quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Ciranda. Linda poesia de Cecília Meireles

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=56775&picture=rosa

Eu queria ser a rosa
lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá,
E, vivendo num jardim,

Ter besouros, borboletas,
lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá,
Cirandando ao pé de mim ! ...

Eu queria ser a praia,
Ló-ló-ró-ló-ló-ló-ló.
Onde as ondas vão brincar;

E seria toda a vida,
Ló-ló-ró-ló-ló-ló-ló.
Bem querida pelo mar !

Eu queria ser estrela,
Li-li-ri-li-li-li-li,
sendo a noite minha irmã,

Para despontar à tarde,
Li-li-ri-li-li-li-li,
E esconder-me de manhã !


Cecília Meireles.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O LOBO E 0 BURRO.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=35135&picture=figurine-burro

Um burro estava comendo quando viu um lobo escondido espiando tudo que ele fazia. Percebendo que estava em perigo, o burro imaginou um plano para salvar a sua pele.
 Fingiu que era aleijado e saiu mancando com a maior dificuldade. Quando o lobo apareceu, o burro todo choroso contou que tinha pisado num espinho pontudo.
— Ai, ai, ai! Por favor, tire o espinho de minha pata!
Se você não tirar, ele vai espetar sua garganta quando você me engolir.
O lobo não queria se engasgar na hora de comer seu almoço, por isso quando o burro levantou a pata ele começou a procurar o espinho com todo cuidado. Nesse momento o burro deu o maior coice de sua vida e acabou com a alegria do lobo.
Enquanto o lobo se levantava todo dolorido, o burro galopava satisfeito para longe dali.
Cuidado com os favores inesperados.

CONTOS TRADICIONAIS,
FÁBULAS,

LENDAS E MITOS – Domínio Público.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Os dois amiguinhos.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php image=121199&picture=reflexao-egret

Uma vez uma garça adotou um filhote de tigre órfão e criou o bebê junto com seu próprio filho. Os dois viraram grandes amigos, e todo dia faziam a maior bagunça, sem jamais brigar. Na realidade, eram as crianças mais boazinhas do mundo. Um dia apareceu outra garça que era uma encrenqueira; essa garça tratou muito mal o bebê garça. O bebê garça pediu socorro, e o tigre veio correndo: num instante engoliu a encrenqueira. Só ficou um ossinho e um punhado de penas para contar a história. O tigre, que tinha sido criado num regime vegetariano, achou aquela comida diferente uma maravilha. Lambendo os bigodes, piscou o olho e disse:
– Eu te adoro, minha pequena garça!
E zás, lá se foi sua companheira de brincadeiras servir de sobremesa para o piquenique improvisado.

Moral: Nada elimina o que a natureza determina.


Esopo.

domingo, 28 de agosto de 2016

A Foca.


Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.

Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.

Quer ver a foca
Fazer uma briga?
É espetar ela
Bem na barriga!

Vinicius de Moraes

sábado, 27 de agosto de 2016

O RATINHO, O GATO E O GALO. Fábula de Monteiro Lobato.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=26117&picture=rato-jolly

Certa manhã, um ratinho saiu do buraco pela primeira vez.
Queria conhecer o mundo e travar relações com tanta coisa bonita de que falavam seus amigos. Admirou a luz do sol, o verdor das árvores, a correnteza dos ribeirões, a habitação dos homens. E acabou penetrando no quintal duma casa da roça.
— Sim senhor! E interessante isto!
Examinou tudo minuciosamente, farejou a tulha de milho e a estrebaria. Em seguida, notou no terreiro um certo animal de belo pelo, que dormia sossegado ao sol.
Aproximou-se dele e farejou-o, sem receio nenhum. Nisto, aparece um galo, que bate as asas e canta. O ratinho, por um triz, não morreu de susto.
Arrepiou-se todo e disparou como um raio para a toca.
Lá contou à mamãe as aventuras do passeio.
— Observei muita coisa interessante — disse ele. — Mas nada me impressionou tanto como dois animais que vi no terreiro.
Um de pelo macio e ar bondoso seduziu-me logo. Devia ser um desses bons amigos da nossa gente, e lamentei que estivesse a dormir impedindo-me de cumprimenta-lo. O outro... Ai, que ainda me bate o coração! O outro era um bicho feroz, de penas amarelas, bico pontudo, crista vermelha e aspecto ameaçador. Bateu as asas barulhentamente, abriu o bico e soltou um có-ri-có-có tamanho, que quase caí de costas. Fugi. Fugi com quantas pernas tinha, percebendo que devia ser o famoso gato, que tamanha destruição faz no nosso povo.
A mamãe rata assustou-se e disse:
— Como te enganas, meu filho! O bicho de pelo macio e ar bondoso é que é o terrível gato. O outro, barulhento e espaventado, de olhar feroz e crista rubra, filhinho, é o galo, uma ave que nunca nos fez mal. As aparências enganam.
Aproveita, pois, a lição e fica sabendo que:

Quem vê cara não vê coração.


(Monteiro Lobato) - Domínio Público.

Tudo em nada.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Passarinho no Sapé.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=78798&picture=passarinho

P tem papo
o P tem pé.
É o P que pia?
(Piu!)
Quem é?
O P não pia:
O P não é.
O P só tem papo
e pé.
Será o sapo?
O sapo não é.
(Piu!)
É o passarinho
que fez seu ninho
no sapé.
Pio com papo.
Pio com pé.
Piu-piu-piu:
Passarinho.
Passarinho
no sapé.


Cecília Meireles.