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Filhos do Coração – A adoção explicada a pais e filhos.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/beb%C3%AA-casal-an%C3%A9is-de-casamento-1150109/

Era uma noite como outra qualquer.
A Luena estava sentada no chão a folhear o álbum de família. Os irmãos brincavam na sala com o Rafa e o Manecas, o cão e o gato lá de casa que, sendo os melhores amigos, às vezes pareciam os piores inimigos.
De repente, o silêncio foi interrompido pela curiosidade de uma menina de cinco anos.
— Mãe… como é que eu nasci? Porque é que não há fotografias minhas em bebé aqui no álbum?
A mãe percebeu que aquela, afinal, ia ser uma noite muito especial. Levantou-se do sofá e foi sentar-se ao lado da filha.
— Vou contar-te a história mais bonita do mundo e a mais especial, porque é a tua história. Sabes como nascem os bebés?
— Nascem de repolhos grandes! — exclamou o Manuel.
— Não é nada… chegam no bico das cegonhas! — contrapôs o Jorge.
Maria desatou a rir e avançou com a sabedoria de quem acredita que domina o mundo do alto dos seus dez anos:
— Os bebés nascem das barrigas das mães! O pai põe uma sementinha num ovo que a mãe tem dentro da barriga e, depois, a barriga começa a crescer, a crescer, a crescer e, nove meses depois, nascem os bebés!
— Nem todos — interrompeu a mãe —, alguns filhos nascem nos corações!
Nesse momento até as certezas da Maria, a irmã mais velha, desapareceram.
Curiosos, os irmãos aproximaram-se da mãe, prontos para ouvir esta história que, como todas as histórias importantes, começa com um…
— Era uma vez… — disse o pai da Luena que acabara de entrar na sala.
—… um coração que engravidou de amor — acrescentou a mãe.
— Os corações também engravidam? — interrompeu a Luena curiosa.
— Claro que sim! Esse coração, tal como as barrigas das mães, cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou por uma menina cor de canela e de trancinhas no cabelo que escolheu fazer parte desta família — respondeu o pai emocionado.
— Sabes Luena… há várias maneiras de criar uma família, mas o importante é o amor que une as pessoas dessa família, porque as famílias são para sempre — concluiu a mãe.
— Mesmo quando se zangam? — perguntou o Manuel.
— Claro… não vês que, apesar de se zangarem, o Rafa e o Manecas adoram-se e não conseguem viver um sem o outro? — lembrou a mãe.
A Luena ouvia em silêncio com muita atenção, mas, quanto mais lhe explicavam, menos conseguia entender. Pegou na mão da mãe, obrigando-a a fixar o olhar no seu, que suplicava por mais esclarecimentos.
— Então como é que eu cheguei ao teu coração grávido, mãe?
— Já vais perceber… mas, o mais importante é que estás cá dentro, no nosso coração, como todos os teus irmãos.
Pelo olhar perdido da Luena, todos conseguiram imaginar a confusão que reinava na sua cabeça. O pai avançou com mais explicações:
— Sabes Luena, existem muitos lugares no mundo onde os pais não têm condições para criar os filhos…
—… e, por isso, têm que deixá-los em instituições como aquela no Gana, em África, aonde nós te vimos pela primeira vez — acrescentou a mãe.
— E nesses lugares existem muitos meninos como eu, mamã? — perguntou a Luena.
A resposta chegou pela mão da irmã mais velha, a quem os dez anos davam direito legítimo a uma resposta sempre na ponta da língua:
— Espalhados pelo mundo, existem meninos de todas as raças e cores que precisam de pais, porque os seus pais da barriga não puderam cuidar deles como eles mereciam.
«Raças» era uma palavra difícil para os irmãos mais novos. O Manuel sabia que era preciso perguntar para conseguir aprender e, por isso, não hesitou:
— O que são raças, papai?
— Raças são características diferentes dos meninos que nascem em todas as partes do mundo: em Portugal, no Gana, na China…
À Luena nunca lhe tinha ocorrido perguntar por que é que a sua cor de pele era diferente da dos seus irmãos… afinal somos todos diferentes uns dos outros! Há crianças gordas, magras, altas, baixas, meninos de olhos azuis e outros de olhos castanhos. A cor da sua pele fora sempre aquela, portanto era uma característica sua.
Ela também sabe que o que é realmente importante sente-se com o coração. E o seu coração traquina dizia-lhe que o importante é o amor que une as famílias e o sentimento de segurança que os filhos têm junto dos pais.
— Ao ver-te pela primeira vez, o nosso coração cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou e, desde esse momento, a nossa vida deixou de fazer sentido sem ti — revelou a mãe com ternura.
A Luena ficou em silêncio a saborear o olhar apaixonado dos pais e a pensar em todas as crianças que não têm uma família.
Imaginou os meninos que não pertencem a ninguém e que adormecem à noite sem ter os pais ao seu lado para lhes contarem uma história. Imaginou como deve ser difícil não receber um beijo da mãe todas as manhãs. Imaginou como se devem sentir sozinhas as crianças que estão à espera de conhecer os seus pais do coração…
Espontaneamente correu e abraçou os seus pais com toda a força que conseguiu, numa tentativa desesperada de lhes fazer sentir todo o amor que tem por eles.
— Que bom que é ter uma família! — exclamou feliz.
E a sabedoria dos dez anos da Maria traduziu-se numa verdade simples que, no coração, todos sentem como uma certeza:
— Luena… a nossa família não seria a mesma sem ti…
— É verdade Luena, estamos muito felizes por termos uma irmã como tu — acrescentou o Jorge.
— Papai, e o que acontece às outras crianças que ainda não tem uma família? — perguntou o Manuel.
— Estão à espera de encontrar corações apaixonados que engravidem de amor e consigam formar uma família como a nossa — explicou o pai.
— Sabem que às vezes isso acontece muito depressa, mas outras demora mais tempo. Porém o mais importante é que, no final de tudo, encontrem uma família… e de certeza que isso acaba por suceder! — concluiu a mãe.
A Luena ficou tranquila com as palavras da mãe em relação aos outros meninos que ainda se encontram a viver em instituições. Contudo, uma dúvida insistia em formar a covinha que aparecia na sua bochecha esquerda sempre que algo a preocupava:
— Mamã… mas como é que esses pais que engravidam do coração conseguem escolher uns meninos e deixar lá outros?
— Na verdade, filhota — explicou a mãe orgulhosa da sensibilidade da filha —, esses pais não escolhem os filhos… mesmo que não percebam, eles é que são os escolhidos. Um coração só engravida quando se apaixona, por isso é que pouco importa se os filhos nascem da barriga das mães ou dos seus corações. O amor só pode ser um laço natural… porque ninguém nos pode obrigar a amar!
— Tu, por exemplo, — continuou o pai – escolheste-nos no dia em que te conhecemos e, depois de nos conquistares, deixaste-nos amar-te. As fotografias que te faltam aí no álbum não são importantes, porque a nossa história de amor começou mais tarde, e nem todas as histórias de amor tem de começar numa maternidade.
— Se pensares bem, filhota — acrescentou a mãe —, não há fotografias de todos os momentos felizes que passámos juntos, porque alguns desses momentos guardámo-los cá dentro do coração, que é o melhor álbum da nossa vida!
O Manuel e o Jorge começavam a dar os primeiros sinais de cansaço com um bocejo traiçoeiro. A Maria, a quem a vida naquela noite até tinha conseguido ensinar qualquer coisa nova, foi contagiada e abriu a boca, denunciando a chegada da hora de dormir.
— Meninos, vamos para a cama! Hoje já ouviram uma linda história, que vos deu muito em que pensar! — exclamou o pai divertido.
A mãe levantou-se e distribuiu as crianças pelos quartos, ao ritmo de mimos e beijos de boas-noites. Quando chegou perto da cama da Luena reparou que a covinha da bochecha voltara a ficar visível.
— Mamã… ainda existem muitas famílias à espera de serem escolhidas por essas crianças? — perguntou-lhe a filha.
— Algumas, meu amor… — disse a mãe tentando tranquilizá-la —… mas não te preocupes, porque todas essas crianças vão, de certeza, escolher uma família como a nossa para serem muito felizes.
Aos poucos, a covinha foi desaparecendo. A Luena fechou os olhos, rendendo-se a um sono descansado, e começou a sonhar com um mundo cor-de-rosa, com pinceladas de muitas outras cores alegres e vivas que pintam a realidade de uma menina traquina de cinco anos.
A mãe inclinou-se e beijou o rosto daquela filha especial, que tinha trazido um brilhante arco-íris à sua vida. Depois, afastou-se em silêncio e ficou a pensar que, se todas as famílias soubessem quão maravilhosas e completas se podem tornar as suas vidas quando os seus corações engravidam, de certeza que as instituições do mundo ficariam vazias de crianças e as suas casas cheias de amor.

Alexandra Borges; Luís Figo; Ana Cardoso.

Filhos do Coração – A adoção explicada a pais e filhos.


Comentários

Tania Mara disse…
Olá passando para ver seu cantinho.Gostei do post fala de um assunto que já vivi,sou filha adotiva mas sou sortuda minha família é ótima,.Conscientizar é o melhor caminho.se desejar me visitar www.fuxikitosecia.com.br
Rubia Kenes disse…
Que lindooooooooooooooooo! como sempre tudo que você escreve é maravilhosoooooooooooo, parabéns amadaaaaaaaaaaaaa, beijinhossssssssss

http://rubiaartes.blogspot.com.br
Nossa, Jeanne! Estou me lavando de tanto chorar... kkk Eu tb sou filha do coração de certa forma... da minha boadrasta... ela me "adotou" como sua filha quando eu tinha 7 anos, após a separação dos meus pais e cuidou muito bem de mim e sou muito grata a ela por todo amor que me deu! E, sabes de uma coisa? O meu sonho é adotar uma criança, existem tantas pelo mundo esperando por um lar que assim que eu puder irei achar a minha filha(o) do coração que esta por aí! Adorei a história e a forma como ela possibilita aos pais contarem a história dos seus filhos de forma que mostre o quanto eles são especiais... e que laços não são só os de sangue, que os laços do coração são os mais fortes... Beijos
http://analauraartes.blogspot.com.br/
Olá!
Que emocionante...
Simplesmente maravilhoso!
Amor sem medidas...
Obrigada por compartilhar essa linda lição de Vida!
Ótimo FDS!
Um super bjo!

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"Quando seus Corações Engravidam" tem frase mais bonita do que essa? Muito tocante este texto, parabéns!

karina padilha disse…
Adorei a estória, e acho sim que filhos adotivos são filhos do coração.. gente escolhi e ama incondicionalmente.. bjs e sucesso!
www.karinapadilha.blogspot.com.br
Maria José disse…
Linda e edificante sua postagem amiga!Filhos são Bençãos nas nossas vidas,amor verdadeiro e os de coração não são diferentes,são especiais pois são escolhidos pelo amor em nosso coração!tenha um final de semana abençoado.Bjss!http://wwwmazeblogspotcom.blogspot.com.br/
História emocionante, filhos são sempre filhos mesmo que os filhos não tenha o mesmo sangue, família é tudo na vida de uma criança, beijos.
Dália Duarte disse…
As observações das crianças são umas dádivas de inocência ....e está muito bem explicada a história de adoção....é um tema muito complexo e complicado e de greande sofrimento para quem deseja um filho....seja ele da raça que for....e é de louvar as crianças que dessa forma plena aceitam um irmão ou irmã de cor...gostei muito beijinhos
www.divalikealady.blogspot.com
Graziela Silva disse…
Muito bonita essa história.
Www.blogrosasdeseda.blopost.com
Jeanne, a gente passa por tanto apuro ao explicar o nascimento da criança, que muitas vezes ficamos sem saber o que responder,
principalmente, quando há separação.
-"Se nasceram de tanto amor, porque o amor findou?"
Se precisa tomar uma atitude, você fica balançada!
Para não errar, você se anula e se acorrenta!
Amo suas postagens, muito obrigada, abraços carinhosos
Maria Teresa
sandra mayworm disse…
Amor é assim...precisa nascer do coração.
Gracita disse…
Oi Jeanne
Creio ser esta a mais linda história que eu já li sobre os filhos do coração
A explicação permeada de carinho e ternura não permite nenhuma dúvida quanto ao amor dos pais do coração. Texto soberbo
Um lindo domingo
Beijos
Rosiane Barros disse…
Muito lindo esse texto, eu sempre tive vontade de adotar uma criança, uma que fosse negra, meu sonho, mas que ainda não pode ser realizada, mas tudo ao seu tempo, deixo nas mãos de Deus esse desejo, eu tenho dois filhos naturais, e eu sempre quis ter três filhos, mas não posso mais engravidar....bjs
Linda a história, toca bem em nossos corações, bjs
PEDACINHOS DE RETALHOS
Tania Mara disse…
oi,muito legal seu texto,eu fui adotada e sempre foi algo do qual me orgulho,minha mãe era maravilhosa,meu pai incrivel.
Mas tem quer feito de dentro pra fora,de forma verdadeira,é uma responsabilidade dobrada,um amor muito maior.
Sucesso pra ti,
www.fuxikitosecia.com.br

Magda Moreira disse…
Amei essa mensagem amiga!!
Linda a história contada sobre a adoção de crianças.Realmente, para muitos pais que passam por isso, fica difícil quando a criança questiona da onde ela vem.Essa história é exemplo de como abordar o tema com carinho e amor.Parabéns pela postagem!! Bjss!!

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Que história linda! Pra mim mãe adotiva é muito mais mãe! bjs
http://ofantasticomundodairis.blogspot.com.br
Muito legal a historia, realmente explica em cada momentinho como fazer, fazendo primeiro uma introdução e depois falando, sem surpresa e com muita preparação. Amei!
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Willian Ernani disse…
Jeanne, primeiramente, pra mim adoção é um ato de amor. Nem sempre, quem adota é pelo motivo de não poder ter filhos.. Ás vezes a adoção acontece pra ajudar um amigo próximo, ou porque foi cativado pela criança.Parabéns por trazer esse belo texto pra nós.
Beijos

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Bia Kabral disse…
olaa!! amei seu blog
Essa é a mais linda forma de amor, onde não conseguimos controlar, quando o coração escolhe não tem geito é profundo e puro. amor dadiva divina
Meus rabiscos disse…
Oi amiga,lindo e abrangente escrito! Agente ate se emociona.
Mães adotivas é assim,não levam os filhos no ventre,mas no coração...
E com certeza que esses são momentos que ficarão guardados em seus corações para sempre!
Parabéns pelo texto! Acho que estou com um cisco nos olhos...
Bjsss
Samy disse…
Lindo.. A verdade verdadeiramente dita, o amor é um só.

www.fikesperta.com
Renata pacini disse…
Que linda mensagem! :) Eu acredito que qualquer um consegue ter filho, mas ser pai e mãe mesmo, é para poucos. E não importa se a sementinha é plantada na barriga ou no coração, a gente ama da mesma forma, incondicionalmente.
Parabéns pelo post.

Beijão!

http://www.meucadernodereceitas.com.br
Lindo texto amei esse texto, o amor quando vem do coração e da alma, é forte e tremendoo nao importa ser de sangue, lindo demais me emocionei
Ozenilde disse…
Adoção é uma ação de entrega total!
Vai além do sangue e requer um coração predisposto a amar as diferenças.
Um desafio louvável!
Parabéns pela reflexão!
Beijos
http://criandoarteemeva.blogspot.com.br/

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