quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Pum do Gambá.



O sapo encheu o papo
para coaxar
e recebeu um sopapo
de um gambá.

O gambá quer dormir
mas com barulho não dá.
Então o grilo a sorrir
começou a arreliar.

O grilo é tão engraçado,
que fez todo mundo gargalhar.
Mas o gambá, irritado,
com todos quis brigar.

Porém o gambá é tão fraquinho...
Como pode ele, sozinho,
enfrentar a bicharada?

O gambá olhou um por um...
Depois soltou um pum
que todos saíram em disparada.

AJ Cardiais

Fonte: http://ajinfantilidade.blogspot.com.br/p/poemas.html 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Atividades para o dia da criança.

Brincadeiras para o Dia das Crianças.

Sugestões de brincadeiras antigas para o dia da criança:

Pular corda
Jogo de Bola de gude
Corrida de sapo ( CRIANÇAS AGACHADAS)
Perna de lata
Pipa (somente em áreas livres e com segurança
Corre cutia
Amarelinha
Estátua
Bilboquê

Você pode fazer estas atividades para o dia das crianças na quadra da escola ou até dentro da sala de aula.

Projeto para a Semana da Criança e atividades para educação infantil:

O objetivo do projeto é desenvolver, durante a semana da Criança, atividades fora da sala de aula, para lazer e para as crianças se desenvolverem socialmente através de jogos e brincadeiras.

Atividades sugeridas para o Dia das Crianças.

Competições esportivas;
Demonstração de ginástica;
Pintura de mural pelos alunos, nos próprios muros da escola;
Gincanas/tarefas:
resolver palavras cruzadas,
decifrar cartas enigmáticas,
contribuir com roupas velhas, doces e brinquedos, para doações;

contribuir com livros usados para a biblioteca. (a depender da faixa etária da turma, optar por tarefas mais fáceis)

Fonte: http://www.atividadeseducacaoinfantil.com.br/datas-comemorativas/semana-crianca/



O Direito das Crianças (Ruth Rocha)

Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos tem de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.

Um passeio de canoa,
Pão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho à toa...
Contar estrelas no céu...

Ficar lendo revistinha,
Um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha,
Um bom dum cachorro-quente.

Festejar o aniversário,
Com bala, bolo e balão!
Brincar com muitos amigos,
Dar pulos no colchão.

Livros com muita figura,
Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura...
Alguém para querer bem...

Festinha de São João,
Com fogueira e com bombinha,
Pé-de-moleque e rojão,
Com quadrilha e bandeirinha.

Andar debaixo da chuva,
Ouvir música e dançar.
Ver carreiro de saúva,
Sentir o cheiro do mar.

Pisar descalça no barro,
Comer frutas no pomar,
Ver casa de joão-de-barro,
Noite de muito luar.

Ter tempo pra fazer nada,
Ter quem penteie os cabelos,
Ficar um tempo calada...
Falar pelos cotovelos.

E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferência um colinho.

Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito de ser feliz!

E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferência um colinho.

Uma caminha macia,
Uma canção de ninar,
Uma história bem bonita,
Então, dormir e sonhar...

Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito a ser feliz!

Para colorir:






Palhaço para colorir e montar:


domingo, 9 de outubro de 2016

Palavras mágicas. Linda poesia de Pedro Bandeira.

Se você quer ser feliz
e amizades conquistar,
quatro palavrinhas mágicas
vou agora revelar.

Não é nem “Abre-te Sézamo”
e nem é “Sin-sa-la-bin”!
Nenhuma é “Abracadabra”,
minha mãe disse pra mim:

Guarde as quatro palavrinhas,
tenha as quatro sempre à mão,
para usar a toda hora,
em qualquer ocasião.

Use sempre essas palavras,
delas nunca tenha medo,
pois eu quero ajudar,
vou contar o meu segredo:

Diga sempre a sorrir,
pra não ser mal-educado:
com licença, me desculpe,
por favor e obrigado!

Acredite no que eu digo,
pois comigo funcionou.
São palavras de uma fada,

foi mamãe quem me ensinou!

Atividades: 


Colorir:


O BURRO NO POÇO.

Um dia, o burro de um camponês caiu num poço. Não chegou a se ferir, mas não podia sair dali por conta própria. Por isso o animal chorou fortemente durante horas, enquanto o camponês pensava no que fazer. Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o burro de dentro do poço. Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço.
O burro não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele e chorou desesperadamente. Porém, para surpresa de todos, o burro aquietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou. O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu.
A cada pá de terra que caía sobre suas costas, o burro a sacudia, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando.
A vida vai te jogar muita terra nas costas. Principalmente se você já estiver dentro de um poço. O segredo para sair do poço é sacudir a terra que se leva nas costas e dar um passo sobre ela.

Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima.

- Autor desconhecido - 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

As mil e uma noites. As venturas de Simbad, o marujo.

No reinado do califa Harun ar-Rachid, vivia em Badgá um carregador muito pobre chamado Hindbad. Um dia, sob forte calor, Hindbad transportava uma carga muito pesada de um extremo a outro da cidade. Cansado, parou perto de um grande palácio, de cujas janelas provinham um delicioso perfume e o som harmonioso de instrumentos e de pássaros.
A música e o cheiro apetitoso dos mais requintados pratos levaram Hindbad a concluir que ali acontecia um grande banquete. Querendo saber quem morava naquele lugar luxuoso, perguntou a um dos criados que estavam na entrada do palácio como se chamava seu dono. Esta foi a resposta:
– O quê? Você mora em Bagdá e não sabe que esta é a morada de Simbad, o famoso navegante que percorreu todos os mares iluminados pelo sol?
O carregador que, de fato, tinha ouvido falar em Simbad, sentindo inveja desse homem, disse:
– Ó poderoso criador de todas as coisas, que diferença existe entre a minha situação e a de Simbad! Eu tenho de trabalhar como um condenado e suportar mil males todo dia! Enquanto isso, Simbad gasta suas imensas riquezas numa vida cheia de prazeres. Que foi que ele fez para merecer tanta felicidade? Que eu fiz para merecer um destino tão desgraçado?
O carregador estava entregue a esses pensamentos, quando um criado saiu do palácio e tomou-o pelo braço, dizendo:
– Venha comigo! Meu senhor quer falar com você.
Hindbad quis escapar, temeroso de que o senhor do palácio quisesse castigá-lo pelas palavras que ele tinha dito. Mas o criado não o deixou ir embora e o conduziu a uma grande sala. Ali, em volta de uma mesa repleta de iguarias estavam sentadas muitas pessoas; no lugar de honra, via-se um homem de barbas brancas, cercado de criados. Era Simbad.
O carregador tremia vendo aquelas pessoas e um banquete tão requintado. Simbad o chamou, fez que se sentasse à sua direita e ele próprio o serviu daquela comida deliciosa. Terminada a refeição, Simbad disse ao carregador:
– Ouvi o que você dizia lá fora. Não sou injusto, por isso não guardo rancor contra você. Aliás, lamento a sua sorte. Mas você se engana em achar que eu conquistei o que tenho sem dificuldade e sem muito esforço. Não se iluda: cheguei a esta minha situação
depois de sofrer por muitos anos tudo o que de penoso podem sofrer o corpo e a alma! Corri tantos perigos em minhas viagens pelos mares!
E passou a narrar suas aventuras. Das sete viagens de Simbad, uma das mais espantosas foi a seguinte, contada pelo próprio marujo:
“Depois de minha primeira viagem, eu tinha decidido passar o resto de meus anos tranquilamente em Bagdá, mas um dia comecei a me aborrecer com aquela vida monótona e de novo tive vontade de navegar”. Comprei mercadorias para vender ou trocar e parti com outros mercadores. Embarcamos num bom navio, pedimos a proteção de Deus e soltamos as velas.
Fomos de ilha em ilha, fazendo negócios muito vantajosos. Um dia paramos numa pequena ilha.
Enquanto meus companheiros colhiam flores e frutas, sentei-me perto de um riacho, tomei a minha refeição e depois adormeci. Quando acordei, vi que nosso navio tinha partido, deixando-me sozinho naquele lugar desconhecido! Achei que ia morrer de dor e desespero, arrependendo-me amargamente de não ter me contentado com minha primeira viagem. Finalmente, aceitei conformado, a vontade de Deus e subi numa grande árvore para ver se avistava alguma coisa que pudesse me trazer esperança de salvação.
Lançando a vista ao mar, meus olhos só viram água e céu. Mas de repente enxerguei uma coisa branca em terra e decidi ir até ela. Desci da árvore e caminhei em direção àquilo. Ao chegar a certa distância, pude observar que se tratava de um globo cuja altura e diâmetro eram espantosos. Procurei uma abertura para poder entrar ali, mas não havia nenhuma. Pensei em subir naquele globo, mas era liso demais.
O sol já ia se pondo no horizonte, quando de repente escureceu de uma vez, como se uma nuvem gigantesca cobrisse sua luz. Fiquei mais espantado ainda quando descobri a causa daquela escuridão repentina: um pássaro enorme, que voava na minha direção! Lembrei que os marinheiros costumavam falar de uma ave assim, chamada rukh. Então compreendi que o globo branco era o ovo daquele pássaro.
O rukh pousou sobre o ovo, para chocá-lo. Eu, que estava bem perto, vi que sua pata era do tamanho de uma árvore. Tive então uma ideia para escapar daquela ilha: amarrei meu turbante numa das patas do pássaro na esperança de sair dali quando ele levantasse voo. Passei toda a noite assim. Quando raiou o dia, o rukh voou levando-me com ele.
Subimos tão alto que eu não podia enxergar mais a terra. De repente, o pássaro desceu com a maior rapidez e pousou. Em terra, desprendi meu turbante de sua pata. Mal tinha acabado de soltar-me, quando o pássaro bicou uma serpente incrivelmente comprida
e voou levando-a no bico.
Eu estava num vale cercado de montanhas muito altas. Caminhando por ali, notei que havia diamantes por toda parte, alguns espantosamente grandes. Não houve muito tempo para ficar alegre com aquelas pedras, pois de repente avistei seres monstruosos:
serpentes enormes, capazes de devorar um elefante.
Para tentar escapar dos rukhs, elas se escondiam em cavernas durante o dia e só saíam de noite.
Caminhei pelo vale até o anoitecer. Então, escondi-me numa caverna que me pareceu segura. Fechei a entrada com uma pedra para me proteger das serpentes, dali ouvindo o assobio horripilante que vinha de fora... Assustado, não passei uma noite muito agradável...
Ao nascer do dia, as serpentes foram embora.
Saí da caverna ainda tremendo de medo e caminhei por entre os diamantes sem sentir a menor vontade de pegá-los. Não havia conseguido fechar os olhos dentro da caverna, e, por isso, com muito sono, depois de comer um pouco acabei adormecendo.
Mas de repente algo caiu perto de mim e me acordou.
Era um grande pedaço de carne. Imediatamente notei que outros pedaços caíam das rochas em lugares diferentes do vale.
“– Então era verdade o que me contavam os marinheiros!” – pensei. Aquele vale era um verdadeiro precipício; era impossível descer até ele. Para conseguir pegar alguns diamantes, os marinheiros esperavam a época em que as águias davam crias.
Naquele lugar, as águias eram muito maiores e mais fortes. Os marinheiros jogavam grandes pedaços de carne que, caindo nas pontas dos diamantes, ficavam presos neles. As águias se apoderavam dos pedaços de carne e os levavam aos ninhos no alto das rochas para alimentar seus filhotes. Os mercadores corriam aos ninhos, afugentavam as aves com seus gritos e pegavam os diamantes presos na carne.
Foi então que eu tive uma ideia para escapar daquele precipício e salvar minha vida. Enchi minha bolsa de couro com os maiores diamantes que encontrei, depois peguei um pedaço bem grande de carne e com meu turbante me prendi a ele, amarrando-me bem forte. Deitei-me de bruços e prendi a bolsa na cintura.
Mal tinha terminado quando apareceram as águias. Cada uma pegou um pedaço de carne. Uma das mais fortes apanhou o pedaço em que eu estava e lá fui eu, erguido no ar até chegar ao alto da montanha, dentro de seu ninho. Os mercadores, então, começaram a afugentar as aves com seus gritos.
Depois que elas fugiram, um deles se aproximou do ninho em que eu estava e, quando me viu, teve medo.
Depois, mais calmo, acusou-me de apoderar-me de diamantes que lhe pertenciam. Mas eu lhe respondi:
– Não seja rude. Tenho diamantes para nós dois, e mais do que todos os outros mercadores juntos poderiam conseguir. Eu escolhi pessoalmente as melhores pedras, que trago nesta minha bolsa.
Enquanto dizia isso, mostrava ao homem os diamantes. Os outros me cercaram, maravilhados com a minha história e o modo como eu conseguira salvar minha vida. Levaram-me para o acampamento onde estavam e, vendo os meus diamantes, disseram que nunca tinham visto iguais, nem mesmo nas cortes dos reis mais ricos e poderosos. Insisti com o mercador que me encontrara:
– Por favor, pegue os diamantes que você quiser!
– Não, – respondeu ele, escolhendo apenas uma das pedras – eu me contento com este aqui: é tão precioso que basta para me sustentar para o resto de minha vida.
Passei a noite com aqueles mercadores, alegre por ter escapado de tantos perigos; mal podia acreditar que já não havia mais nada a temer.
Permanecemos muitos dias naquela ilha e, quando todos pareciam contentes com os diamantes que tinham conseguido, partimos. Caminhamos por montanhas muito altas e finalmente chegamos à ilha de Roha, onde nasce a árvore da qual se extrai a cânfora.
Nessa ilha há rinocerontes, animais que lutam com os elefantes. O rinoceronte rasga a barriga do elefante com seu chifre, ergue-o e assim o carrega sobre a cabeça. A gordura e o sangue do elefante caem nos olhos do rinoceronte e o cegam. O animal cai por terra e então aparece o rukh e leva os dois presos nas garras até seu ninho para alimentar os filhotes.
Nessa ilha troquei alguns dos meus diamantes por excelentes mercadorias. Depois, fomos a outras ilhas até chegarmos ao porto de Basra, de onde me dirigi a Bagdá. Assim que cheguei, dei muita esmola aos pobres e vivi decentemente, sustentado pelas imensas riquezas que consegui com tanto esforço.”
Simbad terminou o seu relato e nos dias seguintes contou outras aventuras para seus convidados; entre eles, sempre estava presente o carregador Hindbad, que, encantado com aquelas histórias, até já se esquecera de sua miséria.
Quando terminou de contar tudo o que passara em sua vida agitada, Simbad disse a Hindbad:
– Então, meu caro amigo, já ouviu falar em alguém que tenha sofrido mais do que eu? Não mereço uma vida agradável e tranquila depois de tudo o que eu passei?
Hindbad, em resposta, beijou a mão de Simbad e disse:
– O senhor merece não apenas uma vida tranquila, depois de ter passado por situações tão terríveis, mas todos os bens que é possível imaginar, porque emprega bem as suas riquezas e é muito generoso.
Seja feliz até o fim de seus dias! Simbad deu ao carregador cem moedas, tratando- o como amigo. Depois, pediu-lhe que abandonasse a sua profissão e viesse ao palácio banquetear-se com ele todos os dias.


Fim.

(Versão de Suely M. Brazão)

Livro do aluno volume II – Domínio Público. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O pássaro da sorte. Uirapuru - Lendas Brasileiras.

Trata-se do uirapuru, pássaro encantado da sorte e que tem como moradia as ricas florestas da Amazônia.
A história é um pouco triste. Mas o canto dessa ave é tão plangente e mavioso que vale a pena contar.
Começa com um índio tocando flauta na selva. E as índias jovens ouviam-no. Daí para procurar ver quem era o guapo índio que a tocava foi um só passo.
O segundo passo foi encontrar o músico e cair para trás com uma bruta decepção. Elas, tolinhas, achavam que coisa bonita só pode vir de gente bonita. E caprichosas, malcriadas, empurraram o índio feio para fora da clareira. Humilhado, ele então fugiu.
Na mesma hora as índias ouviram uma outra flauta tocada com delicadeza e doçura. E pensaram com esperança que talvez o tocador dessa nova flauta fosse um índio bonito. Seguiram pelas sendas da floresta, guiadas pelo cântico que cada vez parecia mais próximo. E não é que depararam, não com um índio, mas com um passarinho pousado num galho de árvore frondosa? Era o pássaro uirapuru. Uma das índias, a mais formosa e esguia, era também a melhor caçadora. E, como as outras, quis ferir o pássaro para que ele não fugisse e só cantasse para ela. Com arco e flecha, preparou-se. E, é claro, a ave caiu do galho.
Agora vem uma surpresa, tanto para as índias como para nós: uma vez por terra, o pássaro transformou-se num rapaz belíssimo.
Este índio, com um sorriso manso, dirigiu-se para a sua caçadora, enquanto todas as outras índias rezavam pela sua atenção e amor.
Estava tudo bem. Mas a primeira flauta começou a soar novamente: era a do índio feio.
As moças sabiam que ele queria se vingar dos maus tratos e procuraram rodear o índio bonito para escondê-lo. Mas o índio feio mandou rápido sua flecha, em direção do peito varonil do rival, só para assustá-lo.
E não é que aconteceu um encantamento milagroso?
Aconteceu, sim: o rapaz bonito se transformou num pássaro invisível, mas presente pelo seu canto. E as índias passaram, mesmo sem ver, a ouvir o trinado feliz.
Como é que se espalhou que o uirapuru dá sorte?
Ah, isso não sei, mas que dá, dá!


COMO NASCERAM AS ESTRELAS - DOZE LENDAS BRASILEIRAS - Clarice Lispector




Comentando a lenda: 

explicar que as lendas são antigas e muitas têm origem desconhecida, mas que não devemos maltratar os animais, ao contrário, cabe ao homem cuidar e preservar a natureza e os animais.

Serve como tema para o dia do Índio ou cuidados com a natureza, ecologia.

Atividade:

Pinte e reconte a história com tuas palavras:

Fonte da imagem: http://www.lipitipi.org/2012/04/producao-de-texto-dia-do-indio-lenda-do.html

domingo, 2 de outubro de 2016

A boneca e o crocodilo.

Era uma vez um menino que morava numa casa muito grande. Ele tinha uma irmã que colecionava bonecas chamada Desígnia. Essa coleção enfeitava uma prateleira enorme no quarto que os dois dividiam. Certo dia o menino descobriu na prateleira algo singular - um brinquedo simples, feito de tecido – boneca de pano. Não era bonita como as belas companhias que tinha na prateleira, que traziam cabelos bem cuidados, peles de porcelana e vestidos de luxo. Era uma bonequinha bastante pequena, engraçadinha e resistente. Sem maiores atrativos. E por esse motivo destoava completamente no ambiente.
Por um a razão que me é desconhecida, inesperada e repentinamente esse menino se apaixonou pela boneca. A irmã, que observava os acontecimentos da vida do irmão, permitiu certo dia, que ele cuidasse da pequena de pano.
Nos primeiros tempos se dedicava constantemente à boneca, que de maneira mágica, percebia nascer emoções humanas em seu coração. Por vezes o menino pensou se poderia estar equivocado ao ver alterações no semblante do brinquedo. Ao encostar o ouvido no peito do objeto de seu divertimento, podia escutar, bem baixinho, o pulsar de um coração.
Secretamente, a boneca sempre soube da existência do cérebro, que possibilitava o entendimento do mundo. Mas a conexão cérebro – coração nunca existiu.
Muitos verões chegaram e se foram e um dia ela percebeu que só restaram invernos em sua vida. O tempo cuidou de estragar o tecido e emaranhar os cabelos. O menino, aos poucos, perdeu o encanto por aquele brinquedo, relegando a ele um canto escuro na prateleira – para não sentir a culpa daqueles que jogam fora um objeto que teve serventia num passado remoto.
Esse foi o momento exato no qual o inverno se instalou no coração da pequena - definitivamente. Nessa ocasião, principiou-se um rompimento de um remendo que não era – até então - perceptível. E de dentro daquela ‘descostura’ saiu um coração, que ficou preso apenas por um fio dourado. Coração de pano, muito delicado e pequeno, ainda morno e pulsando lentamente.
A boneca, que durante muitas estações conseguia ver cores e sentir os cheiros e texturas do mundo, passou a perceber apenas gradações de negro e cinza. Deixou de ser portadora das sensações humanas que teimavam animá-la.
O menino, assustado, escondeu ainda mais o artefato, o banindo para uma caixa escura para que ninguém soubesse daquele segredo. Desde esse dia nunca mais houveram notícias dele, que simplesmente desapareceu.
Numa noite inesperada, enquanto a boneca, através da janela, via as estrelas e não as sentia, dois pontos luminosos apareceram na floreira. Após muitos anos sem emoções, se apavorou e teve medo. O medo do perigo do sentir.
Nos dias subsequentes as luzes misteriosas reapareceram e por um instante ela ouviu um sussurrar musical que se confundia com o vento frio que viajava mundo afora. Eram acordes semelhantes àqueles das caixinhas de música antigas.
Se arrastando como pode, pulou da caixa e tentou ver o que acontecia, mas a imobilidade imposta há tanto tempo não permitiu. Estatelada no chão, sentindo solidão e tristeza, ela derramou suas lágrimas. Chorou a dor do mundo e o coração voltou a bater gradualmente, respeitando o ritmo natural da vida.
Intimidada, decidiu esperar. Enquanto aguardava percebeu que as cores, aos poucos, voltaram. Reconhecia novamente o desejo, que há muito havia se perdido, de pensar e elaborar emocionalmente.
Após alguns meses apreciando aquela música, já habituada àquela rotina que havia enfraquecido a dor da solidão, sua vida mudou. Imprevistamente e com apenas um pulo, adentrou no quarto um crocodilo enorme, verde e marrom com mandíbulas imensas. Tinha aproximadamente 1,80m da ponta do rabo até a cabeça.
A boneca nunca havia sentido tanto medo na vida, até que percebeu, como por encanto, o objeto trazido pelo réptil – a caixinha de música que havia preenchido de esperança cada noite em seu coração.
Relembrou as inúmeras vezes em que foi rechaçada por ser apenas uma boneca de pano e decidiu que deveria ser gentil com aquele animal um tanto assustador. Percebeu, ao olhar mais atentamente, que era um tanto desengonçado – principalmente nas tentativas frustradas de acostumar suas patas ao carpete espesso do quarto. Compreendendo o sobressalto nos olhos da boneca, começou a dançar desordenadamente pelo cômodo. Ela começou a rir gostosamente. O crocodilo, surpreso com as reações observadas no semblante da pequena de pano, dançou ainda mais. Os dois sorriram. Nunca houve sorriso mais verdadeiro que aquele.
Quando a música terminou contou toda sua história. Morava num pântano não muito longe dali. Nadava trinta minutos e caminhava por mais trinta até chegar àquela casa. E era muito difícil para um animal daquele tamanho caminhar!
Tinha uma família enorme – crocodilo sempre mora junto. Mas o lodo que cobria o pântano e os ajudavam a viver, tornou-se rançoso e escasso e ele fugia, uma vez por semana, para o mundo que circundava sua habitação.
Segundo o animal, havia uma senhora crocodila que tinha muitos anos – tantos que ninguém sabia ao certo a data de nascimento dela. Era muito respeitada e sua palavra era lei. Considerada a detentora da sabedoria, sempre alertava os descendentes da impossibilidade de viver longe do pântano por mais de quatro horas. Essa crença privava toda a família de um conhecimento externo, mas os mantinha unidos. Explicou que crocodilo que fica fora do pântano tem o couro ressecado e morre aos poucos. Portanto, ele precisava voltar para casa depressa, para não desidratar.
A boneca entendeu a lei máxima que regia a vida do pobre crocodilo e se satisfez com as poucas horas semanais que eram apenas dos dois.
Aquelas noites foram memoráveis. Eles dançaram, comeram, tomaram suco de melão, se abraçaram e o crocodilo conseguia fazer a boneca rir cada vez mais e renascer. Discutiam juntos os problemas dos crocodilos e das bonecas.
Ela contou a ele sua história. Que não tinha família. Da perda do coração. Das tristezas. Ele prometeu a ela que nunca mais sentiria solidão.
O crocodilo era muito discreto e já havia percebido o fio dourado que segurava o coração da pequena. Tinha medo que parasse de bater, pois ele crescia a cada dia.
Resolveu pedir para fazer uma costura – cirurgia simples. Arrumaria carinhosamente o coração e o fio dentro do peito e coseria o remendo. A boneca não sentiu medo algum, confiava nele. No encontro seguinte, com uma linha quase invisível e pontos delicados, o crocodilo consertou sua menina.
Sim, ela era dele, pensava. E ao mesmo tempo, não era.
Os pontos foram cicatrizando e a menina a cada dia ganhava cores e vida. Fascinado, o crocodilo dispensava a ela todo o tempo que podia e muitas vezes chegou ao pântano num horário limite, à beira da morte por desidratação.
Como podia um artefato viver com um animal? No pântano ela não podia viver, pois a família do jacaré a expulsaria de lá, certamente. E ele não poderia viver longe do lodo que hidratava seu couro.
Mas os dois não sabiam, dentro de sua limitação, que havia lodo fora do pântano e aceitação dentro de um cômodo.
No começo, pensava o crocodilo, era movido apenas pela curiosidade – queria inteirar-se da história daquela bonequinha rota que estava fora do lugar. Era gasta. Comparada às bonecas da estante do outro lado do quarto, era feia. Mas agora, tornara-se indispensável à vida dele. Ela havia ensinado a ele que as patas servem para fazer carinho e que os tecidos rotos podem se reconstituir através das palavras que modificam a percepção da vida. E ele ensinou a ela o valor do otimismo e da fé.
Quando estavam juntos, as horas eram preenchidas pela harmonia. Misteriosamente, a boneca começou a criar e ficou mais bela que todas as outras, pois tinha vida quase humana.
Como podia um humano viver com um animal?
Os verões passaram e um dia o inverno tornou-se insuportável novamente. O crocodilo decidiu que não podia ter duas vidas. Resolveu estabelecer sua vida no lodo do pântano.
Deliberadamente, esperava a boneca adormecer e retirava um ponto por vez daquele remendo. Acreditava que se o coração fosse extraído ela poderia novamente voltar à caixa e viver artefatamente insensível.
Mas o crocodilo não sabia que pontos quase cicatrizados doem mais que os recentes. A cada tesourada retirava não apenas parte da linha, mas matava a boneca e a fazia sofrer imensamente. A pequena suportava as dores sem pestanejar. Não mexia um músculo sequer. E fingia não perceber o que acontecia. Chorava as dores copiosamente quando o crocodilo a abandonava.
Quando a dor ficou insuportável, a boneca, num ato de coragem, arrancou o coração com as próprias mãos e o plantou na floreira que enfeitava a janela do quarto. Nessa época, o crocodilo havia espaçado suas visitas e resolveu que iria morrer no pântano. Não sabia ao certo porque fazia aquilo, apesar de perceber que o sentido da vida se esvaía. Não conseguia mudar aquele hábito. Condenou-se a uma vida apenas. Uma vida de crocodilo eterno.
A boneca voltou a ser um artefato usado, mas seu cérebro não parou de funcionar. Foi condenada a pensar e trabalhar sem sentir emoção alguma. Seus olhos perderam todo o viço. Dedicou seus dias à escrita das lembranças de sua vida dentro daquele quarto.
Após plantar seu coração, algo mágico aconteceu - ele se desfaz em raízes e uma esperança em forma de folha verde brotou daquela terra ressequida. Era verão. E ela entendeu – mas não pode sentir - que os verões também podiam ser cruéis.
Aquela folhinha transformou-se numa planta que se espalhou por toda a casa, cobrindo muros, as janelas e portas. A escuridão habitava aquela moradia e a boneca não se importava mais. Como um autômato, escrevia e escrevia sem parar.
Não suportando a separação, o crocodilo resolveu visitar a boneca e se deparou com aquele emaranhado verde que obstruía as entradas da casa. Oculto pela vegetação deu cordas na caixinha de música e a melodia ecoou pela barreira verde, mas não obteve penetração alguma.
Naquela ocasião o réptil chorou todas as suas lágrimas. A boneca, ao longe, podia ouvir - mas não sentia. O cérebro trabalhava compulsivamente e só restaram histórias em páginas amarelecidas pelo tempo.
O crocodilo todas as noites visitava aquele local para derramar suas lágrimas de arrependimento, sem ao menos saber que o coração de sua amada, desfeito em raízes, nunca poderia ser recomposto.
Dizem que na primeira primavera brotaram flores vermelhas e douradas. Resultado dos sentimentos bons que a boneca havia plantado esperançosamente, durante anos, em seu coração. Mas ao simples toque essas flores se desfaziam.
Dizem também que o crocodilo tentou, em vão, colher essas flores que proporcionavam a ele átimos de segundo de sentimentos de amor, antes de sumirem.
Essa história chegou até nós por concessão da irmã do menino desaparecido. Desígnia, num dia de outono, autorizou a queda de algumas folhas. Um forte vento soprou dentro daquele mausoléu desabitado e por um pequenino vão deixado pelas folhas caídas, uma das páginas escritas pela boneca foi levada diretamente às patas do crocodilo, que semanalmente visitava aquele santuário.
O que havia naquela página? A história dos dois.

Fernanda Macahiba.


Fonte: http://contosencantar.blogspot.com.br/2012/01/boneca-e-o-crocodilo.html