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O negrinho do pastoreio. Lenda Gaúcha.

Como é mês de agosto e faz um pouco de frio, vou contar uma história que aconteceu nos pampas do sul do país, talvez em Pelotas. Começa não muito bem, pois nesses pampas havia um homem muito rico, mau e sovina: nem restos de comida ele dava. Seu filho era um guri que herdara sua ruindade. Esqueci de dizer que a história se passa no tempo da escravidão. E vou falar de um escravinho mais negro que carvão chamado exatamente de Negrinho. Não conhecia pai ou mãe e dizia que Nossa Senhora era sua madrinha. Apanhava do patrão e do filho que não era brincadeira. 
O homem ruim tinha um cavalo baio muito bonito e veloz e um estancieiro vizinho desafiou-o dizendo: será que esse montar o baio sem sela: o Negrinho, é claro. Mas infelizmente o baio perdeu na corrida e o Negrinho levou uma surra que eu vou te contar. E como se não bastasse, mandaram-no tomar conta da tropilha do patrão. Era de noite, Negrinho estava todo machucado e com medo dos bichos que pudessem se achegar. Mas Nossa Senhora ajudou-o a adormecer. Eis senão quando ouviu- se um tiro de espingarda no ar: os animais se assustaram e se dispersaram pelas campinas. O estampido partira do filho do patrão. Mas quem levou nova surra foi o Negrinho. Mandaram-no procurar os cavalos. Enquanto isso a noite estava ainda mais fechada. E não se via cavalo nenhum. Aí o Negrinho pegou um toco de vela que iluminava sua madrinha no oratório do homem ruim. E correu pelas coxilhas montado no baio, à procura dos cavalos dispersos. Aconteceu um pequeno milagre: cada vez que a vela abençoada pingava cera no chão, milhares de velinhas iam aparecendo para iluminar a noite. Com esse grande auxílio, o Negrinho encontrou os cavalos. E cansado adormeceu, 
O homem ruim tinha raiva até do sono do Negrinho e mandou um outro escravo dar chicotadas no garoto e colocá-lo junto de um formigueiro, só para chatear o menino.
Depois o patrão quis ver o moleque que devia estar todo roído de formigas. Mas junto do formigueiro estava o Negrinho perfeitamente sadio, com o baio e a tropilha. Espantado o homem ruim, mais espantado ficou, porque viu junto do escravinho a Nossa Senhora
protegendo o Negrinho, O homem ruim se ajoelhou de medo e não de bondade. 
Quanto ao Negrinho, montado no baio, seguia corrida com a tropilha para sempre.
Para sempre quer dizer que até hoje continua a corrida.
E quem quiser, vê-lo. Quero dizer: se quiser muito mesmo. Só que durante uns dias de cada ano Negrinho some. Deve estar conversando com suas amigas formigas.
Qualquer gaúcho conhece esta história e muitos acham que o Negrinho ajuda a encontrar o que se perdeu, seja objeto, seja amor, seja felicidade sumida.
Será que a moral desta história é que o bem sempre vence? Bom, nós todos sabemos que nem sempre. Mas o melhor é a gente ir-se arranjando como pode e dar um jeito de ser bom e ficar com a consciência calminha.


Clarice Lispector.


Moral da história: 

embora muitas vezes na vida pareça que as atitudes boas não são reconhecidas, vale a pena ser bom e fazer o bem. Ter a consciência tranquila não tem preço, é uma consequência que não se vende e ninguém pode comprar. 
Salientar que o bem sempre é reconhecido se não por todos mas pelas pessoas boas que procuram ajudar como no caso da nossa história foi Nossa Senhora.




Reconstruir a história com perguntas obedecendo a ordem cronológica para ver se foi bem entendida.
Após, fazer perguntas específicas sobre o tema bondade, perseverança e fé.

Perguntas: Vale a pena ser bom?

Você lembra uma situação em que ajudou alguém e por isto teve ajuda de outros?

E se acaso você não tivesse reconhecimento do bem praticado faria novamente?

Enfatizar que sempre vale a pena ser bom e fazer o bem porque assim seremos pessoas melhores e teremos a simpatia dos outros. 


O que é Lenda:


Lendas são narrativas transmitidas oralmente pelas pessoas, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais, com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando através do imaginário popular. No que se tornam conhecidas vão sendo registradas na linguagem escrita.
Lenda vem do latim que quer dizer “aquilo que deve ser lido”. Inicialmente as lendas contavam histórias de santos, mas estes conceitos foram se transformando em histórias que falam da cultura de um povo e de suas tradições. As lendas fornecem explicação para tudo, até para coisas que não tem explicação científica comprovada, por exemplo, acontecimentos sobrenaturais. A lenda pode ser explicada como uma degeneração do mito, porque como são repassadas oralmente de geração a geração, vão com o passar do tempo sendo alteradas, porque como diz o povo, quem conta um conto, aumenta um ponto, e assim vai.
A origem das lendas é baseada em quatro teorias que tenta dar uma resposta.  A Teoria Bíblica, com origem nas escrituras, Histórica com origem na mitologia, Alegórica onde diz que todos os mitos são simbólicos, contendo somente alguma verdade moral ou filosófica e Física usa os elementos, água, fogo e ar.

Exemplos de lendas: Sansão, Hercules,Saci Pererê, Bruxa, Mula sem Cabeça, Boitatá, Lobisomem, entre outros.

Fonte: http://www.significados.com.br/lenda/ 

História para ser utilizada com os temas: bondade, proteção aos animais, amor à natureza.

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