sábado, 27 de agosto de 2016
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Passarinho no Sapé.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=78798&picture=passarinho
P tem papo
o P tem pé.
É o P que
pia?
(Piu!)
Quem é?
O P não pia:
O P não é.
O P só tem
papo
e pé.
Será o sapo?
O sapo não
é.
(Piu!)
É o
passarinho
que fez seu
ninho
no sapé.
Pio com
papo.
Pio com pé.
Piu-piu-piu:
Passarinho.
Passarinho
no sapé.
Cecília
Meireles.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
As mil e uma noites. ALI BABÁ E OS QUARENTA LADRÕES.
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/cavalo-sombra-terra-homem-no-cavalo-935073/
Numa
distante cidade do Oriente, vivia um homem bom e justo, chamado Ali Babá.
Ali Babá era
muito pobre. Morava numa tenda, entre um vasto deserto e um grande oásis.
Para
sustentar a mulher, Samira, e os quatro filhos, Ali Babá oferecia seus serviços
às caravanas de mercadores
que passavam
por ali. Estava sempre pronto para cuidar dos camelos, lavá-los, escová-los e
dar-lhes água e alimento.
Os ricos
comerciantes já conheciam Ali Babá e gostavam muito de seu serviço. Ele sempre
cobrava o preço justo pelo trabalho, porém, muitas vezes, os mercadores davam-lhe
mais, pois sabiam que ele vivia em dificuldades.
— Aqui estão
dez moedas de prata para você, Ali Babá.
E obrigado
por ter cuidado tão bem dos meus camelos.
— Mas,
senhor, são só cinco moedas que costumo cobrar — respondia honestamente Ali
Baba.
— Sim, eu
sei, meu bom homem. Mas quero gratificá-lo.
— Obrigado,
patrão, agradeço em nome dos meus filhos.
Samira, em
casa, também trabalhava muito. Além de cuidar dos filhos e das tarefas do lar,
remendava a tenda, que já era velha, e cuidava de uma horta, plantando tudo que
podia, preocupada em economizar.
— Veja,
Samira! Veja, minha mulher! Hoje os homens da caravana foram generosos.
Deram-me dez moedas!
— Graças a
Alá! Agora poderemos comprar uma túnica nova para Ben e outra para Ornar. Eles
têm passado frio.
— Sim,
Samira, amanhã mesmo vou fazer isso. A caravana vai embora ainda hoje, e até o
mês que vem não terei mais trabalho...
Era difícil
a vida de Ali Babá! As caravanas não eram constantes e havia épocas em que,
devido às tempestades de areia no deserto, os mercadores levavam dois ou três
meses para passar por ali.
Para que sua
mulher e seus filhos não passassem necessidades, Ali Babá procurava fazer
outros trabalhos. Com eles garantia pelo menos a compra de leite, pão, azeite e
alguma carne.
Assim,
quando não havia caravanas, Ali Babá entrava
numa
floresta que fazia parte do oásis, entre o deserto e a cidade. Lá ele colhia
tâmaras e damascos, colocava-os em cestos e depois ia vendê-los no grande bazar
da cidade.
"Que
bom! Hoje consegui apanhar meio cesto de frutas. Mas já é tarde. Não consigo
mais enxergar. Amanhã mando meu filho Anuar ir vendê-las na cidade e volto aqui
para pegar mais. Vou ver se encho dois cestos", pensou Ali Babá.
No dia
seguinte, bem cedinho, lá se foi Ali Babá com seus cestos vazios, disposto a
enchê-los de tâmaras e damascos.
Estava no
alto de uma tamareira quando ouviu um rumoroso tropel de cavalos "Muito
estranho, esse barulho de patas de cavalos", refletiu. "Sempre vejo
passarem camelos por aqui". O ruído, cada vez mais forte, indicava que os cavaleiros
estavam se aproximando.
Ali Babá
continuava curioso. "Quem será que vem chegando? Parecem muitos... E para
onde será que vão?
Entrar no
deserto a cavalo é impossível! Esses animais não aguentariam o calor!".
Não demorou
muito, Ali Babá avistou os cavaleiros.
Eram, de
fato, muitos. Do alto da tamareira, o bom homem contou exatamente quarenta.
"Puxa!
Eles parecem estar com pressa... E estão bem
carregados.
Todos os cavalos levam arcas, cofres e sacos...
Devem ser
mercadores da cidade. Bem, vou tratar do meu trabalho, pois o dia passa
depressa."
Mais ou
menos uma hora depois, os homens voltaram com seus cavalos ruidosos.
Ali Babá,
que arrumava seus cestos, tratou de se esconder, com medo de que o vissem.
Afinal, não conhecia aqueles homens, nem sabia exatamente o que faziam.
"Lá vão
eles. Não são mesmo homens do deserto. Estão
voltando
para o lado da cidade. O mais curioso é que já
descarregaram
os cavalos. Onde terá ficado toda aquela
bagagem?"
Os
cavaleiros logo sumiram por entre a mata, pois os cavalos, agora aliviados da
carga, corriam muito mais.
O dia
passou. Ali Babá, contente com seus cestos de frutas, foi para casa descansar.
— Pai,
consegui vender todas as tâmaras no bazar. Pena que Ben, Ornar e Hassan não
foram comigo. Teríamos nos
espalhado
por lá, cada um com um cesto, e vendido as frutas mais depressa.
— Então,
amanhã vão os quatro. Hoje eu trouxe muito
mais do que
ontem. Vejam se conseguem vender tudo.
Enquanto
forem ao bazar, irei outra vez para a floresta e
pegarei mais
frutas.
— Está bem,
papai.
Na manhã
seguinte, lá se foi novamente Ali Babá. Que calor fazia! Ele nem se lembrava
mais dos homens a cavalo que vira na véspera. Tanto se esquecera, que nem
comentara o fato com Samira.
AU Babá
começou logo a apanhar suas frutas. Por volta do meio-dia, já cansado, se sentou
à sombra de uma palmeira, para comer o lanche.
De repente,
ouviu ao longe o mesmo barulho da véspera. Apurou o ouvido e teve certeza: eram
cavalos que se aproximavam. Seriam os mesmos homens do dia anterior?
Se fossem,
estavam passando um pouco mais tarde.
Quando Ah Baba
percebeu que o tropel estava próximo, subiu rapidamente na palmeira e constatou:
eram os mesmos quarenta homens. Para onde iriam?
"Hoje
vou atrás deles. Quero ver para onde vão. Não
devem ir
muito longe daqui... Estão carregados outra vez."
Ali Babá
teve sorte. Enquanto descia da palmeira para tomar a estrada e seguir o rastro
dos cavalos, o chefe dos
cavaleiros
resolveu parar, para os animais beberem água.
Quando Ali
Babá chegou, os homens estavam começando a se levantar para continuar o
caminho.
"Agora
posso vê-los de perto?, pensou Ali Babá. “Que gente esquisita”... São tão mal-encarados...
E todos armados com facas e cimitarras..."
— Vamos, vamos!
Chega de folga! Temos de descarregar tudo isso que roubamos hoje e voltar logo
para a cidade. Amanhã é outro dia! — disse o chefe.
"Por
Alá! Eles são ladrões!" concluiu Ali Babá. "Que perigo! Se me
descobrirem, certamente me matarão. Estão armados até os dentes! Mas, agora que
já estou aqui, vou continuar atrás deles. Quero ver para onde vão."
Refeitos, os
cavalos puseram-se a galopar, Ali Babá
teve de
correr muito, para não perdê-los de vista. Conseguiu chegar ao lugar em que haviam
parado e viu que somente o chefe descera do cavalo.
Era uma clareira
na floresta, no fundo da qual havia uma pedreira, não muito alta.
Os trinta e
nove ladrões continuavam montados, dispostos em semicírculo, voltados de frente
para a pedreira.
O chefe, em
pé, segurando as rédeas do cavalo, ficou bem no meio. Com ar solene, deu uma
ordem:
— Abre-te,
Sésamo!
Ali Babá não
conseguia entender o que estava acontecendo. Por que os ladrões estavam ali,
num lugar deserto, onde não havia nada e ninguém? Por que ficavam dispostos
daquela maneira? E que significado tinha aquela frase que o chefe falara?
Ele esperou
apenas alguns segundos, para obter as respostas a todas essas perguntas. Logo
depois da ordem dada pelo chefe, uma grande rocha da pedreira se moveu, abrindo
a entrada de uma gruta. Os quarenta ladrões entraram em fila e, atrás do
último, a pedreira se fechou.
"Não
acredito no que estou vendo... Agora compreendo tudo! Eles devem guardar os
objetos roubados dentro dessa gruta que se abre e se fecha. Por isso, ontem, os
cavalos
voltaram descarregados. Vou ficar escondido atrás desta árvore. Eles terão de
sair daí de dentro, pois acho que voltarão à cidade", decidiu Ali Babá.
E esperou,
esperou, esperou, até que ouviu o barulho
da pedra se
movendo.
"Ai vem
eles!", agitou-se Ali Babá. "Já devem estar de saída. Vou prestar
atenção para ver como fazem para fechar a entrada da gruta."
Os ladrões
saíram em fila. Dessa vez, o último foi o chefe.
— Bem, já
estão todos prontos? Então, vamos!
E,
voltando-se para a grande pedra, falou:
— Fecha-te
Sésamo!
A pedra
rolou direitinho, fechando a entrada do esconderijo. Os ladrões pegaram a mesma
picada e,
rapidamente,
com seus cavalos a galope, desapareceram entre as árvores da floresta.
Ali Babá
esperou assentar a poeira levantada pelos animais e saiu de trás da árvore.
"Agora,
vou entrar lá. Direi as mesmas palavras do chefe dos ladrões. Sésamo deve ser o
nome dessa pedreira.
Será que ela
me obedecerá, ou será que só atende às ordens dele? Bem, vou experimentar.
Vamos ver o que acontece!"
Colocando-se
na mesma posição do ladrão, arriscou:
— Abre-te,
Sésamo!
A grande
pedra rolou, abrindo a entrada da gruta. Ali
Babá entrou
imediatamente e ficou maravilhado com o tesouro que lá havia.
"Que
beleza! Quanto ouro! Quantas pedras preciosas!
Quantas
moedas! E pensar que há tanta gente pobre, passando necessidades, sem casa, sem
roupa, sem comida. De quem será que eles roubam tanta riqueza? Deve ser das
caravanas."
Ali Babá deu
uma volta por dentro da gruta, que era iluminada por tochas.
Quando já
estava de saída, lembrou-se de que tinha preso na cintura, o saquinho de pano,
onde trouxera uns
pedaços de
pão para o almoço.
E se eu
levasse algumas dessas moedas de ouro em
meu
saquinho? Acho que os ladrões nem perceberiam. Eles têm tanto... Mas isto seria
um roubo. Eu seria um ladrão, roubando ladrões."
Depois,
pensando na vida difícil da mulher e dos filhos,
encheu seu
saquinho com pesadas moedas de ouro e foi
embora. Na
saída, repetiu as palavras mágicas:
— Fecha-te,
Sésamo!
Ali Babá
voltou ao lugar onde estivera colhendo frutas, pegou os cestos e foi para casa.
No caminho, pensava nas
moedas. Que
iria fazer com elas?
Onde poderia
guardá-las? Quando nada possuía, não tinha medo de ser roubado. Agora, de posse
das moedas, já começava a temer os assaltantes.
"Acho
que vou conversar com meu irmão Ali Mansur.
Ele é
rico... Saberá me dizer o que posso fazer com as
moedas..."
Ali Mansur,
o único irmão de Ali Babá, era um rico
comerciante
de tapetes. Sua loja era a maior e a melhor da cidade.
Mas Ali
Mansur era um homem mesquinho e ambicioso. Quanto mais tinha, mais queria. E nunca
ajudava o pobre irmão, nem seus filhos.
Ali Babá
chegou a casa, jantou e disse a Samira que ia visitar o irmão.
Ao ouvir a
história da gruta que se abria Ali Mansur pensou que o irmão estivesse
brincando. Depois, como Ali Babá insistisse, começou a achar que ele estava com
febre.
Só acreditou
em tudo aquilo quando o irmão lhe mostrou o saquinho com as moedas de ouro. Os
olhos de Ali Mansur reluziam de cobiça, avaliando o peso de cada uma.
— Ali Babá,
diga-me exatamente onde é esse lugar e o que se deve dizer para abrir e fechar
a pedra. Amanhã vou até lá!
— Não,
Mansur, não vá. É perigoso. Os ladrões podem
Aparecer a
qualquer momento. Nunca mais ponho meus pés naquele lugar horrível. Já estou
arrependido por ter tirado essas moedas. Dinheiro que não vem do trabalho não é
honesto.
— Deixe de
ser bobo Ali Babá. Se não quiser as moedas, deixe-as comigo. Sei muito bem como
e onde usá-las.
Ali Babá foi
para casa. Naquela noite nem conseguiu dormir, tamanha era sua preocupação.
— Que aconteceu
Ali Babá? Por que está tão nervoso?
— perguntou
Samira, percebendo a apreensão do marido.
O bom homem
contou tudo à mulher, inclusive a
conversa que
tivera com o irmão. Samira então lhe respondeu:
— Ora, meu
marido, você não seria desonesto pegando
um pouquinho
daquela fortuna. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão...
Na manhã
seguinte, bem cedo, Ali Mansur saiu de sua
rica casa,
com dez mulas e vinte cestos, e tomou o caminho da pedreira. Lá chegando, ordenou
que a gruta se abrisse e entrou.
"Que
maravilha! Vou encher os vinte cestos com joias, ouro, pedras e moedas. Amanhã
virei buscar mais!"
Como Ali
Mansur estava sozinho, demorou muito para
carregar as
mulas. Demorou tanto, que os ladrões chegaram e...
— Fomos
descobertos! A porta de Sésamo está aberta.
Saquem as
espadas! — gritou o chefe dos ladrões.
E eles não
perdoaram o ambicioso homem, que foi morto com vários golpes.
Os ladrões
descarregaram seus cavalos, mas, como já era tarde, nem retiraram os cestos dos
lombos das mulas de
Ali Mansur,
trancando-as dentro da pedreira.
Quando
anoiteceu, a cunhada de Ali Babá foi a casa dele.
Estava muito
preocupada com o marido, que saíra cedo e ainda não voltara.
— Amanhã vou
procurá-lo, Salima, não se preocupe — disse Ali Babá, pois já sabia para onde
seu irmão tinha ido.
No dia
seguinte, Ali Babá nem levou seus cestos para colher tâmaras e damascos. Foi
diretamente procurar o irmão em Sésamo, pois Mansur nunca jogaria fora uma
oportunidade para ficar mais rico.
— Abre-te
Sésamo! — ordenou Ali Babá.
Dentro da
pedreira, o bom homem chorou ao encontrar
o irmão
morto, todo ensanguentado. Vendo as mulas
carregadas
de riquezas, Ali Babá logo percebeu o que havia acontecido. Arrastou o corpo do
irmão para fora, enterrou-o na floresta e voltou a Sésamo para pegar as mulas e
entrega-las a Salima.
Estava
começando a aliviá-las dos cestos cheios de
riquezas
quando se lembrou das palavras de sua mulher:
"Ladrão
que rouba ladrão tem cem anos de perdão...".
"Sou
tão pobre...", pensou. "Nem casa tenho. Meus filhos e minha mulher
não têm roupas para se agasalhar. Há
dias em que
não temos o que comer... Acho que Alá me
“perdoaria,
se eu levasse apenas dois destes cestos que meu irmão encheu...”
Assim
pensando, Ah Baba saiu de Sésamo com dez mulas, dezoito cestos vazios e dois
cheios. À tarde, quando os ladrões voltaram à pedreira, perceberam tudo.
— Alguém
mais conhece nosso segredo, companheiros!
— disse o
chefe. — Estiveram aqui, levaram o homem morto, as mulas e ainda pegaram
algumas das nossas joias e moedas.
Pois, a
partir de hoje, fiquem de olho! Quero vingança! Logo vamos notar se alguém
ficou rico de uma hora para outra. E muito fácil identificar os novos ricos...
Um mês
depois, Ali Babá comprou uma casa na cidade, dois belos cavalos, pôs os filhos
na escola e adquiriu móveis, roupas e utensílios novos. Em sua casa não faltava
mais comida e, uma vez por semana, ele distribuía pão e leite para os pobres.
Um dos
ladrões, encarregado de fiscalizar a vida dos moradores daquele lado da cidade,
percebeu a generosidade de Ali Babá e perguntou a um vizinho:
— De onde
veio esse homem tão bom?
— Ah,
chama-se Ali Babá. Era um pobre coitado que cuidava dos camelos das caravanas e
vendia frutas no bazar.
De repente,
apareceu com moedas de ouro, colares de
esmeraldas e
pulseiras de rubi. Ele vendeu as joias e comprou a casa, os cavalos, as roupas,
tudo! Ninguém sabe onde arranjou tanta riqueza. Acho que ganhou de algum
mercador, por ser muito honesto...
O ladrão
correu para seu chefe e disse:
— Achei o
homem! Chama-se Ali Babá! Agora o senhor poderá se vingar.
No dia
seguinte, o chefe dos ladrões se disfarçou de
mercador
preparou vinte mulas, cada uma carregando dois enormes jarros de barro, e foi
bater na casa de Ali Babá.
— Boa tarde,
meu bom homem. Sou um mercador de
azeite.
Acabei de atravessar o deserto. Será que posso
descansar um
pouco em sua casa com minhas mulas?
— Sim,
entre, por favor — disse Ali Babá — Deixe as
mulas no
pátio para tomarem água.
— Obrigado.
Vou descarregá-las para que descansem até amanhã. Tenho de levar todo o azeite
que está nestes
quarenta
jarros até a cidade de Bagdá, que é bem longe daqui.
— Amanhã o
senhor pensará nisso. Agora, venha.
Quero que
tome um banho e jante com minha família, antes de dormir.
Ali Babá
pediu para Samira preparar carne com azeitonas e salada com trigo para o
visitante. Apresentou-lhe seus quatro filhos e ficaram conversando
animadamente.
Na cozinha,
Samira percebeu que não tinha mais azeite para temperar a salada.
— Anuar,
venha cá! — chamou a mulher. — Vá comprar
azeite.
— Mas, mãe,
agora é tarde. Já está tudo fechado.
— Por Alá! E
o que vou fazer? Com que vou temperar a salada para o mercador?
— Ora, mãe,
ele não está carregando azeite naqueles jarros enormes? Pois é muito fácil:
desça até o pátio e pegue um pouquinho.
— Bem, não
há outro jeito. E o que vou fazer.
Samira
desceu até ao pátio de sua casa. As mulas já
estavam
todas recolhidas ao estábulo. Os quarenta jarros
permaneciam
no meio da área, iluminados por uma grande lua cheia.
Ao chegar
perto de um deles, Samira ficou estupefata.
Uma voz,
vinda de dentro do jarro, perguntou:
— Já está na
hora de matarmos Ali Babá e sua família?
Samira não
sabia o que fazer. Se se afastasse
bruscamente,
poderia levantar suspeitas. Chegou então perto do outro jarro, esperando nova
pergunta, mas nada!
Tudo ficou
em silêncio. O segundo jarro estava mesmo cheio de azeite. Então, a conclusão
de Samira foi rápida: ela sabia que os ladrões de Sésamo eram quarenta. Ora, em
trinta e nove daqueles quarenta jarros enormes havia homens escondidos e apenas
um deles continha azeite. E o visitante que estava dentro de sua casa era, sem
dúvida, o chefe dos ladrões. Ele trouxera azeite num dos jarros porque, se
alguém lhe pedisse, ele poderia provar que era um mercador.
Samira saiu
de casa na mesma hora e foi chamar os guardas do palácio do sultão, que não
ficava muito longe dali.
Depois,
voltou depressa para casa, foi à cozinha e preparou um sonífero perfumado, à
base de ervas do oásis.
Em seguida,
desceu novamente ao pátio e despejou um pouco do sonífero em cada um dos trinta
e nove jarros.
Quando
terminou, viu que os guardas já haviam chegado. Mandou-os entrar e ficar
aguardando do lado de fora da sala, onde Ali Babá conversava com o chefe dos ladrões.
Esperou mais
alguns minutos e, ao ter certeza de que todos os ladrões dormiam profundamente
dentro dos jarros, entrou na sala e disse:
— Ali Babá !
Tenha cuidado! Este homem é o chefe dos ladrões de Sésamo!
— Mas... mas
— balbuciou o marido, incrédulo.
— Sim, sou
eu! — disse o ladrão. E, tirando um punhal da cintura acrescentou:
— Agora,
vocês vão morrer!
Nesse momento,
os guardas entraram na sala, desarmaram e prenderam o homem.
Enquanto
descia, já preso, o chefe dos ladrões viu todos os seus companheiros amarrados
e amontoados no chão,
dormindo que
dava gosto.
Ali Babá e
Samira foram ao palácio do sultão e contaram toda a história de Sésamo, pedindo
a ele que distribuísse aquela riqueza aos pobres da cidade.
O sultão
concordou com o casal, mas fez questão dedar a Ali Babá um terço de tudo que
havia dentro da pedreira.
Assim,
graças à bondade de Ali Babá e à inteligência de Samira, nunca mais houve
pobres naquela cidade.
(Versão de
Suely M. Brazão)
Livro do
aluno volume II – Domínio Público.
sábado, 20 de agosto de 2016
As Mãos, os Pés, o Estômago e o Corpo. Linda fábula de Esopo.
Fonte:https://pixabay.com/pt/crian%C3%A7as-brincando-mar-azul-areia-993534/
Certo dia,
as Mãos e os Pés, trocando ideias, começaram a se queixar das outras partes do
corpo.
No final da
conversa, chegaram à conclusão que trabalhavam a vida inteira, custeando o
Corpo e que tudo era mais em proveito do Estômago, que comia sem trabalho.
Portanto, o Estômago que procurasse o seu sustento, porque as Mãos e os Pés não
iriam mais dar-lhe de comer. O Estômago pediu muito, mas disseram que haviam
tomado uma decisão. Assim, começaram a lhe negar comida, o que foi enfraquecendo-o
e, com isso, o Corpo inteiro.
Sentindo as Mãos
e os Pés se enfraquecerem, começaram novamente a querer alimentar o Estômago,
mas como a fraqueza fosse muita, nada lhes valeu, morrendo todos juntos.
Esopo. Domínio
Público.
Moral da
história:
Assim como no corpo todos os órgãos dependem uns dos outros, na vida
também precisamos agir como uma equipe para que todos sejam favorecidos.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Ou isso ou aquilo. Linda poesia de Cecília Meireles.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=34760&picture=menina-com-guarda-chuva
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Cecília Meireles
domingo, 7 de agosto de 2016
Alice no País das Maravilhas. Capítulo 11 - Quem roubou as tortas?
O Rei e a Rainha de Copas estavam sentados em seus tronos
quando eles chegaram, com uma multidão em volta... todo tipo de pequenos
pássaros e animais além de todas as cartas do baralho: o Valete estava parado
na frente deles, acorrentado, com um soldado em cada lado o guardando; e perto
do Rei estava o Coelho Branco, com uma trombeta em uma mão e um pergaminho na
outra. Bem no meio da corte havia uma mesa, com um grande prato de tortas sobre
ela: elas pareciam tão deliciosas que Alice ficou com fome só de olhá-las e
pensou “Tomara que o julgamento termine logo e eles sirvam o lanche!”. Mas
parecia que a coisa não tinha chance e então, para passar o tempo, ela começou
a olhar para tudo em volta.
Alice nunca estivera numa corte de justiça antes, mas já
tinha lido sobre elas nos livros e estava satisfeita por perceber que sabia o
nome de quase tudo em volta. “Aquele é o juiz”, ela disse para si mesma, “por
causa da sua grande peruca.”
O juiz, aliás, era o Rei, que vestia a coroa sobre a peruca
(vejam o frontispício do livro, se vocês quiserem ver como ele fazia isso). Ele
não parecia muito confortável e com certeza não estava muito charmoso também.
“E aquele é o lugar destinado aos jurados”, pensou Alice, “e
aquelas doze criaturas” (ela foi obrigada a pensar “criaturas”, sabe, porque
algumas eram animais e outras eram pássaros), “suponho que sejam os jurados”.
Ela repetiu a última palavra duas ou três vezes para si mesma, bastante
orgulhosa disso: pois pensava, com razão, que muito poucas meninas da sua idade
sabiam o significado dessa palavra. Entretanto se ela tivesse dito “membros do
júri” também estaria certa.
Os doze jurados estavam escrevendo muito ocupados em suas
lousas.
“O que eles estão fazendo?”, Alice sussurrou para o Grifo.
“Eles não tem nada para escrever ali, antes de o julgamento começar.”
“Eles estão colocando seus nomes”, o Grifo sussurrou em
resposta, “pois estão com medo de esquecê-los antes de o julgamento terminar.”
“Que estúpidos!”, Alice começou a falar de alto e bom som,
mas logo parou, pois o Coelho Branco gritou “Silêncio na corte!” e o Rei
colocou seus óculos para olhar ansiosamente em volta, procurando quem estava
falando.
Alice podia ver, tão bem como se estivesse olhando por cima
dos ombros, que todos os jurados tinham escrito “Que estúpidos!” em suas lousas
e pôde ver também que um deles estava em dúvida sobre a grafia correta de
“estúpidos” e tinha pedido para seu vizinho dizer para ele. “Uma bela bagunça
vão estar as lousas até o final do julgamento!”, Alice pensou consigo mesma.
Um dos jurados tinha um giz que rangia. Isso é claro, Alice
não aguentava, e então ela deu a volta na corte até chegar atrás dele e na
primeira oportunidade arrancou-lhe o giz. Alice fez isso tão rápido que o pobre
pequeno jurado (era Bill o Lagarto) não pôde perceber o que tinha acontecido:
então, depois de procurar por toda parte ele foi obrigado a escrever com o dedo
o resto do dia. É claro que não adiantava nada, pois não deixava marca nenhuma
na lousa.
“Arauto, leia a acusação!”, ordenou o Rei.
Nesse momento, o Coelho Branco assoprou três vezes a
trombeta e a seguir desenrolou o pergaminho, lendo o que se segue:
“A Rainha de Copas fez algumas tortas,
Em um dia de verão:
O Valete de Copas roubou todas elas,
E levou embora sem hesitação.”
“Pensem no veredito”, disse o Rei para o júri.
“Ainda não, ainda não!”, o Coelho interrompeu com pressa.
“Há muito que fazer antes disso!”
“Chame a primeira testemunha”, o Rei disse, e o Coelho
Branco assoprou três vezes sua trombeta, chamando a seguir:
“Primeira testemunha!”
A primeira testemunha era o Chapeleiro. Ele chegou com uma
xícara de chá em uma das mãos e um pedaço de pão com manteiga na outra.
“Eu peço-lhe desculpas sua Majestade”, ele começou, “por
trazer estas coisas, mas eu ainda não tinha terminado meu chá quando fui
chamado.”
“Você deveria ter terminado”, disse o Rei. “Quando você
começou?”
O Chapeleiro olhou para a Lebre de Março, que o tinha
seguido até à corte de braços dados com o Leirão.
“Catorze de março, eu acho que era”, ele respondeu.
“Quinze”, disse a Lebre de Março.
“Dezesseis”, disse o Leirão.
“Escrevam isso” o Rei disse para o júri; e os jurados
apressaram-se em escrever as três datas em suas lousas, somando-as e chegando a
uma conta maluca que incluía valores em dinheiro.
“Tire seu chapéu”, o Rei ordenou ao Chapeleiro.
“Não é meu”, respondeu o Chapeleiro.
“Roubado!”, o Rei exclamou, virando-se para o júri, que no
mesmo instante anotaram o fato.
“Eu os tenho para vender”, o Chapeleiro continuou com sua
explicação. “Nenhum deles é meu. Eu sou um chapeleiro.”
Nesse instante a Rainha colocou seus óculos e começou a
encarar o Chapeleiro, que empalideceu e inquietou-se.
“Faça seu depoimento”, disse o Rei, “e não fique nervoso, ou
eu mandarei executá-lo imediatamente.”
Essa frase parece que não encorajou a testemunha, que
começou a ficar sobre apenas um pé, alternando, olhando inquietamente para a
Rainha. Na confusão acabou mordendo um pedaço da sua xícara de chá ao invés de
morder seu pão com manteiga.
Exatamente nessa hora Alice teve uma curiosa sensação, que a
perturbou bastante até que ela percebesse o que se estava passando: Alice
estava começando a crescer novamente. No início ela achou que deveria
levantar-se e deixar a corte, mas depois decidiu ficar enquanto houvesse espaço
para ela.
“Eu queria que você não me espremesse tanto”, disse o
Leirão, que estava sentado ao seu lado. “Eu quase não consigo respirar.”
“Eu não posso ajudá-lo. Eu estou crescendo.”
“Você não tem o direito de crescer aqui”, disse o Leirão.
“Não fale bobagens”, respondeu Alice destemidamente, “você
sabe que você está crescendo também.”
“Sim, mas eu estou crescendo em uma velocidade razoável”,
retrucou o Leirão, “e não desse jeito ridículo.” A seguir ele levantou-se com
irritação e atravessou a sala até chegar do outro lado da corte.
Todo o tempo a Rainha não tirou os olhos do Chapeleiro e, no
instante que o Leirão atravessou a corte, ela ordenou a um dos oficiais da
corte: “Tragam-me a lista dos cantores no último concerto!”. O coitado do
Chapeleiro começou a tremer tanto que seus sapatos escorregaram dos pés.
“Dê seu depoimento”, o Rei repetiu muito bravo, “ou você
será decapitado, esteja você nervoso ou não.”
“Eu sou um homem pobre, Majestade”, o Chapeleiro começou com
uma voz trêmula, “e eu nem bem tinha começado a tomar meu chá... há mais ou
menos uma semana... e como a fatia de pão estava ficando tão fina... e a
cintilação do chá...”
“A cintilação do quê?”, perguntou o Rei.
“Ela começa com C”, o Chapeleiro retrucou.
“É lógico que cintilação começa com C”, disse o Rei
agudamente. “Você acha que eu sou burro? Vá em frente!”
“Eu sou um homem pobre”, o Chapeleiro continuou, “e quase
tudo começou a cintilar depois que... e a Lebre de Março disse...”
“Eu não disse nada”, a Lebre de Março interrompeu
rapidamente.
“Disse”, replicou o Chapeleiro.
“Eu nego isso!”, disse a Lebre de Março.
“Ela nega”, disse o Rei. “Deixemos o tema de lado.”
“Bem, de qualquer maneira, o Leirão disse...”, e o
Chapeleiro continuou, olhando ansiosamente ao redor para ver se ele iria negar
também; mas o Leirão não negou nada, já que dormia a sono solto.
“Depois disso”, continuou o Chapeleiro, “eu cortei algumas
fatias de pão...”
“Mas o que o Leirão disse?”, um dos jurados perguntou.
“Isso eu não lembro”, disse o Chapeleiro.
“Você precisa lembrar”, observou o Rei, “ou você será
executado.”
O coitado do Chapeleiro derrubou sua xícara de chá e o pão
com manteiga e colocou-se de joelhos.
“Eu sou um homem pobre, Majestade”, ele começou.
“Você é um muito pobre orador”, disse o Rei.
Nesse instante um dos porcos-da-índia começou a aplaudir,
mas imediatamente foi abafado pelos oficiais da corte. (Como essa palavra
abafar pode ser difícil para alguns, eu vou explicar como eles fizeram a coisa.
Eles tinham um grande saco de lona, com a boca que fechava com cordões: eles
enfiaram lá dentro o porco-da-índia, de cabeça para baixo e depois sentaram
sobre ele).
“Eu estou muito feliz de ver como eles fazem isso”, pensou
Alice. “Já tinha lido tantas vezes no jornal, que no fim dos julgamentos... Houve
uma tentativa de aplauso, que foi imediatamente abafada pelos oficiais da corte...
e nunca tinha entendido direito o que isso significava.”
“Se isso é tudo o que você sabe a respeito do caso, pode
descer”, continuou o Rei.
“Eu não posso descer mais”, disse o Chapeleiro. “Eu já estou
no chão, como o senhor pode ver.”
“Então pode sentar-se”, replicou o Rei.
Outro porco-da-índia começou a aplaudir e também foi
abafado.
“Bem, com isso se acabam os porcos-da-índia”, pensou Alice.
“Vamos ver se agora melhora.”
“Eu preferia terminar meu chá.”, disse o Chapeleiro, olhando
ansiosamente para a Rainha, que estava lendo a lista dos cantores.
“Você pode ir embora”, disse o Rei.
E o Chapeleiro deixou a
corte apressadamente, sem nem mesmo esperar para calçar seus sapatos.
“... e cortem-lhe a cabeça lá fora”, a Rainha complementou
para um dos oficiais; mas o chapeleiro já sumira de vista antes que o oficial chegasse
até à porta.
“Chamem a próxima testemunha!”, ordenou o Rei.
A próxima testemunha era a cozinheira da Duquesa. Ela trazia
a pimenteira na mão, e Alice adivinhou quem era antes mesmo dela entrar na
corte, pois as pessoas perto da porta começaram todas a espirrar.
“Faça seu depoimento”, disse o Rei.
“Faço não”, disse a cozinheira.
O Rei olhou ansiosamente para o Coelho Branco, que disse em
voz baixa: “Vossa Majestade deve o senhor mesmo submeter essa testemunha ao
interrogatório.”
“Bem, se é necessário, eu faço”, o Rei respondeu com ar
melancólico, após cruzar os braços e franzir as sobrancelhas até que seus olhos
quase sumissem. Ele perguntou então, com uma voz profunda:
“De que são feitas as tortas?”
“Principalmente de pimenta”, respondeu a cozinheira.
“Melado”, disse uma voz sonolenta atrás dela.
“Prendam esse Leirão!”, a Rainha gritou esganiçada! “Retirem
esse Leirão da corte! Sufoquem esse Leirão! Abafem! Cortem-lhe os bigodes!”
Começou então a maior confusão, e até que eles conseguissem
expulsar o Leirão e todos se sentassem novamente, a cozinheira sumira.
“Não importa!”, disse o Rei, com um ar de alívio. “Chamem a
próxima testemunha”. Ele completou, à meia voz para a Rainha, “Realmente, minha
querida, você precisa interrogar a próxima testemunha. Isso tudo está me dando
a maior dor de cabeça!”
Alice estava olhando para o Coelho Branco, que remexia na
lista de testemunhas, curiosa para saber quem seria a próxima, “pois até agora
ainda não consegui entender nada do caso”. Imaginem sua surpresa quando o
Coelho Branco leu bem alto, com sua vozinha esganiçada o nome “Alice!”
Alice no País das Maravilhas.
Lewis Carroll.
Ilustrações de John Tenniel.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2016
A Andorinha e as Outras Aves.
Estavam os homens
semeando algodão e linho.
Observando-os,
a Andorinha disse aos outros pássaros:
- Será para
o nosso mal o que os homens estão plantando, pois dessas sementes nascerão algodão
e linho, depois eles farão laços e redes para nos prenderem. Melhor seria
destruirmos o que for nascendo para que estejamos seguras. As Outras Aves riram
muito e não quiseram seguir o conselho. A Andorinha, vendo isso, fez as pazes
com os homens e foi viver perto de suas casas. Depois de algum tempo, os homens
fizeram laços, redes e instrumentos de caça, com os quais passaram a prender as
Outras Aves, preservando a Andorinha.
Esopo.
Domínio Público.
Moral da
história:
Quem não tem
força tem que agir com inteligência e prudência.
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