quarta-feira, 30 de março de 2016

O Morcego e a Doninha. Lindo conto de Esopo.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php image=132672&picture=morcego-cinza


Um Sábio não transforma uma solução em outro problema...

Sábio é aquele incapaz de criar um problema a partir de uma solução...



Um Morcego desajeitado caiu acidentalmente no ninho de uma Doninha, que, com um bote certeiro o capturou.
Atemorizado, o Morcego pediu que esta lhe poupasse a vida, mas a Doninha não queria lhe dar ouvidos.
"Você é um Rato," ela disse, "e Eu sou, por natureza, inimiga dos Ratos. Cada Rato que pego, evidentemente, me serve de jantar, essa é a lei..."
"Mas, a senhora veja bem, eu definitivamente, não sou um Rato..." tentou se explicar o infeliz Morcego. "Veja minhas asas. Você já viu um Rato que é capaz de voar? Claro que sou apenas um tipo de pássaro, de uma variedade, podemos afirmar, um tanto quanto exótica. Por favor, me deixe ir embora..."
A Doninha, olhando melhor para sua vítima, concordou que ele não era um Rato e o deixou ir embora. Mas, alguns dias depois, o mesmo atrapalhado Morcego, cegamente, caiu outra vez no ninho de outra Doninha.
Ocorre que Esta Doninha era inimiga declarada de todos os pássaros, e logo que o tinha em suas garras, preparou-se para abocanhá-lo.
"Você é um pássaro," ela Disse, "por isso mesmo o comerei..."
"O que?", exclamou o Morcego, "Eu, um pássaro! Isso é quase um insulto. Todos os pássaros possuem penas! Cadê minhas penas, você é capaz de vê-las? Claro que não sou nada além de um simples Rato. Tenho até um lema que é: Abaixo todos os Gatos!"
E o Morcego teve sua vida poupada pela segunda vez.

Moral da História:

A flexibilidade é a virtude dos Sábios...

Reflexões:

Para cada situação da vida você deve ter atitudes e respostas diferentes, e não significa falta de personalidade, ao contrário, significa que você entendeu que tudo muda na vida e nas pessoas.

Você muda todos os dias. No seu corpo acontecem coisas importantes que muitas vezes passam despercebidas, como a renovação das células, cabelo, pele e unhas, além dos órgãos internos.  Assim como o corpo muda, você vai amadurecendo e adquirindo novos conhecimentos.

Você acha que a natureza também muda?

Por quê?



Será que os peixes do mar são sempre os mesmos?


Recorte de morcego bem fácil:
Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/morcego-%C3%ADcone-s%C3%ADmbolo-black-895270/

segunda-feira, 28 de março de 2016

A verdadeira história de Mogli o menino lobo.


Quem é Mogli?

Mogli é um personagem fictício criado em 1894, pelo escritor britânico/indiano Joseph Rudyard Kipling. Joseph nasceu em Mumbai na Índia, época em que a região era controlada pela Companhia Britânica das Índias Orientais.
O nome verdadeiro do personagem principal dessa história não é Mogli e sim Mowgli, que significa sapo na linguagem criada pelo autor.

Influências.

O tema abordado na época, já não era novidade, pois já existia um conto semelhante ao de Mogli, o conto de Rômulo e Remo, a história em que os gêmeos bebês foram criados por lobos que posteriormente fundariam a Antiga Roma.
Com a fama, o conto foi escrito por outros autores e inclusive a Disney não ficou de fora, pois em 1967, um filme baseado na história foi lançada pelo estúdio.
Pouco tempo depois, outra história ganhou fama com a relação entre homem e animal: A história de Tarzan.
Além de tudo, a história de Mogli é muito utilizada como referência às leis da sobrevivência dos escoteiros.

A verdadeira história de Mogli.


Certo dia, um guarda florestal encontrou um jovem talentoso em uma floresta na área central da Índia. Como o jovem, possuía algumas habilidades extraordinárias de caça e rastreamento, o guarda convidou Mowgli a se juntar no serviço florestal. A origem da suas habilidades, está atrelado em sua criação, pois o protagonista, teria sido criado por uma matilha de lobos.
Mowgli perdeu seus pais, após a um ataque de um tigre, quando ele ainda era um bebê. Incrivelmente, o bebê sobreviveu e foi encontrado e adotado pelos lobos. O bebê, teria sido batizado de Mowgli, que significa "SAPO", por ser pelado, não possuidor de uma camada de pelos, como os lobos.
O bebê cresce junto com seus irmãos lobos e aprende a caçar e outras habilidades que um humano normal, jamais conseguiria aprender. Além do mais, ele tinha uma capacidade única entre os lobos, a capacidade de retirar todos os espinhos do corpo facilmente de seus companheiros.
Com o passar do tempo, Mowgli encontrou uma aldeia de humanos e se deparou com um casal que teria perdido seu filho pelo mesmo tigre que teria matado os pais de Mowgli. O casal então,  resolve adotar o menino lobo.
O tigre que tirou a vida dos pais do garoto, ainda o persegue, ciente da situação, Mowgli bola uma emboscada para o tigre. O tigre cai em um barranco e é morto pisoteado por uma manada de búfalos. Após sua morte, sua pele é arrancada pelo menino lobo. Enquanto esfolava o tigre, um caçador avistou a cena e incita os moradores de uma aldeia a persegui-lo. Para piorar a situação, o caçador ainda captura os pais adotivos de Mowgli, enfurecido, ele envia búfalos e elefantes para a aldeia dos caçadores.
Por fim, Mowgli reencontra seus pais adotivos e decide aceitar a sua verdadeira natureza de um ser humano, passando a viver com eles.

domingo, 27 de março de 2016

A Dama e o Vagabundo. Um Clássico da Literatura infantil com ilustrações e atividades.

Uma jovem recém-casada recebeu de presente uma pequena cadelinha que chamou de Lady.
E desde então é um festival de carinhos que não tem fim!
Lady é tão linda que os cães do quarteirão não tem olhos para nada, a não ser para ela.
Especialmente Vagabundo!
Porém, Lady recusa-se a falar com ele. Ela acha tão despenteado, tão mal-educado!
Um belo dia, Lady deu adeus à sua boa vida.
Sua dona teve um bebê.
Todos os sorrisos, todos os carinhos são para o recém-nascido.
Mas o pior de tudo é quando tia Sarah chega em casa com seus dois horríveis gatos.
Si e Ão.
Os dois siameses malvados começam imediatamente a atacá-la e a mexer em tudo que havia dentro de casa.
Lady defende, porém quebra tudo na sala.
Como punição lhe colocam uma focinheira.
Lady se debate, salta, dá pulos, se enfurece!
Para onde será que ela vai?
Ela foge desesperada para a rua, e os cães vadios a atacam sem piedade.
Mas eis que chega o Vagabundo! Ele rosna, morde, afasta os cachorrões, Salvando Lady.
Lady se encanta com a bravura de Vagabundo e começa se apaixonar!
Vagabundo conduz Lady à uma cantina do seu amigo Tony. E aquele dia em especial Tony prepara uma deliciosa macarronada para os dois.
E ali começou um grande romance. 
Mais tarde eles se casaram, tiveram muitos filhotes e Lady pode voltar com sua família para casa, onde todos puderam ser felizes.

A Dama e o Vagabundo (no original em inglês: Lady and the Tramp) é um filme americano de animação produzido pela Disney em 1955 e baseado em conto do autor Ward Greene.

Para imprimir o livrinho da história A Dama e o Vagabundo para colorir clique AQUI

Voa Voa Passarinho.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=150714&picture=os-passaros-do-amor-amp-girassois

Voa, voa, passarinho voa
Corta os ares deste céu azul anil
O sol te aquece as costas
Enquanto plana em pleno vento norte
Repousa num fio a assoviar

À tardinha ainda há quem voe
Perfurando as nuvens feitas de algodão
Sobrevoar as casas, subir, descer, girar, dar piruetas
Voltar para o ninho e descansar

Voa, voa, vai lá no céu, que nem avião de papel
Sobe, sobe feito um balão, a vida é pura diversão




Recortes: 

Para os pequenos você pode levar o molde e as crianças fazem o recorte do passarinho para depois pintar. Podem fazer um céu azul em cartolina e depois colar seus trabalhos.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=125793&picture=dois-passaros-pequenos

sexta-feira, 25 de março de 2016

Ou isto ou aquilo. Cecilia Meireles. Leia poesia para suas crianças.

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecilia Meireles.



Essa linda poesia pode ser introdução e preparação para trabalhar temas como: escolhas, destino, livre arbítrio, responsabilidade.
A poesia nunca deve ser explicada, apenas sentida com toda a sua beleza e musicalidade.
Mas depois de ser lida, pode-se utilizar os temas abordados como incentivo para outros temas edificantes.
As atividades a serem feitas utilizando uma poesia são muitas, indo desde o desenho livre até dinâmicas e dramatizações.
Sugestão para o dia: reunir as crianças em grupo onde cada grupo vai escolher uma vivência de escolha e criar uma historinha.
Se as crianças forem pequenas o educador deverá levar exemplos como:
Seus pais não estão em casa. Você tem que estudar para a prova, mas está com vontade de brincar no computador.
Qual a escolha correta? Escreva uma historinha resumida da sua escolha e depois ilustre.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O Sapateiro e Os Elfos, dos Irmãos Grimm. Um conto de Natal.

Era uma vez um sapateiro que tinha ficado tão pobre, mesmo sem culpa nenhuma, que a única coisa que lhe restara era um pedaço de couro que dava para fazer um único par de sapatos. De noite, ele cortou o molde dos sapatos, planejando começar a trabalhar neles no dia seguinte. Depois, de consciência tranquila, foi calmamente para a cama, entregou-se a Deus, e adormeceu.
De manhã, rezou suas orações e ia se sentar para começar a trabalhar quando viu que os sapatos estavam prontinhos em cima da banca. Ficou tão espantado, que nem sabia o que pensar. Pegou os sapatos e olhou de perto. Não havia um único ponto irregular e estava perfeito como se tivesse sido feito por um mestre-artesão.
Melhor ainda: logo chegou um cliente que gostou tanto dos sapatos que pagou por eles mais do que seria o preço normal. Com o dinheiro, o sapateiro ia comprar um pedaço de couro que dava para fazer dois pares de sapatos. Novamente, ele deixou os moldes cortados de noite, antes de ir deitar, pretendendo trabalhar neles com mais ânimo no dia seguinte. Mas nem precisou, porque quando se levantou os sapatos já estavam prontos. E também logo chegaram compradores, que lhe pagaram o suficiente para que ele comprasse couro para quatro pares novos.
Na manhã seguinte, ele encontrou os quatro pares prontos. E assim continuou: os sapatos que ele deixava cortados de noite estavam terminados de manhã. Em pouco tempo ele estava conseguindo se manter decentemente e, daí a mais um pouco, estava rico.
Numa noite, pouco antes do Natal, depois que o sapateiro tinha cortado o couro e eles estavam se preparando para ir dormir, ele disse para a mulher:
— E se a gente ficasse acordado hoje para ver quem é que está nos ajudando?
A mulher gostou da ideia e deixou a lâmpada acesa. Os dois se esconderam num canto, atrás de umas roupas, e ficaram esperando.
À meia-noite, dois homenzinhos nus e com ar muito esperto entraram, se inclinaram diante da banca de trabalho, pegaram as peças que estavam cortadas e começaram a furar, costurar e martelar com tanta rapidez e agilidade em dedinhos pequenos que o sapateiro nem acreditava, de tão espantado. Trabalharam sem um momento de descanso, até que os sapatos estavam prontinhos, em cima da banca. Então saíram correndo e foram embora. Na manhã seguinte, a mulher disse:
— Esses homenzinhos nos fizeram ficar ricos. Devíamos mostrar a eles como estamos gratos. Eles devem ter frio, coitados, correndo de um lado para outro sem nada para vestir. Sabe de uma coisa? Vou fazer umas camisas e calças para eles, coletes, e casacos… E você podia fazer uns pares de sapatos.
— Ótima ideia disse o sapateiro.
Naquela noite, quando aprontaram tudo, deixaram os presentes em cima da banca de trabalho, em vez dos moldes de couro cortado. Depois se esconderam para ver o que os homenzinhos iam fazer. À meia-noite, lá chegaram eles correndo, prontos para trabalhar. De início, ficaram meio intrigados ao ver aquelas roupinhas, em vez do couro cortado. Mas deram pulos de alegria. Ligeiros como o relâmpago, vestiram as roupinhas lindas, se ajeitaram todos e cantaram:
— Estamos lindos, tão elegantes. Sem mais trabalho, como era antes…
Pularam e dançaram, saltaram por cima das cadeiras e dos bancos, e finalmente saíram pela porta afora, sem parar de dançar. Depois disso, nunca mais voltaram, mas o sapateiro continuou prosperando até o fim de seus dias, porque tudo em que ele punha as mãos dava certo.



Um conto dos Irmãos Grimm.

Moral da história: 

quem trabalha com vontade e capricho sempre é recompensado com ajudas de outras pessoas.


Significado de Elfos:


[Mitol.]- Elfos são personagens da mitologia escandinava; gênios, de pequeno porte, espertos, travessos e geralmente benfeitores dos homens. São divididos em elfos das
trevas, que vivem em regiões subterrâneas e elfos da luz, que são mais belos que o Sol e vivem em um país fabuloso, chamado Alfheim.


Para você saber sobre contação de histórias, clique AQUI

Perguntas:

- O sapateiro teve culpa de ficar pobre?

- Quantos pares de sapato dava para fazer com o couro que restou?

- Você acha que ele agiu corretamente ao utilizar o último pedaço de couro para fazer um sapato?

- O sapateiro confiava em Deus? E você, também confia?

- Sem a ajuda dos Elfos, você acha que o sapateiro conseguiria?

- Os Elfos são do bem ou do mal?

Pedir que a turma faça um resumo do restante da história.

Por que os Elfos ao receberem as roupas não voltaram mais?

- A missão dos Elfos era apenas ajudar sem pedir nada em troca - 

Atividade:

Desenho livre sobre a parte da história que mais gostaram.

domingo, 20 de março de 2016

Jasão. Mitologia grega.

Jasão é um importante personagem herói da cultura grega.
Filho de Esão com Alcímede ou Polímede, já que há versões diversas sobre quem seria de fato sua mãe, Jasão era proveniente da Tessália, uma região localizada na parte central da Grécia banhada pelo mar a Leste. De acordo com a tradição, Jasão teria sido criado pelo centauro Quíron, um homem cuja metade de baixo de seu corpo era de cavalo. Quíron era diferente dos tradicionais centauros com fama de bebedores e indisciplinados, ele era inteligente, civilizado e bondoso, famoso e reconhecido por sua inteligência superior a dos seus pares, especialmente no que se referia ao trato com a medicina.
Jasão era membro de uma linhagem nobre. Seu avô, Creteu, era fundador do trono de Lolcos, uma cidade da mitologia grega localizada também na Tessália. O trono foi passado para o tio de Jasão, Pélias, que temia a profecia de ser morto por seu sobrinho. Para fugir de seu suposto destino, Pélias enviou Jasão para uma missão quase impossível, que era trazer o Velocino de Ouro, a lã de ouro do carneiro alado Crisómalo, de Cólquida, região localizada no sul do Cáucaso, muito distante. 
Essa era a condição estipulada por Pélias para que seu sobrinho restituísse o trono. Jasão foi então para Argo, uma cidade na Península do Peloponeso, para construir sua nau. Lá, ele reúne uma tripulação de heróis para acompanha-lo que ficaria conhecida como argonautas.
Jasão e os argonautas enfrentaram vários desafios até, finalmente, chegarem à Cólquida. 
Para piorar, o soberano do local, o Rei Eetes, exigiu que Jasão cumprisse várias tarefas para que tivesse o direito de obter o Velocino de Ouro. Entre as tarefas exigidas estavam arar um campo com touros que cuspiam fogo, semear os dentes de um dragão, lutar com o exército que brotaria desses dentes semeados e passar pelo dragão que fazia a guarda do Velocino. Para surpresa do rei, Jasão realizou completamente todas as tarefas e, enfim, obteve o que fora buscar. No entanto, o herói grego se enamorou pela filha do rei, Medeia, e fugiu com ela buscando o caminho de casa. No meio do trajeto, Jasão teve de enfrentar mais uma série de desafios por conta disso. E, ao voltar para Lolco, Medeia planeja a morte de Pélias para fazer cumprir a profecia. Pélias ficou surpreso com a volta de Jasão, pois achava que sua tarefa era impossível de ser realizada. 
Ao fim, foi morto e seu trono passou para seu filho Acasto, que foi morto pelas próprias filhas, também enganadas por Medeia. Só então Jasão sucedeu como soberano no trono de Lolco.
Passado algum tempo, Jasão se retirou para Corinto e, após dez anos de casamento com Medeia, o herói grego a abandonou para se casar com a filha do rei de Corinto, Gláucia. Medeia, que já havia demonstrado sua capacidade de arquitetar a morte de seus rivais, vingou-se de Jasão matando Gláucia e os próprios filhos que tivera com o grego de Tessália. Ela fugiu em seguida para Atenas, onde se casou com o rei Egeu e teve um filho, Medo. Mãe e filho retornaram para Cólquida e descobriram que Eetes havia sido deposto por seu filho Perses. Mais uma vez, Medeia, agora junto com seu filho, planeja outra morte e entrega o reino a Medo. Enquanto isso, Jasão vivia em descrédito e tristeza quando, muitos anos depois, foi morto por um pedaço de madeira.



Atividade: 

Dramatização da lenda com utilização de máscaras que serão confeccionadas pelas crianças.
Lembrar a origem das máscaras e do teatro como oriundos da Grécia, fazendo link com a história de Jasão.

Subsídios para o educador:

História das Máscaras.

Por Ana Lucia Santana.

Ao longo da história da humanidade, as máscaras foram utilizadas com os fins mais distintos, de acordo com a cultura e a religiosidade do povo que as adotavam. Geralmente elas permitiam o acesso a universos regidos pela imaginação ou a dimensões espirituais invisíveis. Os contadores de histórias assumiam muitas vezes o uso das máscaras para dar mais vida às suas narrativas, enquanto muitos eventos próprios da Natureza, mas que não se podiam ainda explicar, eram compreendidos através do recurso a estas ferramentas de ilusão e dissimulação.
Elas desempenharam, em muitas civilizações, o papel espiritual, como instrumentos principais em rituais sagrados. Assim foi na África, quando eram elaboradas por mãos artísticas, com feições distorcidas, proporcionalmente maiores do que as normais, constituídas de cobre, madeira ou marfim; no Egito Antigo, onde mascaravam as múmias prestes a serem enterradas, enfeitadas com pedras preciosas; entre os indígenas norte-americanos, habitantes do noroeste dos EUA, bem como os Hopi e os Zuni, em solenidades nas quais pranteavam seus entes queridos que haviam partido para a espiritualidade.
Os nativos brasileiros, em suas cerimônias, portavam máscaras simbolizando animais, pássaros e insetos; na Ásia, elas eram assumidas tanto em ritos espirituais quanto na realização de casamentos; em várias tribos primitivas, os índios mais velhos usavam máscaras em cerimônias de cura, para expulsar entidades negativas, com o objetivo de unir casais em matrimônio ou nos rituais de passagem, momentos marcados pela transição da infância para o mundo dos adultos.
As máscaras também tinham características simbólicas, como se verifica nas tribos de esquimós que residem no Alaska. Eles acreditavam na dupla vida de cada ser, de um lado humana, de outro animal. Desta forma, as máscaras também eram produzidas com uma feição duplicada; em algumas festas erguia-se a mais externa, revelando a outra, até então oculta.
No mundo ocidental os antigos gregos foram pioneiros no uso das máscaras, adotadas nas festas dionisíacas, perpetradas em homenagem a Dionísio, divindade responsável pelo vinho e pelos rituais de fertilidade. Nessas ocasiões, todos dançavam, cantavam, se embriagavam e realizavam orgias, evocando a presença do deus através do emprego da máscara. A Grécia foi também o berço do Teatro, modalidade artística que recorria constantemente ao encantamento das máscaras, até mesmo como uma forma de evitar que os atores incorporassem os mortos. Atualmente ainda se vê este hábito perpetuado no Japão.
Com a queda do Império Romano, os cristãos primitivos praticamente proibiram o uso das máscaras, considerando-as instrumentos do paganismo. Na América, elas desembarcaram junto com os europeus que para lá se transferiram, tanto como brinquedos infantis, quanto para bailes e outras festas. Em Veneza, no século XVIII, as máscaras transformaram-se em itens de consumo cotidiano por todos os seus habitantes, velando apenas o nariz e os olhos. Logo foram proibidas, pois dificultava a ação da polícia na identificação de criminosos, muito comuns nesta cidade naquela época.
Atualmente elas são utilizadas em festas tradicionais, no Halloween, o famoso Dia das Bruxas, e no Carnaval; bem como em determinadas práticas profissionais, como a do apicultor, que assim se protege do ataque das abelhas; ou em certos esportes, como a esgrima.