quinta-feira, 8 de março de 2018

Maria Papoila.


Nos campos sem fim semeados de trigo havia um casebre e nele morava Maria Papoila. Era uma boa moça, amiga de toda a gente, com duas rosetas na cara, vermelhas como duas papoilas.
De manhã à noitinha trabalhava curvada para a terra, alegremente cantava e assim ia passando a sua vida sem história. Até que certo dia lhe bateu à porta um criado real.
— Eras tu quem estava a cantar?
— Era, porquê?
— Ando a correr mundo à procura de alguém que tenha uma voz tão alegre que, ao ouvi-la, todos esqueçam as suas tristezas. Vou levar-te para o palácio do rei, que anda sempre triste e mal-humorado.
Maria Papoila nem podia crer no que ouvia.
Ah, como ia contente, mais vermelha que nunca, com seu vestido de chita e botas de atacadores! Levava chapéu de palha e pelo caminho colhia espigas e malmequeres para formar um ramalhete.
Quando o rei ouviu a sua voz, logo um sorriso lhe perpassou os lábios. Era tão clara, tão quente, tão vibrante de alegria, que as damas e fidalgos se não cansavam de a aplaudir.
Mas logo a rainha lhe deu ordem para mudar de trajo. Trouxeram-lhe um lindo vestido de seda preta, uns sapatos aguçados, de grandes saltos. Prenderam-lhe os cabelos com fitas de veludo.
Maria Papoila viu-se ao espelho, negra como uma viúva, quis dar um passo e sentiu uma terrível dor nos pés. Mandaram-na sentar, pois já as aias vinham pôr-lhe pó de arroz nas faces.
— Estás vermelha demais, pareces mesmo uma saloia. Daqui por diante não podes tornar a andar ao sol.
Maria Papoila cantava, cantava sempre. Uma alegria escaldante parecia correr-lhe no sangue e ter de lhe sair pela boca em flor. Mas os olhos começavam a entristecer.
Sentava-se ao pé do rei e, enquanto cantava, ouvia as suas ordens, os seus projetos, os seus segredos. Ouvia planear as guerras, decretar a prisão dos descontentes, a morte dos revoltados. Ouvia troçar do suor dos camponeses, da dor dos feridos, da angústia dos desamparados, da miséria do povo. E exigir dos pobres dinheiro, mais dinheiro para esbanjar em festas e amontoar nos cofres.
Então a sua voz, que quase se embargava de lágrimas, quase sufocava de raiva, era mais bela do que nunca. Mas perdera a alegria.
Deram-lhe colares de pérolas, brilhantes e safiras, trouxeram-lhe pássaros raros, flores exóticas, cozinharam-lhe requintadas guloseimas. Ofereceram-lhe um manto de pele de tigre, um coche de prata puxado a vinte cavalos para passear nos jardins. O rei ordenou novos impostos para lhe construir um palácio de cristal com teto de ouro. Mandou desviar um rio para lhe fazer um lago.
Mas a sua voz era cada vez mais triste. Quando cantava, toda a dor do mundo chorava através dela. Ninguém podia ouvi-la que lhe não viessem as lágrimas aos olhos.
Até que, numa noite de tempestade, Maria Papoila fugiu. Enfiou o vestido de chita, as botas de atacadores, levou o ramalhete de espigas ressequidas. Correu pela cidade deserta, por becos esconsos, por ruas desconhecidas. Ao nascer do dia, sentiu-se tão cansada que se deixou cair numa pedra. Não trouxera dinheiro. Tinha fome e sede, os pés doridos, a roupa encharcada e colada ao corpo.
Chegara a uma aldeia com casebres de terra amassada, sem janelas, da cor do chão. Um bando de miúdos chapinhava nas poças. Um deles aproximou-se, sorrindo, e estendeu-lhe um naco de pão.
Maria Papoila ergueu os olhos húmidos. E novamente a sua voz brotou, alegre, clara, tão alegre, viçosa, tão contagiante, que todos assomaram às portas com um sorriso nos lábios.
Fonte: https://www.historias-infantis.com/maria-papoila/
Para colorir:

As moedas caídas do céu. Irmãos Grimm.

Imagem google.

Era uma vez uma pobre menina, cujos pais haviam morrido. Era tão pobre, que não tinha nem quarto para morar, nem caminha para dormir; nada mais possuía além da roupa do corpo e um pedacinho de pão, que uma pessoa caridosa lhe havia dado.
Contudo, era a menina muito boa e piedosa.
Como se achava completamente abandonada de todo o mundo, pôs-se a vaguear de cá e de lá pelos campos, confiando-se à guarda do bom Deus.
No caminho, encontrou um mendigo, que lhe disse; - Pelo amor de Deus, dá-me alguma coisa para comer! Estou com tanta fome!
A menina deu-lhe o pedaço de pão que tinha, dizendo-lho:
- Deus te ajude.
E continuou o caminho. Logo depois encontrou uma menina que chorava e disse-lhe:
- Tenho tanto frio na cabeça! Dá-me alguma coisa para cobrir-me.
Ela tirou, prontamente, o gorro e deu-lho.
Pouco mais adiante, encontrou outra menina que estava transida de frio e não tinha sequer um jalequinho para se agasalhar. Ela despiu o seu e entregou-lho. Finalmente, mais além, outra menina pediu-lhe a saia; ela imediatamente deu-lhe a sua.
Por fim, chegou a um bosque e já caía a noite; aproximou-se-lhe outra menina e lhe pediu a camisinha; a boa criatura pensou:
- E' já noite escura, ninguém me verá. Portanto, posso bem dar-lhe a minha camisa.
Despiu-a e entregou-lha.
Depois de ficar sem nada, sem um farrapo no corpo, ficou lá no bosque muito sozinha. Mas, no mesmo instante, as estreias do céu puseram-se a cair, e ela viu, com assombro, que eram lindas moedas reluzentes.
E, embora ela se tivesse despojado da sua camisinha, tinha uma completamente nova, de finíssima cambraia a cobrir-lhe o corpo. Então, apanhou e recolheu nela as lindas moedas e ficou rica para o resto da vida.


Irmãos Grimm

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A arma infalível – quando o amor supera o ódio.


Certo dia, um homem revoltado e com muito ódio, escreveu uma carta malcriada e mandou para o chefe da oficina que o havia despedido.
 Era uma carta com ameaças cruéis. Quando o diretor do serviço leu as frases que expressavam ódio, guardou no próprio coração, e ficou furioso sem saber por quê. Encontrou, quase de imediato, o subchefe da oficina e, a pretexto de ver uma peça quebrada, jogou sobre ele a bomba mental que trazia consigo.
Foi a vez de o subchefe ficar nervoso. Guardou o sentimento de raiva, ficando aborrecido por várias horas e, na hora do almoço, ao invés de comer, descarregou na esposa o perigoso veneno. Só por causa de um sapato mal engraxado, disse dezenas de palavras feias; sentiu-se aliviado e a mulher passou a sentir uma má sensação, em forma de raiva sem saber por quê. Repentinamente transtornada, se aproximou da empregada que fazia o serviço de calçados e desabafou com palavras ásperas, ferindo o coração da menina.
Agora, era uma pobre menina que tinha o sentimento ruim. Não podendo despejar nos pratos e xícaras ao alcance de suas mãos, chegou perto do velho cão, dorminhoco e paciente, e lhe deu um pontapé.
O animal gritou, disparou e, mordeu a primeira pessoa que encontrou na rua.
Era a esposa de um vizinho que, ferida na coxa, ficou enfurecida. Em gritaria desesperada, foi levada até a farmácia; mas, transferiu ao enfermeiro que a socorria todo aquele sentimento de raiva.
O rapaz, muito prestativo, e calmo que era se transformou em fera verdadeira. Revidou o tratamento com palavras ásperas e saiu, alucinado, para casa, onde a devotada mãezinha o esperava para a refeição da tarde. Chegou e descarregou sobre ela toda a ira de que era portador.
- Estou farto! – gritou – a senhora é culpada dos aborrecimentos que me perseguem! Não suporto mais esta vida infeliz!
Fuja da minha frente!
Disse nomes terríveis. Blasfemou. Gritou colérico, qual louco.
A velhinha, porém, longe de se aborrecer, segurou em suas mãos e disse com naturalidade e carinho:
- Venha cá, meu filho! Você está cansado e doente! Sei a extensão de seus sacrifícios por mim e reconheço que tem razão para lamentar. Mas, tenhamos bom ânimo! Lembremos-nos de Jesus!... Tudo passa na Terra. Não nos esqueçamos do amor que o Mestre nos deixou...
Abraçou-o, comovida, e afagou seus cabelos!
O filho observou seus olhos serenos e reconheceu que havia no carinho materno tanto perdão e tanto entendimento que começou a chorar, pedindo desculpas.
Houve então entre os dois uma explosão de alegrias. Jantaram felizes e oraram em sinal de reconhecimento a Deus.
A projeção destrutiva do ódio morrera, afinal, ali, dentro do lar humilde, diante da força infalível e sublime do amor.

Livro: Alvorada Cristã - Francisco C. Xavier, pelo Espírito Neio Lúcio.

Refletindo sobre a história:

1-    Por que o homem que escreveu a carta malcriada para o chefe da oficina estava revoltado?
2-    Sua atitude é correta? De que outra forma ele poderia ter agido? (conversando)
3-    Tente explicar porque aconteceu uma sequencia de fatos envolvendo ódio e falta de educação depois da atitude dele.
4-    Se o homem ao invés de mandar a carta, tivesse conversado com seu chefe, tudo poderia ter acontecido de forma diferente? Sim? Não? Por quê?
5-    Quem afinal acabou com a cadeia de ódio e desavenças criadas, e como aconteceu?


O ódio não resolve nada, devemos dialogar com paciência, tentando entender o ponto de vista do outro, e cultivar o amor no coração. 

Atividades:

Para colorir:


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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

História de uma semente. - CUIDADOS COM A NATUREZA, ECOLOGIA




Era só uma semente, um grão verde embalado tipo para presente.
Por fora não se nota o mundo que lá dentro mora.
Sol, água e chão e assim a vida surge de dentro de um grão.
Agora é broto, amanhã cresce e floresce, depois dá frutos e amadurece.
Nos da o ar para respirar, os frutos para nos alimentar.
Sombra fresca para que possamos contemplar toda natureza.
A generosa árvore ainda nos dá mais grãos para semear.
Ah natureza como és sabia, só nos basta nos conscientizar.

Fonte: blog da amiga Coruja Garatuja


Tema: cuidados com a natureza, ecologia.

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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Os dois Alforjes (La Fontaine).

Imagem google.

Um dia Júpiter convocou os animais para comparecerem diante dele, a fim de que, comparando-se uns com os outros, cada animal reconhecesse o próprio defeito ou a própria limitação. Assim, Júpiter poderia corrigir as imperfeições.
E os animais, um a um elogiavam a si próprios, gabavam-se de suas qualidades e só relatavam os defeitos alheios. O macaco, ao ser questionado se estava feliz com seu aspecto, respondeu:
— Mas claro que sim! Cabeça, tronco e membros, eu os tenho perfeitos. Em mim, praticamente, não acho defeitos. É pena que nem todo mundo seja assim... — Os ursos, por exemplo, que deselegante!
O urso veio em seguida, mas não se queixou de seu aspecto físico, até se gabou de seu porte. Fez críticas aos elefantes: orelhas demasiadamente grandes; caudas insignificantes. Animais grandalhões, sem graça e sem beleza.
Já o elefante pensa o oposto e se acha encantador; porém, a natureza exagerou, para o seu gosto, quanto à gordura da baleia.
A formiga, ao falar da larva, franze o rosto:
— Que pequenez mais triste e feia!

Moral da história:

Assim são os homens. É como se lhes tivessem colocado dois alforjes: no peito, o alforje com os males alheios, e nas costas, o alforje com os próprios males.
De tal modo que são cegos quanto aos próprios defeitos, mas enxergam com nitidez os defeitos dos outros.

La Fontaine.

Analisando a fábula: através de perguntas, levar à conclusão:

Um  dos problemas dos homens, consiste em ver o mal dos outros, antes de ver o mal que está em nós. Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse, de certo modo, transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu, se visse alguém fazer o que faço?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A arvorezinha de Natal. Conto de Natal para as crianças.

Fonte da imagem:

http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=237078&picture=fundo-com-arvore-de-natal

Um conto natalino que ensina valores e o sentido do Natal às crianças.


Numa pequena cidade havia somente uma loja que vendia árvores de Natal. Ali era possível encontrar árvores de todos os tamanhos, formas e cores. O dono da loja tinha organizado um concurso para premiar a árvore mais bonita e melhor decorada do ano, e o melhor de tudo é que seria o próprio São Nicolau que iria entregar o prêmio no dia de Natal.
Todas as crianças da cidade queriam ser premiadas pelo Papai Noel e correram para a loja para comprar sua árvore para decorá-la e poder participar do concurso.
Por sua vez, as arvorezinhas se emocionavam muito quando viam os meninos, que decididos a ganhar o concurso, gritavam: Pra mim... pra mim... Olhem pra mim! Cada vez que entrava uma criança na loja era igual, as arvorezinhas começavam a se esforçar para chamar a atenção e serem escolhidas.
Escolha-me porque sou grande!... Não! Escolha-me porque sou gordinha!... Ou A mim, que sou de chocolate!... Ou a mim que posso falar!... É o que se ouvia em toda a loja. Os dias foram se passando e somente se escutava a voz de uma arvorezinha que dizia: A mim, a mim... Que sou a mais pequenina!
Quase às vésperas do Natal, chegou à loja um casal muito elegante que queria comprar uma arvorezinha.
O dono da loja informou-lhes que a única árvore de Natal que havia sobrado era muito pequenininha. Sem se importar com o tamanho, o casal resolveu levá-la.
A arvorezinha pequenina se alegrou muito, porque finalmente alguém ia poder decorá-la e poderia participar do concurso. 
Ao chegar na casa onde o casal morava, a arvorezinha ficou surpresa: Como eu sendo tão pequenina, poderei brilhar diante de tanta beleza e imponência?
Assim que o casal entrou na casa, começaram a chamar a filha: Regina!...Venha filha! Temos uma surpresa para você! A arvorezinha escutou umas rápidas pisadas vindas do andar de cima.
Seu coraçãozinho começou a bater com força. Estava contente por poder deixar aquela linda menininha feliz.
Quando a menina desceu, a pequenina árvore se surpreendeu com a reação dela: Essa é minha arvorezinha? Eu queria uma árvore grande, frondosa, enorme e alta até o céu para decorá-la com milhares de luzes e bolas. Como vou ganhar o concurso com essa arvorezinha anã? Disse a criança chorando.
- Regina, era a única arvorezinha que sobrou na loja, explicou seu pai.
- Não a quero! É horrível... Não a quero! Gritava a furiosa criança.
Os pais, desiludidos, pegaram a pequenina árvore e levaram de volta à loja. A arvorezinha estava triste porque a menina não a quis, mas tinha esperança de que alguém viria levá-la para decorá-la a tempo para o Natal. Uma hora mais tarde se escutou a porta da loja se abrir.
A mim... A mim... Que sou a mais pequenina! Gritava a arvorezinha cheia de felicidade. Era um casal robusto, com mãos enormes. O dono da loja lhes informou que a única árvore que havia sobrado era aquela pequenina perto da janela. O casal pegou a arvorezinha, e sem dar importância ao tamanho, foi embora com ela.
Quando estavam chegando em casa, a arvorezinha viu quando dois menininhos gordinhos vinham ao seu encontro e gritavam: Encontrou papai? É como pedimos à senhora, mamãe? Quando os pais desceram do carro, as crianças foram em cima da pequenina árvore.
O que aconteceu depois? Vocês podem terminar a estória! Que tal consultar a família?
Por Amarilis Irigoyen

Para colorir, depois pode-se colar em papelão e enfeitar a árvore de Natal.