.
- O Praxedes
não é mais aquele! O Praxedes não é mais aquele!
O pobre
coitado ficou numa magreza de fazer dó. Não morreu porque comia o que sobrava
da caça dos outros leões, chupando os ossos. Que tristeza!
Foi expulso
do grupo dos leões mandões. O novo chefe, o que tinha agora os dentes mais
afiados, falou:
- Praxedes,
você é uma vergonha. Não queremos nenhum desdentado em nosso grupo. Vá embora
daqui. Vá pro meio das hienas e dos abutres comer carniça.
Desprezado,
desrespeitado, desmoralizado, Praxedes abandonou a planície que tanto amava e
foi viver no fundo da floresta, bem no escuro, onde ninguém pudesse vê-lo.
Dona Coruja,
em suas andanças pelas copas das árvores, viu um dia Praxedes todo triste e
perguntou:
- Dom
Praxedes, o que lhe aconteceu?
O ex-mandão
da planície escancarou a boca muxibenta e disse quase chorando:
- Não sei
dona Coruja, Olha aqui, caíram todos os meus dentes.
Dona Coruja,
que vivia voando pelas redondezas, contou ao Praxedes que na ilha do Rio dos
Crocodilos existia um hipopótamo dentista muito bom na feitura de dentaduras. O
único problema é que era um preguiçoso de marca maior e só saía de sua ilha
para se refrescar no fundo do rio.
Para ter a
dentadura, Praxedes tinha de nadar até o consultório do Dr. Hipopótamo.
Nenhum
problema? E os crocodilos?
Quando
Praxedes chegou ao barranco pronto para saltar e nadar até a ilha, um bando de
crocodilos já esperava por ele, lambendo os beiços:
- Ora viva,
aí vem Dom Praxedes para o nosso almoço.
Praxedes
chamou de volta sua antiga coragem e propôs:
- Olha aqui,
seus crocos, faço uma aposta.
Se vocês
deixarem que eu nade até a ilha, garanto que na volta vocês não conseguem me
pegar.
- Ah é, seu
leão desdentado. Pode nadar, nós o esperamos para o jantar, - disse o maior dos
crocodilos, esquecido de que o Hipopótamo era dentista.
Praxedes
nadou, nadou. Era um rio muito largo. E precisou ficar um tempão na sala de espera,
coisa a que não era acostumado.
O Dr.
Hipopótamo estava no fundo do rio, refrescando-se e comendo umas gramas que
cresciam debaixo d'água. Só à tardinha voltou ao consultório.
- Ué, Dom
Praxedes, por estas bandas?
Em que posso
servi-lo?
Praxedes não
precisou dizer uma palavra.
Só abriu a
boca e o Dr. Hipopótamo compreendeu que ele queria uma dentadura.
- Fique com
a boca bem aberta e não tenha medo - disse o dentista.
O Dr. Hipopótamo
abriu a gaveta de dentes de leões e escolheu para Praxedes uma dentadura de aço
inoxidável com as presas afiadas como navalha.
Praxedes
ficou contentíssimo. Só faltou dar um beijo na testa do Dr. Hipopótamo. Disse que
faria tudo que ele quisesse, era só pedir. E pulou no rio, nadando de volta
para sua planície. Nem se lembrava mais dos crocodilos.
- Lá vem a
nossa janta, atacar! - gritou o chefe do bando dos crocos.
Foi uma luta
tremenda. O croco-chefe avançou para abocanhar o pescoço de Praxedes, mas foi
ele quem levou uma dentada no papo. E outra dentada. E mais outra. O rio
coalhado de sangue. Sangue de crocodilo. Não de leão.
Praxedes
saiu na outra margem, sacudiu a juba e foi andando todo garboso, de cabeça erguida,
planície afora. O chimpanzé sem vergonha viu de longe o ex-banguela, desceu de
sua árvore de observação, chegou por trás como sempre fazia, levantou o rabo do
Praxedes e já ia enfiar o dedo, quando viu aqueles dentes enormes e afiados. O
chimpanzé sem vergonha deu um pulo e por pouco escapou dos dentes navalha.
Subiu para o galho mais alto da primeira árvore que encontrou, tão rápido como
se estivesse descendo. Ainda teve fôlego para gritar lá de cima:
- Cuidado
gente, o Praxedes já tem dente!
Foi um
corre-corre danado, a bicharada toda em polvorosa ao escutar novamente o urro
ouvido a 50 quilômetros de distância.
Dona Zebra
correu para o seu refúgio, a Hiena parou de sorrir à toa, os veados dispararam
planície afora. Até seu Avestruz levantou a cabeça e deu no pé.
Os outros
leões, quando viram as presas afiadas de Praxedes, navalhas reluzindo ao sol,
abaixaram a cabeça para mostrar respeito à lei do dente. O leão-chefe substituto,
com o rabo entre as pernas, falou:
- Dom
Praxedes, que bom que o senhor voltou. Viva o nosso grande chefe.
A resposta
de Praxedes foi outro urro, mais violento do que o primeiro, fazendo tremer as
árvores da floresta vizinha. Por fim, sentindo que não era só com urro que se impunha
respeito, falou:
- Chefe
coisa nenhuma. Não, não vou ser chefe de ninguém. Não vai ter chefe nesta planície.
Vamos caçar juntos, sem precisar que ninguém mande em ninguém. E tem mais: quem
perder os dentes ou tiver qualquer aleijão não será expulso. Será é ajudado e
apoiado.
- Está
certo, Dom Praxedes. Assim será, - concordaram os outros leões.
Nem todos.
Alguns leõezinhos, que assistiam à conversa, até gostaram da ideia de não ter
mais chefe. Entretanto, pensavam lá com seus botões, Praxedes estava era sendo
chefe de novo, urrando e gritando com os outros, dizendo o que eles tinham de
fazer.
É muito
difícil eliminar a lei do dente.
Perguntas:
Por que o
leão Praxedes era temido?
O que
aconteceu com os dentes de Praxedes? Por
quê?
Depois que
perdeu os dentes Praxedes continuou a impor respeito?
O que você
acha mais importante, impor respeito pelo medo ou respeitar a opinião dos
outros por ser correta?
Praxedes
aprendeu a lição depois de ter ficado sem dentes? Qual a atitude que ele tomou
que justificou sua resposta?
É muito
difícil eliminar a lei do dente.
Podemos entender a lei do dente pela imposição
de algumas pessoas sobre as outras através da força ou mesmo do grito.
Pedir
exemplos de colegas ou amigos que querem que suas ideias sejam sempre cumpridas
sem que os outros possam argumentar.
Perguntar se
algum deles já agiu assim.
terça-feira, 7 de junho de 2016
As Velas. Lindo conto de HANS CHRISTIAN ANDERSEN.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=31492&picture=velas
Era uma grande vela de cera que sabia exatamente o que valia.
– Nasci em cera e vazada em molde! – disse ela. – Eu ilumino
melhor e ardo por mais tempo do que todas as outras velas.
O meu lugar é num lustre ou num candelabro!
– Deve ser uma linda existência! – disse a vela de sebo. –
Eu sou só de sebo, só vela de imersão, mas consolo-me com o facto
de que é sempre um pouco melhor do que um mero pavio que é mergulhado apenas
duas vezes, enquanto eu sou mergulhada oito vezes para obter a minha espessura
decente. Estou satisfeita!
É certamente mais fino e fica-se feliz por ter nascido de cera
e não de sebo, mas, neste mundo, ninguém escolhe a sua própria condição. Você
vem para a sala para o lustre. Eu fico na cozinha, que também é um bom lugar.
Daí vem a comida para toda a casa!
– Mas existe algo que é mais importante do que a comida! – disse
a vela de cera: – A sociedade! Brilham para ver, e eles próprios brilham. Hoje
à noite, há baile, em breve virão buscar-nos. A mim e toda a minha família.
Mal isto foi dito, todas as velas de cera foram levadas, e
também a vela de sebo foi com elas. A dona da casa tomou-a na sua mão fina e
levou-a para a cozinha.
Ali estava um pobre rapaz com um cesto, que se encheu de batatas
e também um par de maçãs. Tudo isto deu a boa dama ao rapazinho.
– Aí tens também uma vela, meu pequeno amigo! – disse ela.
– A tua mãe está sentada pela noite dentro a trabalhar, pode
precisar dela!
A filha pequena da casa estava ali próximo, e quando ouviu as
palavras «pela noite dentro», disse com íntima alegria:
– Ficarei levantada também pela noite dentro! Teremos um baile
e eu irei receber os grandes laços vermelhos!
Como lhe brilhava o rosto! Era uma alegria! Nenhuma vela de
cera pode brilhar como dois olhos de criança!
«É abençoado ver!», pensou a vela de sebo, «nunca o
esquecerei, e isto certamente que nunca mais verei!»
E então a vela viu o cesto tapar-se com a tampa e o rapaz
foi-se embora com ela.
«Para onde vou agora!», pensou a vela, «irei para gente
pobre, não terei nem mesmo um castiçal de latão, mas a vela de cera é colocada
em prata e vê a gente mais fina”. Como deve ser bonito luzir para a gente fina“!
É o meu destino ser de sebo e não de cera!»
E a vela veio para a gente pobre. Uma viúva com três filhos numa
casa baixinha, mesmo em frente da casa rica.
– Que Deus abençoe a boa senhora, por aquilo que nos
ofereceu!
– disse a mãe. – É uma vela maravilhosa! Pode brilhar pela noite
fora.
E acendeu-se a vela.
– Pff! – Ui! – disse esta. – Mas foi com um pau de enxofre a
cheirar mal que ela me acendeu! Tal coisa não se faz com uma vela de cera, na
casa rica.
E lá, na casa rica, também se acenderam os candeeiros que brilhavam
para a rua. Lá fora, as carruagens chegavam, trazendo os visitantes,arrumados para o baile. A música tocava.
– Agora começam eles do outro lado! – apercebeu-se a vela de
sebo. E pensou no rosto radiante da pequena menina rica, mais brilhante do que
todas as velas de cera. – Esta visão não a verei nunca mais!
Veio então a menor das crianças na casa pobre. Era uma
rapariguinha. Lançou os braços à volta do pescoço do irmão e da irmã. Tinha
algo muito importante a contar. Tinha de ser em segredo.
– Vamos ter hoje à noite – imaginem! – Vamos ter hoje à noite,
batatas quentes!
E o seu rosto brilhava de felicidade. A luz brilhava mesmo dentro
dela, uma alegria, uma felicidade tão grande como na casa rica, onde a menina
tinha dito: – Vamos ter baile esta noite e eu vou receber os grandes laços
vermelhos.
«Ter batatas quentes é assim tanto?», pensou a vela. «Há uma
tão grande alegria nos pequenos!» E espirrou, quer dizer, crepitou, porque mais
não consegue uma vela de sebo fazer.
A mesa foi posta e as batatas foram comidas. Oh! Como
souberam bem! Foi realmente uma refeição festiva, e, ainda por cima, cada um
teve uma maçã. A criança menor recitou um pequeno verso:
Tu bom Deus, muito te tenho a agradecer, que uma vez mais me
tenhas dado de comer!
Amem.
– Não foi bem dito, mãe? – exclamou a pequenina.
– Isso não deves perguntar ou dizer! – disse a mãe. – Deves pensar
só no bom Deus, que te deu de comer!
Os pequenos foram para a cama, receberam um beijo e adormeceram
imediatamente. A mãe ficou a coser até noite adiante para ganhar a subsistência
para eles e para si. E em frente, na casa rica, brilhavam luzes e soava a música. As
estrelas brilhavam sobre todas as casas, as dos ricos e as dos pobres,
igualmente claras, igualmente abençoadas.
– Foi, no fundo, uma noite agradável! – segundo a opinião da
vela de sebo. – Tiveram-na melhor as velas de cera nos castiçais de prata?
Gostaria bem de saber, antes de arder completamente!
E pensou nas duas crianças igualmente felizes, uma iluminada
pela vela de cera e a outra por uma vela de sebo!
Sim, é toda a história.
HANS CHRISTIAN ANDERSEN.
Fonte: http://arquivos.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/16/2013/12/Os-Contos-H-C-Andersen.pdf
Moral da história:
não são as riquezas que trazem a felicidade, mas o que se faz com os dons que temos. A vela de sebo conseguia iluminar tanto quanto a vela de cera, e a alegria das crianças era a mesma independente de uma ser rica e a outra pobre.
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