quinta-feira, 23 de junho de 2016

Os sete corvos. Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.

Fonte da imagem: http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=16218&picture=crianca-e-da-lua

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm.

Um homem tinha sete filhos e nunca tinha uma filha, por mais que desejasse. Até que, finalmente, sua mulher lhe deu esperanças de novo e, quando a criança veio ao mundo, era uma menina. A alegria foi enorme, mas a criança era franzina e miúda e, por causa dessa fraqueza, foi preciso que lhe dessem logo os sacramentos. O pai mandou um dos filhos ir correndo até a fonte, buscar água para o batismo. Os outros seis foram atrás do irmão e, como cada um queria ser o primeiro a puxar a água para cima, acabaram deixando o balde cair no fundo do poço. Aí eles ficaram assustados, sem saber o que deviam fazer, e nenhum dos sete tinha coragem de voltar para casa. Foram ficando por lá, sem sair do lugar.
Como estavam demorando muito, o pai foi ficando cada vez mais impaciente e disse: - Na certa ficaram brincando e se esqueceram de voltar, aqueles moleques levados...
Começou a ficar com medo de que a menininha morresse sem ser batizada e, com raiva, gritou:
- Tomara que eles todos virem corvos!
Mal o pai acabou de dizer essas palavras, ouviu um barulho de asas batendo no ar, por cima da cabeça. Levantou os olhos e viu sete corvos negros como carvão voando de um lado para outro.
Os pais ficaram tristíssimos, mas não conseguiram fazer nada para quebrar o encanto.
Felizmente, puderam se consolar um pouco com sua filhinha querida, que logo recuperou as forças e cada dia ia ficando mais bonita. Durante muito tempo, ela ficou sem saber que tinha tido irmãos, porque os pais tinham o maior cuidado de nunca falar nisso. Mas um dia, ela ouviu por acaso umas pessoas comentando que era uma pena que uma menina assim tão bonita como ela fosse a responsável pela infelicidade dos irmãos.
A menina ficou muito aflita e foi logo perguntar aos pais se era verdade que ela já tinha tido irmãos, e o que tinha acontecido com eles. Os pais não puderam continuar guardando segredo. Mas explicaram que o que aconteceu tinha sido um desígnio do céu, e que o nascimento dela não tinha culpa de nada. Só que a menina começou a ter remorsos todos os dias e resolveu que precisava dar um jeito de livrar os irmãos do encanto. Não sossegou enquanto não saiu escondida, tentando encontrar algum sinal deles em algum lugar, custasse o que custasse. Não levou quase nada: só um anelzinho como lembrança dos pais, uma garrafinha d'água para matar a sede e uma cadeirinha para descansar.
Andou, andou, andou, cada vez para mais longe, até o fim do mundo. Aí, ela chegou junto do sol. Mas ele era quente demais e muito terrível, porque comia os próprios filhos. Ela saiu correndo, fugindo, para bem longe, até que chegou junto da lua. Mas a lua era fria demais e muito malvada e cruel. Assim que viu a menina, disse:
- Huuummm sinto cheiro de carne humana...
A menina saiu correndo bem depressa, fugindo para bem longe, até que chegou junto das estrelas.
As estrelas foram muito amáveis e boazinhas com ela, cada uma sentada em uma cadeirinha separada. Então, a estrela da manhã se levantou, deu um ossinho de galinha à menina e disse:
- Sem este ossinho, você não vai conseguir abrir a montanha de vidro. E é na montanha de vidro que estão os seus irmãos.
A menina pegou no ossinho, embrulhou-o com todo cuidado num lenço e continuou seu caminho, até que chegou à montanha de vidro. A porta estava bem fechada, trancada com chave, e ela resolveu pegar o ossinho de galinha que estava guardado no lenço. Mas quando desembrulhou, viu que não tinha nada dentro do pano e que ela tinha perdido o presente que as boas estrelas tinham dado. Ficou sem saber o que fazer. Queria muito salvar os irmãos, mas não tinha mais a chave da montanha de vidro. Então, a boa irmãzinha pegou uma faca, cortou um dedo mindinho, enfiou
na fechadura e deu um jeito de abrir a porta. Assim que entrou, um gnomo veio ao seu encontro e lhe perguntou:
- Minha filha, o que é que você está procurando?
- Procuro meus irmãos, os sete corvos - respondeu ela. O gnomo então disse:
- Os senhores Corvos não estão em casa, mas se quiser esperar até que eles cheguem, entre e fique à vontade.
Lá em cima, o gnomo pôs a mesa para o jantar dos corvos, com sete pratinhos e sete copinhos. A irmã então comeu um pouco da comida de cada prato e bebeu um gole de cada copo. Mas no último, deixou cair o anelzinho que tinha trazido.
De repente, ouviu-se nos ares um barulho de gritos e batidas de asas. Então o gnomo disse:
- São os senhores Corvos que estão chegando.
Eram eles mesmos, com fome e com sede. Foram logo em direção aos pratos e copos. E, um por um, foram gritando:
- Quem comeu no meu prato? Quem bebeu no meu copo? Foi boca de gente, foi boca de gente...
Mas quando o sétimo corvo acabou de esvaziar seu copo, o anel caiu lá de dentro. Ele olhou bem e reconheceu que era um anel do pai e da mãe deles, e disse:
- Quem dera que fosse a nossa irmãzinha, porque aí a gente ficava livre.
Quando a menina, que estava escondida atrás da porta, ouviu esse desejo, apareceu de repente e todos os corvos viraram gente outra vez. Começaram todos a se abraçar e se beijar e a se fazer mil carinhos e depois voltaram para casa muito felizes.

Moral da história:

Não julgar e condenar sem saber o motivo. Na hora da raiva devemos esperar que fiquemos calmos para tomar qualquer decisão.

O pai dos meninos agiu certo rogando uma praga sem saber o que tinha acontecido com eles?

O que os corvos mais desejavam que acontecesse depois que viraram corvos? Por quê?


Trabalho com recortes:

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=59357&picture=passaro-corvo-clipart

Desenhar em cartolina a montanha de vidro e colar os sete corvos recortados.

Pode-se recortar também sete pratos e sete copos em preto e pedir que façam o desenho bem colorido.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Iara, a mãe d‘água. Folclore brasileiro.


Iara, a mãe d‘água, provavelmente uma aculturação europeia com raízes nas sereias, é uma figura mitológica difundida entre os indígenas e caboclos após o século XVII. Descrita como uma mulher muito bonita, ela atrai os pescadores ou quem quer que se aproxime do rio ou da praia à noite, levando a afogar-se na busca por diversão. Meio peixe e meio mulher, apresenta-se penteando os cabelos ou cantando, atrai quem a observa pelo efeito hipnótico de sua imagem ou canto, fazendo com que, na ânsia de alcançá-la, o observador mergulhe nas profundezas das águas, morrendo afogado. Em algumas comunidades, tem a reputação de protetora das águas e da pesca.


Autora: ELITA DE MEDEIROS – Domínio Público.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Chuva e sol. Leia poesia para sua criança.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=93839&picture=a-menina-de-sorriso

Junta ao pendor do abismo e suster-se sozinha;
quase a tombar no mal, lutar vencendo o mal,
é difícil, é belo! Eu vi exemplo igual
na ingênua candidez de linda criancinha.

Disse a mamãe, um dia, à loura Georgeana:
— Se até anoitecer, eu não te ouvir chorar,
nem dar gritos, prometo, amor, ir-te comprar
uma nenê gentil, d'olhos de porcelana.

Apenas isto ouviu, a bela pequenita
dança e salta a cantar, com tal sofreguidão,
que entontecendo, cai, ao comprido, no chão.
Esqueceu-lhe a promessa. Ei-la que chora e grita.

— Prantos? adeus boneca. Ouvindo esta ameaça,
ergue-se Georgeana e diz muito ligeira,
mudando o choro em riso, e com imensa graça.
— Chorei... por brincadeira...



Adelina Lopes Vieira – Domínio Público.

domingo, 19 de junho de 2016

A Gralha Azul. Folclore brasileiro.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=65814&picture=grua-azul-em-santuario

Ave das regiões serranas, à gralha azul atribui-se a expansão das florestas de araucária, a qual, semeada pelo pássaro, estendeu-se por boa parte da região sul. O pássaro planta o pinhão depois de tirar-lhe a cabeça, pois ela apodrece o fruto, e planta-o com a parte mais fina para cima, facilitando a brotação.
A lenda da gralha azul conta sobre um caçador que, após matar uma destas aves, desmaia quando o estilhaço da pólvora volta para seu rosto e tem um sonho ou visão em que a gralha aparece, contando o que faz e fazendo-o pensar que, pela lei, o caçador é impedido de matar seu semelhante, mas a gralha azul, que cuida da propagação da floresta de pinheiros, é morta sem qualquer piedade.


Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ea000874.pdf

Tema: 

proteção aos animais, ecologia, cuidados com a natureza. 

Para pintar:

Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/p%C3%A1ssaro-gralhas-corvo-voar-147267/

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Alice no País das Maravilhas.Capítulo 10 A dança da lagosta.


A Falsa Tartaruga suspirou profundamente e enxugou os olhos com o dorso de uma patinha. Ela olhou para Alice e tentou falar, mas, durante um ou dois minutos, soluços impediram-na de dizer qualquer coisa.
“Parece que ela tem um osso na garganta”, disse o Grifo e pôs-se a caminhar mexendo-se pra lá e pra cá, lançando-se para trás. Afinal a Falsa Tartaruga recobrou a voz e, com lágrimas escorrendo pelas faces, recomeçou:
“... Você talvez não tenha vivido muito no fundo do mar...” (“Não mesmo”, disse Alice) “... e talvez não tenha sido apresentada jamais a uma lagosta...” (Alice começou a dizer “Uma vez eu experimentei...”, mas conteve-se rapidamente e respondeu “Não, nunca”) “... daí você não deve ter ideia de que coisa deliciosa que a Dança da Lagosta é!”
“Não, realmente”, disse Alice. “Que tipo de dança é?”
“Bem”, disse o Grifo, “você primeiro forma uma fila na praia...”


“Duas filas!”, gritou a Falsa Tartaruga. “Focas, tartarugas, salmões, e todo o resto então, depois de tirar todas as águas-vivas do caminho...”
“O que normalmente leva um bom tempo”, interrompeu o Grifo.
“... você dá dois passos para frente...”
“Cada qual com sua lagosta fazendo par!”, gritou o Grifo.
“Exatamente”, disse a Falsa Tartaruga, “dá dois passos para frente, vira-se para seu par...”
“... troca de lagosta e anda dois passos para trás...”, continuou o Grifo.
“Então, sabe”, a Falsa Tartaruga continuou, “você atira as...”
“As lagostas!” o Grifo exclamou, com um salto no ar.
“... o mais para longe no mar que você possa...”
“E nada atrás delas!”, gritou o Grifo.
“E dá um salto mortal no mar!”, gritou desta vez a Falsa Tartaruga, dando cambalhotas para todos os lados.
“E troca de lagosta novamente”, berrou o Grifo o mais alto que pôde.
“Daí volta para a terra de novo, e... assim completa-se a primeira figura”, terminou a Falsa Tartaruga, repentinamente abaixando a voz; e as duas criaturas, que estavam pulando como dois malucos antes, sentaram-se muito tristes e quietinhas, olhando para Alice.
“Deve ser uma dança muito bonita”, disse Alice timidamente.
“Você gostaria de ver um pedacinho dela?”, perguntou a Falsa Tartaruga.
“Claro, gostaria muito”, respondeu Alice.
“Venha, vamos tentar fazer a primeira figura!”, disse a Falsa Tartaruga para o Grifo. “Nós não podemos fazer isso sem as lagostas, você sabe muito bem. Quem iria cantar?”
“Oh, você canta”, disse o Grifo. “Eu esqueci as palavras.”
Então eles começaram a dançar solenemente ao redor de Alice, às vezes pisando na ponta dos seus pés quando passavam muito perto dela, e agitando as patas dianteiras para marcar o tempo da música. A Falsa Tartaruga começou, então, a cantar esta música, muito lenta e triste:


“Não dá pra ir mais rápido?” disse a enchova para o caracol.
Tem um delfim atrás de mim, e ele está me empurrando.
Olha só as lagostas e as tartarugas, todo mundo tá andando!
O pessoal tá esperando lá na areia — quer vir e juntar-se à nossa dança?

Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se juntar à nossa dança?
Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se juntar à nossa dança?
“Você não pode acreditar como vai ser bom,
Eles vão nos pegar e nos rodar e vão nos atirar com as lagostas para o mar!”
Mas o caracol respondeu:
“Muito longe, muito longe!” E deu uma olhadela de lado...
Agradeceu o gentil convite, mas não, ele não queria se juntar à
nossa dança.
Não queria, ou não podia, não queria, ou não podia se juntar à
nossa dança!
Não queria, ou não podia, não queria, ou não podia se juntar à
nossa dança!

“E daí que seja longe?” disse a amiga enfastiada,
Tem outra praia, você sabe, outra praia do outro lado,
Quanto mais longe da Inglaterra, mais perto se está da França.
Não fique nervoso, querido caracol, e sim venha e se junte à
nossa dança.
Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se
juntar à nossa dança?
Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se
juntar à nossa dança?

“Muito obrigada, é uma dança muito interessante para se assistir”, disse Alice bastante aliviada por tudo ter acabado afinal, “e também achei muito curiosa esta canção sobre a enchova!”
“Oh, a enchova”, retrucou a Falsa Tartaruga, “elas... você já viu uma delas, não?”
“Sim”, respondeu Alice, “eu sempre as vejo no jan...” e calou-se na hora.
“Eu não sei onde fica este Jan”, disse a Falsa Tartaruga, “mas, se você as vê lá sempre, é claro que você sabe como elas são.”
“Acho que sim”, Alice replicou pensativamente. “Elas têm o rabo na boca... e são cobertas de farinha de rosca.”
“Você está errada sobre a farinha de rosca”, disse a Falsa Tartaruga. “Iria se dissolver toda no fundo do mar. Mas elas têm o rabo na boca, e a razão para isso é...”, aqui a Falsa Tartaruga bocejou e esfregou os olhos. “Conte para ela a razão e tudo o mais”, finalmente a Falsa Tartaruga disse para o Grifo.
“A razão é”, disse o Grifo, “que elas queriam de qualquer maneira ir dançar com as lagostas. Daí elas foram atiradas ao mar. Daí a queda foi muito longa. Daí elas colocaram os rabos nas bocas. Daí elas não conseguiram tirá-los mais. Isso é tudo.”
“Obrigada”, disse Alice, “isso é muito interessante. Eu nunca aprendi tanto sobre enchovas antes.”
“Eu posso contar mais, se você quiser”, disse o Grifo. “Você sabe por que elas são chamadas de enchovas?”
“Eu nunca pensei nisso. Por quê?”
“Por causa das botas e sapatos”, o Grifo replicou solenemente.
Alice estava totalmente confusa. “Por causa das botas e sapatos?”, ela repetiu em um tom interrogativo.
“Ora, como você dá lustre em seus sapatos?”, perguntou o Grifo. “Eu quero dizer, o que os faz brilhar?”
Alice olhou para os sapatos e pensou um pouco antes de dar sua resposta. “Acho que são lustrados com uma escova, eu acho. São escovados.”
“Botas e sapatos no fundo do mar”, o Grifo continuou com uma voz profunda, “são enchovados. Agora você sabe.”
“E do que são feitos os sapatos no mar?”, Alice perguntou com grande curiosidade.
“Linguados e enguias, é claro”, o Grifo retrucou um pouco impacientemente, “qualquer camarão poderia lhe dizer isso.”
“Se eu fosse a enchova”, disse Alice, cujos pensamentos ainda estavam passeando pela canção que ouvira, “teria dito ao delfim... Vá embora, por favor. Não queremos você conosco...”
“Mas elas eram obrigadas a aceitá-lo”, a Falsa Tartaruga disse. “Nenhum peixe sensato vai a lugar nenhum sem um delfim.”
“Não, de verdade?”, disse Alice em um tom surpreso.
“É claro que não”, disse a Falsa Tartaruga. “Por exemplo, se um peixe vem a mim e diz que vai fazer um passeio, e digo logo ‘Com que delfim? 
“Você não está querendo dizer ‘com que fim? ’”
“Eu quero dizer o que disse”, a Falsa Tartaruga replicou em um tom ofendido. E o Grifo completou, “Venha, agora queremos ouvir algumas das suas aventuras.”
“Eu posso contar-lhes minhas aventuras... começando por esta manhã”, disse Alice um pouco timidamente. “Mas não adianta contar desde ontem, porque eu era uma pessoa diferente ontem.”
“Explique isso melhor”, disse a Falsa Tartaruga.
“Não, não! As aventuras primeiro”, disse o Grifo em um tom impaciente. “Explicações tomam um tempo louco!”
Então Alice começou a contar suas aventuras desde a primeira vez que viu o Coelho Branco. Ela estava um pouco nervosa porque logo que começou a falar as duas criaturas sentaram-se bem perto da menina e abriam os olhos e a boca de uma maneira tão enorme... mas ela ganhou coragem e seguiu em frente. Os ouvintes estavam em perfeito silêncio até que ela chegou à parte sobre ela recitar Você está velho, Pai Joaquim para a Lagarta, e as palavras vindo todas diferentes, e então a Falsa Tartaruga soltou um longo suspiro e disse: “Que curioso!”
“Tão curioso quanto poderia ser”, disse o Grifo.
“Saiu tudo diferente”, a Falsa Tartaruga repetiu pensativamente. “Eu gostaria de ouvi-la tentar repetir agora.” “Diga a ela para começar”, e olhou para o Grifo como se pensasse que ele tinha algum tipo de autoridade sobre Alice.
“Levante-se e recite Esta é a voz do malandro”, disse o Grifo.
“Como as criaturas gostam de mandar aqui, e fazer-nos recitar lições!”, pensou Alice. “Parece que estou na escola, afinal”. Apesar de reclamar, ela levantou-se e começou a recitar, mas sua mente estava tão repleta da Dança da Lagosta, que mal sabia o que estava dizendo; e as palavras saíram realmente muito estranhas:

Essa voz é da lagosta. Eu a ouvi declarar:
“Você me deixou muito bronzeada, preciso açucarar meus cabelos.”
Como um pato cuidando das sobrancelhas, ela cuida do nariz
Arruma o cinto e os botões, e revira seus sapatos.

Quando a maré está baixa, ela canta uma canção,
Vai falando com a voz forte de tubarão,
Mas, quando a maré enche e os tubarões aparecem,
Sua voz fica fininha e trêmula.
“É bem diferente do que eu costumava dizer quando era criança”, disse o Grifo.
“Bem, eu nunca ouvi isso antes”, disse a Falsa Tartaruga, “mas soa sem pé nem cabeça.”
Alice não disse nada, apenas sentou-se com o rosto entre as mãos, pensando se alguma coisa aconteceria de maneira normal novamente.
“Eu gostaria que isso fosse explicado”, disse a Falsa Tartaruga.
“Ela não pode explicar nada”, o Grifo retrucou rispidamente. “Siga para o segundo verso.”
“Mas e os botões?”, insistiu a Falsa Tartaruga. “Como é que ela poderia tê-los arrumado com o nariz, você sabe?”
“Esta é a primeira posição na dança”, Alice respondeu. Mas ela estava tão confusa com a coisa toda que queria mudar logo de assunto.
“Siga para o segundo verso”, o Grifo repetiu. “Ele começa com ‘Ao passar pelo jardim’”.
Alice não pensou em desobedecer, embora sentisse que tudo iria dar errado, e começou com uma vozinha trêmula...
Eu passava pelo jardim e vi, com uma olhada de um só olho,
Que a Pantera e o Mocho estavam dividindo uma torta;
A Pantera comia a massa, o molho e a carne,
Já ao Mocho o prato é que sobrava no trato.
Quando a torta estava finda, ao Mocho, com muita educação,
Ofereceu a Pantera uma colher.
Já a Pantera ficou com o garfo e a faca,
E assim pôde completar o banquete...
“Qual é a graça de ficar repetindo esta besteira toda?”, a Falsa Tartaruga interrompeu. “Se você não explica enquanto vai dizendo? Esta é, de longe, a coisa mais confusa que eu já ouvi na vida!”
“Sim, acho melhor você parar”, disse o Grifo e Alice estava muito feliz por isso.
“Vamos tentar outra figura da Dança da Lagosta?”, continuou o Grifo. “Ou você preferia que a Falsa Tartaruga cantasse outra canção?”
“Ah, outra canção, por favor, se a Falsa Tartaruga não se incomodar”, Alice replicou tão em cima que o Grifo disse, com uma cara de ofendido:
“Gosto não se discute! Cante a Sopa de Tartaruga, você poderia, velha amiga?”
A Falsa Tartaruga suspirou profundamente, e começou com uma voz entrecortada por soluços, a cantar isso:

Que bela sopa, tão rica e verde,
Esperando no caldeirão a ferver!
Quem consegue parar de comer?
Sopa do jantar, bela sopa!
Sopa do jantar, bela sopa!
Que be... la  so...pa!
Que be... la so...pa!
Soooo...pa do jantar!
Bela, bela sopa!

Que bela sopa, quem liga para um peixe,
Carne ou outro prato?
Quem não daria tudo o que tivesse por essa bela sopa?
Sopa do jantar, bela sopa!
Sopa do jantar, bela sopa!
Que be....la so....pa!
Que be...la so...pa!
Soooo... pa do jantar!
Bela, bela sopa!

“O coro novamente!”, gritou o Grifo, e a Falsa Tartaruga estava justamente começando a repeti-lo quando se ouviu um grito à distância: O julgamento está começando!
“Vamos”, berrou o Grifo, pegando na mão de Alice e saiu apressado, sem esperar pelo fim da canção.
“Que julgamento é esse?”, Alice ofegava enquanto corria. Mas o Grifo apenas respondeu:
“Venha!” e correu mais rápido ainda, enquanto cada vez mais longe, trazido pela brisa, ouvia-se o melancólico estribilho:
Soooo...pa do jantar!

Bela, bela sopa!

Alice no País das Maravilhas. Lewis Carroll.

Ilustrações de John Tenniel.

Para ler os capítulos anteriores de Alice clique AQUI

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Galo e a Pérola. Lindo conto de Esopo.


Um galo, que ciscava no terreiro para encontrar alimento, fossem migalhas, ou bichinhos para comer, acabou encontrando uma pérola preciosa. Após observar sua beleza por um instante, disse: - Ó linda e preciosa pedra, que reluz seja com o sol, seja com a lua, ainda que esteja num lugar sujo, se te encontrasse um humano, fosse ele um construtor de joias, uma dama que gostasse de enfeites, ou mesmo um mercenário, te recolherias com muita alegria, mas a mim de nada prestas pois que é mais importante uma migalha, um verme, ou um grão que sirvam para o sustento. 
Dito isto, a deixou e seguiu esgravatando para buscar conveniente mantimento.

Esopo.

Moral:

Cada um valoriza o que é mais importante para si de acordo com as suas necessidades. 

Dialogar com as crianças sobre o que valorizam seja material ou espiritualmente. Comparar com o exemplo dos demais.
Observar que todos somos diferentes, e o que serve para um, pode não servir para outro, de forma que devemos ter a sensibilidade de entender os outros e procurar agir de forma a não ofender ou prejudicar qualquer pessoa, falando algo que aquele amigo não goste. 
Todos somos diferentes e devemos respeitar as diferenças.

Atividade:

Você gostaria de encontrar uma pérola? Sim, não, por quê?

O que você deseja no momento?  Faça um bonito desenho e explique os motivos do seu desejo. Explicar que pode ser algo material ou espiritual.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Minotauro - O mito do signo de Touro. - Mitologia Grega.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/signo-do-zod%C3%ADaco-touro-hor%C3%B3scopo-1329364/

Europa era uma linda jovem e enquanto se banhava na praia o poderoso Zeus a viu e se apaixonou por ela. Sabendo que Europa gostava de grandes animais, Zeus se transformou em um touro branco com chifres e cascos de prata. Ao se aproximar, encantada Europa montou no touro que a levou para a Ilha de Creta.
Do romance com Zeus nasceu o filho Minos e Zeus lhe deu a ilha de presente que se tornou rica, fértil e repleta de touros. Ao crescer Minos esposou Pasifae. Querendo ser ainda mais rico, Minos fêz um pacto com Poseidon para que triplicasse sua fortuna prometendo-lhe seu melhor touro como pagamento. No entanto, não querendo desfazer-se de nada, resolveu entregar-lhe um touro comum.
Quando Poseidon percebeu que tinha sido enganado chamou Vênus para ajudá-lo na vingança. À noite Vênus implantou no coração de Pasifae, mulher de Minos, um amor alucinante por um touro. Incapaz de conter seu desejo ela pediu a Dédalo que construisse uma armadura de madeira na forma de vaca para aproximar-se do touro. Desta união nasceu o monstro Minotauro, um homem com cabeça de touro.
Sentindo-se envergonhado pela traição, Minos mandou construir um labirinto de onde não se encontrasse a saída e ali encarcerou a criatura. Ao invadir Atenas, Minos subjugou seu povo fazendo-os escravos. Semanalmente levava 7 rapazes e 7 moças virgens para aplacar a fome do Minotauro. Inconformado com essa prática de Minos, Teseu, o filho do Rei de Atenas, juntou-se a um grupo de jovens com o intuito de matar o Minotauro para salvar as moças e rapazes que seriam sacrificados.

Em Creta Teseu encontrou Ariadne, a filha do rei Minos, que se apaixonou por ele e lhe entregou um novelo de lã que o ajudaria a sair do labirinto. Teseu matou o Minotauro; a parte humana do Minotauro foi deixada na terra e a parte animal foi elevada aos céus onde se tornou a constelação de Touro.