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terça-feira, 2 de janeiro de 2024

João e Maria, a historinha com resumo e análise.

Conheça a história de João e Maria (com resumo e análise)

Imagem: Internet.


João e Maria é uma fábula muito antiga que conta a história de dois irmãos abandonados em uma floresta.

A lenda, que foi transmitida através da oralidade por diversas gerações na época da Idade Média, foi coletada pelos irmãos Grimm no século XIX, e hoje integra um conjunto de contos muito presente no imaginário infantil.

O título original é Hänsel und Gretel, e a história trazia elementos sombrios e um tanto diferentes do que conhecemos atualmente.

Resumo.

As crianças e sua família.

Há muitos anos atrás, havia duas crianças, João e Maria, vivendo com seu pai e sua madrasta próximo a uma floresta. O pai era lenhador e os tempos eram de escassez. A família passava fome e não tinha recursos para alimentar a todos.

Diante dessa situação, a madrasta, que era uma mulher mesquinha e má, elabora um plano horrível de abandonar as crianças na floresta para que fossem devoradas pelas feras. O pai, a princípio, não concorda, mas acaba cedendo e aceita a sugestão de sua esposa.

João e Maria escutam a conversa dos adultos e ficam com muito medo. Entretanto, o menino tem a ideia de recolher pedrinhas brilhantes para marcar o caminho de volta para casa.

Assim, na manhã seguinte, todos saem em direção à floresta com a desculpa de que iriam cortar lenha.

Quando chegam a uma clareira, o lenhador acende uma fogueira e diz para seus filhos ficarem lá até que eles voltem para buscá-los, o que obviamente não acontece.

As crianças ficam certo tempo nesse local, mas depois percebem que realmente não seriam resgatadas. Então eles decidem retornar seguindo as pedrinhas que João havia deixado pelo caminho.

Ao chegarem em casa, João e Maria são recebidos com satisfação pelo pai. A madrasta, entretanto, fica furiosa e decide levá-los para mais longe.

João novamente decide coletar pedrinhas para deixar pelo caminho, mas dessa vez a mulher havia trancado a porta da casa, o que impossibilitou o menino de recolher as pistas.

Então, poucos dias depois, o casal dá um pedaço de pão para cada criança e sai mais uma vez rumo à floresta. Dessa vez, como não havia pedras brilhantes para marcar o trajeto de volta, João e Maria deixam pelo caminho pequenos nacos do pão.

Dessa forma, eles são levados para um local ainda mais remoto e perigoso.

Quando os irmãos tentam voltar para casa, se dão conta de que as migalhas deixadas como marcas tinham desaparecido, provavelmente devoradas pelos pássaros e outros animais da floresta.

Eles não conseguem achar o caminho de volta e se veem perdidos e desamparados na escuridão da mata fechada.

As crianças resolvem perambular em busca de ajuda e, de repente, avistam uma casa. Ao chegarem mais perto, notam que a construção era feita de bolos e outras guloseimas.

 Surpresos com tal descoberta, João e Maria simplesmente não acreditam no que seus olhos veem! Era como um sonho, e eles correm em direção à casa e começam a comer tudo o que suas bocas conseguem engolir, depois de tanta privação de comida.

Mas, como tudo o que é bom dura pouco, logo aparece a dona da casa. Era uma mulher bastante idosa e de aparência estranha. De qualquer forma, ela os recebe com simpatia, convidando-os para entrar.

Os irmãos pensam se tratar de uma senhora solidária, já que é oferecido ainda mais comida a eles. Mas, com o tempo percebem que na realidade a mulher era uma bruxa muito má.

Isso porque a idosa tinha uma gaiola, onde prendeu João com o intuito de alimentá-lo até que ele ficasse gordo o suficiente para ser abatido e assado em um enorme forno. Enquanto isso, Maria era obrigada a realizar todo tipo de trabalho doméstico.

A bruxa, que era meio cega, verificava se o menino estava engordando mandando que ele lhe mostrasse seu dedo para ela apalpar. João, muito esperto, conseguiu enganar a velha lhe mostrando um fino graveto. Por isso, os irmãos permaneceram muito tempo na cabana de doces.

Chega um dia em que a bruxa já está irritada e cansada de esperar que o menino fique "no ponto" para ser devorado. Ela resolve então assá-lo de qualquer maneira.

Maria continuava a trabalhar e a bruxa lhe manda acender o forno. Quando a velha chega perto para verificar a temperatura, a menina rapidamente a empurra para dentro do forno e fecha a tampa, trancando a malvada lá dentro.

Assim, Maria liberta o irmão e eles entram novamente na casa para ver o que a bruxa escondia. As crianças encontram muitas riquezas, pedras preciosas e dinheiro.

Levando o tesouro da feiticeira, voltam para a floresta a fim de procurar o caminho de casa. O retorno é tortuoso e eles se deparam com alguns desafios.

Entretanto, conseguem se situar e encontrar sua antiga casa. Lá dentro estava o pai, que quando os vê chora de felicidade. Ele havia sentido muito remorso e culpa pela covardia de abandonar as crianças indefesas.

A essa altura, a madrasta má já havia morrido e as crianças puderam crescer felizes ao lado do pai. Eles agora já não passavam fome e os tempos de miséria tinham ficado no passado.

Análise do conto.

Nesse conto, muitos elementos psicológicos podem ser analisados. A fábula traça uma narrativa sobre o sentimento de desamparo, a busca por independência, a satisfação, frustração e, por fim, a coragem.

A simbologia do casal de irmãos e da floresta

Os irmãos simbolizam o lado masculino e feminino (yin e yang) de uma mesma pessoa, que quando se depara com uma situação de desamparo, tristeza e abandono, se vê perdida diante do "desconhecido". Essa confusão emocional pode ser representada pela imagem da floresta e seus perigos.

Interessante observar que as crianças, ao serem abandonadas, se preocupam em deixar pistas para achar o caminho de volta, mas mesmo assim, acabam sozinhas e tendo que se reorientar sem nenhum apoio, somente usando suas próprias capacidades.

Satisfação e frustração.

Nessa busca de si, João e Maria acabam por encontrar um momento de satisfação extrema, quando se veem diante de uma casa feita de doces. Eles, que estavam famintos - e a aqui pode-se relacionar à uma "fome existencial" - se empanturram de guloseimas, que na realidade não alimentam de fato.

Assim, essa ilusão de que estavam "à salvo" logo é desfeita, com a figura da bruxa representando as frustrações e decorrências da avidez, gula e ansiedade.

A perda da inocência e a retomada da coragem.

A velha senhora, que a princípio se mostrava boa, mais tarde os aprisiona. Assim, quando os irmãos percebem já era tarde demais, João estava preso em cativeiro e Maria era feita de escrava. Aqui, o conto nos fala sobre as consequências de ser demasiado inocente e a confiança cega.

Entretanto, as crianças conseguem se livrar das ameaças e castigos ao acessarem sua força interior, coragem, espírito de equipe e criatividade. Eles ainda saem carregando as riquezas da velha, o que nos aponta para a sabedoria que adquirimos quando passamos por situações difíceis na vida.

Outras considerações

Na história, a bruxa morre e a madrasta também. Esses acontecimentos estão relacionados, pois de alguma maneira, essas personagens estão conectadas pelo mal que causam aos irmãos e pelo forte desejo pelo alimento.

Outro ponto interessante de analisar é sobre o contexto histórico em que o conto surgiu. Na época da Idade Média, a fome era algo que castigava enorme parte da população. Assim, em João e Maria esse é o problema central que ronda toda a narrativa.

Desconfia-se também que na história original, a madrasta não existia, e na realidade quem bolava o plano de abandono era a própria mãe das crianças. Como essa versão pareceu muito cruel, ela foi alterada posteriormente.

Conheça os irmãos Grimm

Os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm nasceram na Alemanha em 1785 e 1786, respectivamente. Os dois foram estudiosos da linguagem, poetas e acadêmicos que dedicaram sua vida, sobretudo, à coleta e escrita de fábulas populares que faziam parte da tradição oral de povos germânicos.

Eles compilaram um grande número de histórias que eram contadas por familiares e pessoas humildes. Acredita-se que boa parte desses contos chegaram até os irmãos através de uma mulher chamada Dorotea Viehmman. Nessa época, as narrativas eram voltadas ao público adulto, não às crianças.

A iniciativa de reunirem as histórias de seu povo impulsionou também a coleta e registro de outros mitos nas demais partes do mundo por outros pesquisadores, a fim de garantir que tais fábulas não se perdessem.

Vale lembrar que as histórias sofreram algumas modificações ao longo dos anos. Geralmente, as versões originais são mais assustadoras e nem sempre possuem final feliz.

Alguns contos famosos escritos pelos irmãos são: Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, O Pequeno Polegar, Cinderela, entre outros.

Jacob veio a falecer no ano de 1863, sendo que Wilhelm havia morrido quatro anos antes, em 1859. Ambos foram de essencial importância para a conservação das tradições que permeavam o inconsciente coletivo e, até hoje, permanecem em nosso imaginário.

Fonte:https://www.culturagenial.com/historia-joao-e-maria/  

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A FORMIGA MÁ. Esopo.




Já houve, entretanto, uma formiga má que não soube compreender a cigarra e com dureza a repeliu de sua porta.

Foi isso na Europa, em pleno inverno, quando a neve recobria o mundo com o seu cruel manto de gelo.

A cigarra, como de costume, havia cantado sem parar o estio inteiro, e o inverno veio encontrá-la desprovida de tudo, sem casa onde abrigar-se, nem folhinhas que comesse.

Desesperada, bateu à porta da formiga e implorou — emprestado, notem! — uns miseráveis restos de comida. Pagaria com juros altos aquela comida do empréstimo, logo que o tempo o permitisse.

Mas a formiga era uma usurária sem entranhas. Além disso, invejosa. Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra por vê-la querida de todos os seres.

— Que fazia você durante o bom tempo?

— Eu... eu cantava!...

— Cantava? Pois dance agora, vagabunda! — e fechou-lhe a porta no nariz.

Resultado: a cigarra ali morreu entanguidinha; e quando voltou a primavera o mundo apresentava um aspecto mais triste. É que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra morta por causa da avareza da formiga. Mas se a usurária morresse, quem daria pela falta dela?


Moral da história: A vingança não é uma boa virtude, devemos ajudar os outros sem esperar nada em troca. 

Como diz o ditado, quem faz o bem não olha a quem. 

Atividade:


Quer ajudar a pobre cigarrinha? Faça um desenho dela numa casinha bem quentinha. 


Sobre a formiguinha boa leia aqui



segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A terra e a minhoca. Leia poesia para suas crianças. A importância da minhoca.

Imagem google.



poema de Ruth Salles

Onde anda ela?
Pela terra.
Ela anda em ondas
e abre alas
entre os muros duros
sob o solo;
e os escuros muros
torna novos,
moles e macios
para a lavra.
Filtra finos rios
onde cava;
úmidos respiros
para as plantas.
Longos labirintos
ela trança,
onde a vida escorre,
que renova.
Como come o solo!
E ele logo
ao solo reverte
bem diverso.
Nasce de seu rastro?
Terra fértil.
A terra e a minhoca:
fina troca.

Para Colorir:
Após colorir, escrever no balãozinho o que a minhoca está falando sobre seu trabalho importante na terra.


Imagem google.

O que você acha que a minhoca está falando? Você sabe onde a minhoca vive e o que ela gosta de fazer?

Historinha com explicações sobre a importância do trabalho das minhocas.
Era uma vez uma menina que plantou várias sementinhas em um canteiro cheio de terra. Passaram-se alguns dias e nenhuma sementinha germinou. A menina se perguntou “O que será que falta para que as minhas sementes nasçam?” O pai da menina, vendo aquilo, foi até o canteiro verificar o que realmente estava faltando e viu que naquele canteiro não havia minhocas!
Mas o que são as minhocas, e por que elas são tão importantes?

As minhocas são animais invertebradosde corpo cilíndrico e alongado formado por vários anéis.
A minhoca é muito importante para o solo, por vários fatores. Em primeiro lugar, ela é detritívoraou seja, alimenta-se de restos orgânicos de vegetais e animais. Por ter esse tipo de alimentação, ela elimina em suas fezes restos alimentares que sofrem a ação de bactérias decompositoras. Essas bactérias, ao agirem sobre esses restos alimentares, produzem um material chamado de húmus.
O húmus é muito importante para o crescimento das plantas, pois contém nitrogênio, fósforo e potássionutrientes necessários para a planta crescer e se desenvolver.Além de produzir o húmus necessário para o crescimento das plantas, as minhocas, ao se movimentarem embaixo da terra, vão fazendo túneis, que favorecem a ventilação das raízes das plantas e a penetração da água das chuvas, o que colabora para a melhor absorção de água pelas raízes.
As minhocas podem viver em torno de 16 anos, reproduzindo-se muito rapidamente. Calcula-se que cada minhoca põe em torno de 15 milhões de ovos em toda a sua vida. Muita coisa, não?
Os solos que possuem grande quantidade de minhocas são considerados solos muito férteis, onde tudo o que se planta, nasce.
Mas e as sementinhas da menina, nasceram?
Como o pai da menina olhou no canteiro e viu que não havia minhocas, ele colheu algumas minhocas em outro local e as colocou no canteiro onde a menina havia plantado as sementinhas.
Depois de alguns dias, regando sempre, a menina observou que as plantinhas começaram a germinar. E, após algumas semanas, olha como o canteiro da menina ficou...



Paula Louredo
Graduada em Biologia
Fonte: https://escolakids.uol.com.br/minhocas.htm

quinta-feira, 8 de março de 2018

As moedas caídas do céu. Irmãos Grimm.

Imagem google.

Era uma vez uma pobre menina, cujos pais haviam morrido. Era tão pobre, que não tinha nem quarto para morar, nem caminha para dormir; nada mais possuía além da roupa do corpo e um pedacinho de pão, que uma pessoa caridosa lhe havia dado.
Contudo, era a menina muito boa e piedosa.
Como se achava completamente abandonada de todo o mundo, pôs-se a vaguear de cá e de lá pelos campos, confiando-se à guarda do bom Deus.
No caminho, encontrou um mendigo, que lhe disse; - Pelo amor de Deus, dá-me alguma coisa para comer! Estou com tanta fome!
A menina deu-lhe o pedaço de pão que tinha, dizendo-lho:
- Deus te ajude.
E continuou o caminho. Logo depois encontrou uma menina que chorava e disse-lhe:
- Tenho tanto frio na cabeça! Dá-me alguma coisa para cobrir-me.
Ela tirou, prontamente, o gorro e deu-lho.
Pouco mais adiante, encontrou outra menina que estava transida de frio e não tinha sequer um jalequinho para se agasalhar. Ela despiu o seu e entregou-lho. Finalmente, mais além, outra menina pediu-lhe a saia; ela imediatamente deu-lhe a sua.
Por fim, chegou a um bosque e já caía a noite; aproximou-se-lhe outra menina e lhe pediu a camisinha; a boa criatura pensou:
- E' já noite escura, ninguém me verá. Portanto, posso bem dar-lhe a minha camisa.
Despiu-a e entregou-lha.
Depois de ficar sem nada, sem um farrapo no corpo, ficou lá no bosque muito sozinha. Mas, no mesmo instante, as estreias do céu puseram-se a cair, e ela viu, com assombro, que eram lindas moedas reluzentes.
E, embora ela se tivesse despojado da sua camisinha, tinha uma completamente nova, de finíssima cambraia a cobrir-lhe o corpo. Então, apanhou e recolheu nela as lindas moedas e ficou rica para o resto da vida.


Irmãos Grimm

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A arvorezinha de Natal. Conto de Natal para as crianças.

Fonte da imagem:

http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=237078&picture=fundo-com-arvore-de-natal

Um conto natalino que ensina valores e o sentido do Natal às crianças.


Numa pequena cidade havia somente uma loja que vendia árvores de Natal. Ali era possível encontrar árvores de todos os tamanhos, formas e cores. O dono da loja tinha organizado um concurso para premiar a árvore mais bonita e melhor decorada do ano, e o melhor de tudo é que seria o próprio São Nicolau que iria entregar o prêmio no dia de Natal.
Todas as crianças da cidade queriam ser premiadas pelo Papai Noel e correram para a loja para comprar sua árvore para decorá-la e poder participar do concurso.
Por sua vez, as arvorezinhas se emocionavam muito quando viam os meninos, que decididos a ganhar o concurso, gritavam: Pra mim... pra mim... Olhem pra mim! Cada vez que entrava uma criança na loja era igual, as arvorezinhas começavam a se esforçar para chamar a atenção e serem escolhidas.
Escolha-me porque sou grande!... Não! Escolha-me porque sou gordinha!... Ou A mim, que sou de chocolate!... Ou a mim que posso falar!... É o que se ouvia em toda a loja. Os dias foram se passando e somente se escutava a voz de uma arvorezinha que dizia: A mim, a mim... Que sou a mais pequenina!
Quase às vésperas do Natal, chegou à loja um casal muito elegante que queria comprar uma arvorezinha.
O dono da loja informou-lhes que a única árvore de Natal que havia sobrado era muito pequenininha. Sem se importar com o tamanho, o casal resolveu levá-la.
A arvorezinha pequenina se alegrou muito, porque finalmente alguém ia poder decorá-la e poderia participar do concurso. 
Ao chegar na casa onde o casal morava, a arvorezinha ficou surpresa: Como eu sendo tão pequenina, poderei brilhar diante de tanta beleza e imponência?
Assim que o casal entrou na casa, começaram a chamar a filha: Regina!...Venha filha! Temos uma surpresa para você! A arvorezinha escutou umas rápidas pisadas vindas do andar de cima.
Seu coraçãozinho começou a bater com força. Estava contente por poder deixar aquela linda menininha feliz.
Quando a menina desceu, a pequenina árvore se surpreendeu com a reação dela: Essa é minha arvorezinha? Eu queria uma árvore grande, frondosa, enorme e alta até o céu para decorá-la com milhares de luzes e bolas. Como vou ganhar o concurso com essa arvorezinha anã? Disse a criança chorando.
- Regina, era a única arvorezinha que sobrou na loja, explicou seu pai.
- Não a quero! É horrível... Não a quero! Gritava a furiosa criança.
Os pais, desiludidos, pegaram a pequenina árvore e levaram de volta à loja. A arvorezinha estava triste porque a menina não a quis, mas tinha esperança de que alguém viria levá-la para decorá-la a tempo para o Natal. Uma hora mais tarde se escutou a porta da loja se abrir.
A mim... A mim... Que sou a mais pequenina! Gritava a arvorezinha cheia de felicidade. Era um casal robusto, com mãos enormes. O dono da loja lhes informou que a única árvore que havia sobrado era aquela pequenina perto da janela. O casal pegou a arvorezinha, e sem dar importância ao tamanho, foi embora com ela.
Quando estavam chegando em casa, a arvorezinha viu quando dois menininhos gordinhos vinham ao seu encontro e gritavam: Encontrou papai? É como pedimos à senhora, mamãe? Quando os pais desceram do carro, as crianças foram em cima da pequenina árvore.
O que aconteceu depois? Vocês podem terminar a estória! Que tal consultar a família?
Por Amarilis Irigoyen

Para colorir, depois pode-se colar em papelão e enfeitar a árvore de Natal.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O Último Pedido Da Minhoca.

Imagem google.

Em um solo seco e arenoso, surgiu um buraquinho. Neste solo raramente chovia e nada nascia, saiu do buraquinho uma minhoca fraquinha que mal conseguia rastejar.
Naquele solo não havia vegetação, e para viver quase não tinha condição. Com muito esforço, a minhoca percorria persistente atrás de um novo chão.
O lugar mais seguro para uma minhoca é em baixo da terra, do lado de fora existem perigos de montão. Mas isso não desmotivava a pequena minhoca que parecia frágil, mais tinha muita determinação em procurar um novo chão.
Do solo seco de onde a minhoca saiu, todos os vizinhos repetiam sempre a mesma coisa:
- Não seja atrevida, aqui você é minhoca, mas lá fora é comida!
Imagina! A minhoca só procurava uma vida mais tranquila, e no solo seco ela mal sobrevivia. O que há de mal buscar uma nova vida?! Apesar dos riscos, agora do lado de fora ela vivia! Muitas vezes a gente precisa pensar diferente e seguir em frente, para ser feliz, para ficar contente!
Conforme a minhoca se rastejava, um mundo em sua frente se formava e ela ia aprendendo sobre tudo o que encontrava. Fez amizade com vários animais diferentes e que levará para sempre em seu coração. Aprendeu sobre cada estação e viu como a vegetação se transformava. O mundo do lado de fora parecia um espetáculo, uma linda apresentação.
Até que no seu caminho surgiu um passarinho, e a minhoca sabia o que aconteceria, e deu seu último suspiro.
Foi pega pelo passarinho que subiu no alto de um coqueiro. De bico pronto para se alimentar, a esperançosa minhoca tentou conversar:
- Passarinho, deixe-me fazer um último pedido!
O passarinho, mesmo assustado colocou a minhoca de lado:
- Que minhoca mais atrevida, perca a esperança, será comida!
Sem perder tempo, a minhoca fez seu pedido:
- Saí de um solo seco e sem vida, quase sem rastejar, vi de tudo no mundo aqui fora. Fiz minha escolha e não tenho do que reclamar. Mas havia algo que eu nunca tinha visto: como é lindo o mundo visto do bico de um passarinho. Peço que voe comigo por um instante, será meu ultimo pedido.
O passarinho geralmente fica mal humorado quando está esfomeado, mas com um pedido tão nobre, seu coração foi tocado. Com delicadeza ajeitou a minhoca em seu bico e partiu sem rumo.
O que parecia o fim, como foi ao sair daquele buraquinho do solo seco, era mais uma vez um começo. E uma linda amizade se fez.

Moral da história: não se acomode na vida, procure realizar seus sonhos, nunca perca a esperança.


Fonte: https://corujagaratuja.blogspot.com.br/2017/01/historia-infantil-o-ultimo-pedido-da.html#more

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Maria Pamonha.

Lenda latino-americana.

Certo dia apareceu na porta da casa grande da fazenda uma menina suja e faminta. Nesse dia, deram-lhe de comer e de beber. E no dia seguinte também. E no outro, e no outro, e assim sucessivamente.
Sem que as pessoas da casa se dessem conta, a menina foi ficando, ficando, sempre calada e de canto em canto.
Uma tarde, os garotos da fazenda perguntaram-lhe como se chamava e ela respondeu com um fiozinho de voz:
— Maria.
E os garotos, às gargalhadas, fecharam-na numa roda e começaram a debochar dela:
— Maria, Maria Pamonha, Maria, Maria Pamonha…
Uma noite de lua cheia, o filho da patroa estava se arrumando para ir a um baile, quando Maria Pamonha apareceu no seu quarto:
— Me leva no baile? — pediu-lhe.
O jovem ficou duro de espanto.
— Quem você pensa que é para ir dançar comigo? — gritou. — Ponha-se no seu lugar! Ou quer levar uma cintada?
Quando o rapaz saiu para o baile, Maria Pamonha foi até o poço que havia no mato, banhou-se e perfumou-se com capim-cheiroso e alfazema. Voltou para casa, pôs um lindo vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos.
Quando a jovem apareceu no baile, todos ficaram deslumbrados com a beleza da desconhecida. Os homens brigavam para dançar com ela, e o filho da patroa não tirava os olhos de cima da moça.
— De onde é você? — perguntou-lhe, por fim.
— Ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Cintada — respondeu a garota. Mas o rapaz a olhava tão embasbacado que não percebeu nada.
Quando voltou para casa, o jovem não parava de falar para a mãe da beleza daquela garota desconhecida que ele vira no baile. Nos dias que se seguiram,
procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, mas não conseguiu encontrá-la. E ficou muito triste.
Uma noite lua, dez dias depois, o jovem foi convidado para outro baile. Como da primeira vez, Maria Pamonha apareceu no seu quarto e disse-lhe com sua vozinha:
— Me leva no baile?
E o jovem voltou a gritar-lhe:
— Quem você pensa que é, para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar!
Ou quer levar uma espetada?
Logo que o jovem saiu, Maria Pamonha correu para o poço, banhou-se, perfumou-se, pôs outro vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos.
De novo, no baile, todos se deslumbraram com a beleza da jovem desconhecida.
O filho da patroa aproximou-se dela, suspirando, e perguntou-lhe:
— Diga-me uma coisa, de onde é você?
— Ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Espetada — respondeu a jovem. Mas ele nem se deu conta do que ela estava querendo lhe dizer, de tão apaixonado que estava.
Ao voltar para casa, não se cansava de elogiar a desconhecida do baile.
Nos dias que se seguiram, procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, mas não conseguiu encontrá-la. E ficou mais triste ainda.
Uma noite de lua crescente, dez dias depois, o rapaz foi convidado para outro baile. Pela terceira vez, Maria Pamonha apareceu em seu quarto e disse-lhe com aquele fiozinho de voz:
— Me leva no baile?
E pela terceira vez ele gritou:
— Quem você pensa que é para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar!
Ou quer levar uma sapatada?
Outra vez, Maria Pamonha vestiu-se maravilhosamente e apareceu no baile. E outra vez todos ficaram deslumbrados com sua beleza.
O jovem dançou com ela, murmurando-lhe palavras de amor e deu-lhe de presente um anel. Pela terceira vez, ele lhe perguntou:
— Diga-me uma coisa, de onde é você?
— Ah, ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Sapatada.
Mas como o rapaz estava quase louco de paixão, nem se deu conta do que queriam dizer aquelas palavras.
Ao voltar para casa, ele acordou todo mundo para contar como era bela a jovem desconhecida. No dia seguinte, procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, sem conseguir encontrá-la.
Tão triste ele ficou que caiu doente. Não havia remédio que o curasse, nem reza que o fizesse recobrar as forças. Triste, triste, já estava a ponto de morrer.
Então Maria Pamonha pediu à patroa que a deixasse fazer um mingau para o doente. A patroa ficou furiosa.
— Então você acha que meu filho vai querer que você faça o mingau, menina?
Ele só gosta do mingau feito por sua mãe.
Mas Maria Pamonha ficou atrás da patroa e tanto insistiu que ela, cansada, acabou deixando.
Maria Pamonha preparou o mingau e, sem que ninguém visse, colocou o anel dentro dele.
Enquanto tomava o mingau, o jovem suspirava:
— Que delícia de mingau, mãe!
De repente, ao encontrar o anel, perguntou surpreso:
— Mãe, quem foi que fez este mingau?
— Foi Maria Pamonha. Mas por que você está me perguntando isso?
E antes mesmo que o jovem pudesse responder, Maria Pamonha apareceu no quarto, com um lindo vestido, limpa, perfumada e com os cabelos presos.

E o rapaz sarou na hora. E casou-se com ela. E foram muito felizes.

Moral da história: 

não julgar pelas aparências, uma pessoa mal vestida pode ser linda, como uma pessoa quieta pode ser muito inteligente e educada. Citar outros exemplos e pedir exemplos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Leão e o Ratinho.


Esopo

Um leão, cansado de tanto caçar, dormia espichado à sombra de uma boa árvore. Vieram uns ratinhos passear em cima dele e ele acordou.
Todos conseguiram fugir, menos um, que o leão prendeu embaixo da pata. Tanto o ratinho pediu e implorou que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora.
Algum tempo depois, o leão ficou preso na rede de uns caçadores. Não conseguia se soltar, e fazia a floresta inteira tremer com seus urros de raiva.
Nisso, apareceu o ratinho. Com seus dentes afiados, roeu as cordas e soltou o leão.

Moral:


Uma boa ação ganha outra.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Irmãos Grimm - A protegida de Maria.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/maria-santa-virgem-nossa-senhora-1004109/

Na orla de uma extensa floresta morava um lenhador e sua esposa. Eles tinham apenas uma filha, que era uma menina de três anos. Mas eles eram tão pobres que não tinham mais o pão de cada dia e já não sabiam o que haveriam de dar-lhe para comer. Certa manhã o lenhador foi com grande preocupação até a floresta para cuidar de seu trabalho e, quando estava cortando lenha, lá apareceu de repente uma mulher alta e bela que trazia na cabeça uma coroa de estrelas cintilantes e lhe disse “Sou a Virgem Maria, mãe do Menino Jesus, e tu és pobre e necessitado: traga-me tua filha, vou levá-la comigo, ser sua mãe e cuidar dela.” O lenhador obedeceu, foi buscar a filha e entregou-a à Virgem Maria, que a levou consigo para o Céu. Lá a menina passava muito bem, comia pão doce e bebia leite açucarado, e seus vestidos eram de ouro, e os anjinhos brincavam com ela. Quando completou quatorze anos, a Virgem Maria a chamou e disse “Querida menina, partirei em uma longa viagem; tome sob tua guarda as chaves das treze portas do reino celestial; tu poderás abrir doze delas e contemplar os esplendores que há lá dentro, mas a décima terceira, cuja chave é esta pequena aqui, está proibida para ti: cuidado para não abri-la, pois seria a tua infelicidade.” A menina prometeu ser obediente e, quando a Virgem Maria havia partido, começou a olhar os cômodos do reino celestial: a cada dia abria um deles, até que todos os doze tinham sido vistos. Em cada um dos cômodos estava sentado um apóstolo cercado de grande esplendor, e toda aquela suntuosidade e magnificência dava grande alegria a ela, e os anjinhos, que sempre a acompanhavam, alegravam-se também. Até que, então, faltava apenas a porta proibida, e ela sentiu um grande desejo de saber o que estava escondido atrás dela. Por isso disse aos anjinhos “Não abrirei a porta por inteiro e também não entrarei, mas vou entreabri-la para olharmos um pouquinho pela fresta”.
“Oh, não,” disseram os anjinhos, “seria um pecado: a Virgem Maria proibiu fazer isso, além do mais, isso poderia facilmente trazer-te a desgraça.” Então ela se calou, mas o desejo não silenciou em seu coração, mas, ao contrário, continuou roendo e corroendo-a com força, não lhe permitindo ficar em paz. E certa vez, quando os anjinhos haviam todos saído, pensou “Agora estou totalmente sozinha e poderia olhar lá dentro, afinal, ninguém ficará sabendo o que fiz”. Procurou a chave e, tão logo a apanhou, enfiou-a na fechadura e, uma vez ela estando lá, sem pensar duas vezes, girou-a. A porta abriu de um salto e ela viu a Trindade sentada em meio ao fogo e à luz. Ficou parada um momento, observando tudo com assombro, depois tocou de leve com o dedo aquela luz, e o dedo ficou totalmente dourado. No mesmo instante foi tomada de intenso pavor, bateu a porta com força e correu dali. Mas o pavor não diminuía, ela podia fazer o que fosse, mas o coração continuava batendo acelerado e não havia como acalmá-lo: assim também o ouro continuou no dedo e não saía de jeito algum, não importa o quanto lavasse e esfregasse.
Não passou muito tempo e a Virgem Maria retornou de sua viagem. Ela chamou a menina e solicitou as chaves de volta. Quando ela apresentou o molho, a Virgem olhou em seus olhos e perguntou: “E não abriste mesmo a décima terceira porta?” “Não”, respondeu. Então ela pousou a mão sobre o coração da menina e sentiu como ele estava batendo sobressaltado, de modo que percebeu que sua ordem tinha sido desobedecida e a porta fora aberta.
Então perguntou mais uma vez: “Realmente não a abriste?” “Não”, respondeu a menina pela segunda vez. Aí a Virgem avistou o dedo que ficara dourado pelo toque do fogo celestial e teve certeza de que ela pecara, e perguntou pela terceira vez: “Não a abriste?” “Não”, respondeu a menina pela terceira vez.
Então a Virgem Maria disse: “Tu não me obedeceste e, além disso, ainda mentiste, portanto não és mais digna de permanecer no Céu.”
Nesse momento a menina caiu em profundo sono e quando despertou jazia lá embaixo sobre a terra em meio a um lugar agreste. Quis gritar, mas não conseguiu emitir qualquer som. Levantou-se de um salto e quis fugir, mas para onde quer que se dirigisse sempre era detida por sebes espinhosas que não conseguia atravessar. Nesse ermo em que estava encerrada havia uma velha árvore oca que agora teria de ser sua morada. Era lá para dentro que rastejava quando caía a noite, e era lá que dormia, e, quando vinham chuvas e tempestades, era lá que buscava abrigo. Levava uma vida lastimável, e quando recordava como tudo havia sido tão bom no Céu, e como os anjinhos costumavam brincar com ela, chorava amargamente. Raízes e frutas silvestres eram seus únicos alimentos, e ela os procurava ao redor até onde podia ir. No outono juntava as nozes e folhas que haviam caído no chão e levava-as para o oco da árvore; comia as nozes no inverno e, quando chegavam à neve e o gelo, arrastava-se como um animalzinho para debaixo das folhas para não sentir frio.
Não demorou muito e suas vestimentas começaram a se rasgar e um pedaço após outro foi caindo do corpo. Tão logo o Sol voltava a brilhar trazendo o calor, ela saía e sentava-se diante da árvore e seus longos cabelos encobriam-na de todos os lados como um manto. Assim foi passando ano após ano e ela ia experimentando a miséria e sofrimento do mundo.
Uma vez, quando as árvores tinham acabado de cobrir-se outra vez de verde, o rei que lá reinava estava caçando na floresta e perseguia uma corça, e como esta havia se refugiado nos arbustos que rodeavam a clareira da floresta, ele desceu do cavalo e com sua espada foi arrancando o mato e abrindo caminho para poder passar. Quando finalmente chegou do outro lado, avistou sob a árvore uma donzela de maravilhosa beleza que lá estava sentada totalmente coberta até os dedos dos pés pelos seus cabelos dourados. Ficou parado admirando-a com assombro até que finalmente dirigiu-lhe a palavra e disse: “Quem és tu? Por que estás aqui no ermo?” Mas ela não respondeu, pois sua boca estava selada. O rei falou novamente: “Queres vir comigo até meu castelo?” Ela apenas assentiu levemente com a cabeça. Então o rei a tomou nos braços, carregou-a até seu corcel e cavalgou com ela para casa, e, quando chegou ao castelo real, ordenou que a vestissem com belos trajes e tudo lhe foi dado em abundância. Embora não pudesse falar, ela era afável e bela, e assim ele começou a amá-la do fundo de seu coração e, não demorou muito, casou-se com ela.
Quando se havia passado cerca de um ano, a rainha deu à luz um filho.
Nessa mesma noite, quando estava deitada sozinha em seu leito, apareceu-lhe a Virgem Maria, que disse “Se quiseres dizer a verdade e confessar que abriste a porta proibida, destravarei tua boca e devolverei tua fala, mas se insistires no pecado e teimares em negar levarei comigo teu filho recém-nascido.” Nesse momento foi dado à rainha responder, porém ela manteve-se obstinada e disse:
“Não, não abri a porta proibida”, e a Virgem Maria tomou-lhe o filho recém-nascido dos braços e desapareceu com ele. Na manhã seguinte, quando não foi possível encontrar a criança, começou a correr um murmúrio no meio do povo de que a rainha comia carne humana e teria matado seu próprio filho. Ela ouvia tudo isso e não podia dizer nada em contrário, mas o rei recusou-se a acreditar
naquilo porque a amava muito.
Depois de um ano nasceu mais um filho da rainha. Naquela noite voltou a parecer a Virgem Maria junto dela dizendo: “Se quiseres confessar que abriste a porta proibida, devolverei teu filho e soltarei tua língua; mas se insistires no pecado e negares, levarei também este recém-nascido comigo.” Então a rainha disse novamente: “Não, não abri a porta proibida”, e a Virgem tomou-lhe a
criança dos braços e levou-a consigo para o Céu. De manhã, quando mais uma vez uma criança havia desaparecido, o povo afirmou em voz bem alta que a rainha a tinha devorado, e os conselheiros do rei exigiram que ela fosse levada a julgamento. Mas o rei a amava tanto que não quis acreditar em nada, e ordenou aos conselheiros que, se não estivessem dispostos a sofrer castigos corporais ou mesmo a pena de morte, que deixassem de insistir no assunto.
No ano seguinte a rainha deu à luz uma linda filhinha e, pela terceira vez, apareceu à noite a Virgem Maria e disse: “Acompanha-me”. Tomou-a pela mão e conduziu-a até o Céu, mostrando-lhe então os dois meninos mais velhos, que riam e brincavam com o globo terrestre. A rainha alegrou-se com aquilo e a Virgem Maria disse: “Teu coração ainda não se abrandou? Se confessares que abriste a porta proibida devolverei teus dois filhinhos.” Mas a rainha respondeu pela terceira vez “Não, não abri a porta proibida”. Então a Virgem Maria a fez descer novamente à terra, tomando-lhe também a terceira criança.

Na manhã seguinte, quando a notícia correu, todo o povo gritava “a rainha come gente, ela tem que ser condenada”, e o rei não conseguiu mais conter seus conselheiros. Ela foi submetida a julgamento e, como não podia responder e se defender, foi condenada a morrer na fogueira. Quando haviam juntado a lenha e ela estava amarrada a um pilar e o fogo começava a arder a sua volta, então se derreteu o duro gelo do orgulho e seu coração encheu-se de arrependimento e ela pensou: “Ah, se antes de morrer eu ao menos pudesse confessar que abri a porta”. Nesse momento voltou-lhe a voz e ela gritou com força “Sim, Maria, eu a abri!” No mesmo instante uma chuva começou a cair do céu apagando as chamas do fogo, e sobre sua cabeça irradiou uma luz, e a Virgem Maria desceu tendo os dois meninos, um de cada lado, e carregando a menina recém-nascida no colo. Ela falou-lhe com bondade: “Quem confessa e se arrepende de seu pecado, sempre é perdoado”, e entregou-lhe as três crianças, soltou-lhe a língua e deu-lhe de presente a felicidade para a vida inteira.

domingo, 23 de outubro de 2016

PETER PAN A HISTÓRIA DO MENINO QUE NÃO QUERIA CRESCER. Parte 7. A Lagoa das Sereias.

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Na terceira noite tia Nastácia apareceu na sala ainda mais desapontada do que na véspera. O que estava acontecendo com a sua pobre sombra era simplesmente monstruoso.
— Veja Sinhá — disse ela paxá Dona Benta, colocando-se entre a parede e o lampião de modo a tornar a sombra bem visível.
— Veja Sinhá, como está toda rendada a minha sombra. O ladrão, que ontem me cortou a cabeça dela e um pedaço do ombro, acaba hoje de cortar uma porção de outros pedacinhos.
Realmente assim era. O resto da sombra da pobre negra estava todo picado de buracos feitos à tesoura.
— É um mistério que não consigo decifrar — disse Dona Benta sacudindo a. cabeça. — O Visconde, o nosso grande detetive, bem que podia tomar conta deste caso. Fale com ele.
Tia Nastácia conferenciou com o Visconde, obtendo do grande detetive a promessa de "investigar."
— Deixe a coisa comigo — disse ele. — Já resolvi aquele célebre caso do falso gato Félix e posso muito bem resolver este do ladrão de sombras. Deixe a coisa comigo.
Liquidado o incidente, Dona Benta retomou a história de Peter Pan no ponto em que a tinha deixado na véspera.
— Onde estávamos mesmo? — perguntou ao sentar-se em sua cadeira de pernas serradas.
— Os meninos perdidos haviam construído a casinha de Wendy e todos dormiram dentro dela, menos Peter Pan, que ficou de guarda — lembrou Narizinho.
— Sim, é isso mesmo — confirmou Dona Benta. —
Dormiram na casinha a primeira noite e depois outras.
Durante toda uma semana os meninos não se afastaram dali. Estavam encantados com a mãezinha que Peter Pan lhes arranjara e Wendy estava igualmente encantada com os seus seis filhos. A felicidade naquele acampamento seria completa, se não fosse a tristeza em que havia caído a fada Sininho. Vivia sempre emburrada, escondida pelos cantos, sem coragem de falar com Peter Pan.
Mas tudo cansa. Ao fim da primeira semana. Wendy mostrou vontade de sair a passeio pela floresta, ou algum outro lugar.
— "Podemos ir à Lagoa das Sereias" — propôs Peter Pan.
— "A nossa Terra do Nunca não possui unicamente coisas terríveis, como os piratas e os lobos famintos. Esse Lago das Sereias é lindo, lindo!"
A ideia foi recebida com entusiasmo. Wendy e seus irmãozinhos só conheciam as sereias dos livros de figura.
Sereias de verdade, com cauda de peixe e escamas, bem vivas e perigosas, nunca haviam visto nenhuma, por não serem criaturas encontráveis no jardim zoológico de Londres. Havia lá de tudo — hipopótamos, rinocerontes, leões, tigres, girafas, serpentes, ursos, focas — mas sereia, nenhuma.
— "Vamos, vamos ver as sereias!" — gritaram todos no maior assanhamento.
Num minuto fizeram-se os necessários preparativos e lá se foram todos. Depois de longa viagem avistaram o grande lago verde-mar, em cujo fundo se erguia o palácio encantado das sereias. Às vezes todas elas vinham à tona para se pentearem ao sol, espalhadas pelos rochedos. Outras vezes só se via por ali uma ou outra.
Quando os meninos chegaram à beira d’água, só encontraram uma.
— "Que beleza!" — exclamou Wendy, enlevada. — "Tal qual uma que vem pintada no meu livro de capa azul.
Vejam como as escamas brilham ao sol! Parecem de prata..."
Era na verdade uma das mais lindas sereias do bando.
Tinha os cabelos cor de ouro e bronze misturados, com reflexos verdes. Estava reclinada sobre um rochedo e enquanto cantava corria um pente de ouro pelos cabelos maravilhosos.
— E era lindo esse canto? — indagou Narizinho.
— Oh, nem queira saber! — disse Dona Benta. Ninguém pode dar ideia da beleza do canto das sereias. Só ouvindo.
Tão diferente do canto das criaturas humanas que é até perigoso para nós. Grandes desgraças têm acontecido no mar aos marinheiros que ouviram tais cantos.
— É verdade, vovó, que os marinheiros antigamente entupiam os ouvidos com chumaços de algodão sempre que avistavam uma sereia? — perguntou Pedrinho.
— Deve ser. Não fazendo isso, esse canto maravilhoso deixa os marinheiros embriagados e eles erram todas as manobras do navio, puxam esta corda em vez daquela, botam garrafas de vinho no anzol em vez de iscas — atrapalham tudo, tudo. Resultado: o navio perde o rumo, dá com o bico numa pedra e afunda.
Os meninos perdidos tinham muita vontade de apanhar uma sereia viva, coisa quase impossível por serem espertas demais. Não há lambari arisco que tenha a ligeireza duma sereia. Eles já haviam tentado várias vezes e agora iam tentar novamente.
— Como?
— O meio era um só — meterem-se n’água de jeito que a sereia não os visse e fecharem o cerco. Assim fizeram.
Meteram-se todos n’água e foram nadando sem fazer o menor barulhinho, até que...
— Pegaram? — indagou Narizinho, ansiosa.
— Pegaram nada! A sereia os percebeu e soltou um grito agudo: Mortais! Mergulhando em seguida.
Ficaram todos desapontadíssimos e Miguel chegou a fazer cara de choro. Se não chorou de verdade foi porque Bicudo avistou outra sereia numa rocha mais adiante.
— "Lá está uma sereia-menina, das fáceis de pegar!" — cochichou ele, apontando. — "Temos que ir com muitas cautelas."
Era uma sereiazinha das mais lindas que a gente possa imaginar. Teria aí seus sete anos de idade, já sabia pentear-se com o seu pentinho de ouro e já começava a cantar as primeiras cantigas. Tão distraída estava a seguir os movimentos dum caranguejo na pedra, que deixou os meninos se aproximarem até bem perto. Miguel, que vinha na frente, não se conteve e — zás! — deu um pulo em cima dela.
— Pegou? — quis saber Narizinho, ansiosíssima.
— Desta vez pegou — respondeu Dona Benta — mas não a segurou bem. As sereias são as criaturas mais lisas que existem, dez vezes mais que o sabão, de modo que a sereiazinha escorregou das unhas de Miguel e lá se foi para o fundo, tal qual a primeira.
— Que pena vovó! — exclamou Narizinho. — Todas as histórias de sereias acabam sempre assim. Quando chega a hora de agarrar uma, acontece isto ou aquilo e elas escapam...
— Hei de fazer uma história diferente — declarou Emília. Uma história onde todas as sereias sejam agarradas e amarradas e trazidas para a cidade dentro dum caminhão.
— Pois você errará Emília, se escrever uma história assim — disse Dona Benta. — Além de ser uma judiação arrancar do seu elemento criaturas tão lindas, essa pesca e essa trazida para a cidade em caminhão viria destruir a beleza e o mistério das sereias. Sabe o que acontecia? Os jornais davam o retrato delas impresso em tinta preta (nos livros elas aparecem em lindas pinturas de cores macias); os sábios de óculos vinham estudá-las, isto é, abri-las com as suas facas chamadas bisturis para ver o que tinham dentro, e mil outros horrores. Não, Emília. É melhor que ninguém nunca pegue uma sereia — nem você tampouco.
Na sua historinha, agarre a sereia, mas faça que ela escape no momento de entrar para o caminhão. Ficará muito mais poética a sua historinha, eu garanto.
— Credo! Disse tia Nastácia. — Os homens são tão malvados que até eram capazes de picar as coitadas em pedaços, para vender nos açougues lombo de sereia, entrecosto de sereia, rabo de sereia, miolo de sereia...
— Continue vovó — pediu Pedrinho. — A sereiazinha escapou e...
— E sumiu-se no fundo d’água, indo avisar as outras, de modo que naquele dia não houve mais sereias na superfície do lago.
— E os meninos voltaram para a casinha de Wendy...
— Não. Em vez de sereia apareceu ao longe um bote.
Os piratas do Capitão Gancho, que haviam ancorado o seu navio a uns dez ou doze quilômetros daquele ponto, lá vinham vindo de bote para o lado dos pegadores de sereias.
Como fosse grande o perigo, a meninada tratou de voltar para a praia quanto antes. O meio era um só — nadar, e lançaram-se à água e nadaram para terra sem sequer volver os olhos para trás. Só Peter Pan se animou a fazer isso. Olhou e viu que Pantera Branca, a chefa dos índios Peles-Vermelhas, vinha de pé à proa do bote, amarrada com cordas.
Peter Pan franziu a testa. Fazia assim sempre que tinha de resolver um problema urgente. Parece que com o tal franzimento de testa ele espremia o cérebro para que espirrasse alguma boa ideia. — "Já sei" — murmurou para si mesmo logo depois. — "Os terríveis piratas derrotaram os índios e aprisionaram Pantera Branca, e agora vão abandoná-la num rochedo para que morra afogada pela
maré."
Peter Pan tinha adivinhado. O bote dirigia-se para o rochedo onde estivera a sereia grande, com ordem do Capitão Gancho para largar lá a índia, bem amarrada com grossas cordas.
"Mas isso não pode ser!" — pensou consigo Peter Pan.
"Preciso salvar a pobre criatura, custe o que custar. Pantera Branca é nossa aliada e nossa amiga." — Franziu de novo a
testa e imediatamente espirrou de dentro do seu cérebro outra ideia muito boa.
— Qual foi? — quis saber Pedrinho.


Você quer saber a ideia de Peter Pan? Vamos aguardar o próximo episódio.

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