Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de maio de 2021

O sapo e a cobra.

O sapo e a cobra é uma lenda do folclore africano que nos faz refletir sobre como poderíamos ter um mundo melhor sem os preconceitos que acabam afastando as pessoas. Trata-se de uma lenda africana com valores. Boa leitura!                                                     

 

Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido   deitado no caminho.

 – Olá! O que você está fazendo estirada na estrada?

 – Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha e você?

 – Um sapo. Vamos brincar? E eles brincaram a manhã toda no mato.

 – Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando sobre o tronco – disse a cobra..

 E eles subiram. Ficaram com fome e foram embora, cada um para a sua casa, prometendo se encontrar no dia seguinte.

 – Obrigada por me ensinar a pular.

 – Obrigado por me ensinar a subir na árvore.

 Em casa o sapinho mostrou para a sua mãe que sabia rastejar.

 – Quem ensinou isso a você?

 – A cobra minha amiga.

 – Você não sabe que a família da cobra não é gente boa? Eles têm veneno. Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por aí. Não fica bem.

 Em casa a cobrinha mostrou a mãe que sabia pular.

 – Quem ensinou isso a você?

 – O sapo meu amigo.

 – Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu com a família do sapo e…bom apetite! E para de pular. Nós cobras não fazemos isso. 

 No dia seguinte cada um ficou no seu canto.

 – Acho que não posso rastejar com você hoje – pensou o sapo.

 A cobrinha olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: “Se chegar perto, eu pulo e o devoro”. Mas lembrou- se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato. Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos. Mas ficaram sempre no sol, pensando no único dia em que foram amigos.


Tema: Preconceito. 


Fonte:http://cvdee.org/maestro/apps/cvdee/public/files/evangelize/indice_historias.pdf

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Leão Praxedes.


Tarcisio Lage

Na imensa planície africana existia um leão com dentes enormes e afiados.
Chamava-se Praxedes. Era só o Praxedes abrir sua boca, balançar a densa juba e fazer explodir seu urro, ouvido a 50 quilômetros de distância, para que toda a floresta tremesse de medo. Os macacos trepavam até os galhos mais altos, as hienas paravam de sorrir e corriam mais do que os veados, os outros leões abaixavam a cabeça e enfiavam o rabo entre as pernas.
Com o Praxedes era na base:
Obediência ou Morte!
- Sim, Dom Praxedes.
- Tá certo, é o senhor quem manda.
- Se Dom Praxedes não quer, eu não faço.
Era uma vergonha ver os outros leões que nem cachorro vira-lata, fazendo tudo que Praxedes queria, sem reclamar, sem uma pontinha de revolta.
Acontece que, num certo dia, o professor Percy, que vivia fazendo umas experiências malucas, deixou cair debaixo da árvore que dava sombra para Praxedes dormir um tubo cheio de Estreptococos Mutans. O Estreptococo Mutans é um bichinho horroroso. Multiplica-se mais do que coelho nos restos de comida entre os dentes.
Inhaca, que nojo!
Quando são milhões e milhões, bem alimentados com aquelas porcarias de quem não escova os dentes, o Estreptococo Mutans começa a roer devagar, devagar, sem parar, até não sobrar dente nenhum.
 Praxedes, que além de autoritário era curioso, cheirou o tubo e, não contente, deu uma lambidinha para sentir o gosto da pasta amarela apinhada de estreptococos. Os horrorosos bichinhos não perderam tempo.
Raque, raque, raque... foram logo roendo os enormes dentes de Praxedes. Caíram todos! A imensa boca de Praxedes, o terror da bicharada, murchou como um balão furado.
Quando os outros leões viram aquela boca desdentada, murcha, parecendo uma maçã ressecada, resolveram desforrar os anos que passaram fazendo tudo que Praxedes mandava sem um fiapo de reclamação. Foi-se o respeito imposto pelos dentes.
Consideração? Nem mais dos fracotes.
Jururu, andando a esmo pela planície, a juba caída, Praxedes não tinha como escapar da gritaria da bicharada:
- Praxedes, leão sem dente. Praxedes, leão sem dente.
Nem mais os macacos tinham medo do leão desdentado. Os chimpanzés, que são os palhaços da floresta, desciam das árvores e faziam uma volta em torno do pobre banguela. Um puxava seu rabo, outro dava um cocorote na testa do antes tão temido leão. Havia um chimpanzé muito sem vergonha que enfiava o dedo naquele lugar do Praxedes e gritava.
- O Praxedes não é mais aquele! O Praxedes não é mais aquele!
O pobre coitado ficou numa magreza de fazer dó. Não morreu porque comia o que sobrava da caça dos outros leões, chupando os ossos. Que tristeza!
Foi expulso do grupo dos leões mandões. O novo chefe, o que tinha agora os dentes mais afiados, falou:
- Praxedes, você é uma vergonha. Não queremos nenhum desdentado em nosso grupo. Vá embora daqui. Vá pro meio das hienas e dos abutres comer carniça.
Desprezado, desrespeitado, desmoralizado, Praxedes abandonou a planície que tanto amava e foi viver no fundo da floresta, bem no escuro, onde ninguém pudesse vê-lo.
Dona Coruja, em suas andanças pelas copas das árvores, viu um dia Praxedes todo triste e perguntou:
- Dom Praxedes, o que lhe aconteceu?
O ex-mandão da planície escancarou a boca muxibenta e disse quase chorando:
- Não sei dona Coruja, Olha aqui, caíram todos os meus dentes.
Dona Coruja, que vivia voando pelas redondezas, contou ao Praxedes que na ilha do Rio dos Crocodilos existia um hipopótamo dentista muito bom na feitura de dentaduras. O único problema é que era um preguiçoso de marca maior e só saía de sua ilha para se refrescar no fundo do rio.
Para ter a dentadura, Praxedes tinha de nadar até o consultório do Dr. Hipopótamo.
Nenhum problema? E os crocodilos?
Quando Praxedes chegou ao barranco pronto para saltar e nadar até a ilha, um bando de crocodilos já esperava por ele, lambendo os beiços:
- Ora viva, aí vem Dom Praxedes para o nosso almoço.
Praxedes chamou de volta sua antiga coragem e propôs:
- Olha aqui, seus crocos, faço uma aposta.
Se vocês deixarem que eu nade até a ilha, garanto que na volta vocês não conseguem me pegar.
- Ah é, seu leão desdentado. Pode nadar, nós o esperamos para o jantar, - disse o maior dos crocodilos, esquecido de que o Hipopótamo era dentista.
Praxedes nadou, nadou. Era um rio muito largo. E precisou ficar um tempão na sala de espera, coisa a que não era acostumado.
O Dr. Hipopótamo estava no fundo do rio, refrescando-se e comendo umas gramas que cresciam debaixo d'água. Só à tardinha voltou ao consultório.
- Ué, Dom Praxedes, por estas bandas?
Em que posso servi-lo?
Praxedes não precisou dizer uma palavra.
Só abriu a boca e o Dr. Hipopótamo compreendeu que ele queria uma dentadura.
- Fique com a boca bem aberta e não tenha medo - disse o dentista.
O Dr. Hipopótamo abriu a gaveta de dentes de leões e escolheu para Praxedes uma dentadura de aço inoxidável com as presas afiadas como navalha.
Praxedes ficou contentíssimo. Só faltou dar um beijo na testa do Dr. Hipopótamo. Disse que faria tudo que ele quisesse, era só pedir. E pulou no rio, nadando de volta para sua planície. Nem se lembrava mais dos crocodilos.
- Lá vem a nossa janta, atacar! - gritou o chefe do bando dos crocos.
Foi uma luta tremenda. O croco-chefe avançou para abocanhar o pescoço de Praxedes, mas foi ele quem levou uma dentada no papo. E outra dentada. E mais outra. O rio coalhado de sangue. Sangue de crocodilo. Não de leão.
Praxedes saiu na outra margem, sacudiu a juba e foi andando todo garboso, de cabeça erguida, planície afora. O chimpanzé sem vergonha viu de longe o ex-banguela, desceu de sua árvore de observação, chegou por trás como sempre fazia, levantou o rabo do Praxedes e já ia enfiar o dedo, quando viu aqueles dentes enormes e afiados. O chimpanzé sem vergonha deu um pulo e por pouco escapou dos dentes navalha. Subiu para o galho mais alto da primeira árvore que encontrou, tão rápido como se estivesse descendo. Ainda teve fôlego para gritar lá de cima:
- Cuidado gente, o Praxedes já tem dente!
Foi um corre-corre danado, a bicharada toda em polvorosa ao escutar novamente o urro ouvido a 50 quilômetros de distância.
Dona Zebra correu para o seu refúgio, a Hiena parou de sorrir à toa, os veados dispararam planície afora. Até seu Avestruz levantou a cabeça e deu no pé.
Os outros leões, quando viram as presas afiadas de Praxedes, navalhas reluzindo ao sol, abaixaram a cabeça para mostrar respeito à lei do dente. O leão-chefe substituto, com o rabo entre as pernas, falou:
- Dom Praxedes, que bom que o senhor voltou. Viva o nosso grande chefe.
A resposta de Praxedes foi outro urro, mais violento do que o primeiro, fazendo tremer as árvores da floresta vizinha. Por fim, sentindo que não era só com urro que se impunha respeito, falou:
- Chefe coisa nenhuma. Não, não vou ser chefe de ninguém. Não vai ter chefe nesta planície. Vamos caçar juntos, sem precisar que ninguém mande em ninguém. E tem mais: quem perder os dentes ou tiver qualquer aleijão não será expulso. Será é ajudado e apoiado.
- Está certo, Dom Praxedes. Assim será, - concordaram os outros leões.
Nem todos. Alguns leõezinhos, que assistiam à conversa, até gostaram da ideia de não ter mais chefe. Entretanto, pensavam lá com seus botões, Praxedes estava era sendo chefe de novo, urrando e gritando com os outros, dizendo o que eles tinham de fazer.
É muito difícil eliminar a lei do dente.


Perguntas:

Por que o leão Praxedes era temido?

O que aconteceu com os dentes de Praxedes?  Por quê?

Depois que perdeu os dentes Praxedes continuou a impor respeito?

O que você acha mais importante, impor respeito pelo medo ou respeitar a opinião dos outros por ser correta?

Praxedes aprendeu a lição depois de ter ficado sem dentes? Qual a atitude que ele tomou que justificou sua resposta?

É muito difícil eliminar a lei do dente. 

Podemos entender a lei do dente pela imposição de algumas pessoas sobre as outras através da força ou mesmo do grito.
Pedir exemplos de colegas ou amigos que querem que suas ideias sejam sempre cumpridas sem que os outros possam argumentar.
Perguntar se algum deles já agiu assim.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

De criança diferente a adulto consciente.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=75218&picture=handprints-coloridos

Nasci e quando comecei a crescer, mamãe descobriu que havia algo diferente em mim. Os sons iam ficando cada vez mais distante e os médicos diziam que um dia eu não poderia mais ouvir o canto dos pássaros, o latido do cachorro, a música e nem mesmo a voz da mamãe.
Fui crescendo como toda criança e um dia minha mãe me ensinou que eu era diferente de outras crianças porque não podia ouvir sons iguais a elas.
Acho que fiquei triste porque ela me pegou pela mão e me falou: “Quando Deus criou as pessoas desejou que cada uma nascesse com uma característica diferente da outra, é isso que faz com que elas sejam únicas e assim Ele as reconheceria facilmente”.
Ela me disse ainda: “Algumas pessoas não podem ver o mundo e são chamadas de cegas ou deficientes visuais, outras não podem andar e são conhecidas como deficientes físicas. Você não pode ouvir e por isso quando alguém a chamar de “surda” ou “deficiente auditiva” não estará desejando-lhe mal, apenas tratando-a por sua característica única”.
Meu papai não acreditava que eu era diferente e meu irmão sempre achou que eu era especial para ele, por isso me levava com ele para todos os lugares aonde ia e me apresentava a todos os seus amigos.
Cresci acreditando que poderia fazer tudo o que meu coração desejasse fazer, pois se não conseguisse era apenas por não ter habilidades para aquilo, sabia bem que ser surda não era desculpa para desistir dos meus ideais.
A escola era meu lugar preferido, os livros, as revistas. Mamãe me ensinou a ler e escrever quando tinha apenas cinco anos e todos ficavam admirados com minha fluência para ler e escrever.
Fiquei muito triste quando virei adolescente porque começaram a me achar diferente e não me convidavam mais para fazer parte da turma. Não me deixavam participar dos grupos de trabalho. Minha mãe disse que quando somos crianças temos um coisa chamada inocência que não nos deixa enxergar as diferenças, para as crianças todas as pessoas são iguais, elas não veem diferenças. Ela me falou que quando começamos a ficar grandes temos dificuldades em aceitar algumas pessoas, mas que eu era perfeita, pois Deus me criou assim então eu deveria me amar como eu era, que se eu gostasse de mim mesma, todos também gostariam.
Superei aquela fase, mas por onde passei as pessoas que me conheceram diziam que eu servia de inspiração para suas vidas, pois estava sempre feliz e sorridente e que eu sempre desafiava as dificuldades.
Quando cheguei à faculdade minha mãe foi estudar junto comigo. Ela sempre falou que foi para me ajudar, mas que eu a ajudei mais do que ela a mim. Ela dizia para as pessoas que eu lhe mostrei que mesmo que pensarmos que somos velhos demais para fazer alguma coisa, devemos tentar, pois não há limites de idade para vivermos.
A profissão que escolhi foi a Pedagogia. Eu queria poder ensinar crianças para mostrar a elas desde pequenas que elas deveriam acreditar que poderiam fazer qualquer coisa desde que desejassem muito isso e que as diferenças não são defeitos ou problemas, mas um jeito novo de realizar as coisas.
Já participei de muitas atividades, viajei, conheci pessoas, lugares… Continuo estudando, faço parte de uma ONG que cuida de crianças com diferenças sociais extremas, faço parte de uma igreja que me aceita como sou e me da oportunidades de cantar, falar e viver como todos os outros ali.
Meu pai entendeu o meu jeito de viver e investiu em mim. Meu irmão continua me amando e me admirando, ele fala que sempre busca inspiração em mim quando acha que as coisas estão difíceis. Minha mãe diz que ele tanto me amou que encontrou uma namorada que tem muitas das minhas características.
Eu nasci e quando comecei a crescer descobri que ser diferente é ser uma pessoa contente.
E você? Como usa suas diferenças?


Fonte: http://www.historias-infantis.com/de-crianca-diferente-a-adulto-consciente/

terça-feira, 10 de maio de 2016

Ser diferente. Autoconhecimento e auto aceitação.

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=32511&picture=clip-art-azul-elefante

Ser diferente.

Zezé, o elefante, estava triste. Ele se achava gordo e desajeitado. Na verdade, queria ser como Filó, a girafa. Porém, ao contar para a amiga girafa seu sonho de ser alto e elegante como ela, descobriu que Filó se achava alta demais, e não gostava de seu pescoço. Ela contou, então que desejava ser como Lico, o veado, ágil, veloz e com a altura certa.
Conversando com Lico, descobriram que ele se considerava frágil demais e, em seus sonhos, via-se forte como Ian, o leão.
Superando o medo que sentiam de Ian, foram procurá-lo, para perguntar como era ser forte, ser o rei da floresta. Mas encontraram Ian triste e solitário. O leão possuía poucos amigos, pois tinha fama de ser furioso, e todos tinham medo de se tornar seu jantar.
Como não conseguiram concluir quem era o melhor bicho, resolveram fazer um concurso para eleger o mais belo da floresta, o animal ideal. E foram procurar Zilá, a coruja, para juntos estabelecerem as regras do campeonato.
Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=52917&picture=coruja-clip

Zilá era uma estudiosa do comportamento animal, que surpreendeu a todos quando disse:
- Que importa ser o mais belo, o animal ideal? Deus criou cada animal de um jeito especial, com características próprias. E aí está a beleza da criação. Já pensaram se só existissem leões ou borboletas?
Zilá também explicou que cada animal tem virtudes próprias, e que o importante é cada um aceitar-se como é, valorizando o que tem de bom e se esforçando para se tornar alguém cada vez melhor, desenvolvendo qualidades como amor, perdão, respeito, amizade.
Zezé, Filó, Lico e Ian pensaram muito no que disse Zilá. E não realizaram o concurso.
A partir dessa conversa, Zezé parou de reclamar de seu peso e iniciou um programa de exercícios; Filó aceitou-se como era, alta e magra e deixou de ser fofoqueira; Lico tornou-se mais alegre e satisfeito com a vida e Ian tem se esforçado para ser mais calmo e simpático e fazer novos amigos. Assim, todos colaboram para que a floresta se torne um lugar melhor para se viver.

Claudia Schmidt.

Fonte: http://www.searadomestre.com.br/evangelizacao/autoaceitacao2ser.htm



Autoconhecimento e auto aceitação. Dinâmica.

Primeiro momento: 

distribuir às crianças uma folha de ofício em branco. Pedir a elas que dobrem duas vezes ao meio, de modo que pareça um livro.

Segundo momento: 

explicar o que é um passaporte (um documento oficial que serve como identificação).

Terceiro momento: 

realização do passaporte. Todos devem fazer o seu próprio passaporte, mas os passos devem ser explicados aos poucos, na medida em que o grupo conclui a tarefa anterior.

1ª folha: é a capa; nela a criança deve colocar a maneira como se vê: um desenho de si mesmo ou uma figura que o represente;

2ª folha: colocar nome, idade, filiação, bem como suas características físicas (peso, altura, cor dos olhos e cabelos, etc.) e espirituais (o que gosta de fazer e o que não gosta);

3ª folha: escrever como acha que os outros o veem, ou seja, o que as outras pessoas pensam e valorizam no dono do passaporte;

4ª folha: descrever as qualidades que possui (e que devem ser muitas, pois todos têm muitas qualidades). Se a criança não souber, perguntar aos colegas.


Quarto momento: cada criança deve explicar o seu passaporte aos demais colegas. A aula tem como objetivo fazer com que pensem sobre si mesmos e descubram que tem muitas qualidades, promovendo o autoconhecimento e a auto aceitação.

domingo, 3 de janeiro de 2016

A Ovelha Negra. Aceitando as diferenças. Bullying.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/ovinos-ovelha-negra-ovelha-branca-585790/

Era uma vez uma ovelhinha diferente das suas irmãs de rebanho: era negra. Por isso, era desprezada e sofria todo tipo de maus tratos. As outras lhe davam mordidas, patadas; procuravam colocá-la em último lugar no rebanho. Quando estavam num prado pastando, o rebanho inteiro tentava não deixar que a ovelhinha negra provasse uma ervazinha sequer. Dessa forma, sua existência era horrível.
Farta de tanto desprezo, a ovelhinha negra afastou-se do rebanho. Durante muito tempo vagou sem rumo pelo bosque. 
Quando anoiteceu, exausta, a ovelhinha deitou-se, sem perceber, em um monte de farinha, onde dormiu.
Ao raiar o dia, acordou e viu cheia de surpresa, que se havia transformado em uma ovelha muito branca, imaculada. Voltou então ao seu rebanho, onde foi muito bem recebida e proclamada rainha, pela sua bela aparência.
Naquela ocasião, estava sendo anunciada a visita do príncipe dos cordeiros, que vinha em busca de uma esposa.
O príncipe foi recebido no rebanho com grandes honras. Enquanto ele observava as ovelhas que formavam o rebanho, desabou uma violenta tempestade. A chuva dissolveu a farinha que cobria o pelo negro de nossa ovelhinha, e ela recuperou sua cor natural.
Quando a viu, o príncipe resolveu que seria a escolhida. As outras ovelhas perguntaram por quê.
- É diferente das outras. E isso, para mim, é suficiente.
Assim, a ovelhinha negra tornou-se princesa e teve, finalmente, o destino justo que merecia.

(autor desconhecido)


Moral da história: 

Não é a aparência que define o caráter. Cada um de nós tem suas características que são únicas e que ninguém mais tem. Valorizar o que temos de bom e procurar sempre melhorar os defeitos. 

Atividade

colar linhas preto e branco ou coloridas nas ovelhinhas:


Molde das ovelhinhas para colar linha ou colorir:

Fonte da imagem:http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=127612&picture=ovelha

domingo, 13 de dezembro de 2015

A Florzinha Cor-de-rosa.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/cosmos-flor-cosmos-flor-bloom-433424/

 Na frente de uma velha casinha era para existir um jardim maravilhoso, mas havia apenas terra, e essa era tão seca que não se via nem minhocas ou formigas passeando por lá.
 Certo dia o céu escureceu e veio uma chuva muito forte molhando toda a terra, que logo começou a brotar. Em poucos dias o jardim estava encantador, com um perfume suave das flores diversas que nasceram, somente um botãozinho ainda não estava aberto.
 O jardim ficou todo cercado de joaninhas, borboletas, beija- flores, minhocas, aranhas, formigas e besouros.
 Mas entre as flores que nasceram havia uma que era muito vaidosa, orgulhosa... Olhava para as outras flores e dizia:
 _ Eu sou a flor mais bonita deste jardim! Vocês comparadas a mim são horrorosas hehehehe.
 _ Olha só para a florzinha amarela... É igualzinha o sol!! A Flor azul é igual às nuvens e a marrom igual a terra... que horror!! Todas vocês são iguais a alguma coisa.
 Sou maravilhosa porque sou única... Sou cor de rosa!!! Não tem nada parecido comigo... sou uma atração...
Todos que aparecem no jardim olham para mim elogiando.
 E assim falava a nossa florzinha, toda orgulhosa, penteando suas pétalas.
 Certo dia ouviu- se uma gritaria de crianças:
 _ Corram... pega.....ela esta indo para o jardim!!!!
 E de repente... uma TRAGÉDIA aconteceu !!!!!
 A florzinha cor de rosa foi atingida em cheio por uma bola e desmaiou!!
 Todas as outras flores foram acudi-la, será que esta viva?!
 Felizmente estava, foi abrindo os olhos lentamente, e quando ficou de pé todas as flores arregalaram os olhos e começaram a gargalhar!!
 _ HaHaHaHaHaHaHaHaHaHa!!!
 _ Hihihihihihihihihihihihihihi!!!
 _ Hehehehehehehehehehehe!!!
Todas riam sem parar!!! Mas o que será que aconteceu?!
 É que a flor cor de rosa perdeu a metade de suas pétalas, estava HORROROSA!!
 Coitada da florzinha... todos que ali passavam falavam:
 _ Que espécie de flor é aquela? Que coisa mais feia!!!
 A minhoca estava se contorcendo de tanto rir, a borboleta não conseguia voar de tanto que gargalhava, a aranha tropicava nas pernas toda vez que olhava para flor despetalada.
Coitadinha...
 Dois dias se passaram e todas as pétalas caíram, ficou carequinha... ela chorava tanto...tanto.....
 Então numa noite a florzinha percebeu que foi muito feio o que ela havia feito, ficava sempre rindo das outras flores, e na verdade todas eram bonitas... Cada uma tinha a sua beleza... mas agora, ela era a única feia no
jardim... e pensou...
 _ Nunca mais vou falar mal de ninguém... estou muito sentida com a minha atitude.
 Deus percebeu o arrependimento sincero dela, e decidiu lhe dar uma nova chance...
 Ao amanhecer as flores começaram a se abrir, esticavam as folhinhas para cima se espreguiçando quando de repente todas arregalaram os olhos! !
 A florzinha cor de rosa estava com pétalas novamente!! Só que não eram cor de rosa... era uma azul, uma amarela, uma marrom, outra azul outra amarela e outra marrom...
 Tornou- se uma flor colorida!
E para surpresa de todos, uma florzinha que ainda era um brotinho começou a se abrir na frente de todos... e quem diria era toda cor de rosa!!
 Ela olhou para todas as flores que estava a sua volta e disse:
 _ NOSSA!!! Que jardim legal... quantas flores bonitas!
 _ Mas eu sou mais bonita que vocês, porque sou a única cor de rosa que tem aqui.
 Ao ouvir isso, a florzinha colorida chegou bem pertinho dela e disse:
 _ Venha cá, você ê ainda é muito novinha e tem que aprender algumas coisas, vou lhe contar uma história de uma florzinha cor de rosa que morou aqui...


Tema: Preconceito, vaidade, orgulho.

Moral da história: 

não devemos nos envaidecer seja pelos dons que temos, seja pelo que possuímos. O que vale é o espírito, a aparência física pode ser modificada como aconteceu com a florzinha vaidosa, mas a bondade, a caridade, a vontade de fazer o bem não se alteram e tornam a pessoa mais bonita. Mais vale ser bela por dentro do que por fora.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Zuzu, a abelhinha que não podia fazer mel. Historinha sobre bullying, preconceito, respeitando as diferenças.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/abelha-inseto-wasp-asas-olhos-160732/

Zuzu era uma abelhinha igual a todas que você conhece. Bem, igual, igual, não. Desde pequenina ela ficou sabendo que era um pouco diferente das outras: não poderia fabricar mel como suas companheiras.
No início, para ela isso não tinha muita importância. Mas, com o tempo, vendo como seus pais ficaram tristes, pois sonhavam com a filhinha estudando, se formando na Universidade do Mel, trabalhando, progredindo, como as outras abelhas da colmeia, começou a ficar entristecida, magoada, porque percebeu que não atingiria as expectativas dos pais. Eles a levaram aos melhores especialistas do abelheiro, mas todos foram unânimes: Zuzu jamais seria igual às outras...
Zuzu vivia cabisbaixa, solitária, era motivo de gozação e brincadeiras de mau gosto por parte das outras abelhas de sua idade.
Certo dia, muito aborrecida, resolveu voar para bem longe. Sem perceber, aproximou-se de outra colmeia, desconhecida. E logo percebeu que ali era diferente de onde ela morava: na entrada, algumas abelhas guardiãs também possuíam dificuldades: algumas não tinham uma asa, outras eram cegas...
À medida que foi penetrando nessa nova colônia, notava que em todos os setores as abelhas consideradas “deficientes”, trabalhavam e eram eficientes nas suas funções. Conheceu algumas que, como ela, não podiam produzir mel. Todas estavam ativas e contentes: controlavam o estoque de mel, a qualidade do produto, e até chefiavam a produção. Isso a deixou muito feliz: ela também poderia ser útil!
Conversando, suas novas amigas lhe contaram que ali todas eram respeitadas e trabalhavam de acordo com as suas capacidades.
Exultante, Zuzu voltou para sua casa cheia de novidades. No início, todos acharam que aquilo era uma bobagem, um sonho, fruto da imaginação. Com perseverança foi, aos poucos, introduzindo novas ideias na sua colmeia. Conseguiu levar uma comissão de ministros a outra colmeia para que eles vissem que o seu ideal era possível.
Assim, lentamente, na sua comunidade, foi sendo eliminado o preconceito às abelhas portadoras de cuidados especiais. Zuzu, como se sabe, chegou ao importante cargo de chefe da produção de mel de todo o reino, pela sua inteligência, pela suas habilidades, levando consigo muitas de suas irmãs.
Seus pais, agora venturosos, entenderam que a felicidade de Zuzu não está em fazer como os outros, mas em fazer como lhe é possível e da melhor maneira, evitando comparações.

Luis Roberto Scholl


Tema: Preconceito, bullying, convivendo com as diferenças.

Atividade:

Complete a abelha e pinte:

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/abelha-voar-bumblebee-design-896670/

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O MACHADO E AS ÁRVORES. Fábula de Esopo.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/madeira-serrada-lenhador-machado-156795/

Um homem foi à floresta e pediu às árvores que estas lhe doassem um cabo para o seu machado. O conselho das árvores concordou com o seu pedido e deu a ele uma jovem árvore para este fim.
Logo que o homem colocou o novo cabo no machado, começou furiosamente a usá-lo e em pouco tempo havia derrubado com seus potentes golpes, as maiores e mais nobres árvores da floresta.
Um velho Carvalho lamenta quando a destruição dos seus companheiros já está bem adiantada, e diz a um Cedro seu vizinho:
- O primeiro passo significou a perdição de todas nós. Tivéssemos respeitado os direitos daquela jovem árvore, ainda teríamos os nossos próprios e o direito de ficarmos de pé por muitos anos.

Autor: Esopo

Moral da História:

Quem menospreza ou discrimina seu semelhante, não deve se surpreender se um dia lhe fizerem a mesma coisa. 

Saiba sobre bullying  clicando AQUI

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/diferentes-nacionalidades-figures-1124478/

Somos iguais não importando a cor, situação social, e diferenças individuais. Pedir que falem sobre as diferenças e quando se tornam problema.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Filhos do Coração – A adoção explicada a pais e filhos.

Fonte da imagem:https://pixabay.com/pt/beb%C3%AA-casal-an%C3%A9is-de-casamento-1150109/

Era uma noite como outra qualquer.
A Luena estava sentada no chão a folhear o álbum de família. Os irmãos brincavam na sala com o Rafa e o Manecas, o cão e o gato lá de casa que, sendo os melhores amigos, às vezes pareciam os piores inimigos.
De repente, o silêncio foi interrompido pela curiosidade de uma menina de cinco anos.
— Mãe… como é que eu nasci? Porque é que não há fotografias minhas em bebé aqui no álbum?
A mãe percebeu que aquela, afinal, ia ser uma noite muito especial. Levantou-se do sofá e foi sentar-se ao lado da filha.
— Vou contar-te a história mais bonita do mundo e a mais especial, porque é a tua história. Sabes como nascem os bebés?
— Nascem de repolhos grandes! — exclamou o Manuel.
— Não é nada… chegam no bico das cegonhas! — contrapôs o Jorge.
Maria desatou a rir e avançou com a sabedoria de quem acredita que domina o mundo do alto dos seus dez anos:
— Os bebés nascem das barrigas das mães! O pai põe uma sementinha num ovo que a mãe tem dentro da barriga e, depois, a barriga começa a crescer, a crescer, a crescer e, nove meses depois, nascem os bebés!
— Nem todos — interrompeu a mãe —, alguns filhos nascem nos corações!
Nesse momento até as certezas da Maria, a irmã mais velha, desapareceram.
Curiosos, os irmãos aproximaram-se da mãe, prontos para ouvir esta história que, como todas as histórias importantes, começa com um…
— Era uma vez… — disse o pai da Luena que acabara de entrar na sala.
—… um coração que engravidou de amor — acrescentou a mãe.
— Os corações também engravidam? — interrompeu a Luena curiosa.
— Claro que sim! Esse coração, tal como as barrigas das mães, cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou por uma menina cor de canela e de trancinhas no cabelo que escolheu fazer parte desta família — respondeu o pai emocionado.
— Sabes Luena… há várias maneiras de criar uma família, mas o importante é o amor que une as pessoas dessa família, porque as famílias são para sempre — concluiu a mãe.
— Mesmo quando se zangam? — perguntou o Manuel.
— Claro… não vês que, apesar de se zangarem, o Rafa e o Manecas adoram-se e não conseguem viver um sem o outro? — lembrou a mãe.
A Luena ouvia em silêncio com muita atenção, mas, quanto mais lhe explicavam, menos conseguia entender. Pegou na mão da mãe, obrigando-a a fixar o olhar no seu, que suplicava por mais esclarecimentos.
— Então como é que eu cheguei ao teu coração grávido, mãe?
— Já vais perceber… mas, o mais importante é que estás cá dentro, no nosso coração, como todos os teus irmãos.
Pelo olhar perdido da Luena, todos conseguiram imaginar a confusão que reinava na sua cabeça. O pai avançou com mais explicações:
— Sabes Luena, existem muitos lugares no mundo onde os pais não têm condições para criar os filhos…
—… e, por isso, têm que deixá-los em instituições como aquela no Gana, em África, aonde nós te vimos pela primeira vez — acrescentou a mãe.
— E nesses lugares existem muitos meninos como eu, mamã? — perguntou a Luena.
A resposta chegou pela mão da irmã mais velha, a quem os dez anos davam direito legítimo a uma resposta sempre na ponta da língua:
— Espalhados pelo mundo, existem meninos de todas as raças e cores que precisam de pais, porque os seus pais da barriga não puderam cuidar deles como eles mereciam.
«Raças» era uma palavra difícil para os irmãos mais novos. O Manuel sabia que era preciso perguntar para conseguir aprender e, por isso, não hesitou:
— O que são raças, papai?
— Raças são características diferentes dos meninos que nascem em todas as partes do mundo: em Portugal, no Gana, na China…
À Luena nunca lhe tinha ocorrido perguntar por que é que a sua cor de pele era diferente da dos seus irmãos… afinal somos todos diferentes uns dos outros! Há crianças gordas, magras, altas, baixas, meninos de olhos azuis e outros de olhos castanhos. A cor da sua pele fora sempre aquela, portanto era uma característica sua.
Ela também sabe que o que é realmente importante sente-se com o coração. E o seu coração traquina dizia-lhe que o importante é o amor que une as famílias e o sentimento de segurança que os filhos têm junto dos pais.
— Ao ver-te pela primeira vez, o nosso coração cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou e, desde esse momento, a nossa vida deixou de fazer sentido sem ti — revelou a mãe com ternura.
A Luena ficou em silêncio a saborear o olhar apaixonado dos pais e a pensar em todas as crianças que não têm uma família.
Imaginou os meninos que não pertencem a ninguém e que adormecem à noite sem ter os pais ao seu lado para lhes contarem uma história. Imaginou como deve ser difícil não receber um beijo da mãe todas as manhãs. Imaginou como se devem sentir sozinhas as crianças que estão à espera de conhecer os seus pais do coração…
Espontaneamente correu e abraçou os seus pais com toda a força que conseguiu, numa tentativa desesperada de lhes fazer sentir todo o amor que tem por eles.
— Que bom que é ter uma família! — exclamou feliz.
E a sabedoria dos dez anos da Maria traduziu-se numa verdade simples que, no coração, todos sentem como uma certeza:
— Luena… a nossa família não seria a mesma sem ti…
— É verdade Luena, estamos muito felizes por termos uma irmã como tu — acrescentou o Jorge.
— Papai, e o que acontece às outras crianças que ainda não tem uma família? — perguntou o Manuel.
— Estão à espera de encontrar corações apaixonados que engravidem de amor e consigam formar uma família como a nossa — explicou o pai.
— Sabem que às vezes isso acontece muito depressa, mas outras demora mais tempo. Porém o mais importante é que, no final de tudo, encontrem uma família… e de certeza que isso acaba por suceder! — concluiu a mãe.
A Luena ficou tranquila com as palavras da mãe em relação aos outros meninos que ainda se encontram a viver em instituições. Contudo, uma dúvida insistia em formar a covinha que aparecia na sua bochecha esquerda sempre que algo a preocupava:
— Mamã… mas como é que esses pais que engravidam do coração conseguem escolher uns meninos e deixar lá outros?
— Na verdade, filhota — explicou a mãe orgulhosa da sensibilidade da filha —, esses pais não escolhem os filhos… mesmo que não percebam, eles é que são os escolhidos. Um coração só engravida quando se apaixona, por isso é que pouco importa se os filhos nascem da barriga das mães ou dos seus corações. O amor só pode ser um laço natural… porque ninguém nos pode obrigar a amar!
— Tu, por exemplo, — continuou o pai – escolheste-nos no dia em que te conhecemos e, depois de nos conquistares, deixaste-nos amar-te. As fotografias que te faltam aí no álbum não são importantes, porque a nossa história de amor começou mais tarde, e nem todas as histórias de amor tem de começar numa maternidade.
— Se pensares bem, filhota — acrescentou a mãe —, não há fotografias de todos os momentos felizes que passámos juntos, porque alguns desses momentos guardámo-los cá dentro do coração, que é o melhor álbum da nossa vida!
O Manuel e o Jorge começavam a dar os primeiros sinais de cansaço com um bocejo traiçoeiro. A Maria, a quem a vida naquela noite até tinha conseguido ensinar qualquer coisa nova, foi contagiada e abriu a boca, denunciando a chegada da hora de dormir.
— Meninos, vamos para a cama! Hoje já ouviram uma linda história, que vos deu muito em que pensar! — exclamou o pai divertido.
A mãe levantou-se e distribuiu as crianças pelos quartos, ao ritmo de mimos e beijos de boas-noites. Quando chegou perto da cama da Luena reparou que a covinha da bochecha voltara a ficar visível.
— Mamã… ainda existem muitas famílias à espera de serem escolhidas por essas crianças? — perguntou-lhe a filha.
— Algumas, meu amor… — disse a mãe tentando tranquilizá-la —… mas não te preocupes, porque todas essas crianças vão, de certeza, escolher uma família como a nossa para serem muito felizes.
Aos poucos, a covinha foi desaparecendo. A Luena fechou os olhos, rendendo-se a um sono descansado, e começou a sonhar com um mundo cor-de-rosa, com pinceladas de muitas outras cores alegres e vivas que pintam a realidade de uma menina traquina de cinco anos.
A mãe inclinou-se e beijou o rosto daquela filha especial, que tinha trazido um brilhante arco-íris à sua vida. Depois, afastou-se em silêncio e ficou a pensar que, se todas as famílias soubessem quão maravilhosas e completas se podem tornar as suas vidas quando os seus corações engravidam, de certeza que as instituições do mundo ficariam vazias de crianças e as suas casas cheias de amor.

Alexandra Borges; Luís Figo; Ana Cardoso.

Filhos do Coração – A adoção explicada a pais e filhos.